“Songs For The Deaf” é a Monalisa do Queens of the Stone Age

Songs For The Deaf é o terceiro álbum lançado pela banda de Josh Homme e é muito cultuado pelos fãs por causa das participações especiais de Dave Grohl e Mark Lanegan.

Mas não é somente no quesito artistas convidados que o trabalho contido neste disco de 2002 chama à atenção.

É a partir deste álbum, por exemplo, que a banda conquista de vez tanto público e crítica, recebendo a alcunha de reerguedores da qualidade do rock. Alguns fatores ajudaram nessa empolgação, como a repetição por inúmeras vezes do hit “No One Knows” tanto em rádio e TV, e fez com que até mesmo a banda se impressionasse com tais números.

Mas “Songs For The Deaf” é o tipo de experiência sonora que deve ser ouvida do início ao fim ininterruptamente muito por causa da disposição das músicas e pela sacada de se incluir um DJ de rádio entre uma música e outra.

Também no que diz respeito à sonoridade e trabalho instrumental se percebe facilmente uma evolução em relação ao também ótimo Rated R, disco anterior da banda californiana e o auxílio tanto de Dave Grohl quanto dos músicos fixos do grupo mostra uma necessidade do QOTSA de figurar não só como mais um representante do Stoner Rock, mas também de um expoente que funciona como vanguarda para outros artistas que aparecem depois.

E aí é que aparece a genialidade de Josh Homme com seu trabalho de guitarra excepcional e concepção ambiental que mostra novos horizontes para o rock pesado de então.

Formação do QOTSA à época do lançamento de “Songs For The Deaf” 

(Da Direita para a esquerda: Dave Grohl, Troy Van Leeuwen, Nick Olivieri, Josh Homme, Mark Lanegan)

Mas não é só de peso que vive o disco, pois a qualidade melódica impetrada por Josh e Cia vai desde o trabalho dos multi-instrumentistas Natasha Schneider e Alain Johannes até o virtuosismo de Troy van Leeuwen (A Perfect Circle, Eagles of Death Metal). Aliás, já na turnê, a porradaria de Grohl com as baquetas sairia para a entrada do baterista do Danzig, Joey Castillo.

O lançamento aconteceu em 27 de Agosto de 2002, e reforça o fim de uma época de pouca criatividade na cena rock internacional em conjunto com “Is This It” do Strokes que havia saído no ano anterior.

A transformação energética demonstrada pelo QOTSA em músicas como “First It Giveth”, “Song For The Deaf” e ou Think “I Ain’t Worth A Dollar, But I Feel Like A Millionaire” anulam de vez a percepção de que ninguém iria colocar fogo novamente no rock que minguava com bandas pouco poderosas naquele período de vacas magras.

Também é importante promover uma análise sobre a atividade de baixo feita por Nick Olivieri que provoca petardos impressionantes em conjunto com as guitarras e bateria que não seriam a mesma coisa sem sua contundência com os dedos.

Na verdade, “Songs for the Deaf” nada mais é do que um álbum conceitual que acompanha alguém (Josh?) realizando uma viagem de carro que vai do Deserto de Mojave numa região distante da Califórnia até a cidade de Los Angeles. As interferências dos DJs entre uma canção e outra nada mais é do que a sintonia de estações de rádio de cidades locais que vão mudando de acordo com o deslocamento da caranga. Até mesmo as vinhetas das rádios sincronizam muito bem com os sons tocados em seguida.

Apesar da simplicidade com que são tocadas algumas músicas o álbum é interessante pela facilidade como tais mostras sonoras entram e não saem mais de nossas mentes.

Melodias como as de “Go With The Flow” (com um vídeo clipe bem instigante), do hit “No One Knows” e a mais puxada para o pop “Another Love Song” seguem uma linha de desenvoltura vocal, marcações simples e refrão pegajoso que capturam o ouvinte já na primeira audição.

E da-lhe letras que falam sobre relacionamentos conturbados, drogas e vícios que levam à depressão. Além disso, muita coisa pode ser interpretada de forma mais profunda ou dúbia através de inúmeras figuras de linguagem.

Mesmo assim algumas dessas letras podem ser consideradas mais autobiográficas para Homme como nos casos de “Sky Is Fallin’” sobre sofrimento e “God is in the Radio” que poderia ser uma bad trip de ácido.

Os exemplos de “A Song For The Dead” sobre uma pretensa viagem de carro direto para a morte e “A Song for the Deaf” que parece ser a narração de um cara que acabou de morrer aparecem como dois lados de uma mesma moeda, o medo e o fascínio pela morte.

Outro destaque valioso é a acústica “Mosquito Song”, que acabou dando vida ao álbum seguinte, “Lullabies to Paralyze”, que se preocupa em contar histórias de terror e fábulas fantasiosas.

Ah, e ainda há um cover do The Kinks” no final do álbum, a maravilhosa “Everybody’s Gonna Be Happy”.

Portanto, a atualidade com a qual ainda é tratado pela crítica especializada faz com que “Songs For The Deaf” permaneça no rol de álbuns relevantes da última e desta década, quase uma preciosidade no meio de tanta coisa furada lançada nos últimos anos.

Trata-se realmente de um trabalho de peso e pesado com toda a força de seu lado instrumental. E é indispensável para quem ainda chora a morte do rock, mas não se preocupa em vasculhar coisas mais obscuras da cena.

Se o último disco “…Like a Clockwork” é essa potência musical que já se tornou clássico para os fãs da banda toda essa mitologia se deve muito ao fato de que “Songs…” tenha aberto este caminho. Ponto para Josh e para os loucos que seguiram junto com ele por esse caminho mais difícil e mais prazeroso do rock, o da criatividade.

Recentemente, a versão do disco em vinil saiu pela Ipecac Records (gravadora do maluco Mike Patton) tendo como arte de capa um visual diferente da encontrada em CD.

1 –  You Think I Ain’t Worth A Dollar, But I Feel Like A Millionaire
2 –  No One Knows
3 –  First It Giveth
4 –  A Song For The Dead
5 –  The Sky Is Fallin’
6 –  Six Shooter
7 –  Hangin’ Tree
8 –  Go With The Flow
9 –  Gonna Leave You
10- Do It Again
11- God Is In The Radio
12- Another Love Song
13- Song For The Deaf
14- Mosquito Song
15- Everybody’s Gonna be Happy (faixa escondida, cover do The Kinks)

No One Knows

First It Giveth

Go With The Flow

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3 comentários em ““Songs For The Deaf” é a Monalisa do Queens of the Stone Age

  1. Que demais, eu não conhecia muito da banda, vou conferir!

  2. albertpaixao disse:

    Bela definição, a Monalisa do QOTSA

  3. Republicou isso em Outros Sonse comentado:

    Para comemorar os 15 anos de lançamento dessa belezinha aí!!!

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