Mitologia Universal: doutrinação por parte dos poderosos ou evolução cultural das antigas civilizações?

A literatura e a leitura de textos antigos é importante para compreendermos como aconteceu a evolução da sociedade moderna e até mesmo das civilizações antigas, mas cabe dizer que tempos atrás o desenvolvimento dessas estórias era muito mais difícil de compartilhar entre as pessoas na mesma época, o que dirá de geração a geração.

O processo de informação era procedido através do boca-a-boca e por meio das criptografias e hieróglifos incipientes e ao ser modernizado para o período das primeiras formas de escrita isso se tornou mais fácil.

A construção de inúmeros mitos e a engenhosa maneira com as quais as diferentes civilizações realizaram sua mitologia transformaram não só uma gama de estórias num literatura mais fortalecida como também souberam doutrinar o povo tanto religiosamente quanto amansaram a sede por melhorias sociais.

Fazer com que pessoas acreditem em seres míticos e deuses poderosos esfria a necessidade das pessoas menos providas de poder de tentarem conquistar coisas melhores no plano terreno, pois acreditam que há algo melhor lá na frente como recompensa pelo perrengue passado por aqui.

Ao mesmo tempo, também é papel da Mitologia Universal criar uma cultura mais rica desde os tempos mais antigos até as civilizações mais modernas.

Estamos diante de uma dúvida cruel: essa literatura faz bem ou mal para a melhoria da cultura de um povo?


Abaixo, um artigo do site Cola Web sobre as diferentes faces dos mitos e da Mitologia:

O que é Mito?

Por Fernando de Carvalho Matos

Mitos são histórias tradicionais, quase sempre sobre deuses, heróis ou criaturas do mundo animal, que explicam por que o mundo é do jeito que é.

Pessoas de todos os tempos e de todos os tipos de cultura constataram que a vida está repleta de mistérios. Por exemplo: qual é a origem do mundo, por que o sol se movimenta atravessando o firmamento, o que faz as coisas crescerem, por que as plantas morrem no inverno e renascem na primavera, de que modo ocorrem as marés, por que há terremotos, para onde vão as pessoas quando morrem, se é que vão para algum lugar?

Na tentativa de responder a perguntas como essas, o homem criou narrativas que transcendem a existência comum e cotidiana e que se enraizaram em diferentes culturas.

Dessa maneira, as respostas para as mais complicadas indagações da vida foram transmitidas de geração para geração, na forma de mitos. Em geral havia semelhanças entres as histórias contadas em sociedade marcadamente distintas, como nas Mitologias da Grécia Antiga e dos Nórdicos, nas quais aparecem temas universais como a vida após a morte e a origem do mundo.

Os mitos eram bem mais do que o simples contar história. Cada cultura possuía cerimônias e rituais próprios associados aos mitos. Essa associação implicava representar histórias exemplares ou oferecer sacrifícios aos deuses, na esperança de receber alguma benção em troca, como uma boa safra ou a vitória em uma batalha.

Explicações mitológicas do mundo diferem das explicações apresentadas pela filosofia, que se baseiam na experiência e na razão. Os filósofos gregos buscavam explicações naturais, não explicações sobrenaturais.

Esses filósofos diziam que os mitos não combinavam com um entendimento adequado da realidade. Criticavam as histórias de Homero porque nelas os deuses tem exatamente as mesmas imperfeições dos seres humanos.

O pensamento mítico teve início na Grécia, do séc. XXI ao VI a.C. e nasceu do desejo de dominação do mundo, para afugentar o medo e a insegurança. A verdade do Mito não obedece à lógica nem da verdade baseada na experiência, nem da verdade científica.

É verdade compreendida, que não necessita de provas para ser aceita. É portanto uma percepção compreensiva da realidade, é uma forma espontânea do homem situar-se no mundo. Normalmente, associa-se, erroneamente, o conceito de mito à mentira, ilusão,ídolo, lenda ou ficção.

O mito não é uma mentira, pois é verdadeiro para quem o vive. A narração de determinada história mítica é uma primeira atribuição de sentido ao mundo, sobre o qual a afetividade e a imaginação exercem grande papel.

Não podemos afirmar também que o mito é uma ilusão, pois sua história tem uma racionalidade, mesmo que não tenha uma lógica, por trabalhar com a fantasia.

Devemos diferenciar mito e ídolo, pois mesmo existindo uma relação entre eles, o mito é muito “maior” que o ídolo (objeto de paixão, veneração).

O mito é muito confundido com o conceito de lenda, porém esta não tem compromisso nenhum com a realidade, são meras histórias sobrenaturais.

O mito não é exclusividade de povos primitivos, nem de civilizações nascentes, mas existe em todos os tempos e culturas como componente inseparável da maneira humana de compreender a realidade. O mito é, na realidade, uma maneira de entender o passado.

Um historiador de religiões, certa vez afirmou: “Os mitos contam apenas aquilo que realmente aconteceu”. Isto não quer dizer que os mitos explicam os fatos corretamente. Eles sugerem, entretanto, que por trás da explicação existe uma realidade que não pode ser conhecida e/ou examinada.


Tipos de mitos

Mitos cosmogônicos

Dentre as grandes interrogações que o homem permanece incapaz de responder, apesar de todo o conhecimento experimental e analítico está à origem da humanidade e do mundo que habita.

É como resposta a essa interrogação que surgem os mitos cosmogônicos. As explicações oferecidas por esses mitos podem ser reduzidas a alguns poucos modelos, elaborados por diferentes povos.

É comum encontrar nas várias mitologias a figura de um criador que, por ato próprio e autônomo, estabeleceu ou fundou o mundo em sua forma atual.

Os mitos desse tipo costumam mencionar uma matéria já existente a toda a criação: o oceano, o caos ou a terra.

A criação a partir do nada, unicamente pela palavra de Deus, aparece claramente no livro bíblico do Gênesis.


Mitos escatológicos

Ao lado da preocupação com o enigma da origem, figura para o homem, como grande mistério, a morte individual, associada ao temor da extinção de todo o povo e mesmo do desaparecimento do universo inteiro.

Para a mitologia, a morte não aparece como fato natural, mas como elemento estranho à criação original, algo que necessita de uma justificativa, de uma solução em outro plano de realidade.

Algumas explicações predominam nas diversas mitologias. Há mitos que falam de um primeiro período em que a morte não existia e contam como ela sobreveio por efeito de um erro, de um castigo ou para evitar a superpopulação.

Outros mitos, geralmente presentes em tradições culturais mais elaboradas, fazem referência à condição original do homem como ser imortal e habitante de um paraíso terreno, e apresentam a perda dessa condição e a expulsão do paraíso como tragédia especificamente humana.


Natureza do mito

Um dos livros mitológicos mais conhecidos é a “Ilíada”, de Homero, que conta sobre a Guerra de Tróia. Nenhum leitor, hoje em dia, aceita a obra de Homero como um relato histórico. Porém, não existe quase nenhuma dúvida de que, em algum tempo, muitos séculos antes de Homero, realmente houve uma guerra entre cidades-estado gregas e habitantes do noroeste da Ásia Menor.

Outro dos grandes mitos dos povos antigos é o Dilúvio. A versão mais conhecida é o relato, encontrado no Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, de Noé e sua arca.

Nenhum cientista hoje admitiria que uma enchente pudesse ter coberto toda Terra, com a água atingindo as mais altas montanhas, mas a antiga Mesopotâmia sofreu muitas inundações.

É provável que uma excepcional enchente tenha se tornado um tema para a futura criação de um mito. Talvez, as ocorrências de muitas inundações foram agrupadas para, juntas, tornar-se uma única estória.


A função dos Mitos

Os mitos tentam responder muitas questões.

Como o mundo surgiu? Como são os deuses, e de onde vieram? Como surgiu a humanidade? Por quê existe o mal no mundo? O que acontece após a morte? Os mitos também tentam explicar costumes e rituais de uma determinada sociedade. Eles explicam as origens da agricultura e a fundação de várias cidades.

Além de fornecer tais explicações, os mitos são usados para justificar o modo de vida de uma sociedade. Várias famílias em muitas civilizações antigas, justificavam os seus poderes através de lendas que descreviam suas origens como sendo divinas.

A narração mitológica envolve basicamente acontecimentos supostos, relativos a épocas primordiais, ocorridos antes do surgimento dos homens (história dos deuses) ou com os “primeiros” homens (história ancestral).

O verdadeiro objeto do mito, contudo, não são os deuses nem os ancestrais, mas a apresentação de um conjunto de ocorrências fabulosas com que se procura dar sentido ao mundo.

O mito aparece e funciona como intervenção simbólica entre o sagrado e o seu oposto (o profano), condição necessária à ordem do mundo e às relações entre os seres.

As semelhanças com a religião mostram que o mito se refere – ao menos em seus níveis mais profundos – a temas e interesses que ultrapassam a experiência imediata, o senso comum e a razão: Deus, a origem, o bem e o mal, o comportamento ético e a escatologia (destino último do mundo e da humanidade).


Mito e religião

Alguns especialistas, atribuem importância especial ao argumento religioso do mito. Com efeito, são muito freqüentes os mitos que tratam sobre a origem dos deuses e do mundo, dos homens, de determinados ritos religiosos, de preceitos morais, tabus, pecados e redenção.

Em certas religiões, os mitos formam um corpo doutrinal e estão estreitamente relacionados com os rituais religiosos, o que levou alguns autores a considerar que a origem e a função dos mitos é explicar os rituais religiosos.

Mas tal hipótese não foi universalmente aceita, por não esclarecer a formação dos rituais e porque existem mitos que não correspondem a um ritual.

O mito, portanto, é uma linguagem apropriada para a religião. Isso não significa que a religião, tampouco o mito, conte uma história falsa, mas que ambos traduzem numa linguagem de descrições e narrações uma realidade que ultrapassa o senso comum e a racionalidade humana e que, portanto, não cabe em meros conceitos analíticos.

Religião e mito discordam, não quanto à verdade ou falsidade daquilo que narram, mas quanto ao tipo de mensagem que transmitem.


Mito e sociedade

Como forma de comunicação humana, o mito está obviamente relacionado com questões de linguagem e também da vida social do homem, uma vez que a narração dos mitos é própria de uma comunidade e de uma tradição comum.

Não se conseguiu definir, no entanto, a natureza precisa dessas relações. O estudo da sociedade e da linguagem pode começar apenas com os elementos fornecidos pela fala e pelas relações sociais humanas, mas em cada caso esse estudo se confronta com uma coerência de tradições que não está diretamente aberta à pesquisa. Essa é a área em que atua a mitologia.

Algumas concepções mitológicas podem exemplificar a complexidade e a variedade das relações entre mito e sociedade.


Mito e psicologia

Freud deu nova orientação à interpretação dos mitos e às explicações sobre sua origem e função. Mais que uma recordação antiga de situações históricas e culturais, ou uma elaboração fantasiosa sobre fatos reais, os mitos seriam, segundo a nova perspectiva proposta, uma expressão simbólica dos sentimentos e atitudes inconscientes de um povo, de forma perfeitamente comparável ao que são os sonhos na vida do indivíduo.

Não foi por outra razão que Freud recorreu ao mito grego para dar nome ao complexo de Édipo.

Para ele, o mito do rei que mata o pai e casa com a própria mãe simboliza e manifesta a atração de caráter sexual que o filho, na primeira infância, sente pela mãe e o desejo de superar o pai.


Mito e arte

Pelo caráter simbólico que reveste, o mito pode ser considerado como uma forte manifestação artística e geradora de arte.

Em cada povo e civilização, os mitos são fonte de inspiração para as mais diversas obras de arte como esculturas, pinturas, inscrições, monumentos, construções de templos e até mesmo a disposição dos túmulos em cemitérios.

Hoje em vários museus do mundo existem quadros e esculturas representando os antigos personagens que fizeram parte da mitologia.


Mito e razão

Alguns autores reduzem os mitos a narrativas referentes há tempos antiquados e elaborados em épocas pré-críticas, isto é, antes do uso de métodos racionais de estudo e análise.

Entendem que o mito tornou-se, com o tempo, mera literatura, embora encontrem dificuldades para estabelecer com precisão quando teria cessado a criatividade mítica.

Outros estudiosos, ao contrário, consideram o pensamento mítico um constante estudo sobre o estudo e a classificação dos caracteres físicos dos grupos humanos, complementares ao pensamento racional e não um estágio “menos evoluído” deste.

Apontam, para demonstrá-lo, sinais de que o pensamento mítico está em operação em muitas das manifestações culturais contemporâneas como a arte.

O pensamento racional e científico não seria, portanto, um decifrador de mitos e substituto do pensamento mítico, mas pode ser capaz de reconhecer sua atualidade.

Enquanto a astronomia, com suas descobertas, esvaziou os céus, antes povoados de deuses, a sociologia e a psicologia descobriram forças que se impõem ao pensamento e à vontade humana, e portanto, atuam e se manifestam de modo independente.


Mitos sobre o tempo e a eternidade

Os corpos celestes sempre atraíram a curiosidade e o interesse humano, em todas as culturas.

A regularidade e precisão inalteráveis do movimento dos astros foram com certeza uma imagem poderosa na formação de uma idéia de “tempo transcendente”, concebido como eternidade, em contraste com o mundo de incessantes alterações e os acontecimentos inesperados vividos no tempo terreno.

O retorno periódico dos fenômenos siderais e de processos naturais terrestres projetou-se, em algumas culturas, na concepção repetitiva do tempo.


Mitos de transformação e de transição

Numerosos mitos narram mudanças cósmicas, produzida ao término de um tempo primordial anterior à existência humana e graças às quais teriam surgido condições favoráveis à formação de um mundo habitável.

Outras grandes transformações e inovações, como a descoberta do fogo e da agricultura, estão associadas aos mitos dos grandes fundadores culturais.

Nos mitos, são freqüentes as transformações temporárias ou definitivas dos personagens, seja em outras figuras humanas ou em animais, plantas, astros, rochas e outros elementos da natureza.

As mudanças e transformações que se dão nos momentos críticos da vida individual e social são objetos de particular interesse mitológicos e rituais: nascimento, ingresso na vida adulta, casamento, morte – acontecimentos marcantes para a pessoa e sua comunidade – são interpretados como atualizações de processos cósmicos ou de realidades míticas.


Deuses e heróis

Em muitas mitologias, descrevem-se hierarquias de deuses, cada uma com um ou mais deuses supremos. A supremacia pode ser partilhada pelos membros de um casal, ou ser atribuída simultaneamente a dois ou três deuses distintos.

Pode também variar com o tempo, segundo circunstâncias históricas, como por exemplo o domínio de um povo sobre outro ou o predomínio de determinados interesses e atividades (de tipo agrícola, guerreiro etc.).

São freqüentes os relatos de deuses supremos, por vezes identificados como criadores originais do mundo, que a seguir ficam inativos e deixam o governo a cargo de outro deus ou deuses.


O Mito hoje

Mas, e quanto aos nossos dias, os mitos são diferentes?

Tradicionalmente, a criação de mitos e lendas, olha para o passado para tentar fazer com que o presente tenha sentido. Ao invés disso, alguns mitos modernos olham para o futuro. Os contadores de estórias fazem uso de muitas invenções dos últimos séculos para tentar dar pistas de como a Terra será daqui há centenas de anos, ou para imaginar a vida daqui há bilhões de anos-luz no espaço ou no futuro distante.

A criação de mitos, assim como a superstição, não é apenas propriedade de pessoas que viveram há milhares de anos atrás. Isto persiste através da história.

O Oeste Americano do século 19 foi o assunto favorito para a criação de muitos mitos. O Oeste era uma realidade. Havia cowboys, índios, foras-da-lei e xerifes. Já as estórias de “Faroeste”, apresentadas no cinema e na televisão, são versões bastante românticas de uma realidade nada feliz e de riquezas.

O homem moderno, tanto quanto o antigo, não é só razão, mas também afetividade e emoção. Hoje em dia, os meios de comunicação de massa trabalham em cima dos desejos e anseios que existem na nossa natureza inconsciente e primitiva.

O mito recuperado do cotidiano do homem contemporâneo, não se apresenta com o alcance que se fazia sentir no homem primitivo. Os mitos modernos não envolvem mais a totalidade do real como ocorria nos mitos gregos, romanos ou indígenas. Podemos escolher um mito da sensualidade, outro da maternidade,sem que tenham de ser coerentes entre si.

Os super-heróis dos desenhos animados e dos quadrinhos, bem como os personagens de filmes, passam a encarnar o Bem e a Justiça, assumindo a nossa proteção imaginária.

Para não deixar passar em branco os 70 anos de Clapton

Ontem foi uma data icônica para o mundo do música de qualidade ao redor do mundo.

A celebração dos 70 anos de Eric Clapton não é apenas um marco para quem gosta dos dedilhados num guitarra ou violão, trata-se, mais do que isso, da vitória da excelência sobre música apequenada e idiotizante que assola o globo atualmente.

Falar de Clapton e sua extrema facilidade para tocar seu instrumento é também argumentar a favor de uma música que cada vez está mais relegada ao segundo plano e que diminui seu nicho de mercado a cada ano que passa.

Portanto, um cara que participou de gravações de estúdio tão importantes para o mundo do rock no início dos anos 60 é para ser festejado de maneira empolgada sempre.

Clapton passou a integrar o grupo virtuose Yardbirds ainda em 1963 e angariou sucesso em muito pouco tempo naqueles tempos tão prolíficos quanto aqueles  na Grã-Bretanha. O empresário da banda e grande entusiasta do blues chamava-se Giorgio Gomelsky e tinha acabado de abrir um lugar chamado CrawDaddy Club, no velho Station Hotel, em Richmond.

A banda que tocava no local nas noites de domingo era a recém-formada Rolling Stones. Lá Eric conheceu Mick, Keith e Brian em seu período de gestação, quando tocavam apenas R&B.

Foi através de algumas dicas e sugestões de Keith Richards que o músico entrou para a banda, pois o guitarrista Topham estava prestes a desistir da banda. Com o passar do tempo, os Yardbirds foram alternando seu estilo para um ritmo, mas próximo ao Pop, e como isso desagradava a Eric foi rápida sua troca. É bom lembrar que mesmo depois da saída de Eric Clapton os Yardbirds teriam ainda mais 2 grandes guitarristas como integrantes, sendo o primeiro Jeff Beck, e depois Jimmy Page.

Voltando à carreira mais ligada ao blues, Eric passou a integrar a John Mayall & the Bluesbreakers, estabelecendo seu nome como músico de blues tanto em cima do palco como também em gravações de estúdio.

A partir daí é que começam a surgir em Londres as pichações com a inscrição “Clapton is God” (“Clapton é Deus”) em Londres.

Como já era evidente sua fixação como música de qualidades inegáveis ele deixa os Bluesbreakers no ano de 1966 para formar o Cream (nome escolhido pelo próprio Eric).

Estávamos diante de um autêntico power trio do rock’n roll em conjunto com os igualmente excelentes Jack Bruce e Ginger Baker.

Embora o Cream seja apresentado como um dos melhores grupos daquela época, sua passagem pela Terra foi meteórica e muito curta. As conhecidas brigas entre Bruce e Baker aumentaram a tensão entre os três integrantes, levando ao fim do trio rapidamente.

“Goodbye”, álbum de despedida da banda, apresentava faixas ao vivo gravadas no Royal Albert Hall, e uma versão matadora de estúdio da música “Badge”, composta por Eric e George Harrison.

Aliás, essa amizade resultou na performance de Clapton em “While My Guitar Gently Weeps”, lançada no Álbum Branco dos Beatles.

Também foi essa amizade que de certa forma inspirou uma das mais bonitas músicas de Clapton, “Layla” que é descrita como o acompanhamento de Eric ao ver de perto o sofrimento da esposa de Harrison, Pattie Boyd, que vivia abandonada em razão do interesse do marido pela cultura hindu. Parece que Clapton acabou se apaixonando e isso o fez escrever a famosa canção.

Segue-se posteriormente uma passagem relâmpago pela banda Blind Faith na qual figurava outro artista de renome Steve Winwood e após um hiato curto passa a se apresentar em carreira solo.

A partir daí, trabalhando no Criterion Studios em Miami com o produtor Tom Dowd, Eric e sua banda de apoio (que depois ganhou o nome Dereck and the Dominos) gravaram o álbum duplo “Layla and Other Assorted Love Songs”.

Mas a tragédia marcou Eric e seu grupo durante sua breve carreira juntos. Durante as sessões, Clapton ficou devastado com a notícia da morte de Jimi Hendrix fazendo com que a banda  tenha gravado uma versão tocante de “Little Wing” como um tributo a ele, adicionando-a ao álbum.

Um ano depois, Duane Allman morreu em um acidente de motocicleta.

Seriam estes os estopins para o aprofundamento de Eric Clapton e os músicos que tocavam ao seu lado ao mundo das drogas e do álcool.

Aliás, algumas outras tragédias tomaram conta de alguns momentos da vida de Clapton:  No dia 27 de agosto de 1990, o guitarrista Stevie Ray Vaughan (que fazia turnê de sucesso com o músico inglês) e dois membros de sua equipe de apoio morreram em um acidente de helicóptero e no ano seguinte, em 20 de março de 1991, Conor, filho de quatro anos de Clapton com a modelo italiana Lori Del Santo, morreu depois de cair da janela de um apartamento.

Foi está última tragédia que inspirou a canção “Tears in Heaven”, e ainda pôde ressoar nas músicas “My Father’s Eyes” e “Circus Left Town”, ambas de 1998.

O maior sucesso fonográfico de Clapton continua sendo até hoje o “MTV Unplugged” de 1993 (vencedor do Grammy), e ainda teve relativo alcance comercial com o álbum “From The Cradle” trabalho que trazia várias versões de antigos sucessos do blues, dando destaque a seu estilo intimista ao violão.

Dando mais ênfase ao ecletismo musical, em 1997, ele gravou um álbum de música eletrônica sob o pseudônimo de TDF, intitulado “Retail Therapy”, com parcerias de respeito com Carlos Santana e B. B. King.

No início do novo século Clapton misturou aparições em álbuns de parceria como em “Marsalis & Clapton play the Blues (Live from Jazz At Lincoln Center – 2011)” e “The Breeze: An Appreciation of JJ Cale” (2014) com pouquíssimas atividades de estúdio como “Old Sock (2013).

Dessa forma, uma lembrança aos 70 anos de Eric Clapton é ainda muito pouco diante de toda a reverência que ele promoveu ao rock, ao blues e toda a música dos anos 60 para cá.

Long live to God!


Eric Clapton – Layla (Solo)

Cream – Crossroad

Yardbirds – Louise

Dez grandes momentos do Lollapalooza Brasil 2015

Muito sol e calor no sábado; Friaca, garoa e lama no domingo.

O Lollapalooza Brasil 2015 teve dois dias bem distintos não só nos quesitos tempo e temperatura, mas também em seu line-up.

Alguns problemas técnicos no primeiro dia com falha na  tecnologia das máquinas que recebem os pagamentos via cartão, falta de energia elétrica em alguns pontos, mas tudo resolvido a tempo de não oferecer maior tumulto tanto no sábado quanto na continuidade realizada no domingo.

Com a experiência de ter enfrentado a mesma maratona de shows no ano passado, o blog conseguiu angariar para a sua coleção de apresentações mais atrações do que o festival anterior.

Dessa forma, foram dez bandas assistidas por completo e mais duas parcialmente.

Assim, ficou mais fácil de realizar um top ten aleatório com alguns momentos mágicos acontecidos durante o evento em Interlagos.


A psicodelia contagiante do Boogarins

Se há uma banda brasileira atual com cacoete para grandes festivais ao mesmo tempo em que sabe ser intimista quando quer é esse Boogarins.

Os goianienses são realmente muito bons no palco e sua psicodelia inerente promove instantes de pura virtuose enquanto traz outras situações em que sua canções proporcionam uma viagem sonora e cerebral.

A apresentação rápida (cerca de 55 minutos) não teve pressa de acontecer com alguns momentos de experimentações instrumentais de seus integrantes, mas também não deixou de fora músicas ótimas de seu primeiro disco lançado em 2013, o “As Plantas que Curam” que acabou sendo relançado para o resto do mundo pelo selo americano.

O fato de Marina and the Diamonds ter cancelado seu show no mesmo palco onde a banda brasileira tocou os favoreceu, pois demoraram mais para entrar em cena e mais gente pôde assisti-los e conheceram seu som contagiante.

Pontos altos para as músicas “Avalanche”, “Lucifernandis”, “Erre” e “Infinu” que fizeram todo mundo cair na dança no palco Axe.


A esquisitice legal do Alt-J

Quando esses ingleses apareceram na cena local indie em 2012 com o estranhíssimo  “An Awesome Wave” ninguém poderia poderia supor que eles estariam nos principais festivais do mundo no ano de 2015.

A estreia de “This is All Yours” facilitou a questão, pois entraram nas paradas europeias e caiu no gosto americano também.

Perceber que uma banda altamente experimental e que abusa dos truques vocais em consonância com a instrumentação perfeita de seus integrantes e a ambientação interessante feita pelo teclado da banda é difícil de explicar, mas também é legal saber que o público adotou uma banda assim para gostar.

O fato de seus integrantes trocarem eventualmente de instrumentos também ajuda nessa ideia de que eles levam certa mudança para o cenário indie mundial.

O show foi cheio de experimentos, mas não deixou de lado os hits angariados por eles nos últimos anos.

Desta forma, houve bastante entusiasmo por parte da plateia que compreende que eles não nasceram para fazer presepada no palco e apoiam sua esquisitice musical.

Ponto alto para as faixas “Matilda”, “Tessellate” e “Every other freckle”, além de “Hunger of the Pine” que foi cantada em uníssono pelo público.


A batalha de guitarras entre St. Vincent e Toko Yasuda

Se o fato de ser imperdível o show da guitarrista americana se tornou verdade absoluta também é importante ressaltar que sua escolha por uma apresentação virtuosística foi extremamente acertada.

Além disso, a produção visual da cantora e de sua banda (reduzidíssima a apenas dois integrantes além dela) é algo muito bem cuidado e sua escolha por uma vestido preto maquiagem forte azul e verde e salto alto torna o show num espetáculo não apenas sonoro, mas num efeito visual incrível e bonito.

Desde o primeiro acorde de “Bring me Your Loves” até os hits “Digital Witness”, “Cheerleader”, “Birth In Reverse”, finalizando perfeitamente com “Your Lips Are Red”, tudo é muito bem realizado e treinado.

Até mesmo as dancinhas ensaiadas com sua tecladista e multi-instrumentista Toko Yasuda formam uma atração à parte. E é óbvio que a batalha de guitarras travada entre as duas está entre as melhores coisas vistas no festival deste ano.

Por fim, os solos de guitarra de Annie Clark promovem um espetáculo vibrante e apoteótico. Apresentação perfeita que só podia ter como reação do público aplausos efusivos.


A beleza da voz de Robert Plant e sua banda de excelência

É claro que aos 66 anos Robert Plant não possui mais o alcance vocal de 40 anos atrás. O abuso das drogas e álcool naquela época atrapalhou demais a garganta do ex-integrante do Led Zeppelin, mas ele ainda conta com uma coisa que nem o melhor vocalista atual conseguirá nos dias de hoje: experiência.

Através dessa qualidade Plant sabe como usar os timbres de voz da melhor forma possível e a beleza de seus arranjos permanece intacta.

Além disso, o cantor conseguiu reunir uma série de virtuoses ao seu redor para acompanha-lo em suas turnês. A banda intitulada Sensational Space Shifters é formada por gente muito boa.

Desde o baterista Dave Smith, o tecladista John Baggot, o baixista e guitarrista John Adams competentíssimos naquilo que produzem há uma certeza entre eles: devem fazer de tudo para que a estrela da companhia esteja sempre bem protegido para lançar mão de seus hits.

Uma atração realmente especial é ó multi-instrumentista gambiano Juldeh Camara, responsável pelas intervenções mais excêntricas e exóticas durante o show com um instrumento que parece a junção entre um berimbau com um violino e que faz um som sensacional que divaga entre os sons africanos e orientais.

Logo quando começou “Babe I’m Gonna Leave You” , música de Joan Baez regravada pelo Zeppelin em 1969, já havia quem se descabelasse achando que aquilo fosse um sonho. “The Lemon Song” foi mais um espetáculo impar.

Posteriormente, “Rainbow” e outras músicas do disco mais recente de Plant, ‘Lullaby… And The Ceaseless Roar”  vieram e não chegaram a esfriar a plateia, pois sempre vinham em meio a sucessos do Led.

Por fim, uma pegada mais pesada com “Whole Lotta Love” e o último suspiro com a não menos incônica “Rock’n Roll”. Os roqueiros de longa data saíram de alma lavada.


Jack White Transforma Palco Skol num grande Saloon

Que Jack White é um excelente músico e não arreda o pé de fazer experimentalismos em seus som e na maneira de tocar isso é uma verdade incontestável, mas a apresentação dele sempre é diferente onde quer que seja.

É formidável que haja um artista assim no cenário musical atual, pois sabemos que dá para aproveitar ao máximo tudo aquilo que sai de sua mente criativa.

O show dele, portanto, é muito bom não só por conta com hits da época de White Stripes, mas também é favorecido pelas intervenções do período em que trabalhou no The Racounters, além de se valer de suas ótimas músicas dos dois discos solos que fizeram dele um queridinho do mundo indie.

Mas há um plus: sua banda de apoio é sensacional!

Só isso já basta para se alegrar a assistir a essa apresentação irrepreensível, mas o baile de saloon no qual foi transformado o local onde tocou neste sábado fez com que Jack White esteja entre os melhores artistas que já pisaram por esses lados de Interlagos quando o assunto é Lollapalooza.



Molotov faz o show mais animado do Lolla 2015

Um show energético que fez o público entrar em pura insanidade durante boa parte de sua apresentação fez com que a banda mexicana fosse promovida a artista mais animado do festival de forma disparada.

É óbvio que o carisma de todos os seus integrantes em cima do palco e a forma anárquica com que realiza seu show facilita esse contato com a galera, mas também o Molotov é carregado por muitos hits ao longo da 1 hora de atividade enlouquecida.

O único momento em que houve uma rodinha de bate-cabeça durante todo o Lollapalooza 2015 também é de inteira responsabilidade dos chicos e a mistura entre as mudanças de instrumentos por parte de seu guitarrista e seu baterista em consonância com os efeitos visuais no telão (desde seios abundantes até líderes mundiais imbecilizados) também foram pontos altos do show do Molotov.

A plateia agradecida gritou muito durante a última música “Puto” e o nome da banda foi repetido inúmeras vezes ao final da apresentação.


Interpol aproveita chuva para desfilar suas letras sombrias

Uma banda calejada em festivais com um líder como paul Banks inspirado e afiado com seus hits e novas músicas.

Este é o Interpol, que ainda teve em seu guitarrista Daniel Kessler bem empolgado com o público e com seu instrumento de trabalho e a competência característica de Brad Truax e Sam Fogarino.

Aliás, muito da competência em palco se deve ao entrosamento entre Banks e Kessler.

O último álbum “El Pintor” foi bastante favorecido no set da banda com “All the Rage Back Home”, por exemplo, mas hits como “Evil”, “NYC” e a derradeira “Slow Hands”, todas inspiradas na depressão estilo Joy Division foram favorecidos pela garoa que insistiu em cair durante boa parte do show.

Muitos fãs foram angariados para a apresentação da banda americana e o resultado não foi desanimador, apesar de terem sido ouvidas reclamações ao final da curta estadia da banda no palco (cerca de 1 hora) de músicas que ficaram fora do set list.


Pitty: a Salvação do Rock Nacional

Falem o que quiser da Pitty: há quem diga que suas letras são fracas, outros dizem que ela poderia ser mais contundente na maneira de ser um ídolo roqueiro nacional, mas ninguém pode reclamar que ela não saiba segurar uma plateia.

Mesmo em relação às outras reclamações podemos dizer que houve um amadurecimento grande da cantora e para isso a experiência de sua boa banda também auxilia bastante.

Além disso, algumas declarações recentes dela fazem com que seja uma militante potente do cenário brasileiro.

A própria morte de Chorão há dois anos fez com que Pitty fosse alçada a maior estrela do rock por estes lados e a sua apresentação de ontem pode provar e comprovar isso.

Uma fileira de hits com as músicas novas sendo todas cantadas por um público que não é mais somente aquele cheio de garotinhas empolgadas.

Já se percebem alguns marmanjos no meio disso tudo e a forma como Pitty se sente mais segura em cima do palco faz com que isso seja mais claro e evidente de um tempo para cá.

Ela, provavelmente, seja a salvadora do rock nacional nesses tempos de vacas magras.



Pharrel Williams e seu caminhão de hits

O rapaz é um fazedor de sucessos.

Desde os anos 90 já passeia pelas paradas mundiais, mas foi com o trabalho realizado com o Daft Punk que sua música começou a ser mais presente nas rádios daqui.

Além disso, seu mais recente disco promoveu muita celeuma por conta da facilidade com que transmite a essência da música mainstream: refrões fortes, riffs fáceis e música potente. Sucesso total!

Claro que a recente condenação de plágio pela música “Happy” vencida pela família de Marvin Gaye minimizam um pouco a genialidade de Pharrell, mas o rapaz continua muito talentoso e isso não muda sua posição em cima do palco.

O resultado é um festival de ótimos sons e muito carisma por parte dele até chegar ao momento mais esperado em que todos queriam gritar “Because I’m Happy”.

E tome um monte de meninas felizes batendo palmas sem parar ao lado dele até o fina apoteótico com fogos de artifício.


Billy Corgan e seu mau humor a favor do Rock

O Smashing Pumpkins tem uma história sólida no rock mundial por conta de três ou quatro álbuns quase perfeitos do início de sua carreira.

Após um hiato de alguns anos e muitas brigas e demissões da banda (muito por causa do temperamento de Billy Corgan) a oscilação se tornou característica do grupo.

Hoje temos apenas uma banda de apoio para que Billy desfile as grandes músicas do Pumpkins, mas não se pode reclamar da qualidade do som.

O rapaz continua centralizando as atenções todas e sua voz peculiar acaba por condensar mesmo tudo aquilo que se aplica ao nome famoso do grupo americano.

O resto dos componentes tem peso, pois conta com músicos do Rage Against the Machine e The Killers, mas é no careca gordinho que todos prestam atenção.

O show durou cerca de uma hora e meia e fechou a noite no palco Axe. O fato de tocar para um público menor acabou sendo bom, por selecionar os fãs que conhecem mais como funciona a cabeça do líder (ou único integrante real) da banda.

O repertório do novo álbum “Monuments to an elegy”, conta com canções diretas e acessíveis que não se esperavam do complicado Corgan a essa altura e tiveram boa recepção por parte da plateia. A sequência “Being beige” e “Drum + five” foi um bom exemplo.

Não têm o poder de “Tonight, tonight” (que contou com um errinho de Corgan) ou “Bullet with butterfly wings”, mas possuem punch para uma apresentação grande.

O final com “Today” ficou esquisito, pois o rapaz quis fazer um esquema meio bossa nova que ninguém entendeu, mas fechou melhor com o público cantando junto com o Smashing Pumpkins que sobrou, seu líder solitário, que enquanto finalizava a canção já percebia os fogos sendo lançados no palco de Pharrell que já havia feito todos felizes por aqueles lados.

Maio psicodélico em São Paulo (e com uma pitadinha gótica)

Se já há toda a expectativa em volta dos shows deste final de semana em São Paulo por conta do Lollapalooza Brasil 2015 também é importante lembrar que os Lolla Party invadem a mesma cidade para eventos mais pontuais e menores com as mesmas bandas e DJs que se apresentam em Interlagos amanhã e depois.

Hoje no Cine Joia tem atividade sold out com o Alt-J e outras festas na Funhouse e Blitzhaus com o tema do festival criado por Perry Ferrell.

Mas isso é só uma lembrança acerca do esquema que esquentará com os shows de St. Vincent, Jack White, Robert Plant e companhia que monopolizarão os comentários musicais das próximas 48 horas.

E se o mês de Abril parece estar reservado mais para a galera do metal com o Monsters of Rock há quem possa imaginar o que vai acontecer em Maio.

E pode crer que no mês do trabalho não faltará apresentação boa para assistir.

Já havíamos falado sobre a vinda do Temples, banda de Psych Rock com influência de boa parte dos grupos da cena psicodélica dos anos 60 tanto na Inglaterra quanto nos EUA. Os caras conseguem ter pitadas da sonoridade do The Zombies, dos malucos do 13th Floor Elevator, algumas coisas que lembram a discografia inicial de Beach Boys e Pink Floyd e mesmo assim ainda conseguem transpirar uma ambientação e sonoridade próprias.

O grupo apareceu para  mundo com o ótimo “Sun Structures” e teve um lançamento global em 2014 aproveitando os elogios recebidos por Noel Galagher e Johnny Marr agora confirmou presença em São Paulo em 16 de Maio no Club NME em Pinheiros. O evento ainda terá uma promoção com bandas novas e uma dessas contempladas pela atividade patrocinada pela produção da festa tocará na abertura dos trabalhos do dia.

Adquira aqui o seu ingresso: http://www.rockinchair.com.br/temples/Show/temples-sao-paulo-2015/3077

Um pouco antes deste sábado voltado ao som dos anos 60 teremos uma apresentação da banda The Horrors no Audio Club dentro do Popload Gig no Beco Club na Rua Augusta no centro da capital paulista.

Além da banda inglesa também tocará na noite a super psicodélica Boogarins saída diretamente de Goiás para o mundo.

O show com os dois ótimos grupos acontecerá no dia 06 de Maio, exatamente uma semana antes do evento com o Temples.

Portanto, corra para comprar o seu ticket já que ambas as casas não são tão grandes assim e as três bandas tem angariado muitos fãs por aqui, mesmo que a divulgação de seus sons não chegue às rádios e tvs nacionais com tanta facilidade assim.

No caso do The Horrors, eles estão completando dez anos de carreira. O grupo liderado por Faris Badwan volta ao Brasil depois do lançamento de seu quarto álbum, Luminous (2014), um dos mais vendidos no Reino Unido, no ano passado.

Sua sonoridade tem modificado a cada álbum e seu estilo tem se reinventado de tempos em tempos, mas não perdem de maneira nenhuma a atmosfera dark que aparece desde o primeiro trabalho dos ingleses.

Puxado pelos ótimos singles “I See You” e “So Now You Know”, o novo álbum mescla o gothic-rock conhecido do quinteto com alguns ecos do pop dos anos 80, especialmente através do vocal algo distante de Badwan.

Até a revista Rolling Stone já definiu o som do The Horrors como uma mistura de Echo and the Bunnymen com o eterno DJ italiano Giorgio Moroder.

No que diz respeito ao Boogarins há muita expectativa em relação a eles já que o primeiro disco foi muito bom, houve muita empolgação por parte de quem cuida dos negócios dos rapazes e acabaram fechando contrato com o selo indie americano Other Music Recording. O álbum “As Plantas Que Curam”, que foi lançado também no exterior, ajudou muito os caras a conseguirem apresentações em alguns dos melhores festivais alternativos ao redor do globo.

Adquira seu ingresso aqui: http://www.poploadgig.com/ingressos/

Portanto, prepare o bolso e não se deixe cansar pela quantidade de boas opções nos próximos meses na Pauliceia Desvairada.

Que crise o quê! O que vale é curtir o bom e velho rock’n roll.

Temples – Shelter Song

The Horrors – So Now You Know

Boogarins – Resolvi Ir

Frightful Films

Um texto bacana sobre filmes de terror e a imaginação que deve haver neles.

The Honest Courtesan

Where there is no imagination there is no horror.  –  Sir Arthur Conan Doyle

Scary Movies” is the name of my one year ago today column, but it’s about the interaction between porn and escorting; I did do a short piece on vampire sex workers as part of October Miscellanea, but since I really love horror movies, I think we’re long overdue for a discussion of them.  Before we start I should mention that slasher flicks aren’t horror; yes, I know that video stores stock them with horror and movie companies often stamp “horror” on the boxes, but that’s about as valid an argument as “the sex offender registry is not a criminal penalty because it is housed in an administrative agency, not in a court office or in an agency charged with carrying out punishment.”  Slashers are actually more closely related to porn than horror…

Ver o post original 1.449 mais palavras

Cover Wars: Alice in Wonderland

Ótimo artigo de literatura para quem lê em inglês

The Book Wars

coverwars3

Join us in judging books by their covers! This week’s cover wars will follow the same format as last week’s: instead of many books, we’ll look at many covers of the same books and assess them based on how well or poorly they represent the story, and which aspect of the characters or plot are emphasized. Happy reading!

Alice 1

Steph: I kinda like it. I’m not sure about all the blank space, I mean, it’s a very plain cover for such a riotous book full of action and colour and mischief. I like the illustration of the rabbit, and I suppose the “white rabbit” could account for the blankness of the cover… and now I’m think Tabula Rasa and wondering if there is a connection to the White Rabbit there, but I think that’s for an essay and not for a cover judgement. I kind of wish that Wonderland were highlighted…

Ver o post original 1.249 mais palavras

Florence + the Machine voltando pouco a pouco

A cantora conhecida pela sua potência vocal e seus sons ambientados na seara de uma instrumentação comedida vai reaparecendo devagarinho, quase parando, afim de mostrar algumas músicas antes do lançamento de seu novo trabalho cheio.

A volta da banda da moça inglesa que adora dar uns gritinhos está confirmada pela Island Records dia 02 de junho, mas o nome “How Big, How Blue, How Beautiful” já está definido.

A produção ficou a cargo do produtor Markus Davies, já reconhecido pelo trabalho que realizou junto com Björk em seu terceiro disco solo de 1997, o excelente “Homogenic”.

 O álbum de agora sai após um hiato de quatro anos Florence Welch e sua trupe. Mas, de qualquer jeito, nas últimas semanas os fãs puderam ouvir primeiramente “What Kind of Man” e agora sai essa “St. Jude”.

Ambas já estão disponíveis, inclusive, para venda pelo iTunes.

“St. Jude” ainda é bem apoiada com a parte visual, pois o vídeo clipe é bem produzido e dirigido por Vincent Haycok e traz o tema favorito da banda, ideias esotéricas, algo místico e uma sonoridade densa para ambientar a voz (bela, é verdade) da ruiva que, por vezes, parece querer ceder á ópera.

Veja abaixo o clipe: