Seis vezes em que Tarantino te deixou com fome

 

Já faz algum tempo que Tarantino não tem me empolgado do início ao fim (dois filmes para ser mais exato), pois Django Livre e Os Oito Odiados parecem não saber a hora certa de acabar e pecaram pela verborragia desnecessária dos últimos trinta minutos e cenas de violência que antes entravam em momentos precisos antes agora conseguem se perder por conta de um timing fora de contexto.

Pois bem, mesmo nestes filmes há de se respeitar ainda a facilidade com que os diálogos, na maioria das vezes, conseguem te prender para te fazer esquecer de outro clímax logo á frente ou que a série de erros humanos sempre leva a um epílogo desgracento.

De qualquer forma, o rapaz prossegue sendo muito acima da média de grande parte dos colegas do cinema hollywoodiano atual e particularidades continuam a ser pescadas de suas películas.

Uma delas, que não é inédita e nem despercebida é a inclusão de cenas envolvendo gastronomia (alta, baixa ou ogra) que aparecem lá e cá durante sua cinematografia. A grande maioria dessa ação acontece em meio a laguma tensão e invariavelmente precede um ato de violência sangrenta.

O Blog colheu algumas dessas cenas memoráveis e listou (sem ordem de preferência, apenas de cronologia) logo aqui embaixo. Confira:

 


 

1 – O jantar – Cães de Aluguel

 

 

No primeiro filme de Tarantino, a primeira cena com ele é um jantar de manhã, no qual podemos ver uma série de bandidos com gravatas finas, terminando uma refeição enquanto têm uma discussão supérflua sobre o significado da música “Like a Virgin” de Madonna. O diretor se aproveita deste tipo de cena até hoje em seus filmes, pois é por meio dela que vai sendo criado um certo clima psicológico para um clímax posterior.

 


 

2 – O Kahuna Burger –  Pulp Fiction

 

Tarantino inventou o Big Kahuna fast food junto com o Reservoir Dogs, quando um copo no cenário da cadeia aparece lá ao fundo. Em Pulp Fiction, isso começa como um instrumento de tortura e intimidador, indicando o poder de Jules (Samuel L- Jackson), homem completamente dominante através de um diálogo meio non sense e uma grande e um ato violento.


 

3 – O Sanduiche – Kill Bill Vol.2

 

 

Beatrix (Uma Thurman) finalmente rastreia Bill (David Carradine) e enquanto espectador e vilão esperam que ela chegue na mansão dele é por meio de uma história contada à filha de ambos que ele vai preparando um sanduíche. O detalhe assombroso que causa temor a quem assiste é o tamanho da faca usada por ele. Do mesmo jeito que acontece com grande parte da comida que Tarantino usa em seus filmes, o ato da preparação para comer deixa a cena com um ar de preambulo para a ação que chega em seguida. E de vez em quando até a comida vira cenário para a treta começar.


 

4 – O Strudel, de Bastardos Inglórios

 

 

Shoshanna (Melanie Laurent) fica frente a frente com o Coronel Hans Landa (Christoph Waltz) após anos remoendo o que aconteceu em sua infância e isso acontece durante a refeição de um strudel de maçã que ambos comem calmamente enquanto conversam sobre amenidades. Logo vem o café expresso para ele e há a expectativa de que ele perceba quem é sua interlocutora. O medo vai tomando conta dela e nosso na medida em que o coronel pede um copo de leite para Shoshanna. O medo e nojo da moça dominam a cena, que circula pela doceria para se transformar num símbolo de poder horripilante.


 

5 – O bolo branco, em Django Unchained

 

 

Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), com seus dentes encavalados e sujos, está sempre tentando entregar algum doce, durante todo o filme (inclusive, o comportamento foi retirado de hábitos reais de DiCaprio). Um momento crucial na história é a cena de 23 minutos do jantar, com o ápice aparecendo durante o bolo branco servido como sobremesa. Há um momento hilário, para só depois se tornar uma ação violenta. Como sempre, a própria iguaria também fará parte da carnificina.


 

6 – O Guisado de Frango de Os Oito Odiados

 

 

Muito frio, tensão e desconfiança entre os cativos da estalagem no meio do nada durante uma nevasca. E não melhor do que uma gororoba bem pesada para esquentar os corações, mentes e corpos da galera. É essa a desculpa para criar um momento de expectativa e terror psicológico na cabeça dos personagens do filme a no espectador que o assiste. O aspecto não é dos melhores esteticamente falando, mas imagine você estando no meio daquela frica toda se não ia adorar um cozido daqueles. Claro que ao final de tudo haverá muito sangue para regar nossos olhos, mas o que vale é que estaremos satisfeitos pelo peso da iguaria. Encontrei até uma receita (mais light) do tal sopão na internet. Veja abaixo a adaptação menos ogra.

 


 

Guisado de Frango 

 

Ingredientes:

 

1 bandeja de sobrecoxas de frango

1 colher (sopa) de vinagre de vinho branco

1/2 cebola picada

2 dentes de alho picados

1 lata de tomate italiano sem pele

1 colher (sopa) de azeite

1 xícara (chá) de vinho branco

1 xícara (chá) de água

tomilho fresco a gosto

manjericão

 


 

Modo de Preparo:

 

Lave bem os pedaços de frango sob água corrente. Transfira-os para um escorredor. Numa tigela, junte o frango e o vinagre e deixe marinar. Reserve.

No liquidificador, triture o tomate italiano sem pele com o suco da lata.Leve uma panela média com o azeite ao fogo baixo. Quando esquentar, acrescente a cebola picada e o alho-poró em fatias. Tempere com uma pitada de sal e refogue por 4 minutos. Junte o alho e refogue por mais 2 minutos.

Aumente o fogo e coloque os pedaços de frango. Quando começarem a dourar, regue com o vinho branco e deixe cozinhar em fogo alto por 5 minutos até que 2/3 do líquido tenham evaporado.

Acrescente o tomate triturado e misture bem. Adicione a água, o manjericão e o tomilho. Quando ferver, abaixe o fogo e deixe cozinhar por 25 minutos com a tampa entreaberta. Sirva com o macarrão da sua preferência.

 

Receita da Chef Rita Lobo

O incrível line up do Glastonbury deste ano

Se já tínhamos ficado a par da ótima escalação do Lollapalooza Chicago e ficamos empolgados com sua comemoração de 25 anos o negócio ficou mais sério agora por causa de outro evento do outro lado do oceano.

Dos mais prestigiados e imponentes festivais do mundo, o Glastonbury 2016 resolveu abalar as estruturas da música e anunciou um line-up de peso que inclui a nata da indústria fonográfica e ainda se dá ao luxo de ter gente boa dos porões do indie em seus 5 dias de acontecimento.

A 46ª adição do evento que ocorre na Worthy Farm, região de Pilton, Inglaterra, vem recheada em seus palcos principais com um pessoal do calibre de Adele (que não é de aparecer muito em atividades deste porte) e dos britânicos Muse e Coldplay como outros headliners.

A vantagem de termos artistas graúdos assim é que a lotação do festival acaba sendo garantida, proporcionando a inclusão de outras figuras que não poderiam aparecer num evento com menos peso.

Assim sendo, há também a volta do sensacional LCD Soundsystem, PJ Harvey e seu esperado novo álbum, Underworld, Beck e Foals, além de James Blake, os meninos do Disclosure, Sigur Rós, Chvrches e a bela voz de Lauren Mayberry. Ainda deu tempo de encaixar a profundidade da música de Grimes, o projeto paralelo de Alex Turner, o Last Shadow Puppets e a triunfante retomada de qualidade do New Order.

Nos palcos secundários teremos diversão das melhores com Wolf Alice, as embasbacantes meninas do Savages, o doidinho Mac DeMarco, o Unknwon Mortal Orchestra (que nos visitou recentemente) e veteranos como ZZ Top, Art Garfunkel e Mercury Rev.

Tá bom ou quer mais? Pois tem.

Há ainda The Lumineers, Fat Boy Slim, Bring Me The Horizon e Eath, Wind and Fire, só para mostrar o quanto o ecletismo dá as caras neste ano.

O Glastonbury acontece entre os dias 22 a 26 de junho e normalmente ocorre transmissão ao vivo da maioria dos palcos pela internet num canal exclusivo da produção do evento.

Mas se você tiver a oportunidade de comparecer in loco não perca tempo. Trata-se de programa com retorno positivo 100% garantido.

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Band of Horses mais família e com disco novo

Já faz um tempo que saiu o anúncio de novo álbum, mas agora foram disponibilizadas mais informações a respeito do trabalho que se chamará “Why Are You Ok”. 

Isso mesmo, estamos falando do Band of Horses e seu mais novo disco.

A bolacha foi produzida por Jason Lytle, do Grandaddy e será o álbum sucessor de Mirage Rock de 2012.

O vocalista Ben Bridwell falou um pouco sobre o trabalho em entrevista recente à Entertainment Weekly dando a entender que, ao contrário dos álbuns anteriores, o disco que sai em Junho foi totalmente composto em casa.

A impossibilidade de isolamento profundo por causa dos afazeres familiares foi o principal motivo para tal decisão da banda. “Eu não tive a oportunidade – como costumava ter – de me isolar no campo ou na praia para fazer isso,” disse ele à publicação.

Essa peculiaridade no processo de criação e produção influenciou bastante o resultado final do disco. “Eu trabalho a noite inteira e depois tenho que levá-las para escola,” ele diz. “ Eu devo ser o pai mais assustador da escola, tenho certeza.”

Outras predileções mais recentes também ajudaram para que se criasse uma característica própria para a nova incursão da banda em estúdio.

Bridwell cita que o duo de hip-hop Outkast, através de sua última reunião em 2014, “revitalizou seu amor pelo hip-hop”, assim como o rapper Kendrick Lamar.

Por outro lado, apesar dessas conversas acerca do álbum e de todas as pistas mostradas pelo frontman do Band of Horses não há ainda a divulgação de nenhum single sequer.

Além disso, é importante frisar que Bridwell e seu companheiro de grupo Jason Lytle têm se envolvido no projeto chamado Banquet em conjunto com os meninos do Franz Ferdinand. Talvez toda essa ocupação faça com que maiores informações sobre o novo disco só venham à tona perto do lançamento no meio do ano.

Política brasileira: você acredita em unicórnios?

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Quem acredita que o brasileiro médio mudou e tem na guerra contra a corrupção uma de suas principais lutas só pode ser um completo inocente ou acredita também em unicórnios.

Se essa mudança fosse verdadeira a última pesquisa sobre uma provável disputa eleitoral de 2018 não teria Lula em segundo e Aécio em terceiro lugar.

Os dois tem sido citados inúmeras vezes nas delações premiadas da Lava-Jato e ambos possuem histórias nebulosas sobre si quanto a questões pouco éticas.

Também há muita fantasia em achar que o brasileiro evoluiu e respeita a diversidade já que na mesma pesquisa Bolsonaro tem bom número de citações.

Portanto, uma boa galera não está nem aí para a luta contra os desmandos que há no país é nem se preocupam com um local mais justo e igualitário para viver, só querem ver seu time preferido no poder.

Ou seja, além de tudo ainda são uns paus mandados e não percebem que o poder está nas nossas mãos e preferem dar tudo nas mãos de sua lenda favorita.

P. J. Harvey: Como não amá-la?

 

E eis que a maior diva indie de todos os tempos vai disponibilizando aos poucos os hits de seu próximo disco.

“The Hope Six Demolition Project” sai dia 15 de abril com 11 faixas inéditas dentre as quais “The Wheel” já foi amplamente divulgada por aqui semanas atrás e agora recebemos essa belíssima “The Community of Hope”, uma quase canção gospel encorpada pelo coral do refrão.

O vídeo é lindão e foi dirigido por Seamus Murphy, premiado fotógrafo que já vem trabalhando com Polly Jean há algum tempo e que foi laureado pelo trabalho em “Let England Shake”. A produção ficou a cargo de James Wilson, com edição de Sebastian Gollek.

A ideia do vídeo era juntar moradores de rua, mães solteiras e pessoas das comunidades católicas ou evangélicas (não ficou bem claro para mim) a fim de darem um aspecto mais diverso ao ambiente da música e ao clipe.

Deu certo e as imagens de audição com as meninas são muito tocantes.

Como bem se sabe o disco novo de P.J. tem todo esse toque pelo fato de ter sido concebido durante viagens que a moça fez ao redor do mundo por regiões devastadas principalmente pela guerra e conflitos armados.

Já deu alguma polêmica com alguns governos por aí e a tendência e criar mais bagunça nesse salseiro conforme vai chegando a data de lançamento do álbum cheio.

É isso aí, Polly. Contamos com sua astúcia para mexer nesse vespeiro e fazer com que as pessoas (pelo menos algumas, se possível) pensem sobre o que leva os governantes a entrar em guerra e colocar na linha de batalha os mais desfavorecidos. Seja levando tiro na trincheira ou vivendo sob condições subumanas posteriormente à devastação bélica o maior prejudicado por essa situação são sempre os mais pobres.

 


The Hope Six Demolition Project

1 – The Community Of Hope

2 – The Ministry Of Defence

3 – A Line In The Sand

4 – Chain Of Keys

5 – River Anacostia

6 – Near The Memorials To Vietnam And Lincoln

7 – The Orange Monkey

8 – Medicinals

9 – The Ministry Of Social Affairs

10 – The Wheel

11 – Dollar, Dollar


The Community of Hope  

 


 

25 anos do Lollapalooza original… e com line-up da edição 2016

 

A produção do Lollapalooza Chicago abriu ontem a venda de ingressos para a edição comemorativa de 25 anos do evento.

 

Hoje, por sua vez, já divulgou de bate-pronto o line-up completo do festival que acontece em 2016.

 

A celebração de um quarto de século acontece entre os dias 28 e 31 de Julho no Grant Park, o enorme complexo no meio da cidade que se enche de 80 mil pessoas todos os anos por quatro dias.

 

O evento originalmente pensado e orquestrado por Perry Ferrel  terá em Chicago, sua terra natal onde tudo começou, headliners como LCD Soundsystem (que voltou com tudo), Red Hot Chili Peppers e Radiohead (com disco novo por aí), e Lana Del Rey (eleita pelo g1 a preferida para capitanear o festival por aqui ano que vem), além do próprio Jane’s Adiction e artistas como Chris Stapleton, City And Colour, Disclosure, Major Lazer, Foals, M83, Grimes e as meninas do Haim.

 

Há quem diga, inclusive, que muita gente daí de cima podia estar sendo antecipada para a edição brasileira do ano que vem (mas já!?).

 

Pois é. E pode ser que Grimes, por exemplo, pouse aqui ainda neste ano. Alguém aí disse Popload Festival?

 

Veja abaixo o line-up completo:

 

Line-up do Lollapalooza 2016

 

Mais um pouco de Bowie não faz mal a ninguém

Desde a triste notícia do dia 10 de janeiro de 2016 o mundo não tem sido mais o mesmo.

Mas como sempre há algo produtivo para se tirar das situações ocorridas na vida também a morte de Bowie não deixa de ser mais um destes aprendizados.

Poesias fuleiras à parte, o caso é que o astro britânico sempre foi um dos artistas mais revisitados ao redor da Terra desde os anos 70 e após seu falecimento a quantidade de covers só aumentou.

Até adaptações que não eram nem tão conhecidas começaram a aparecer por aí.

Um bom exemplo é a versão linda, gélida e de uma profundidade tocante de “Life on Mars” cantada por AURORA, a menina norueguesa da qual falamos aqui mesmo semana passada.

Tudo bem que a canção não é inédita entre aquelas tocadas por outros artistas, mas somente o fato de a garota ter acentuado seu sotaque nórdico durante a música já vale a pena. Vale não só a pena, chega a arrepiar.

O cover já não é tão novo assim, tendo sido apresentado em shows da revelação norueguesa em 2015, mas agora ganhou notoriedade com sua inclusão em um dos episódios da 3ª Temporada de Girls.

Life on Mars – AURORA

 


 

Ainda há mais de “Life on Mars”.

Chris Martin, vocalista do Coldplay, em sua recente passagem pelo programa de Jimmy Fallon, deixou gravado um registro junto com o apresentador ainda nos camarins, do grande clássico de Bowie.

O vocalista preferiu ficar apenas com o piano para que Fallon fizesse as vezes de cantor.

Até sobrou uma palhinha para Captain Kirk Douglas, guitarrista do The Roots, tocar o solo da obra.

Life on Mars – Jimmy Fallon & Chris Martin

 


 

Por fim, sabemos que há covers que só foram produzidos justamente para homenagear a memória do camaleão, porém há outras situações como a de Jeff Tweedy.

O caso dele é emblemático, não só pela qualidade, mas também pela oportunidade que ele promove.

A mente por trás do Wilco sempre tocou obras de David Bowie em suas apresentações com ou sem sua banda e recentemente havia reeditado “All the Young Dudes” e “Space Oddity”, mas desta vez preferiu utilizar uma convidada especial.

Jeff, seu filho Spencer e a banda aproveitaram um dos shows na Austrália para chamar para uma participação especial Courtney Barnett. Juntos cantaram “Queen Bitch”.

Desta ação, infelizmente, não temos nenhum registro em vídeo, mas quando houver será interessante ver o resultado. Parece até que sairá algo em estúdio, Vamos ver!

E para não ficarmos apenas com a imaginação coloco abaixo a versão ao vivo de Bowie com o parça Lou Reed fazendo o clássico ressoar em nossos corações.

 

Queen Bitch – David Bowie & Lou Reed