“Mimimi”, “O Choro é livre” e “Recalque”: o que há por trás dessas expressões

 
Vira e mexe você ouve, lê ou assiste alguém mencionando alguma das expressões acima durante uma discussão acalorada, seja ela na internet pelas redes sociais, numa sala de aula do ensino médio ou mesmo num meio acadêmico (sim, isso acontece lá também!).
 
Mas o que está nas entrelinhas dessas palavras? O que significa finalizar um debate polêmico com tais exclamações?
 
A resposta é simples, porém se tornará complexa na cabeça do interlocutor desse texto se este também repeti-las (as expressões) ao final do que vou escrever.
 
Basicamente, vangloriar-se imponente após inserir um “mimimi” no contexto de uma discussão sobre a necessidade de um movimento feminista, o combate à homofobia ou qualquer outro tema relevante moderno é ser apenas idiota e vazio.
 
Sim, estou dizendo que quem utiliza desse subterfúgio linguístico simplesmente quer encerrar o assunto, pois não possui mais argumentos para prosseguir com o debate. Trata-se de uma fuga, de um “a bola é minha e se não quer jogar do jeito que eu jogo então eu a levo embora”.
 
Na verdade, as expressões citadas no título do texto foram inventadas por imbecis para que fossem usadas por outra série de imbecis.
 
O problema acerca do panorama atual do país é que há muito a se aprender sobre democracia (voltamos a este tipo de regime político há apenas 26 anos), liberdade de expressão e de pensamento. O povo ainda está engatinhando no que se refere a votar, lutar pelos direitos e a respeitar a opinião alheia.
 
Chegaremos numa melhor convivência apenas se soubermos como discutir e durante este processo de ensinoaprendizagem haverá muita bagunça na maneira de fazer a peleja acontecer. Se há quem discorde de você é uma boa possibilidade para praticar a tolerância e a necessidade de saber ouvir e falar no momento certo e adequado.
 
Nesse sentido, a internet e os meios de comunicação são ótimas alavancas para que as ideias e a diversidade sejam compartilhados, mas há de se ter moderação na forma e no jeito.
 
Grupos de whatsapp, fóruns de debate na web, páginas do facebook e até pequenas frases soltas no twitter podem auxiliar na busca por ponto em comum na discussão de qualquer tema: o respeito.
 
É importante e imprescindível até certo ponto compreender que num debate mais amplo dificilmente há consenso, pois nele as duas ou mais pessoas participantes normalmente possuem pensamentos distintos, ideias opostas e uma forma de enxergar o mundo (seja numa conjectura micro ou macro) totalmente diversa.
 
Dessa forma, o que se pretende com a troca de argumentos é fornecer dados relevantes sobre o assunto abordado para que o oponente debatedor tenha mais conhecimento sobre o seu lado defendido na questão. Podem haver terceiros como interessados no debate (ex: debate político) ou simplesmente pode ser uma conversa de boteco. Tenha sempre em mente que o seu ponto de vista não é o único.
 
Tendo isso em mente é importante salientar que o uso de um “o choro é livre” para indicar que você não concorda com seu amigo quando ele argumenta que “o panelaço contra a presidenta Dilma acontece por conta de uma insatisfação da classe média, mas que todos estão focando apenas nela se esquecendo de outros culpados para seus problemas” soa apenas como infantil e uma ruptura na graduação do nível de debate.
 
O que ocorre é apenas uma fuga de uma resposta que poderia ser mais interessante para a continuação do diálogo.
 
O mais sensato seria explicar que a pessoa “pode até estar certo no seu ponto de vista, mas se esquece que o tal panelaço nasce a partir do descontentamento também dos mais pobres que não tiveram uma melhoria em todos os sentidos durante o governo Dilma. Um exemplo disso é na área educacional, pois tal segmento não acompanhou outros mais bem cuidados pela presidenta”.
 
Percebe-se que a conversa seguiria em alto nível argumentativo (ou apenas opinativo se concluirmos que não há nada que prove nas frases acima sua veracidade técnica), prosseguiria com a discussão e alimentaria com mais dados as futuras intervenções de todos os envolvidos no diálogo.
 
O contrário disso, com o uso de um “recalque”, por exemplo, só incentivaria a agressão verbal e não haveria nenhum ganho intelectual no que se refere ao próprio ponto de vista. Somente teria a tendência de soar bobo, insignificante e minimalista.
 
Portanto, evitar essas expressões também impede que você seja tachado como um mau debatedor, um péssimo argumentador e alguém que utiliza a língua de forma pueril e sem o mínimo critério estilístico.
 
Se nós queremos ter um país mais adulto, passível de melhores discussões e portador de gente com ideias mais conectadas com um mundo moderno e livre de preconceitos precisamos retirar de nossos dicionários linguísticos e de nosso arcabouço de expressões esse tipo de interjeição chula e desrespeitosa.
 
Obviamente que não é somente com isso que iremos seguir rumo a um futuro mais justo e com menos desigualdades, mas ao pensar antes de atingir um interlocutor com agressões desse tipo o pensamento pode sugerir alguma outra frase mais inteligente para que o debate prossiga de forma ordeira e pacífica. E aí sim teremos como argumentar em favor de melhorias, de uma vida melhor no campo das ideias e da maior socialização.
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5 comentários em ““Mimimi”, “O Choro é livre” e “Recalque”: o que há por trás dessas expressões

  1. Barbara disse:

    Exatamente! Você colocou em palavras tudo o que eu penso! *-* Hoje em dia não se vê discussões concretas, mas se vê muitas discussões, o que só as fazem ser mais e mais inúteis nas redes sociais. Se as pessoas soubessem argumentar ao invés de falar asneira, seria muito mais prazeroso para mim, entrar no meu facebook 😦

    bsalvan.wordpress.com

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