11/08/2015 – À Tarde, Plano Municipal de Educação: algumas imagens do circo armado para precarizar a Educação Pública

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O dia de ontem foi mesmo uma montanha russa de emoções.

Se de manhã houve muita felicidade de nossa parte em participar de uma atividade junto com os alunos sobre protagonismo juvenil na escola pela tarde a coisa foi muito diferente.

A marcação para este dia da votação em primeiro turno do Plano Municipal de Educação para o decênio 2015-2025 foi de um absurdo surreal.

Se logo ao chegar próximo à Câmara já se via o circo armado pelos retrógrados líderes da Igreja Católica conservadora (lê-se Opus Dei, Jesuítas e TFP) em conjunto com alguns membros de Igrejas Pentecostais ligadas a alguns vereadores (veja a imagem logo abaixo) o sentimento de que tudo iria piorar não era desmedido.

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A questão envolvendo a inclusão ou não do termo “Gênero” dentro das 22 metas do Plano acabou por diminuir um debate que vai muito além disso.

Não que a luta por liberdade de discutir sobre temas ligados à diversidade, à justiça social para a comunidade LGBT e à questão acerca da inclusão de temas que abordem o quanto mulheres, homossexuais e transsexuais são discriminados na sociedade atual não sejam importantes. Pelo contrário, tais assuntos são imprescindíveis para que haja uma escola mais igualitária e respeitosa. Mas a questão de um Plano Municipal de Educação vai muito além disso e ter suprimido o debate a apenas isso o transformou num depósito de manipulações para que aqueles que lutam contra o ensino de qualidade pudessem alterar questões caras à situação.

Além disso, temas necessários para a melhoria de nossa Educação como a diminuição gradual da Educação Infantil gerida por entidades conveniadas passou ao largo da discussão. Ora, veja que muitos dos próprios conveniados que ganham milhões da prefeitura para realizarem um trabalho que deveria ser prestado pelo próprio poder público têm ligação intrínseca com a mesma Igreja que patrocina alguns imbecis para que protestem contra a inclusão da palavra “gênero” no texto original.

Sempre é bom frisar que o texto estudado e elaborado pelo vereador Toninho Véspoli já havia sido surrupiado durante os debates da Comissão Municipal de Educação através de manobras do vereador Ricardo Nunes, curiosamente também ligado a entidades beneficentes provenientes de Igrejas.

Mas a violência contra o texto ainda seria maior na tarde e início de noite de ontem.

Após a entrega das senhas para que as pessoas pudessem participar de sessão que começou por volta das 15 horas muitos vereadores, além do próprio Véspoli e de Nunes, subiram à tribuna para ora alguns defenderem ora outros atacarem o texto original.

Até mesmo a vereadora Juliana Cardoso, ligada fortemente ao movimento católico da Zona Leste teve uma postura elogiável ao mostrar o quanto sofreu de ataques de membros da própria Igreja na qual ela atua só por conta do fato de que ela defende a necessidade de uma escola com posição política contra a desigualdade de gênero.

Porém, após todo o trabalho e toda a oratória dos vereadores o Plano Municipal de Educação teve alterações que descaracterizam sua máxima ideia de melhorar o ensino, a estrutura dele e a valorização do professor da cidade de São Paulo.

1) A discussão de gênero foi excluída
2) O poder executivo municipal não se compromete em ampliar o investimento na educação.
3) O poder executivo municipal não se compromete de fato em reduzir o número de alunos por turma.
4) O poder executivo municipal permanecerá ampliando o atendimento da educação infantil pela rede conveniada, abrindo mão da sua obrigação com as crianças pequenas.

Também aqui visualize quem votou a favor e quem votou contra este monstrengo no qual foi transformado o projeto original:

Por fim, é necessário lembrar que a causa ainda não está perdida e haverá votação em segundo turno no dia 25 de agosto. Por outro lado, perceber que a comunidade LGBT está mais atuante do que o próprio corpo de professores do município de São Paulo é triste por que quem deveria encabeçar o movimento de luta em favor da Educação teriam de ser os educadores e aí sim poderiam ter o apoio de outros movimentos e não o inverso.

Dessa maneira, é de suma importância que os docentes ainda possam se mobilizar e enfrentar um inimigo que promove intolerância religiosa já que até mesmo a ideia de discriminar outras religiões (principalmente africanas) aparece no discurso de ódio dos fundamentalistas que lá estavam ontem.

Este mesmo algoz da Educação também possui interesses financeiros e políticos, pois basta colher dados sobre a base eleitoral dessa turma da bancada evangélica da Câmara para perceber o quanto vislumbram voos maiores e também pela menção já feita anteriormente de terem interesse na questão das escolas conveniadas.

Por fim, o simples silêncio sobre valorização do professor diz muito sobre o quanto a ideia de transformar escolas em oficinas em que o ensino seja o mais robotizado possível para que critica, liberdade de expressão e de pensamento não façam mais parte do ensino por aqui.

É grave a situação e não estamos nos levantando contra isso. E quando nossos colegas irão perceber? Quando a corda já estiver no pescoço?

Abaixo, algumas imagens de nossa luta ontem:

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