A Sensibilidade Seletiva da Sociedade Brasileira

Caro amigo leitor brasileiro: não vale ficar sensibilizado, horrorizado e embasbacado com a foto do menino sírio morto na praia e mais tarde reclamar que o centro de São Paulo está cheio de nigerianos.

Não está dentro da regra ficar triste com a notícia de milhares de refugiados mortos na Europa e sentir asco ao ver angolanos, moçambicanos e senegaleses tentando ganhar a vida no comércio informal da avenida São João; está fora de cogitação também falar como a guerra e a fome são tristes e depois dizer que haitianos e bolivianos vêm ao Brasil apenas para roubar o seu rico empreguinho.

Pare e pense: o problema para você só é rentável quando se passa lá longe, mas ele está bem embaixo de nossos narizes e fazemos corpo mole para ele.

Questões como trabalho escravo advêm de uma imigração que acontece indiscriminadamente, mas que poderia ser mais bem aproveitada se não houvesse discriminação e preconceito ou se o governo não virasse o rosto para o outro lado.

A acolhida de pessoas de outros países é apenas a acolhida de seres humanos, mas ainda a tratamos como a acolhida de inimigos ou de competidores.

Portanto, enquanto isso não for diferente milhões e milhões de crianças continuarão a morrer na praia.

E o pior, sem a fotinha dela para estampar a primeira página do jornal.

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