Better Call Saul tem potencial para não viver apenas à sombra de Breaking Bad (mas calma, isso é só uma impressão)

 
Nunca um Spin Off nasceu debaixo de tanta expectativa. Também é difícil puxar pela memória alguma série que tenha tanta possibilidade de ser comparada do início ao fim com a produção da qual foi tirada sua ideia.
É assim sob a sombra de Breaking Bad que Better Call Saul , a série derivada que conta a história do advogado Saul Goodman (Bob Odenkirk), iniciou na última semana nos EUA e anteontem pelo Netflix brasileiro.
O episódio-piloto, portanto, tira proveito da comparação inevitável com a estória de Walter White e algumas surpresas aos fãs podem ser verificadas desde as primeiras cenas e o contato com o protagonista Saul Goodman.
Um exemplo é a cena antes dos créditos que faz referência à vida “normal” de Walter White como professor fracassado antes de enriquecer com o tráfico. Dessa forma, Goodman aparece num emprego qualquer num shopping center e logo se evidencia a mediocridade desta atividade. Até mesmo a trilha sonora levada por uma canção pop dos anos 50 embala a cena ajudando a nos lembrar daquela velha premissa de que mais do que o dinheiro a vida à margem da lei também promove status a quem a adota.
Mas mesmo aí há algumas diferenças em relação ao início de Breaking Bad. Não estamos no passado, mas sim no futuro e sua vida não surpreende o espectador, mas o instiga.
O prelúdio em preto e branco com que é apresentado Saul no episódio “Uno” acontece pouco tempo depois de ele ter se despedido de Walter. Mas o que se dá em seguida é uma narrativa centrada na vida do advogado seis anos antes de ele se envolver com o traficante de metanfetamina. E aí a vida é outra. Já em cores, o episódio propriamente dito tem início. Saul é advogado, mas atende pelo seu nome de nascença, Jimmy McGill.

É um fracassado e vive de pequenas ações para quem não tem dinheiro para contratar um bom advogado.

Neste ponto, há outra diferença evidente com o protagonista de Breaking Bad: o personagem principal de “Better Call Saul” possui um timin comíco muito bom, o que confere sutileza à trama. O primeiro caso que aparece em cena é a defesa de três estudantes que afanaram um cadáver da aula de anatomia. O que vem a seguir é hilário.

Cheio de contas vencidas, com um quartinho/escritório nos fundos de um salão de beleza, Jimmy tenta de todas as maneiras conseguir novos clientes. Ainda luta para que seu irmão mais velho, Chuck (Michael McKean), volte à ativa. Ao que parece será com seu irmão que haverá a constante luta moral contra o que ele se tornará posteriormente. .

É nesse ambiente que os personagens criados por Vince Gilligan (que também dirige o piloto) nos são apresentados.

Mas é importante dizer aos mais desavisados que não há relevância se o espectador não assistiu à premiada série anterior.
Mesmo assim, vê-se muito da mística de Breaking Bad na produção da AMC: cenas que se iniciam a partir de objetos; trilha sonora que invariavelmente faz parte da narrativa e diálogos absurdos ao melhor estilo Quentin Tarantino que podem enganar a quem o assiste, mas que fazem rir também.

Também voltam os ângulos inusitados e alguns planos abertos que acompanham o que se passa à distância como se fosse a atitude de um voyeur.

 
Apesar de tudo isso, parece caber exatamente a Bob Odenkirk o potencial de levar a série a patamares maiores do que a simples lembrança de que se trata de um spin off de uma produção famosa e clássica. Seu tino para a comédia e sua presença de cena são dois adjetivos que podem gerar muitos elogios a ele. 
Aqui no Brasil os episódios serão disponibilizados semanalmente todas as terças-feiras, mas ainda não existe nenhuma informação sobre qualquer estreia na tv fechada. Pelo fato de que Breaking Bad ter sido exibido pelo canal AXN fica a sensação de que essa parceria se repita, mas por enquanto é só especulação.
Veja um trailer de Better Call Saul:
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Um comentário em “Better Call Saul tem potencial para não viver apenas à sombra de Breaking Bad (mas calma, isso é só uma impressão)

  1. Better Call Saul, já se apresenta como uma produção não parasita de Breaking Bad, apesar dos (claro!) óbvios aparecimentos de personagens de BB. Interessante notar o aparecimento de Michael McKean, Chuck, que na série Arquivo X fez o oficial da Aeronáutica, Morris Fletcher. Pelas manias estranhas deste personagem, acreditava que Vince Gilligan faria uma homenagem a sua obra prima…

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