HBO, Netflix e BBC: uma ilha de criatividade num mar de repetição

Quando você ligar sua tv hoje preste atenção numa coisa:

Muito da programação de séries, seriados ou filmes é baseado em adaptações, refilmagens ou franquias intermináveis.

O número de películas e programas semanais inspirados (ou pouco inspirados) em quadrinhos é alarmante e suas infinitas sequências deram lugar agora a um novo gênero dentro da cinematografia mundial: o reboot!

A nomenclatura esconde atrás de si a prática preguiçosa de se reiniciar a história que já fora contada anteriormente. É ou não é uma crise para a indústria de cinema atual?

O sem número de vezes que os roteiristas tem prosseguido com a mesma fórmula vazia das histórias produzidas hoje em dia revela que ou eles não estão tendo criatividade suficiente para falar sobre coisas diferentes das que estão por aí ou que a exigência do mercado e das produtoras tem se revelado poderosa demais para ser contrariada.

É óbvio que o público tem a sua parcela de culpa por encher cada vez mais as salas Imax e 3D mundo afora para assistir “Batman” e “Homem-Aranha” sem que haja algo novo para ser passado em suas sagas.

Até mesmo a empolgação em torno do novo “Star Wars” revela um desejo do fã de se repetir.

Mas no marasmo dessas produções entendiantes baseadas em muitos recursos tecnológicos (ressalto aqui que um filme pode ter muitos efeitos especiais para ajudar um roteiro bem contado) há três empresas que tem se notabilizado por tentar fazer coisa nova.

Não vou entrar no mérito da indústria filmográfica, pois essa é mais complexa de se explicar e analisar, mas ficarei apenas no segmento de tv e tv por assinatura, por consequência.

Pois é neste tipo de suporte de programação que as americanas HBO e Netflix e a britânica BBC têm se mostrado diferentes em relação à maioria da concorrência.

Há inúmeras exceções como os casos de Breaking Bad e Mad Men em outros canais, mas são exatamente isso: exceções!

O que ocorre com a HBO, por exemplo, é a necessidade de dar voz e imagem a quem tem coisas novas a contar (ou pelo menos pontos de vista diferenciados). São os casos dos documentários transmitidos atualmente pelo canal e das mini-séries.

“The Life and Deaths of Robert Durst” é tão bom e seria tão difícil de se encaixar em outro canal (seja aberto ou por assinatura) que acaba sendo um ponto fora da curva para quem gosta de histórias bem contadas (e esta é uma história bem real). Saber que houve comoção nos EUA por conta de seu desfecho pode depor a favor de uma audiência maior, mas tudo o que envolve a produção é muito bem acabado que a série em 6 capítulos te deixa instigado do início ao fim.

Outros exemplos como os de “O Caso do Policial Canibal”, “Finding Vivian Meier”, “The 50 Year Argument”, entre outros, demonstram o cuidado da emissora em ter em seu cardápio coisas boas para mostrar ao seu consumidor.

No caso do Netflix parece haver um misto interessante de fatores que convergem para a facilidade de trabalhar com conteúdo inédito e criativo: o fato de ser feito sob demanda, a possibilidade de ser assistido via internet e de ter em seu quadro de clientes gente preocupada em garimpar coisa menos comercial promove uma tendência de o canal procurar fazer exatamente isso.

Documentários como “What Happened, Miss Simone?”, “The Devil and Daniel Johnston”, “The Nightmare”, “India’s Daughter” e “Finers Keepers”, por exemplo, são produzidos ou pela Netflix ou em parceria com a empresa ou produzidos independentemente, mas só encontraram no canal sob demanda a possibilidade de serem mostrados.

Além disso, o Netflix tem investido em boas mini-séries como “Narcos”, séries elogiadas como “Better Call Saul” e “Bates Motel” e o seu primeiro longa acaba de sair com o nome “”Beasts of No Nation” com bastante mídia a favor.

No caso da BBC a situação já é conhecida há muito tempo.

A emissora pública sediada em Londres é conhecida desde os anos 60 pela sua programação de qualidade e da capacidade de lançar bons diretores e atores em filmes e seriados.

Por lá, desde sempre, há facilidade de divulgação deste tipo de trabalho mais autoral ou independente por que o público está acostumado e não tem preconceitos que façam evitar esse tipo de produção mais cult.

Dessa forma, clássicos do humor (Monthy Python), dos seriados (Dr Who), da música (Top of the Pops e Later with Jools Holland), dos esportes (Match of the Day) e do mundo infantil (Lazy Town) se misturam a produções novas como The Office, Sherlock, QI e Casualty.

 

 

Além disso, a atividade de produções documentais é das melhores do mundo. Desde a interessante “Show me what you are made of”, passando pelo lindo “Borboletas”, filmes informativos sobre a história da Inglaterra e dos países vizinhos, produções intrigantes como o recente “Por que nós sonhamos”, o perscrutador “Going Clear: Scientology and the Prison of Belief” e o premiado “Paralell Univereses, Alternative Timelines & Multiverse”, o telespectador da BBC nunca fica entediado.

Pensando assim, nos parece que a qualidade venceu os parâmetros do que pode ser transmitido para o consumidor destes canais. É claro que se houvesse baixa audiência tais programas já estariam perdidos no limbo ou as séries teriam sido canceladas ou nem mesmo terminadas em suas primeiras temporadas.

Mas, neste caso, a explicação parece simples (ou não?): quem assiste a essas programações e faz tê-las sucesso acaba saindo dos canais convencionais em busca de algo mais e quando percebe que as tvs mencionadas aqui procuram fazer algo além do óbvio não saem mais de lá e viram público cativo.

Que mais gente tenha coragem de inventar e produzir conteúdo inédito a partir de criatividade. O telespectador agradece!

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