50 anos de (in) satisfação (ou por que “Satisfaction” é esse hino todo do rock)

Os Rolling Stones se preparam para nova turnê nos EUA e sua verve roqueira aparecerá mais uma vez no Brasil ao final de 2015 ou início de 2016 (ainda há detalhes dos produtores para confirmar a data específica), mas é claro que a canção que os alçou para um patamar somente atingido por pouquíssimas bandas na história do rock será repetida em uníssono por plateias ao redor do globo.

A história de “(I Can’t Get No) Satisfaction” é cheia de mistérios e nuances que fazem dela um dos maiores hits de todos os tempos.

O que seria apenas um afronta de Mick Jagger e Keith Richards ao consumismo desenfreado, também pode ser considerado um hino hedonista e sexista que perpassa pela dança sensualizada com que o vocalista hipnotizava seu público e que não parava de tocar nas rádios há exatos 50 anos.

A música foi gravada nos Estados Unidos, durante o mês de maio de 1965, e foi incluída na programação das rádios tanto de lá quanto da Grã-Bretanha pouco mais de três semanas depois. O que se procede posteriormente é muito rápido e o topo das paradas, onde ficou por quatro semanas na primeira posição, foi só o começo.

Até mesmo aqui no Brasil, país que não foi sugado pela onda inglesa daquele período (provado pela pesquisa realizada pelo jornalista André Barcinski no livro “Pavões Misteriosos”.) a música “Satisfaction” chegaria ao número 1 entre as mais tocadas no Brasil no ano seguinte, em 1966.

O mesmo aconteceu no restante do mundo todo. A revista “Rolling Stone” já elegeu a música como a segunda maior de todos os tempos e o canal de TV VH1, considera a maior canção de rock da história.

Mas não é somente o conteúdo da letra que fez de “Satisfaction” um sucesso imediato. A coisa também tem a ver com seu ritmo, seu distanciamento do blues tradicional e do rhythm and blues (que possuíam mais identificação com os adultos do que com os jovens) e a sonoridade característica da guitarra de Richards, contando ainda com um riff que ficaria para a posteridade.

O riff (espécie de frase musical de fácil reconhecimento) abre a faixa e retorna posteriormente no momento de cada refrão e faz com que depois de meio século seja possível que até uma pessoa pouco entendida no estilo musical consiga capta-la como um de seus ícones históricos.

A capacidade de prender a atenção do ouvinte desde o seu início, portanto, é uma das qualidades inerentes de “Satisfaction”. Este sustentáculo se mantem vivo durante os três minutos e quarenta e quatro segundas dela.

No que diz respeito à letra são marcações de diferenças entre gerações e as frustrações que as acompanham que fazem do single uma ideia genial para aquele contexto social. Jovens advindos do pós-guerra, como era o caso de Jagger, então com 21 anos, queriam se manter distantes do discurso consumista de seus pais que prezavam por este estilo de vida para fugir do passado escasso de anos atrás.

Durante a música, Jagger não quer saber de “useless information” (informações inúteis) saindo dos falantes do rádio ou das promessas do cara da televisão sobre “quão brancas minhas camisas podem ficar”.

Neste ponto, há um aprofundamento da questão de luta entre velhos e jovens. Se existe o papel do xaveco e da azaração no verso final da canção, o personagem da música (um rock star viajado que no fundo só quer transar com a garota) também acontece o corte da garota que pede para ele voltar depois: “Baby, melhor voltar na próxima semana, porque eu estou numa fase ruim” (em inglês “on a losing streak”, expressão usada no mundo esportivo para se referir a uma sequência de derrotas em jogos).

É óbvio que quem ouvia a música podia fazer alusão à menstruação da menina e isso não era algo comum à época.

Os líderes da banda terminaram de escrever a canção no Hotel Fort Harrison em ClearwaterFlórida. Eles estavam confinados em seus quartos já havia alguns dias quando a coisa começou a clarear em suas cabeças.

Após isso, Richards ficou preocupado que o riff soasse parecido com a canção “Dancing in the Street” do Martha and the Vandellas, mas Jagger disse mais tarde que “parecia uma canção folclórica quando começamos a trabalhar nela e Keith não gostara muito, ele não queria que fosse um single, não achou que ela se daria bem… eu acho que Keith pensou que era um pouco básica demais. Eu não acho que ele realmente a escutou adequadamente. Ele estava muito próximo a ela e apenas sentiu que tinha uma espécie de riff idiota.”

Jagger assinalou também que o título da canção se assemelha a um verso da canção “30 Days” de Chuck Berry. (A letra de Berry é “If I don’t get no satisfaction from the judge”).

Primeiro, ela foi gravada em 10 de maio de 1965 no Chess Estúdios de Chicago contando com Brian Jones no Harmônico, mas dois dias depois no RCA Estúdios de Hollywood, foram acrescentadas algumas batidas diferentes e o som distorcido da Gibson de Richards.

A canção acabou sendo incluída na versão americana do LP “Out of Our Heads” que já havia saído no Reino Unido anteriormente e teve de sair como single por lá.

A produção ficou a cargo de Andrew Loog Oldham e o engenheiro de som responsável foi Dave Hassinger.

Os participantes da gravação foram:

Mick Jagger – vocais principais e backing vocals

* Keith Richards – guitarra, backing vocals

* Brian Jones – violão

Charlie Watts – bateria

Bill Wyman – baixo

Jack Nitzsche – piano, tamborim

Em 2006, a biblioteca nacional dos EUA incluiu em seu acervo a gravação do sucesso como um de seus registros históricos musicais.

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