Morre Wes Craven, o pai de Freddy Krueger

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O cineasta americano Wes Craven, considerado um ícone do terror por dirigir filmes como “A hora do pesadelo” (1984) e “Pânico” (1996), morreu neste domingo (30), aos 76 anos.

A família de Craven informou à imprensa americana que ele sofria de câncer no cérebro. “O cineasta esteve cercado de amor, na presença da família”, é o que demonstra um comunicado divulgado pelo agente do diretor e roteirista.

Criador de Freddy Krueger, um dos vilões de filmes de terror mais conhecidos da história do gênero daquele país, o realizador americano também se enveredou por outras vertentes da sétima arte, como quando adaptou o comic-book Swamp Thing (1982) para a telona ou pela direção de inúmeros filmes pouco conhecidos do grande público: são dele o fracasso “Os Olhos da Montanha”; uma comédia de terror com Eddie Murphy, “Vampiro em Brooklyn” (1995); ou o melodrama atípico, “Melodia do Coração” (1999), que deu a Meryl Streep mais uma nomeação para o Oscar.

Também houve a colaboração com Kevin Williamson do filme inspirado nas lendas dos lobisomens intitulado “Amaldiçoados” (2005) e a obra cheia de problemas por causa das ingerências da produção “A Sétima Alma” (2010), uma experiência com 3D.

Apesar dessas ocorrências na carreira de Craven ele não pode reclamar de dois sucessos que ficarão eternamente para os anais do cinema pela sua iconografia e estilo: a interminável história de Freddy Krueger em “A Hora do Pesadelo” e o sucesso depois de anos de marteladas erradas com a série “Pânico” fez de Craven um diretor respeitado na indústria do cinema.

O personagem Freddy Krueger
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Com a sua morte, é também um dos nomes mais importantes da evolução do cinema de terror que desaparece. O crítico britânico Kim Newman, um dos maiores especialistas do cinema fantástico, escreveu que Craven “reinventou o filme de terror quatro vezes, quando a maior parte nem uma vez o consegue”, e o ator Bruce Campbell, o herói dos filmes Evil Dead de Sam Raimi, disse que Craven “mostrou-nos o caminho a seguir”.

Craven fez parte de uma geração de cineastas oriundos da cena independente que tornaram o filme de terror, tradicionalmente entendido como cinema sensacionalista para um público adolescente, num espelho distorcido da sociedade americana, e numa reflexão sobre a violência e a impotência que o conforto do “sonho americano” contia.

Assim como acontecia com “A Noite dos Mortos-Vivos” de George Romero (1968) e “Massacre da Serra Elétrica” de Tob Hooper (1974), os primeiros dois filmes do diretor , “The Last House on the Left” (1972) e “Os Olhos da Montanha” (1977), colocavam gente normal cara a cara com o horror escondido em situações nas quais as regras da civilização já não se aplicavam.

A primeira citação – que se inspirava em “Fonte da Virgem” de Ingmar Bergman – o rapto e assassinato de duas adolescentes por um bando de criminosos psicóticos leva os pais de uma delas a exercer uma vingança brutal enquanto que na segunda uma família de camponeses se vê acuada por um grupo de selvagens canibais.

Ali já se percebia a criatividade de Wes por ter de fazer suas produções com pouco dinheiro e de forma independente.

Além disso, estes exemplos antecipavam a feitura dos “slasher movies”, películas sangrentas e povoadas por psicopatas assassinos. Dessa forma se tornaram emblemáticos tais usos para uma nova abordagem ao cinema de terror, que ao mesmo tempo se tornava popular e cult enquanto influenciava uma nova safra de diretores contemporâneos.

Desta geração ao qual Craven pertenceu, também faziam parte além de Hooper e Romero, nomes como John Carpenter (“Halloween”, “O Regresso do Mal” e “O Nevoeiro”), John Landis (“Um Lobisomem Americano em Londres”), Joe Dante (“Piranha”, “O Uivo da Fera”) e Sean Cunningham (“Sexta-Feira 13”), que colaborou diversas vezes com o autor agora falecido.

O vilão de “Pânico”
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A criação de um personagem tão forte como Freddy Krueger, um assassino desfigurado de lâminas nas mãos que invade os sonhos dos adolescentes e os mata enquanto dormem, encarnado por Robert Englund e revelado em “A Hora do Pesadelo” (1984) foi inteligente, corajosa e devastadora para toda uma geração de jovens consumidores do cinema de terror. Na fita ele Jogava com a tênue linha entre o sonho e a realidade, algo que povoa desde sempre a mente humana.

Fora isso, o filme que inicia a mitologia de Krueger ajudou a lançar a produtora New Line, que exploraria o vilão ao longo de outros oito filmes, uma série televisiva e um remake. Desse total Craven esteve apenas ligado como argumentista ao terceiro episódio, e dirigiu em 1994 “O Novo Pesadelo”.

Posteriormente, com a produção e direção de “Pânico” (1996), utilizou toda a metalinguagem para conseguir criar uma grande iconografia em volta de um personagem de terror. Trata-se de um filme de terror sobre os próprios filmes de terror, feito com certa dose de humor pós-moderno. O longa ganhou inúmeras sequências e até paródias inspiradas no assassino que vestia a máscara da morte para matar jovens de uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos.

Wes Craven era casado desde 2004 com Iya Labunka, produtora e ex-vice-presidente dos estúdios Disney. Ela era sua terceira mulher.

Wes Craven dirigindo uma cena em “A Sétima Alma”
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