Chega de obviedades: cinco videoclipes melhores que Thriller

Desde que Michael Jackson realizou o famoso videoclipe cheio de zumbis é comum ouvir de qualquer um que se trata do maior vídeo de música já feito na história.

É óbvio que o filme é bem produzido e há uma boa pitada de criatividade no vídeo (muito por conta da direção de John Landis), mas o que lhe é forte em qualidade no roteiro e em produção visual lhe falta em atuação artística e até mesmo a clássica dança dos mortos-vivos não é nenhuma preciosidade do balé Bolshoi.

Partindo do princípio que um vídeo de música pode ser sim uma expressão artística a ideia de se contar uma história por meio dele pode ser muito mais proveitosa para o espectador do que apenas uma série de imagens entrecortadas piscando e frente aos nossos olhos para servir de ilustração para a canção tocada no fundo.

Há quem ache simplesmente que um videoclipe não precisa ser tão levado a sério assim, mas mesmo que não for o roteiro dele pode ser um pouco mais bem acabado do que a maioria por aí o faz.

Dessa forma, o blog decidiu remar contra toda a maré e eleger cinco videoclipes melhores do que Thriller.


5º Lugar: All is Full of Love – Björk

Um filme no qual você visualiza a construção de dois robôs enquanto Björk canta através de suas bocas.

O tema da música: o amor se situa nas mais diferentes coisas, “tudo está cheio de amor” e quando menos esperamos aquelas personagens estáticas e sem a mínima expressão humana que cantam para nós começam a se beijar.

Muito bem dirigido por Chris Cunninghan, com imagens fortes entre o branco gélido, o negro das sombras e a poesia tanto das palavras sopradas pela cantora islandesa quanto da câmera que enfoca as luzes que vão e vêm. Belíssimo!


4º Lugar: Hurt – Johnny Cash

Eu sei que a covardia já se inicia por ser uma música de Johnny Cash, mas tem mais coisa por aí.

A filmagem é bonita por diversos aspectos, porém cito aqui apenas alguns detalhes que fazem dela algo magnífico:

* a expressão sofrida de Cash ao cantar e tocar a música passa uma dor verdadeira para qualquer ogro que assistir ao vídeo;

* o tom biográfico do filme também provoca olhos marejados para quem conhece um pouco da carreira do cantor americano;

* a ideia de mostrar cenas antigas de Johnny também é acertada e quando estas cortam para a imagem do velho Cash este contraste não se limita ao físico do artista, mas também ao conhecimento de que aquele é um dos últimos momentos dele na Terra.

Enfim, um belo libelo ao cantor que merece isso e muito mais pela sua trajetória musical, mas também um presente aos olhos e aos ouvidos de quem percebe as marcas do tempo e as dores do passado para um dos maiores cantores de nosso tempo.


3º Lugar: Sabotage – Beastie Boys

Banda dona de uma criatividade incrível em todos os disco que gravou os Beastie Boys sempre fizeram bons clipes também.

Nesse álbum de 1994 os meninos também não deixaram por menos e nos presentearam músicas e clipes tão bons quanto este “Sabotage”. A paródia dos filmes japoneses de monstros e robôs dos anos 70 “Intergalactic” é um destes exemplos.

“Sabotage” também se apropria de um sucesso dos anos 70: as séries e os filmes de ação policiais como “Shaft”, Starsky and Hutch” e “Chips”.

No caso, o filme é uma abertura ampliada que parodia essa sequência nos filmes daquela época. Com todos os nomes mexicanizados, o figurino apropriado, cenários toscos como os originais e as banheiras enormes que eram os carros daquele período.

Tudo funciona com os próprios músicos (Mike D, MCA e Ad-Rock) fazendo o papel dos policiais protagonistas de uma produção fictícia. Tem perseguição, close-ups na cara deles, além de tiros e explosões.

Uma maneira bem humorada de homenagear essas séries e também uma ótima forma de mostrar o trabalho da banda.


2º Lugar: Just – Radiohead

Um vídeo que inicia com um homem caminhando e que, de repente, se joga ao chão e de lá não sai.

O filme realizado para ilustrar “Just”, hit do segundo álbum da banda britânica Radiohead tem todos os elementos iniciais para um vídeo normal que não faz diferença nenhuma para a história da música, mas o que vem a seguir causa reflexão e questionamento.

Enquanto somos apresentados à dancinha esquizofrênica de Thom Yorke de vez em quando também acompanhamos o diálogo do homem deitado no meio do passeio público conversando com pedestres que insistem em perguntar a ele o que aconteceu. Sua resposta é sempre que “não aconteceu nada” (sabemos disso através de uma legenda ao longo do vídeo) e que apenas o “deixem em paz”.

A própria banda que toca dentro de um apartamento de vez em quando dá uma olhadinha para o aglomerado que se faz em torno do homem.

A letra de “Just” basicamente é sobre angústia, sentimento que percebemos também no homem caído que prossegue mantendo uma conversa improdutiva com as pessoas que querem ajudá-lo, mas podemos imaginar algo em torno de depressão, estresse e outras doenças advindas da vida cotidiana moderna.

O diabo é que o ato final do vídeo nos proporciona um clímax potencial com um anticlímax genial.

Não entendeu? Então assista ao videoclipe.


1º Lugar: Imitation of Life – R.E.M.

O R.E.M. é simplesmente uma das bandas que abriu espaço para o rock independente nos anos 80 tendo explodido para o Mainstrean somente em 1992 com o super hit “Losing My Religion”, mas também sempre ilustraram de forma competente sua músicas através dos seus videoclipes.

Dessa forma, quando lançaram o disco “Reveal” em 2001 era de se esperar que viessem bons vídeos sobre suas músicas.

Mas o que ocorreu com “Imitation of Life” é interessantíssimo já que a canção que fala da frivolidade da vida, do cinema, da indústria musical, do ser humano comum podia ser demonstrada na tela de diversas formas.

A escolha por mostrar uma festa num jardim em que inúmeros fatos ocorrem é acertada, criativa e otimamente produzida, mas ninguém esperava que tudo isso acontecesse literalmente ao mesmo tempo.

Desde a visualização esporádica de Michael Stipe (e sua indefectível dança), Mike Mills e Peter Buck, passando por traições, brigas, discussões, vergonhas alheias e afins o vídeo desenvolve uma técnica de mostrar as coisas indo e voltando para que não se perca o momento exato em que aquele fato ocorreu, além de sincronizar perfeitamente a letra da música com o abrir e fechar da boca das dezenas de personagens do clipe.

Dirigido por Nick Goldsmith é impossível que não se tenha a sensação de que você assistiu a uma obra de arte quando vê “Imitation of Life”, além de perceber certo retorno da banda ao som característico de “Out of Time”, álbum de excelência do R.E.M.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s