Poltergeist versão 2015: tem coisa que deveria ficar apenas no passado

 
A ideia já não fazia muito sentido.
 
Numa tarde de segunda-feira um programa cinematográfico é uma boa pedida, mas quando se inclui aí assistir a um filme dublado, numa sala 3D – XD cheia de pirralhos pentelhos que não param de falar o negócio muda totalmente de figura.
 
Além disso, minha empolgação pela adaptação do clássico dos anos 80 não era das maiores.
 
Há uns três anos eu adquiri uma série de DVDs com filmes importantes do terror e do suspense dos anos 60, 70 e 80 e dessa grande gama de películas percebi que o Poltergeist produzido e escrito por Spielberg e dirigido por Tobe Hooper em 1982 não tinha envelhecido muito bem.
 
Os efeitos especiais são muito toscos e acontecem algumas forçações de barra, mas ainda restava no roteiro sua principal característica positiva. Portanto, ainda é um filme a ser respeitado.
 
E este é exatamente o grande erro da nova versão.
 
Alguém pode dizer que as minhas citações logo no início deste texto e o meu pré-conceito quanto à qualidade da trama podem ter influenciado na minha ojeriza à produção e pode ser verdade mesmo, mas a questão é que algumas situações ao longo do longa (gostei da expressão!) não me deixam mentir.
 
Primeiramente, o filme possui uma pressa desgraçada em mostrar as coisas todas acontecendo ao mesmo tempo (exatamente o contrário do que se dava com a produção original quando percebíamos pouco a pouco o fenômeno tomar conta da casa) e isso atrapalha o raciocínio do espectador e a reflexão quanto ao que acontece em cena.
 
Há também erros de continuação de cenas importantes, edição falha em certas circunstâncias e cortes que eliminam até mesmo o sentido de algumas conversas entre os personagens. Pode-se até dizer que o roteiro não é tão ruim, mas os diálogos escritos para os personagens são horrorosos de tão frágeis e fúteis.
 
Preste atenção a duas cenas: a do pai falido e desempregado saindo do mercado e depois chegando com várias compras para a família sem que haja uma explicação plausível para isso e a cena dele com o paranormal em que este último aparece caído do nada no quarto da filha mais nova do casal. Há outras, mas estas duas são especiais.
 
Além destas questões, existe uma necessidade em mostrar a facilidade com que os efeitos especiais são realizados que determinadas cenas se tornam descartáveis, assemelhando-se a um case a ser apresentado a uma produtora para mostrar o quão competente o responsável pela atividade é bom.
 
Ah… e não dá para entender a atuação desleixada e caricata de Sam Rockwell (o pai da família Eric Bowen). Um ator de qualidade comprovada como ele não pode estar tão mal num filme sem que seja proposital. Será que não seria uma forma do ator mostrar o quanto odiou fazer tal trabalho? É um caso a se pensar.
 
A escolha por fazer do filho do casal (Kyle Katlet como Griffin Bowen) uma criança tão medrosa e escandalosa ficou muito ridículo tomando do espectador a ideia muitas vezes de pensar que quem está tendo aqueles ataques de frescura é a menina mais nova da família Bowen.
 
Aliás, assim como no filme original quem rouba a cena é a atriz mirim Kennedi Clements (a filha Madison Bowen) com sua espontaneidade infantil.
 
Por fim, completam a família insossa a mãe Amy Bowen (a atriz Rosemarie DeWitt) e Kendra Bowen (a linda Saxoin Sharbino) que de tão descartável na trama você acha que ela foi abduzida pelos fantasmas para nunca mais voltar no filme.
 
A entrada da equipe de estudiosos paranormais que irão ajudar a família Bowen a se livrar dos transtornos sobrenaturais também é desesperadamente rápida e não há qualquer construção dos personagens Sophie (Susan Heyword) e Boyd (Nicholas Braun).
 
Mas o maior desperdício é o (ex) casal paranormal Carrigan Burke (Jared Harris) e Brooke Powell (Jane Adams), pois a sua atividade na trama poderia ser mais intensa, além do que poderia trazer uma veia cômica para contrastar com os sustos (poucos, é verdade) que ocorrem durante o filme.
 
Enfim, além de ter um final ridículo ainda introduzem uma cena extra durante os créditos que não faz sentido nenhum e que demonstra que o diretor Gil Kenan realmente não acertou a mão do início ao fim da empreitada.
 
E não podemos esquecer que a questão da especulação imobiliária incluída no primeiro filme e bem representada na figura do dono da empreiteira responsável pela construção do loteamento em cima do cemitério funciona como um antagonista humano perfeito para o filme. Algo que não se dão ao trabalho de realizar nesta versão de 2015.
 
Por essas e outras é que alguns filmes deveriam possuir cláusulas contratuais para que nunca possam ser readaptados e filmados novamente. Acaba por ser uma mácula na trama e um desperdício para todos: produtores, diretores, atores e principalmente cinéfilos do mundo todo.
 
Portanto, faça um favor para si mesmo: não assista a esta bomba!
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