O sensacionalismo venceu no Brasil

 
Ao me deparar com as notícias sobre as últimas semanas na televisão brasileira há muito a respeito das manifestações anti e pró Dilma, o horrendo escândalo da Petrobras e os diferentes sinais que demonstram o aprofundamento do país numa crise institucional, política e econômica.
 
Mas se realizarmos uma busca mais contundente nas manchetes acerca da mídia televisiva iremos encontrar críticos da área se referindo à reestreia de Gugu Liberato na Rede Record.
 
O que mais impressiona no retorno do apresentador aos televisores nacionais é a sua inalterada ideia do quanto pior melhor, no qual se utiliza de meios pouco qualitativos, éticos e morais para faturar mais audiência.
 
Mais do que isso, apela para o sensacionalismo a fim de conseguir angariar mais público para o seu programa.
 
Desde quando começou a fazer parte novamente da grade de programação do canal de Edir Macedo, Gugu já entrevistou (é o termo mais adequado para o que ele faz, já que não tem nenhum preparo para tanto) a detenta Suzane Von Richthofen, famosa por ter assassinado os próprios pais, mostrou um conhecido cirurgião para falar de seus problemas com o pai e agora me aparece com um bate-papo com o ex-goleiro Bruno que está preso por conta do assassinato de sua ex-namorada.
 
A situação se repete: música triste ao fundo, perguntas feitas para que o entrevistado chore, grandes monólogos do apresentador para sensibilizar a plateia manipulada e o espectador embasbacado que é tomado por uma lavagem cerebral por meio de sentimentos de pena e dó.
 
Pensando nisso tudo, não há como negar que o sensacionalismo venceu, não tem como não pensar de que precisa mostrar desgraça na tv brasileira e de que o público daqui gosta de ver o circo pegar, pois é algo já bastante enraizado em nossa cultura.
 
Mais do que isso, a visão do povo brasileiro se estreita quando as coisas vão mal e só conseguem visualizar o que é ruim, não dando espaço para coisas mais proativas ou necessárias para nossa própria melhoria.
 
Vejam o caso das últimas manifestações que demonstram o quanto a raiva de todos nós está sendo exteriorizada apenas em direção da figura da presidente Dilma Rousseff e da crise que se avizinha às nossas casas ao mesmo tempo em que nos esquecemos de todos os outros corruptos do Congresso Nacional que, na calada da noite, conseguem aprovar um aumento nas verbas de campanha para os partidos que praticamente triplica o montante que antes já era de absurdos 289 milhões de reais para surreais 867,5 milhões de reais.
 
Ou seja, com os olhos abertos apenas voltados a um lado, a raposa (essa corrupção generalizada que toma conta de governo e empresas ligadas a ele) continuar a roubar as nossas galinhas (ou o nosso dinheiro, o a nossa dignidade, ou qualquer outra coisa que quiser colocar no lugar).
 
E aí me pego a pensar sobre esses programas televisivos que são hábeis em mostrar a desgraça alheia e toda a tristeza que advém da pobreza e da miséria humana. São os “Datena” da vida, os “Geraldo Luís” e qualquer outro Cidade Alerta que aparecer a nossa frente.
 
Tudo é muito pueril, desde o acidente que acontece na Marginal Tietê até a enchente que transborda do rio que leva o mesmo nome. O que importa ao apresentador (e com certeza ao diretor do programa) é a ênfase que tudo está dando errado e de que nada pode ser tão ruim se não puder piorar.
 
A não ser que se trate de algo do interesse da emissora, pois daí se suaviza a tinta em cima do problema, já que dependendo em que canal se está pousando os olhos é possível ser mais ou menos enfático com o governo estadual de Alckmin ou a administração municipal de Haddad. Todos eles têm amigos, mas só você pode dar audiência irrestrita a eles.
 
Mas por fim, não há como negar que todos possuem teto de vidro (já diria a poetisa Pitty) e picaretas como a dama branca Ana Maria Braga, o senhor da grana Silvio Santos, a “senhora” Jagger Luciana Gimenez ou até mesmo o onipresente canalha Luciano Huck conseguem dar suas gafes lá e cá.
Imagem de Luciano Huck e Angelica à época do lançamento da campanha “Somos Todos Macacos”
 
Mas daí, cada um deles conta com uma complacência midiática e uma paciência da plateia que são dignos de estudo acadêmico.
 
Ou como imaginar que um ser como o líder da família Abravanel viva da crença da dona de casa que compra seu carnê há duzentos anos e que em troca recebe um mísero liquidificador para enriquecer e que mesmo assim é tido como um pai da comunicação nacional e ídolo dessa mesma coitada que foi enganada. Como não pensar que isso é tão ou até mesmo mais grave do que qualquer charlatão de qualquer igrejinha inventado sob as bênçãos do senhor.
 
Veja o caso de Ana Maria Braga que inicia seu programa com uma linda mensagem de paz, amor e sustentabilidade, mas que vive de sugar sua mente para consumir mais e mais e mais, ininterruptamente.
 
Dona Gimenez usa e abusa da audiência dos mais simples, mas quando está dentro de seu helicóptero faz chacota d próprio público.
 
E por último o mais hipócrita de todos, o apresentador Luciano Huck que ganha dinheiro (e audiência) através da humilhação dos mais necessitados, mas ultimamente tem se notabilizado em fazer tudo aquilo que foge à ética e ao mínimo de bom senso usando mensagens antirracismo para obter mais grana em seus cofres, oferece mulheres brasileiras para estrangeiros e faz apologia à pedofilia em camisetas fofinhas.
 
O problema todo está na inanição do público tupiniquim já que este não dá um basta em tal situação dando a entender que realmente se deleita com esta forma de tratar o ser humano, ou seja, a si mesmo.
 
Pois é certo que o sensacionalismo virou uma praxe comum à televisão e à mídia eletrônica em geral por esses lados do Atlântico, mas também é bastante importante que seja analisada essa condição em que nos metemos segundo a qual há certo comodismo com a qualidade da programação de nossa televisão aberta.
 
Também é indicativo fácil de perceber que não há nenhuma crítica ao modo como nos é mostrada a realidade brasileira por meio da telinha e como achamos interessante demais bisbilhotar a vida alheia nos Big Brother da vida, mas como não indicamos indignação pela forma com a qual nós mesmos somos retratados pela mídia.
 
Se é legal perceber que acordamos para reclamar por um país melhor desde os protestos de junho de 2013 ainda é nítido que não temos maturidade suficiente e perspicácia ideal para perceber o quanto a classe política é unida o bastante para brigar pelo poder mesmo que depois dividam as suas cotas de maneira igualitária quando ninguém mais estiver vendo.
 
E nisso o sensacionalismo serve muito ao propósito não só do governo quanto também da mídia e dos patrocinadores dos programas de TV (verdadeiros donos dessa republiqueta), pois desvia a atenção da população dos enormes, gigantescos problemas que ainda se escondem por trás dos cenários de gosto duvidoso da televisão brasileira.
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