Os melhores álbuns nacionais de 2015

 

Não, não foi um grande ano para a música brasileira e muita coisa repetitiva ou fórmulas que só nos faz parecer cair num limbo de piora constante são os grandes responsáveis por isso.

Porém, ainda há possibilidade de pescar gente boa aqui e ali, sem, infelizmente, constatar uma cena boa acontecendo em algum espaço do território.

Se conseguimos captar gente boa acontecendo no Amazonas, por exemplo, também é óbvio que o sertanejo universitário e o pagode mela-cueca prosseguem capitaneando a programação de rádios e tvs e isso castra a formação de aparições em massa de coisa nova acontecendo.

Portanto, se não houver uma união maior de artistas ligados a essa ideia de diversificar a coisa o processo de monopólio musical deste país só tenderá a crescer.

Daí, que aqui abaixo, eu listo apenas dez discos considerados importantes para a cena nacional neste ano de 2015, diferentemente do que aconteceu ontem com o top 20 internacional.

Esperemos que ano que vem a coisa flua de maneira diferente. Um abraço!


10 – Elza Soares – A Mulher do Fim do Mundo

 

Não é o melhor trabalho de Elza e nem seu maior momento como cantora (longe disso), mas ela consegue se sustentar em temas bem elaborados e consegue utilizar sua garganta sem parecer apenas uma caricatura de si mesma. É um trabalho honesto que de tão despretensioso acaba surtindo efeito de soar belo.

 

 


 

9 – Cícero – A Praia

O artista evolui com sua música que fala da vida cotidiana se aprofundando no romantismo em determinados momentos. Às vezes, soa um pouco brega, mas dá para aguentar isso em nome da qualidade do todo já que em nenhum momento este “A Praia” se torna previsível.

 


 

8 – Dingo Bells – Maravilhas da Vida Moderna

Os versos espertos e bem alinhados com a parte instrumental são o principal adjetivo que se pode dar a esta banda gaúcha que aproveita este “Maravilhas da Vida Moderna” para lançar mão de um sonoridade mais alinhada ao indie mais tranquilo atual sem se empolgar com barulhos mais intensos. Trilha sonora para acalmar a alma.

 


 

7 – Luneta Mágica – No Meu Peito

 

Se há momentos em que a banda Luneta Mágica parece algo experimental demais existem momentos em que o apelo eletrônico se diverte junto com o as presenças do folk e da música alternativa americana. Mas a estética do grupo amazonense neste ”No Meu Peito” se baseia em melodias acessíveis que são auxiliadas por vocais sem maneirismos complexos. A psicodelia exposta em alguns de seus sons não é tão bem estruturada como, por exemplo, o trabalho do igualmente brasileiro Boogarins, mas dá um caldo bom.

 

 


 

6 – Mahmed – Sobre a vida em Comunidade

 

A banda é do Rio Grande do Norte e sua marca neste primeiro álbum parece ser a forma como modifica suas linhas instrumentais a cada momento (ou até mesmo na mesma canção). Dessa forma, a instabilidade da estrutura musical acaba fazendo sentido para os ouvidos, mesmo que isso não seja tão automático assim. Como uma viagem cheia de obstáculos a música do Mahmed que passeia entre o Dream Pop e o Jazz, por exemplo, soa bem diferente da mesmice nacional deste momento.


5 – Tulipa Ruiz – Dancê

“Dancê” sustenta o caráter sonoro do qual Tulipa Ruiz tenta fugir desde o seu último trabalho “Tudo Tanto” (2012). Agora, sua música parece mais urbana e sua voz comprova essa realidade atual, pois mesmo que se atente ao som mais pop deste disco também atua de forma mais forte, pulsante. Os temas também são mais próximos da realidade da cidade grande e, apesar do título, não é propriamente um trabalho para ser exposto na pista de dança. De qualquer forma, bem acima da mediocridade nacional dos lançamentos deste ano.

 


 

4 – Cidadão Instigado – Fortaleza

A influência de uma sonoridade setentista se faz presente na banda cearense, mas conseguem prosseguir na estrada com uma mistura com a MPB que promove mais harmonia ao seu som e uma pitada de rock progressivo pode ser visto neste novo disco do Cidadão Instigado. Vale pela coragem deles em ir sempre em frente com sua música.


3 – Emicida – Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa…

 

As músicas são mais viscerais e a melodia soa melhor aos ouvidos. Sonoramente, Emicida cresceu bastante, mas isso também tem de ser creditado à ótima banda que o acompanha. Porém, é a parte da letra que demonstra maior maturidade do artista que consegue agradar tanto ao público jovem da periferia quanto a galera indie.

 


 

2 – Aldo, The Band – Giant Flea

Os sobrinhos do Aldo cresceram musicalmente e não pensaram duas vezes antes de chamar mais dois músicos para a banda a fim de proporcionar um som mais robusto para este Giant Flea. No álbum, segundo da carreira deles, há um eletrônico mais rápido e próprio para a pista, além de demonstrar que o processo de crescimento também alimenta melhores apresentações ao vivo. Interessante guinada dos meninos que vale a pena ser conferida.

 


 

1 – Boogarins – Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos

Banda espetacular que se utiliza de elementos da psicodelia sessentista de Austin para criar um ambiente único na música atual brasileira. Neste segundo álbum, além de prosseguir com a receita que fez deles uma das melhores surpresas da década, também inclui influências da bossa-nova e da MPB dos anos 70 para se aprofundar em temas transcendentais e complexos como o sentido da vida sem se tornar piegas.


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