Quer desistir do mundo? Assista a Making a Murderer

 

 

*Com Spoilers* 

 

Desde o final do ano passado está disponível no Netflix nacional a série documental Making a Murderer, produção assinada por Moira Demos e Laura Ricciardi.

Faça um favor a si mesmo: assista! Porém, depois disso não reclame que sua fé no mundo acabou.

O filme segue os passos de Steven Avery, um rapaz que em 1985 foi acusado de ter violentado um mulher nas imediações da cidade onde mora, um condado do estado de Wisconsin, lugar onde parecem morar as piores pessoas do universo.

O caso é que o homem passa 18 anos preso por um crime que não foi cometido por ele, mas no final do primeiro capítulo do programa. Testes de DNA provam que o verdadeiro criminoso ficou livre durante este tempo enquanto Avery apodrecia na cadeia por conta de alguma, digamos, má vontade dos agentes da lei daquela região para com o condenado.

Pronto! Acabou a série… Mas aí você se pergunta: ué, mas ainda faltam mais nove episódios?

Pois é. A partir daí acontece uma reviravolta no caso quando o ex-detento inicia uma ação contra o Estado para ser indenizado pelo período em que ficou recluso. Além de haver uma terrível dificuldade em conseguir seguir com sua luta ainda há uma reviravolta na situação toda: Avery é acusado de um segundo crime exatamente no momento em que consegue provar que houve conduta de ocultação e alteração de provas em seu caso anterior.

Naquele momento, estamos falando de 2005, até mesmo uma lei com o nome dele estava sendo estudada pelo Estado para tentar dirimir problemas de prisões indevidas.

Mas Steven, sua família e seus advogados vão perceber a partir daí o quanto a polícia é corrupta, corporativista e vingativa, sentirão na pele o tendencialismo da justiça e a gana da imprensa em encontrar um culpado para aparecer no noticiário das 10.

Se você conseguir chegar ao quinto capítulo da produção sem sentir vontade de vomitar com tanta podridão sendo visualizada a olhos nus os episódios seguintes só te deixarão a impressão de que a ideia de um meteoro acertar esse lugar seria o melhor para acabar com tanta injustiça.

Trata-se de um documento que demonstra a verdadeira face da opinião pública que se embebeda na fonte de apontar o dedo e do Estado que se exime de todas as suas culpas e responsabilidades. Ficar alheio à série é impossível e até mesmo Barack Obama se pronunciou acerca do caso nos últimos dias.

Outra constatação do programa é que as séries documentais são uma vertente que veio para ficar não só na Netflix como em outros canais. Oras, como esquecer da grande celeuma que gerou a exibição do também ótimo “The Jinx” pela HBO?

Além disso, os documentários em longa metragem também têm tido grande repercussão pelos temas abordados e pela qualidade de seus roteiros e produção. Vide os exemplos de “O Caso do  Policial Canibal”, “Its Not Over”, “Life Itself”, “What Happened, Miss Simone?”, “Cintzenfour” e “A Fotografia Oculta de Vivian Maier”, todos disponíveis em canais pagos brasileiros.

Mas voltando a “Making a Murderer” o que aflige mais é que ao terminar de assistir o último capítulo você fica imaginando: se nos EUA, que se gabam de ser a meca da liberdade e da justiça, acontece um caso cabeludo destes o que dizer deste país onde moramos no qual existe claramente uma dedicação diferente do judiciário e da polícia para pobres e ricos?

E aí é melhor nem pensar muito!

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