Para não deixar passar em branco os 70 anos de Clapton

Ontem foi uma data icônica para o mundo do música de qualidade ao redor do mundo.

A celebração dos 70 anos de Eric Clapton não é apenas um marco para quem gosta dos dedilhados num guitarra ou violão, trata-se, mais do que isso, da vitória da excelência sobre música apequenada e idiotizante que assola o globo atualmente.

Falar de Clapton e sua extrema facilidade para tocar seu instrumento é também argumentar a favor de uma música que cada vez está mais relegada ao segundo plano e que diminui seu nicho de mercado a cada ano que passa.

Portanto, um cara que participou de gravações de estúdio tão importantes para o mundo do rock no início dos anos 60 é para ser festejado de maneira empolgada sempre.

Clapton passou a integrar o grupo virtuose Yardbirds ainda em 1963 e angariou sucesso em muito pouco tempo naqueles tempos tão prolíficos quanto aqueles  na Grã-Bretanha. O empresário da banda e grande entusiasta do blues chamava-se Giorgio Gomelsky e tinha acabado de abrir um lugar chamado CrawDaddy Club, no velho Station Hotel, em Richmond.

A banda que tocava no local nas noites de domingo era a recém-formada Rolling Stones. Lá Eric conheceu Mick, Keith e Brian em seu período de gestação, quando tocavam apenas R&B.

Foi através de algumas dicas e sugestões de Keith Richards que o músico entrou para a banda, pois o guitarrista Topham estava prestes a desistir da banda. Com o passar do tempo, os Yardbirds foram alternando seu estilo para um ritmo, mas próximo ao Pop, e como isso desagradava a Eric foi rápida sua troca. É bom lembrar que mesmo depois da saída de Eric Clapton os Yardbirds teriam ainda mais 2 grandes guitarristas como integrantes, sendo o primeiro Jeff Beck, e depois Jimmy Page.

Voltando à carreira mais ligada ao blues, Eric passou a integrar a John Mayall & the Bluesbreakers, estabelecendo seu nome como músico de blues tanto em cima do palco como também em gravações de estúdio.

A partir daí é que começam a surgir em Londres as pichações com a inscrição “Clapton is God” (“Clapton é Deus”) em Londres.

Como já era evidente sua fixação como música de qualidades inegáveis ele deixa os Bluesbreakers no ano de 1966 para formar o Cream (nome escolhido pelo próprio Eric).

Estávamos diante de um autêntico power trio do rock’n roll em conjunto com os igualmente excelentes Jack Bruce e Ginger Baker.

Embora o Cream seja apresentado como um dos melhores grupos daquela época, sua passagem pela Terra foi meteórica e muito curta. As conhecidas brigas entre Bruce e Baker aumentaram a tensão entre os três integrantes, levando ao fim do trio rapidamente.

“Goodbye”, álbum de despedida da banda, apresentava faixas ao vivo gravadas no Royal Albert Hall, e uma versão matadora de estúdio da música “Badge”, composta por Eric e George Harrison.

Aliás, essa amizade resultou na performance de Clapton em “While My Guitar Gently Weeps”, lançada no Álbum Branco dos Beatles.

Também foi essa amizade que de certa forma inspirou uma das mais bonitas músicas de Clapton, “Layla” que é descrita como o acompanhamento de Eric ao ver de perto o sofrimento da esposa de Harrison, Pattie Boyd, que vivia abandonada em razão do interesse do marido pela cultura hindu. Parece que Clapton acabou se apaixonando e isso o fez escrever a famosa canção.

Segue-se posteriormente uma passagem relâmpago pela banda Blind Faith na qual figurava outro artista de renome Steve Winwood e após um hiato curto passa a se apresentar em carreira solo.

A partir daí, trabalhando no Criterion Studios em Miami com o produtor Tom Dowd, Eric e sua banda de apoio (que depois ganhou o nome Dereck and the Dominos) gravaram o álbum duplo “Layla and Other Assorted Love Songs”.

Mas a tragédia marcou Eric e seu grupo durante sua breve carreira juntos. Durante as sessões, Clapton ficou devastado com a notícia da morte de Jimi Hendrix fazendo com que a banda  tenha gravado uma versão tocante de “Little Wing” como um tributo a ele, adicionando-a ao álbum.

Um ano depois, Duane Allman morreu em um acidente de motocicleta.

Seriam estes os estopins para o aprofundamento de Eric Clapton e os músicos que tocavam ao seu lado ao mundo das drogas e do álcool.

Aliás, algumas outras tragédias tomaram conta de alguns momentos da vida de Clapton:  No dia 27 de agosto de 1990, o guitarrista Stevie Ray Vaughan (que fazia turnê de sucesso com o músico inglês) e dois membros de sua equipe de apoio morreram em um acidente de helicóptero e no ano seguinte, em 20 de março de 1991, Conor, filho de quatro anos de Clapton com a modelo italiana Lori Del Santo, morreu depois de cair da janela de um apartamento.

Foi está última tragédia que inspirou a canção “Tears in Heaven”, e ainda pôde ressoar nas músicas “My Father’s Eyes” e “Circus Left Town”, ambas de 1998.

O maior sucesso fonográfico de Clapton continua sendo até hoje o “MTV Unplugged” de 1993 (vencedor do Grammy), e ainda teve relativo alcance comercial com o álbum “From The Cradle” trabalho que trazia várias versões de antigos sucessos do blues, dando destaque a seu estilo intimista ao violão.

Dando mais ênfase ao ecletismo musical, em 1997, ele gravou um álbum de música eletrônica sob o pseudônimo de TDF, intitulado “Retail Therapy”, com parcerias de respeito com Carlos Santana e B. B. King.

No início do novo século Clapton misturou aparições em álbuns de parceria como em “Marsalis & Clapton play the Blues (Live from Jazz At Lincoln Center – 2011)” e “The Breeze: An Appreciation of JJ Cale” (2014) com pouquíssimas atividades de estúdio como “Old Sock (2013).

Dessa forma, uma lembrança aos 70 anos de Eric Clapton é ainda muito pouco diante de toda a reverência que ele promoveu ao rock, ao blues e toda a música dos anos 60 para cá.

Long live to God!


Eric Clapton – Layla (Solo)

Cream – Crossroad

Yardbirds – Louise

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Um comentário em “Para não deixar passar em branco os 70 anos de Clapton

  1. Eric Clapton tambem é famoso por ser “temperamental”, “durão” dentro e fora dos bastidores. Coisa que todo bom e conceituado musico deveria ter!! O que dizer de Jimi Hendrix,Jeff Beck… (Talvez o unico rival autêntico do melhor guitarrista do mundo ate hoje)… Ataques de estelismo??!??Sei lá…,Nem Freud explica!!!!

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