Três grandes momentos de Maiakovski, o “poeta da Revolução”

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Vladimir Maiakovski nasceu ainda sob o Império Russo em 19 de Julho de 1893 e morreu na revolucionária Moscou em 14 de Abril de 1930.

Acabou por ser chamado também de “o poeta da Revolução”, por ter participado ativamente de ações relacionadas às mudancas ocorridas  no país naquela época.

Ele foi, além de poeta, um grande dramaturgo e teórico russo, mas também se embrenhou nas atividades de artista plástico e ator. É frequentemente citado como um dos maiores poetas do século XX, ao lado de Ezra Pound e T.S. Eliot.

Maiakovski, por conta de seu estilo engajado e de sua atividade política, ficou muito conhecido pelos adeptos do Comunismo, mas é mais do que isso. Alguns críticos literários o consideram como um dos precursores do futurismo, inclusive.

Abaixo, três grandes textos poéticos do autor que sabia como ninguém flutuar entre variados sentimentos e sensações dentro de um único poema.


A ESPERANÇA (Vladimir Maiakovski)

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Injeta sangue no meu coração, enche-me até o bordo das veias!
Mete-me no crânio pensamentos!
Não vivi até o fim o meu bocado terrestre , sobre a terra não vivi o meu bocado de amor.

Eu era gigante de porte, mas para que este tamanho?
Para tal trabalho basta uma polegada. Com um toco de pena, eu rabiscava papel, num canto do quarto, encolhido, como um par de óculos dobrado dentro do estojo.

Mas tudo que quiserdes eu farei de graça: esfregar, lavar, escovar, flanar, montar guarda.
Posso, se vos agradar, servir-vos de porteiro.
Há, entre vós, bastante porteiros?

Eu era um tipo alegre, mas que fazer da alegria, quando a dor é um rio sem vau?
Em nossos dias, se os dentes vos mostrarem não é senão para vos morder ou dilacerar.

O que quer que aconteça, nas aflições, pesar…

Chamai-me!

Um sujeito engraçado pode ser útil.
Eu vos proporei charadas, hipérboles e alegorias, malabares dar-vos-ei em versos.

Eu amei… mas é melhor não mexer nisso. Te sentes mal?


A BLUSA AMARELA (Vladimir Maiakovski)

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Do veludo de minha voz
Umas calças pretas mandarei fazer.

Farei uma blusa amarela
De três metros de entardecer.
E numa Nevski mundial com passo pachola Todo dia irei flanar qual D.Juan frajola.

Deixai a terra gritar amolengada de sono: “Vais violar as primaveras verdejantes!”
Rio-me, petulante, e desafio o sol! “Gosto de me pavonear pelo asfalto brilhante!”

Talvez seja porque o céu está tão celestial!
E a terra engalanada tornou-se minha amante
Que lhes ofereço versos alegres como um carnaval
Agudos e necessários como um estilete pros dentes.

Mulheres que amais minha carcaça gigante
E tu, que fraternalmente me olhas, donzela.
Atirai vossos sorrisos ao poeta
Que, como flores, eu os coserei
À minha blusa amarela!


A FLAUTA VERTEBRADA (Vladimir Maiakovski)

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A todos vocês, que eu amei e que eu amo,
Ícones guardados num coração-caverna, como quem num banquete ergue a taça e celebra, repleto de versos levanto meu crânio.

Penso, mais de uma vez: seria melhor talvez pôr-me o ponto final de um balaço.

Em todo caso eu hoje vou dar meu concerto de adeus.
Memória!

Convoca aos salões do cérebro um renque inumerável de amadas. Verte o riso de pupila em pupila, veste a noite de núpcias passadas.

De corpo a corpo verta a alegria. esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos na flauta de minhas próprias vértebras.

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