As 10 regras de Elmore Leonard

A lista é antiga, mas como muitos leitores sempre questionam considerações sobre a qualidade de obras que o Blog analisa vez ou outra é sempre bom rever como um mestre da escrita visualiza o processo de escrita.

A observação de Elmore Leonard foi feita em 2001 em artigo publicado no “New York Times” e tinha como proposito indicar algumas regras para quem está disposto a se aventurar pelo mundo da literatura. Na verdade, o esboço que incluímos aqui embaixo é apenas o resumo de um livro de Leonard acerca do tema, o simples e direto “Ten Rules of Writing”.

Cabe dizer que estamos mencionando sugestões de um autor que escreveu obras como “Cárcere privado”, “Ponche de Rum” (levado ao cinema como “Jackie Brown” por Quentin Tarantino), “Irresistível Paixão” (também adaptado ao cinema, desta vez por Steven Soderbergh), Tiro Certo e “Órfãos de Ruanda”, entre outras.

Sendo assim, mesmo à época em que morreu (20 de agosto de 2013), o autor americano ainda causava furor no mercado literário mundial por causa de sua maneira peculiar em transformar personagens tão complexos e diferentes entre si em histórias que consomem o leitor do início até que se termine a última página.

Por ter sido também roteirista de cinema e ter ajudado a adaptar algumas de suas obras para séries de tv, dá para confiar bastante na opinião deste senhor.

Portanto, eis aqui sua lista de 10 regras para se escrever ficção:

1. Nunca comece um livro com o clima

Se for apenas para criar atmosfera, e não para mostrar a reação de um personagem ao tempo, você não deve se estender muito. O leitor terá a tendência de folhear adiante a procura de pessoas. Existem exceções. Se você é o Barry Lopez, que tem mais formas de descrever gelo e neve do que um esquimó, você pode relatar o clima por quantas páginas quiser.


2. Evite prólogos

Eles podem ser irritantes, especialmente um prólogo seguido de uma introdução que vem depois de prefácio. Mas esses são normalmente encontrados em não-ficção. Um prólogo em uma novela é contextualização, e você pode colocar essas informações onde quiser.


3. Nunca use o verbo “disse” para conduzir um diálogo

A linha de diálogo pertence ao personagem; o verbo é o escritor enfiando seu nariz [e se intrometendo]. Mas o verbo “disse” é menos invasivo do que resmungou, engasgou, advertiu, mentiu. Uma vez eu percebei Mary McCarthy terminando uma linha de diálogo com ”ela asseverou”, e tive que parar de ler para pegar o dicionário.


4. Nunca use um advérbio para modificar o verbo “disse”

… ele admoestou gravemente. Usar um advérbio dessa forma (ou quase de qualquer outra forma) é um pecado mortal. O escritor está expondo-se imensamente, usando uma palavra que distrai e pode interromper o ritmo do diálogo.


5. Mantenha seus pontos de exclamação sob controle

Você não pode colocar mais de dois ou três para cada 100,000 palavras de prosa. Se você tem o dom de brincar com exclamações como Tom Wolfe, você pode usá-las como e quando quiser.


6. Nunca use a expressão “de repente” ou “caiu a casa”

Essa regra não precisa de explicações. Eu percebi que escritores que usam “de repente” tendem a ter menos controle no uso de pontos de exclamação.


7. Use sotaques regionais, interioranos, com moderação

Uma vez que você começar a soletrar foneticamente palavras no diálogo, você não será capaz de parar. Observe a forma como Annie Proulx captura o sabor das vozes de Wyoming no seu livro de contos “Curto Alcance”.


8. Evite descrições detalhadas de personagens

No livro “Colinas Parecendo Elefantes Brancos”, de Ernest Hemingway, qual a aparência do “americano e a garota com ele”? “Ela tirou seu chapéu e o colocou na mesa”. Essa é a única referência de uma descrição física na história, e ainda assim nós vemos o casal e distinguimos cada um pelo tom da sua voz, sem o uso de nenhum advérbio.


9. Não entre em muitos detalhes ao descrever lugares e objetos

A não ser que você seja Margaret Atwood e consegue pintar cenas com linguagem ou escrever paisagens no estilo de Jim Harrison. Mas mesmo se você é bom nisso, você deve evitar que descrições imobilizem a ação e o desenrolar da história.


10. Tente deixar de fora a parte que os leitores tendem a pular

Pense no que você pula durante a leitura de um romance: parágrafos grossos de prosa que têm muitas palavras. O que o escritor está fazendo, está escrevendo, [enchendo linguiça], talvez descrevendo mais uma vez o tempo, ou talvez mergulhando na cabeça do personagem; e o leitor ou sabe o que o cara está pensando ou não se importa. Aposto que você não pula os diálogos.


Minha regra mais importante é a que resume as 10.
Se soar como escrita, eu reescrevo.

 

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