A tortura de assistir a um jogo narrado por Galvão Bueno

 
O cara é chato, irritante mesmo!
 
Ao longo dos anos infindáveis como principal narrador do país, dentre os quais muitos foram trabalhando para a maior emissora desta nação, o jornalista Galvão Bueno poderia ser um profissional mais adorado.
 
Mas não o é.
 
É claro que muita dessa antipatia por ele é justamente por trabalhar para a Globo, que apesar de ser a detentora da maior audiência ainda, já não é essa unanimidade toda e sofre uma rejeição que se alonga dia após dia.
 
Também é importante frisar a necessidade onipresente que toma conta deste senhor já que gosta de dar pitaco em tudo durante as transmissões de qualquer esporte em que esteja atuando para “soltar sua garganta”.
 
Além de locutor do evento em questão, ele também comenta a atividade tática, técnica, os possíveis problemas médicos ocorridos com os atletas, além de reportar aos telespectadores o que se passa na cabeça de treinadores, árbitros e torcida.
 
O homem realmente também não é amado por algumas declarações, digamos, marrentas. Já deu entrevistas se vangloriando de seu alto salário global, mostrando empáfia pelo fato de que só sai de sua casa (até recentemente situada no principado de Mônaco) se a narração valer muito a pena e não é uma das pessoas mais queridas entre os próprios profissionais com quem ele trabalha.
 
Outra atividade que não lhe rende joínhas é a forma como trata câmeras e produtores durante os programas em que participa.
 
Algumas brigas conhecidas e notórias com Reginaldo Leme, Arnaldo Cezar Coelho, Renato Maurício Prado, Pelé, entre outros, estão aí para não nos deixar mentir.
 
Há também as gafes horripilantes, desnecessárias e (muitas vezes) até engraçadas. Os atos falhos e a forma festiva com a qual leva suas locuções, vira e mexe, transforma-se num verdadeiro show de horror das bobagens faladas por ele.
 
Mas a questão é: não há nada que realmente tira mais os fãs do esporte do sério do que a maneira desesperada com que Galvão torce por alguns fazendo-o ser pouco empolgante com outros e transformando sua narração numa grande rasgação de seda para uns e um profundo velório para o outro lado.
 
Muitos podem até argumentar a favor dele dizendo que ele tem o direito de torcer para quem quiser, mas o fato é que na posição de um narrador esportivo ele trata de situações em que há dois lados. Uma ação mais coerente com o seu trabalho é ser isento, fazer com que a informação seja passada e não se empolgar demais com feitos cometidos apenas por seus preferidos.
 
Mesmo numa competição em que envolva o país sendo representado manda a cartilha do bom jornalismo que haja contenção na forma com que o cronista narra as vitórias brasileiras. Moderação nunca fez mal a ninguém.
 
Também haverá quem diga que o melhor é simplesmente ignorá-lo e não dar audiência para alguém que possui tantas más qualidades. Concordo e faço coro para tal feito. O problema é que por ser contratado da maior rede de televisão do Brasil, Galvão Bueno pode se tornar a única opção para alguns eventos esportivos.
 
Aconteceu isso em 2002, quando a Copa do Mundo ficou a cargo tão e unicamente nas mãos da Rede Globo, acontece mesmo hoje ainda na Fórmula 1 por conta do contrato de exclusividade do canal com a categoria  automobilística, acontece com quem não tv por assinatura.
 
E infelizmente, aconteceu comigo sábado.
 
Marquei um churrasco com alguns amigos para curtir a grande final da Champions League praticada entre Barcelona (favorito) e Juventus (por quem eu estava torcendo, mesmo sabendo que seria difícil).
 
Mas no local a tv (que não era a cabo) não pegava bem e apenas a Globo tinha boa resolução de imagem. Daí o remédio era mesmo aguentar as doses cavalares de “o menino Neymar!” rasgando meus ouvidos.
 
O problema da torcida inconteste que ele fez para o Barcelona é que dá um ar de antagonismo para o outro time. Suas faltas se tornam mais feias, suas jogadas não são tão bonitas quanto as do seu time predileto e até mesmo os gols não são gritados da mesma forma e com a mesma força.
 
Tanto não é mentira que o twitter foi invadido no mesmo dia pela hashtag galvãoneymarzete tamanho o incômodo causado nos torcedores.
 
Também causa asco a forma como trata sua gama de amizades. “Meu amigo Daniel Alves” dá um tom de intimidade fazendo com que você tenha certeza de que este terá maior complacência na maneira com que a narração será realizada.
 
Por isso, faça o seguinte: quando tiver de fazer o que tive de fazer no último sábado leve sempre consigo um fone de ouvido e enquanto o evento rola solto na tv e há um Galvão Bueno se esgoelando e rasgando a roupa para mostrar todo o seu amor por algum de seus ídolos recentes você escuta de boa um som mais ameno como um Slayer ou um Behemoth para limpar os tímpanos recém inundados de bobagens ditas por este senhor.
 
Cala a boca, Galvão!
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