A incrível história de F.W. Murnau: de Nosferatu ao crânio roubado

 

Friedrich Wilhelm Murnau tem como nome de batismo Friedrich Wilhelm Plumpe, mas é mais conhecido como F. W. Murnau. Nasceu em Bielefeld em 28 de dezembro de 1888, morreu em Santa Bárbara no dia 11 de março de 1931 e voltou a sua cidade natal para ser sepultado.

Além de ser considerado um dos mais importantes realizadores do cinema mudo também é um dos representantes mais criativos do cinema expressionista alemão e, por consequência, do movimento Kammerspiel.

Antes de ser cineasta, Murnau estudou filosofia, literatura, música e história das Artes nas universidades de Heidelberg e Berlim. Frequentou, além disso, a escola de arte dramática de Max Reinhhardt, instituição que exerceu grande influência em seu estilo cinematográfico.

Foi através de experimentos e muita persistência que Murnau iniciou a carreira cinematográfica em 1919 com o filme “O Menino Azul. Ali já havia traços fortes do expressionismo existente na Alemanha, mas é em 1920 que realiza uma das primeiras (e mais assustadoras) versões de “Médico e o Monstro”, clássico literário de Robert L. Stevenson que se chamou “Der Januskopf”. Nessa época o cineasta já demonstrava estar se preparando para ser um dos mais influentes artistas num país devastado pela depressão de uma população que se sentia humilhada pela derrota na guerra.

 Porém, a partir de 1922, tudo mudou na vida e na carreira do diretor por causa de outra adaptação do terror europeu. A magnitude dos acontecimentos descritos por Bram Stoker em “Drácula”, que se notabilizou como a mais fantástica história de vampiros de todos os tempos teve uma versão a sua altura com “Nosferatu”. Tornado quase que imediatamente em clássico do expressionismo no cinema, Murnau conseguiu notabilidade mesmo não estando no olho do furacão americano e fazendo parte de um movimento que ainda se reconhecia pela estranheza de suas obras.

Ainda em solo alemão conseguiu realizar o filme “O último Homem” em 1924 e “Fausto”, baseado na obra de Goethe, no ano de 1926.

Foi a partir daí que o realizador expressionista caminhou para Hollywood com o intuito de transmitir sua loucura e coragem captadas pela câmera para outros cantos do mundo.

O filme “Aurora”, de 1927, considerado um dos pontos altos do cinema ocidental, é seu debut na produção norte-americana. Mas, vale a pena ressaltar outras películas peculiares como “Os quatro demônios”, (1928) e “A garota da cidade”, (1930).

Finaliza a carreira em 1931 com a produção “Tabu”, obra que fecha, junto com “Luzes da Cidade” de Charles Chaplin, o período de cinema mudo. Logo em seguida ao término das filmagens, se envolve num acidente automobilístico que acabou sendo fatal para ele.

Após seu falecimento cresce a mitologia em torno do autor e sua importância é medida conforme sua cinematografia ganha corpo nos estudos de Universidades de Cinema e na influência em diretores mais novos, seja em seu próprio país seja ao redor do globo e através das décadas seguintes até a atualidade. Ou não é perceptível que cineastas contemporâneos como David Lynch, David Cronemberg e Paul Thomas Anderson não possuem um q do cinema de Murnau em sua própria obra?

Porém, toda a expressão à flor da pele que F.W. Murnau conseguiu transparecer na tela e o toque sinistro em torno dos personagens e histórias criadas por ele em vida prosseguiram mesmo depois de 84 anos de sua morte.

No meio deste ano de 2015 ocorreu um fato inusitado até para a obra de Murnau: o crânio do cineasta foi roubado de seu túmulo situado no cemitério de Stahnsdorf, nos arredores de Berlim e fora a própria direção do local quem confirmou o fato.

Túmulo do cineasta Friedrich Wilhelm Murnau em Stahnsdorf, na Alemanha (Foto: AFP PHOTO/DPA/RALF HIRSCHBERGER)

Segundo o conceituado jornal “Bild”, o crime ocorreu aproximadamente entre os dias 4 e 12 de julho e levantou a suspeita de que teria relação direta com práticas ocultistas, pois há muitas lendas em torno das produções do alemão e histórias de que teria frequentado certas seitas para conseguir informações para suas películas.

A questão acabou sendo reforçada pela policia local por conta de que os ladrões teriam deixado intactos os caixões dos irmãos de Murnau que se encontravam no mesmo túmulo.

Agora, o motivo pelo qual alguém gostaria do crânio do diretor já é pauta suficiente para mais um filme. Talvez do próprio fantasma do criador de Nosferatu.

Veja abaixo, um trecho do clássico:

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