A morte de Eduardo Galeano atinge a veia mais profunda do pensamento latino-americano. E uma homenagem a Günter Grass.

 
A morte, muitas vezes, mente! Essa era uma frase normalmente repetida por Eduardo Galeano para ressaltar a importância das pessoas que lutaram pela redemocratização de grande parte dos países do eixo latino-americano, pois acreditava mesmo mortas algumas pessoas voltam à vida a partir das conversas, da memória e das decisões.
 
Infelizmente, desde a manhã desta segunda-feira só será possível falar de Eduardo Galeano por meio de seus pensamentos e obras já que o escritor uruguaio, autor de livros como “As Veias Abertas da América Latina” (1971), “O Século do Vento” (1988) e “Nós Dizemos Não” (1990), morreu vítima de um câncer que estava em estágio muito avançado.
 
O pensador uruguaio nascido em Montevideo em 1940 ficou conhecido pelo livro de 1971, pois fazia um contraponto entre a pobreza existente no Hemisfério Sul com a fartura da Europa e EUA, numa análise que permitia discutir se o lucro deles não tinha a ver com a miséria dos lados de cá.
 
Mas não é só desta obra que a mente brilhante deste amante do futebol viveu.
 
Livros como “O Livro dos Abraços” (1991), “De Pernas pro Ar” (1999) e “As Palavras Andantes” (2004) são exemplos de uma escrita bem feita e de uma forma de explicar as coisas simples e objetiva, mas que não dispensava uma retórica poética.
 
Galeano sempre gostou de frases de efeito, mas essas não eram mero realce ao seu discurso. Pelo contrário, faziam com que suas explanações tivessem maior sentido para o leitor.
 
Com a ascensão da Ditadura Militar em todo o continente sulamericano nas décadas de 60 e 70 o uruguaio foi obrigado primeiro a se exilar na Argentina e com o aumento da truculência por lá foi de vez morar na Espanha recém-redemocratizada.
 
É óbvio que sua obra foi abraçada pela intelectualidade esquerdista e pelos movimentos sociais dos países da América do Sul e virou um hit entre os partidos socialistas, mas também não é por isso que não teve uma revisão do próprio autor que começou a falar em entrevistas e congressos nos últimos anos que o livro escrito no início dos anos 70 deveria ter uma revisão, pois suas argumentações precisavam ser conduzidas a novas análises.
 
O autor voltou a viver em sua cidade natal ainda em 1985 e desde lá era possível encontra-lo num bairro próximo ao Estádio Olímpico.
 
Dono de uma simplicidade notável Eduardo Galeano deixa um legado de criatividade escrita, mas de uma sensibilidade na maneira como contava o que queria ao seu leitor que mesmo tendo sido hoje a sua morte já deixa um rastro de saudosismo a quem admira um belo texto.
 
Pena ainda maior que o tal passamento de Galeano tenha acontecido no mesmo dia da morte do também escritor Günter Grass.
 
O autor, intelectual, dramaturgo, romancista, poeta e artista plástico alemão tinha 87 anos e estava  internado há alguns dias numa clínica na cidade de Lübeck, Alemanha.
 
Günter Grass se tornou famoso por conta de sua primeira obra literária “O Tambor” (1959) que rapidamente virou best-seller mundial e alavancou sua carreira até chegar ao topo com um Prêmio Nobel de Literatura.
 
Além disso, o escritor se tornou um dos maiores representantes do “Teatro do Absurdo” alemão com obras que correram o mundo.
 
O dramaturgo utilizou a própria literatura para derrotar seus fantasmas do passado, pois em “Descascando a Cebola” ele retrata a época em que fez parte da Waffen SS, uma das forças de elite do exército de Hitler, algo que causou muito alvoroço já que ele sempre foi crítico mordaz daquela época e dizia ser necessário sempre lembrar aquele período de seu país para que algo parecido não se repetisse.
 
Outras obras do alemão são “O Passo do Caranguejo”, “Meu Século” e “Um Campo Vasto”, livros de muito sucesso na época em que foram lançados.
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