Das aventuras na Guerra à Geração Perdida: Hemingway faz bem de todo jeito

Ernest Hemingway é mais conhecido por dois clássicos da literatura americana e mundial, “Por quem os sinos dobram?” (1940) e “O Velho e o Mar” (1952), esta a razão pela qual venceu o Pultzer em 1953, tendo ainda ganho o Prêmio Nobel no ano seguinte no ano seguinte pelo conjunto da obra. Mas além disso, o escritor americano teve uma profícua carreira literária e jornalística e a própria vida que levou daria um ótimo best seller.

Ele nasceu em Oak Park, Illinois, Estados Unidos em 1899 e já com com 17 anos escrevia para um jornal em Kansas City.

A curiosidade nata o levou a procurar por situações que o levassem a ter pensamentos criativos. Foi assim que, com o início da Primeira Guerra Mundial, voluntariou-se para integrar o exército italiano. Durante a empreitada, permaneceu longo tempo hospitalizado, por conta de um ferimento em combate.

Posteriormente, chegou a ser condecorado pelo Governo Italiano e viajou para Madri, onde foi correspondente de guerra durante a Guerra Civil Espanhola. Foi por lá que fez inúmeras amizades no círculo artístico daquele país e permaneceu durante quatro anos.

No período que compreende a década de 20 ele se tornou um dos principais representantes do ciclo que levou a alcunha de “geração perdida”. Faziam parte desse grupo de importantes autores T. S. Eliot, John Dos Passos, Waldo Peirce, Sherwood Anderson, Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald e James Hoyce, que através da influência artística sonora do Jazz e das mudanças ocorridas na economia e políticas internacionais, desenvolveram um conjunto de grandes livros como “O Grande Gatsby” (Fitzgerald), “Ulisses” (Joyce), “Três Soldados” (Dos Passos), além de “O Sol Também se Levanta” do próprio Hemingway e outras pérolas.

Imagem de Hemingway ao lado de F. Scott Fitzgerald

O estilo de Hemingway era de uma pessoa aventureira, que não nega fogo para viagens interessantes ou para atividades que fogem do padrão normal.

Essa característica de cidadão do mundo está tanto nas fotos reunidas por ele próprio durante sua vida, como cenários das touradas na Espanha, caçadas submarinas em Cuba e safáris na África, como também através dos personagens e cenas que criou em seus livros.

Desse modo, não há como negar que Hemingway era fascinado pelo perigo e pela vida selvagem.

Por ser jornalista de profissão o escritor americano levou para a literatura o estilo sintético dos periódicos e é fácil notar essa concisão principalmente em obras que refletem sua experiência pessoal.

Em “O Sol se Levanta” prossegue um relato acerca do cotidiano de um grupo de expatriados boêmios, ingleses e norte-americanos, em Paris e Pamplona, posteriormente ao fim da Primeira Guerra Mundial. A narrativa é forte, mas ao mesmo tempo direta, sem muitas delongas.

O mote de “Por Quem os Sinos Dobram” é a história passada na Guerra Civil Espanhola, visualizada através de um americano (Robert Jordan) que se ligara à causa da legalidade na Espanha. Percebe-se aí também a forma com que analisa a guerra. Uma crítica ácida à atuação extremamente violenta das tropas de ambos os lados: tanto a direita auxiliada pelo governo fascista italiano e nazista alemão quanto a esquerda liderada pelas brigadas internacionais e auxiliada pela União Soviética.

Capa do Livro “Por quem os sinos dobram”

Neste livro Hemingway se utiliza da própria experiência no conflito para estabelecer uma visão a respeito da burocratização e o panorama de privilégios rapidamente instaurado no lado da República que venceria a disputa.

Mas o mais fascinante da trama é que esta está, acima de tudo, tratando da condição humana.

O próprio título é referência a um poema do pastor e escritor inglês John Donne presente na obra “Poems on Several Occasions” que em português chama-se “Meditações”. No texto há a invocação do absurdo da guerra. Um trecho do poema diz: “Quando morre um homem, morremos todos, pois somos parte da humanidade”.

Já a sua última obra, “O Velho e o Mar”, fala sobre Santiago, experiente pescador que se encontra numa maré de azar, tendo ficado 84 dias sem conseguir pescar um peixe.

A trama toda se passa a partir do 85º dia, quando dentro de sua pequena canoa, Santiago consegue um peixe de tamanho descomunal (aproximadamente cinco metros de comprimento e 700 kg) e passa a lutar pela sua retirada do mar. Iniciam-se as reflexões acerca de sua vida, de suas escolhas, do seu passado, presente e futuro. Uma ode à vida, à aventura e um poço de demonstrações de que viver é complexo e o livro traz isso por meio de inúmeras figuras de linguagem belissimamente representadas pelo escritor.

Capa do Livro “O Velho e o Mar”

O autor casou várias vezes, o que proporciona uma fama de mulherengo e inúmeras lendas ao repertório biográfico dele, e morou em diversos lugares diferentes durante seus 61 anos.

Uma dessas viagens o levou a conhecer Fidel Castro, o que levou a certa perseguição no seu próprio país por o terem como comunista.

A vida cheia de amores, aventuras e viagens não o deixou ficar doente por muito tempo. Cansado dos inúmeros problemas de saúde que o impossibilitavam de fazer as coisas que gostava acabou por se suicidar com um tiro no dia 2 de julho de 1961. Seu corpo foi sepultado no condado de Blaine, Idaho, nos Estados Unidos.

Mas sua obra já estava fértil na terra com, além das citadas “O Sol Também se Levanta” (1926), “Por Quem os Sinos Dobram” (1940) e “O Velho e o Mar” (1952), também as igualmente importantes “Adeus às Armas” (1929) e “As Verdes Montanhas da África” (1935). Muitos de seus contos e romances foram levados ao cinema.

Abaixo, veja uma descrição realizada pelo próprio Hemingway de como gostaria de passar a velhice (texto publicado pelo New Yorker):

“Quando for velho quero ser um velho sábio, que não seja chato”, disse ele, fazendo uma pausa enquanto o garçom colocava diante dele um prato de aspargos e alcachofra e servia o Tavel. Hemingway provou o vinho e assentiu com a cabeça para o garçom. “Gostaria de ver todos os novos lutadores, cavalos, balés, ciclistas, damas, toureiros, pintores, aviões, filhos da puta, personagens de cafés, grandes putas internacionais, restaurantes, anos de vinho, notícias, e nunca mais ter de escrever uma linha sobre nada disso”, disse ele. “Gostaria de escrever muitas cartas para meus amigos, e receber cartas de volta. Gostaria de fazer amor bem até os 85, como Clemenceau. E o que gostaria de ser não é Bernie Baruch. Não sentaria em bancos de praça, apesar de poder caminhar no parque de vez em quando para dar de comer aos pombos, e também não teria uma barba comprida, para que houvesse um velho que não fosse parecido com Shaw”. Ele parou e passou as costas da mão na barba, olhando para o salão. “Nunca conheci o senhor Shaw”, disse ele. “Também nunca fui às cataratas do Niágara. De qualquer modo, gostaria de correr de charrete. Não dá para ser um dos melhores nesse esporte se você não tiver mais de 75 anos. Aí eu poderia arrumar um time jovem, talvez, como o senhor Mach. Só que eu não sinalizaria com um programa – para quebrar o padrão. Não decidi com o que sinalizaria. E, quando tudo se acabar, serei o cadáver mais lindo desde Pretty Boy Floyd. Só os idiotas se preocupam em salvar a alma. Quem diabos deveria se preocupar em salvar a alma quando o dever do homem é perdê-la de forma inteligente, da maneira como você venderia uma posição que está defendendo, se não consegue mantê-la, tão caro quanto possível, tentando fazer dessa posição a mais cara jamais vendida. Não é difícil morrer.” Ele abriu a boca e riu, primeiro sem som, depois alto. “Chega de preocupações”, disse ele. Com a mão, ele pegou um aspargo grande e olhou para ele sem entusiasmo. “É preciso ser um homem muito bom para fazer sentido quando se está morrendo”, disse ele.

Referencias Bibliográficas:

Site E-biografias: http://www.e-biografias.net/ernest_hemingway/

Site Infoescola: http://www.infoescola.com/movimentos-literarios/geracao-perdida/

Site Biography: http://www.biography.com/people/ernest-hemingway-9334498

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