Seis vezes em que Tarantino te deixou com fome

 

Já faz algum tempo que Tarantino não tem me empolgado do início ao fim (dois filmes para ser mais exato), pois Django Livre e Os Oito Odiados parecem não saber a hora certa de acabar e pecaram pela verborragia desnecessária dos últimos trinta minutos e cenas de violência que antes entravam em momentos precisos antes agora conseguem se perder por conta de um timing fora de contexto.

Pois bem, mesmo nestes filmes há de se respeitar ainda a facilidade com que os diálogos, na maioria das vezes, conseguem te prender para te fazer esquecer de outro clímax logo á frente ou que a série de erros humanos sempre leva a um epílogo desgracento.

De qualquer forma, o rapaz prossegue sendo muito acima da média de grande parte dos colegas do cinema hollywoodiano atual e particularidades continuam a ser pescadas de suas películas.

Uma delas, que não é inédita e nem despercebida é a inclusão de cenas envolvendo gastronomia (alta, baixa ou ogra) que aparecem lá e cá durante sua cinematografia. A grande maioria dessa ação acontece em meio a laguma tensão e invariavelmente precede um ato de violência sangrenta.

O Blog colheu algumas dessas cenas memoráveis e listou (sem ordem de preferência, apenas de cronologia) logo aqui embaixo. Confira:

 


 

1 – O jantar – Cães de Aluguel

 

 

No primeiro filme de Tarantino, a primeira cena com ele é um jantar de manhã, no qual podemos ver uma série de bandidos com gravatas finas, terminando uma refeição enquanto têm uma discussão supérflua sobre o significado da música “Like a Virgin” de Madonna. O diretor se aproveita deste tipo de cena até hoje em seus filmes, pois é por meio dela que vai sendo criado um certo clima psicológico para um clímax posterior.

 


 

2 – O Kahuna Burger –  Pulp Fiction

 

Tarantino inventou o Big Kahuna fast food junto com o Reservoir Dogs, quando um copo no cenário da cadeia aparece lá ao fundo. Em Pulp Fiction, isso começa como um instrumento de tortura e intimidador, indicando o poder de Jules (Samuel L- Jackson), homem completamente dominante através de um diálogo meio non sense e uma grande e um ato violento.


 

3 – O Sanduiche – Kill Bill Vol.2

 

 

Beatrix (Uma Thurman) finalmente rastreia Bill (David Carradine) e enquanto espectador e vilão esperam que ela chegue na mansão dele é por meio de uma história contada à filha de ambos que ele vai preparando um sanduíche. O detalhe assombroso que causa temor a quem assiste é o tamanho da faca usada por ele. Do mesmo jeito que acontece com grande parte da comida que Tarantino usa em seus filmes, o ato da preparação para comer deixa a cena com um ar de preambulo para a ação que chega em seguida. E de vez em quando até a comida vira cenário para a treta começar.


 

4 – O Strudel, de Bastardos Inglórios

 

 

Shoshanna (Melanie Laurent) fica frente a frente com o Coronel Hans Landa (Christoph Waltz) após anos remoendo o que aconteceu em sua infância e isso acontece durante a refeição de um strudel de maçã que ambos comem calmamente enquanto conversam sobre amenidades. Logo vem o café expresso para ele e há a expectativa de que ele perceba quem é sua interlocutora. O medo vai tomando conta dela e nosso na medida em que o coronel pede um copo de leite para Shoshanna. O medo e nojo da moça dominam a cena, que circula pela doceria para se transformar num símbolo de poder horripilante.


 

5 – O bolo branco, em Django Unchained

 

 

Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), com seus dentes encavalados e sujos, está sempre tentando entregar algum doce, durante todo o filme (inclusive, o comportamento foi retirado de hábitos reais de DiCaprio). Um momento crucial na história é a cena de 23 minutos do jantar, com o ápice aparecendo durante o bolo branco servido como sobremesa. Há um momento hilário, para só depois se tornar uma ação violenta. Como sempre, a própria iguaria também fará parte da carnificina.


 

6 – O Guisado de Frango de Os Oito Odiados

 

 

Muito frio, tensão e desconfiança entre os cativos da estalagem no meio do nada durante uma nevasca. E não melhor do que uma gororoba bem pesada para esquentar os corações, mentes e corpos da galera. É essa a desculpa para criar um momento de expectativa e terror psicológico na cabeça dos personagens do filme a no espectador que o assiste. O aspecto não é dos melhores esteticamente falando, mas imagine você estando no meio daquela frica toda se não ia adorar um cozido daqueles. Claro que ao final de tudo haverá muito sangue para regar nossos olhos, mas o que vale é que estaremos satisfeitos pelo peso da iguaria. Encontrei até uma receita (mais light) do tal sopão na internet. Veja abaixo a adaptação menos ogra.

 


 

Guisado de Frango 

 

Ingredientes:

 

1 bandeja de sobrecoxas de frango

1 colher (sopa) de vinagre de vinho branco

1/2 cebola picada

2 dentes de alho picados

1 lata de tomate italiano sem pele

1 colher (sopa) de azeite

1 xícara (chá) de vinho branco

1 xícara (chá) de água

tomilho fresco a gosto

manjericão

 


 

Modo de Preparo:

 

Lave bem os pedaços de frango sob água corrente. Transfira-os para um escorredor. Numa tigela, junte o frango e o vinagre e deixe marinar. Reserve.

No liquidificador, triture o tomate italiano sem pele com o suco da lata.Leve uma panela média com o azeite ao fogo baixo. Quando esquentar, acrescente a cebola picada e o alho-poró em fatias. Tempere com uma pitada de sal e refogue por 4 minutos. Junte o alho e refogue por mais 2 minutos.

Aumente o fogo e coloque os pedaços de frango. Quando começarem a dourar, regue com o vinho branco e deixe cozinhar em fogo alto por 5 minutos até que 2/3 do líquido tenham evaporado.

Acrescente o tomate triturado e misture bem. Adicione a água, o manjericão e o tomilho. Quando ferver, abaixe o fogo e deixe cozinhar por 25 minutos com a tampa entreaberta. Sirva com o macarrão da sua preferência.

 

Receita da Chef Rita Lobo

O incrível line up do Glastonbury deste ano

Se já tínhamos ficado a par da ótima escalação do Lollapalooza Chicago e ficamos empolgados com sua comemoração de 25 anos o negócio ficou mais sério agora por causa de outro evento do outro lado do oceano.

Dos mais prestigiados e imponentes festivais do mundo, o Glastonbury 2016 resolveu abalar as estruturas da música e anunciou um line-up de peso que inclui a nata da indústria fonográfica e ainda se dá ao luxo de ter gente boa dos porões do indie em seus 5 dias de acontecimento.

A 46ª adição do evento que ocorre na Worthy Farm, região de Pilton, Inglaterra, vem recheada em seus palcos principais com um pessoal do calibre de Adele (que não é de aparecer muito em atividades deste porte) e dos britânicos Muse e Coldplay como outros headliners.

A vantagem de termos artistas graúdos assim é que a lotação do festival acaba sendo garantida, proporcionando a inclusão de outras figuras que não poderiam aparecer num evento com menos peso.

Assim sendo, há também a volta do sensacional LCD Soundsystem, PJ Harvey e seu esperado novo álbum, Underworld, Beck e Foals, além de James Blake, os meninos do Disclosure, Sigur Rós, Chvrches e a bela voz de Lauren Mayberry. Ainda deu tempo de encaixar a profundidade da música de Grimes, o projeto paralelo de Alex Turner, o Last Shadow Puppets e a triunfante retomada de qualidade do New Order.

Nos palcos secundários teremos diversão das melhores com Wolf Alice, as embasbacantes meninas do Savages, o doidinho Mac DeMarco, o Unknwon Mortal Orchestra (que nos visitou recentemente) e veteranos como ZZ Top, Art Garfunkel e Mercury Rev.

Tá bom ou quer mais? Pois tem.

Há ainda The Lumineers, Fat Boy Slim, Bring Me The Horizon e Eath, Wind and Fire, só para mostrar o quanto o ecletismo dá as caras neste ano.

O Glastonbury acontece entre os dias 22 a 26 de junho e normalmente ocorre transmissão ao vivo da maioria dos palcos pela internet num canal exclusivo da produção do evento.

Mas se você tiver a oportunidade de comparecer in loco não perca tempo. Trata-se de programa com retorno positivo 100% garantido.

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Band of Horses mais família e com disco novo

Já faz um tempo que saiu o anúncio de novo álbum, mas agora foram disponibilizadas mais informações a respeito do trabalho que se chamará “Why Are You Ok”. 

Isso mesmo, estamos falando do Band of Horses e seu mais novo disco.

A bolacha foi produzida por Jason Lytle, do Grandaddy e será o álbum sucessor de Mirage Rock de 2012.

O vocalista Ben Bridwell falou um pouco sobre o trabalho em entrevista recente à Entertainment Weekly dando a entender que, ao contrário dos álbuns anteriores, o disco que sai em Junho foi totalmente composto em casa.

A impossibilidade de isolamento profundo por causa dos afazeres familiares foi o principal motivo para tal decisão da banda. “Eu não tive a oportunidade – como costumava ter – de me isolar no campo ou na praia para fazer isso,” disse ele à publicação.

Essa peculiaridade no processo de criação e produção influenciou bastante o resultado final do disco. “Eu trabalho a noite inteira e depois tenho que levá-las para escola,” ele diz. “ Eu devo ser o pai mais assustador da escola, tenho certeza.”

Outras predileções mais recentes também ajudaram para que se criasse uma característica própria para a nova incursão da banda em estúdio.

Bridwell cita que o duo de hip-hop Outkast, através de sua última reunião em 2014, “revitalizou seu amor pelo hip-hop”, assim como o rapper Kendrick Lamar.

Por outro lado, apesar dessas conversas acerca do álbum e de todas as pistas mostradas pelo frontman do Band of Horses não há ainda a divulgação de nenhum single sequer.

Além disso, é importante frisar que Bridwell e seu companheiro de grupo Jason Lytle têm se envolvido no projeto chamado Banquet em conjunto com os meninos do Franz Ferdinand. Talvez toda essa ocupação faça com que maiores informações sobre o novo disco só venham à tona perto do lançamento no meio do ano.

Política brasileira: você acredita em unicórnios?

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Quem acredita que o brasileiro médio mudou e tem na guerra contra a corrupção uma de suas principais lutas só pode ser um completo inocente ou acredita também em unicórnios.

Se essa mudança fosse verdadeira a última pesquisa sobre uma provável disputa eleitoral de 2018 não teria Lula em segundo e Aécio em terceiro lugar.

Os dois tem sido citados inúmeras vezes nas delações premiadas da Lava-Jato e ambos possuem histórias nebulosas sobre si quanto a questões pouco éticas.

Também há muita fantasia em achar que o brasileiro evoluiu e respeita a diversidade já que na mesma pesquisa Bolsonaro tem bom número de citações.

Portanto, uma boa galera não está nem aí para a luta contra os desmandos que há no país é nem se preocupam com um local mais justo e igualitário para viver, só querem ver seu time preferido no poder.

Ou seja, além de tudo ainda são uns paus mandados e não percebem que o poder está nas nossas mãos e preferem dar tudo nas mãos de sua lenda favorita.

P. J. Harvey: Como não amá-la?

 

E eis que a maior diva indie de todos os tempos vai disponibilizando aos poucos os hits de seu próximo disco.

“The Hope Six Demolition Project” sai dia 15 de abril com 11 faixas inéditas dentre as quais “The Wheel” já foi amplamente divulgada por aqui semanas atrás e agora recebemos essa belíssima “The Community of Hope”, uma quase canção gospel encorpada pelo coral do refrão.

O vídeo é lindão e foi dirigido por Seamus Murphy, premiado fotógrafo que já vem trabalhando com Polly Jean há algum tempo e que foi laureado pelo trabalho em “Let England Shake”. A produção ficou a cargo de James Wilson, com edição de Sebastian Gollek.

A ideia do vídeo era juntar moradores de rua, mães solteiras e pessoas das comunidades católicas ou evangélicas (não ficou bem claro para mim) a fim de darem um aspecto mais diverso ao ambiente da música e ao clipe.

Deu certo e as imagens de audição com as meninas são muito tocantes.

Como bem se sabe o disco novo de P.J. tem todo esse toque pelo fato de ter sido concebido durante viagens que a moça fez ao redor do mundo por regiões devastadas principalmente pela guerra e conflitos armados.

Já deu alguma polêmica com alguns governos por aí e a tendência e criar mais bagunça nesse salseiro conforme vai chegando a data de lançamento do álbum cheio.

É isso aí, Polly. Contamos com sua astúcia para mexer nesse vespeiro e fazer com que as pessoas (pelo menos algumas, se possível) pensem sobre o que leva os governantes a entrar em guerra e colocar na linha de batalha os mais desfavorecidos. Seja levando tiro na trincheira ou vivendo sob condições subumanas posteriormente à devastação bélica o maior prejudicado por essa situação são sempre os mais pobres.

 


The Hope Six Demolition Project

1 – The Community Of Hope

2 – The Ministry Of Defence

3 – A Line In The Sand

4 – Chain Of Keys

5 – River Anacostia

6 – Near The Memorials To Vietnam And Lincoln

7 – The Orange Monkey

8 – Medicinals

9 – The Ministry Of Social Affairs

10 – The Wheel

11 – Dollar, Dollar


The Community of Hope  

 


 

25 anos do Lollapalooza original… e com line-up da edição 2016

 

A produção do Lollapalooza Chicago abriu ontem a venda de ingressos para a edição comemorativa de 25 anos do evento.

 

Hoje, por sua vez, já divulgou de bate-pronto o line-up completo do festival que acontece em 2016.

 

A celebração de um quarto de século acontece entre os dias 28 e 31 de Julho no Grant Park, o enorme complexo no meio da cidade que se enche de 80 mil pessoas todos os anos por quatro dias.

 

O evento originalmente pensado e orquestrado por Perry Ferrel  terá em Chicago, sua terra natal onde tudo começou, headliners como LCD Soundsystem (que voltou com tudo), Red Hot Chili Peppers e Radiohead (com disco novo por aí), e Lana Del Rey (eleita pelo g1 a preferida para capitanear o festival por aqui ano que vem), além do próprio Jane’s Adiction e artistas como Chris Stapleton, City And Colour, Disclosure, Major Lazer, Foals, M83, Grimes e as meninas do Haim.

 

Há quem diga, inclusive, que muita gente daí de cima podia estar sendo antecipada para a edição brasileira do ano que vem (mas já!?).

 

Pois é. E pode ser que Grimes, por exemplo, pouse aqui ainda neste ano. Alguém aí disse Popload Festival?

 

Veja abaixo o line-up completo:

 

Line-up do Lollapalooza 2016

 

Mais um pouco de Bowie não faz mal a ninguém

Desde a triste notícia do dia 10 de janeiro de 2016 o mundo não tem sido mais o mesmo.

Mas como sempre há algo produtivo para se tirar das situações ocorridas na vida também a morte de Bowie não deixa de ser mais um destes aprendizados.

Poesias fuleiras à parte, o caso é que o astro britânico sempre foi um dos artistas mais revisitados ao redor da Terra desde os anos 70 e após seu falecimento a quantidade de covers só aumentou.

Até adaptações que não eram nem tão conhecidas começaram a aparecer por aí.

Um bom exemplo é a versão linda, gélida e de uma profundidade tocante de “Life on Mars” cantada por AURORA, a menina norueguesa da qual falamos aqui mesmo semana passada.

Tudo bem que a canção não é inédita entre aquelas tocadas por outros artistas, mas somente o fato de a garota ter acentuado seu sotaque nórdico durante a música já vale a pena. Vale não só a pena, chega a arrepiar.

O cover já não é tão novo assim, tendo sido apresentado em shows da revelação norueguesa em 2015, mas agora ganhou notoriedade com sua inclusão em um dos episódios da 3ª Temporada de Girls.

Life on Mars – AURORA

 


 

Ainda há mais de “Life on Mars”.

Chris Martin, vocalista do Coldplay, em sua recente passagem pelo programa de Jimmy Fallon, deixou gravado um registro junto com o apresentador ainda nos camarins, do grande clássico de Bowie.

O vocalista preferiu ficar apenas com o piano para que Fallon fizesse as vezes de cantor.

Até sobrou uma palhinha para Captain Kirk Douglas, guitarrista do The Roots, tocar o solo da obra.

Life on Mars – Jimmy Fallon & Chris Martin

 


 

Por fim, sabemos que há covers que só foram produzidos justamente para homenagear a memória do camaleão, porém há outras situações como a de Jeff Tweedy.

O caso dele é emblemático, não só pela qualidade, mas também pela oportunidade que ele promove.

A mente por trás do Wilco sempre tocou obras de David Bowie em suas apresentações com ou sem sua banda e recentemente havia reeditado “All the Young Dudes” e “Space Oddity”, mas desta vez preferiu utilizar uma convidada especial.

Jeff, seu filho Spencer e a banda aproveitaram um dos shows na Austrália para chamar para uma participação especial Courtney Barnett. Juntos cantaram “Queen Bitch”.

Desta ação, infelizmente, não temos nenhum registro em vídeo, mas quando houver será interessante ver o resultado. Parece até que sairá algo em estúdio, Vamos ver!

E para não ficarmos apenas com a imaginação coloco abaixo a versão ao vivo de Bowie com o parça Lou Reed fazendo o clássico ressoar em nossos corações.

 

Queen Bitch – David Bowie & Lou Reed

 


 

 

Projeto “Riva no MIS” em sua reta final

Todo mundo batalhou e o negócio saiu do papel.

A ideia de ter um dia somente com a apresentação de fantasias e maquiagens alusivas aos personagens de Tim Burton deu muito certo e a atividade para a seleção do passeio ao MIS é sucesso total.

Sexta-feira (18), os meninos e meninas da EMEF Professor Rivadávia Marques Junior tiveram seu dia de artista de filme do diretor americano famoso por películas como “A Fantástica Fábrica de Chocolates”, “Alice no País das Maravilhas”, “Frankiewinnie”, “A Noiva Cadáver” e “Os Fantasmas se Divertem” e deram espetáculo de criatividade e inventividade no palco da escola.

Se a primeira fase já havia acontecido com a confecção dos cartazes acerca do tema, a parte do figurino não deixou a desejar e soltou assobios de aprovação da galera que assistiu aos meninos mostrarem suas roupas no final do período de aula.

Agora, o processo seletivo entra em seu período final no qual serão escolhidos as 80 pessoas que irão ao MIS (Museu da Imagem e do Som) para assistir à exposição “O Mundo de Tim Burton” dias 01 e 08 de abril próximos.

Até lá, galera!

























Folk, Indie e Pop: Soko é tudo isso aí e mais um pouco!

A internet é tão mais bonita e salutar quando utilizada de modo adequado e moderado.

Os próprios períodos dos últimos anos foram mudando de tempos em tempos na relação custo-benefício de cada área da rede mundial de computadores.

Lembro que nos anos 2000, o MySpace é o local adequado para garimpar coisas bacanas e obscuras no submundo indie. Algo como o que eram as revistas importadas sobre música nos anos 90 ou os amigos endinheirados que vinham de Londres nos anos 70 e 80. Tudo a seu tempo mesmo.

Pois é da época do MySpace (que hoje foi engolido pelos canais do Youtube e pela entrada dos serviços de Streaming) que veio a primeira fagulha de fama da cantora francesa de origem polonesa Soko.

Na verdade, a menina se chama Stéphanie Sokolinski, mas acertadamente decidiu usar apenas a corruptela do sobrenome. Ficou estiloso sim!

De Bourdoux para os filmes franceses do meio da década passada para a cena musical underground daquele país europeu, Soko percebeu que sua voz era mais do que apenas uma embalagem bonitinha.

Ela funciona não só na categoria folk com base quase exclusiva de violão e percussão, mas também se destaca na evolução vocal em ambientes de influência instrumental indie com pitadas de um pop meio calmaria e dream pop lá no fundo.

Cabe até um pouco de New Wave e influência de Siouxsie and the Banshees (“My Dreams Dictate My Reality” é a prova viva).

Stéphanie passou por escolas de atuação como a da Eva St Paul, mas quando começou a dar mais atenção à veia musical abandonou um pouco este lado. Curiosamente, quando iniciou seu lado compositora também passou a fazer participações em diversos filmes.

Fez parte de películas como “Au secours, j’ai trente ans!” (2004) e “Oh Ma Femme”  e “Mes copines” (2006), mas em 2007 tomou coragem para lançar o EP de estreia “Not Sokute” que tinha 5 faixas com a participação do guitarrista Thomas Semence. É deste trabalho que surgiu a canção “I’ll kill her” que alcançou o primeiro lugar nas rádios e na iTunes Store da Dinamarca, mas teve boa repercussão por ter sido usada na trilha sonora do desfile de Stella MacCartney na Semana de Moda de Paris daquele mesmo ano.

A garota também chegou a dar umas viajadas na carreira, tendo chegado ao ponto de, em janeiro de 2009, dizer que estava deixando sua carreira musical para afirmar meses depois que tudo não passava de um “renascimento” e que estava, portanto, voltando com a atividade. Por novo acaso (ou não?) neste mesmo período foi indicada ao César pelo trabalho de atriz revelação por sua atuação em “À l’origine”.

Ela até pousou aqui no Brasil para shows em 2010 que passaram por Recife, Salvador, Porto Alegre e São Paulo.

Tudo isso aconteceu antes mesmo do primeiro álbum cheio, “I though I was an alien”, lançado em janeiro de 2012. Agora, mais recentemente, em 2015, lançou o segundo disco intitulado “My Dreams Dictate My Reality”.

O clima frio, bucólico, denso e soturno é meio que uma marca da moça nos dois trabalhos e não só é sentido pela sua voz rasgada que desfalece durante os acordes do violão e dos poucos elementos conjuntos da sua obra, mas também pelo ambiente que constrói ao longo de cada canção.

Os álbuns são bem produzidos e limpos, mas há de se notar que isso não faz da atividade musical de Soko algo somente fofo. Há talento acima da beleza estética de suas canções e sua maneira de levar os versos não cai apenas no modorrento desprazer de um romantismo tristonho.

Soko tem repertório, tanto vocal quanto musical e sua carreira tem tudo para não ficar estacionada em estereótipos que possam categoriza-la como uma coisa apenas. A própria segunda experiência já demonstra isso com a alteração de voz para tendências mais graves.

Serve para noites de frio, funciona para casais apaixonados, mas também surge como trilha sonora de mentes mais viajantes que não se contentam com o óbvio das nomenclaturas.


Álbum Completo – “I though I was an alien”


Álbum Completo – “My Dreams Dictate My Reality”

The Night Manager é uma aula sobre histórias de espionagem

 

 

A série causou furor ainda em seu período de produção, pois mexeu com o inconsciente coletivo de uma geração que assistiu Hugh Laurie fazendo o papel inesquecível de Doutor House e da galera que aprendeu a reconhecer em Tom Hiddlestton o irmão adotivo de Thor, Loki.

Só por este motivo já era uma atração diferente para a tv e um desafio gigantesco para ambos os atores (que também produzem o programa) para se desvencilharem da imagem de suas célebres interpretações. Veja, o fato de alguém ficar marcado por um papel não é algo especificamente ruim, pois demonstra sua competência naquilo que se propôs a fazer, mas acaba por quebrar a evolução da carreira do artista.

Feita essa ressalva, a escolha de um texto tão inteligente quanto é o roteiro de John Le Carré se torna outro trunfo na manga de “The Night Manager” (AMC – toda segunda às 22h30).

Trata-se de um thriller de espionagem, romance, tensão e história da máfia que é difícil de se ver mesmo no cinema, onde tais atributos foram bem empregados, principalmente nos anos 60 e 70.

É importante lembrar que Le Carré  estudou na universidade de Berna na Suíça e na Universidade de Oxford na Inglaterra antes de se tornar professor titular em Eton College e se juntar ao corpo diplomático britânico entre 1960 e 1964 trabalhando no serviço secreto daquele país e tendo servido o MI6 por tempo suficiente para colher dali as histórias para livros como “O Espião que sabia demais” (1974), “A Casa da Rússia” (1989) e “O Alfaiate do Panamá” (1996), muitos deles adaptados por Hollywood para a tela grande.

Isso faz do autor um rival à altura de Ian Flemming, criador das histórias de James Bond, porém se percebe que Le Carré prefere situações mais cerebrais advindos de temas políticos e tramas psicológicas do que as perseguições e superficialidades da vida do agente secreto presentes em alguns momentos dos livros de 007.

Em The Night Manager há conversas ao telefone que são mais importantes do que ações dos personagens. Aquele fator ausente muitas vezes se torna mais imprescindível do que aquilo que está presente em cena e isso faz toda a diferença na atenção que se toma do espectador.

As ligações entre governo, empresas multinacionais, empresários corruptos  e o tráfico de armas são os principais agentes condutores da série e tudo gira em torno do papel de Laurie (Richard Roper), bilionário inglês que fez fortuna com investimentos de baixo risco que ninguém sabe de onde vêm. Na verdade, seu carro-chefe é o comércio ilegal de armas, principalmente para municiamento de guerras civis e conflitos armados ao redor do mundo. O capital é conseguido através de outros endinheirados que esperam ao final de um ano conseguir uma boa melhoria em seu total.

É aí que entra Jonathan Pine, personagem de Hiddleston, ex-agente do exército britânico que trabalha atualmente como gerente noturno de um hotel de luxo no Cairo (daí o título), mas que será jogado para o universo por causa de uma situação que interferirá nele e o colocará cara-a-cara com Roper.

Uma terceira personagem, Angela Burr, vivida por Olivia Colman, que trabalha numa agência secreta da Inglaterra verá nele potencial e a ira suficientes para que o coloque como agente disfarçado trabalhando para Roper.

Se tudo em algum momento pode se tornar rocambolesco (como as formas como ele consegue se infiltrar no mundo do crime ou na vida do bilionário inglês) a coisa é superada pela forma como o roteiro corrige isso. Logo você esquece dos excessos por causa da trama bem intrincada, da facilidade com que é contado o processo para que pessoas do governo tenham interesse na continuidade das ações do tráfico de armas, a interpretação segura dos atores principais e da presença de Elizabeth Debicki (Jed Marshall). Que mulher é essa!

Além disso, a trilha sonora faz parte dos episódios de tal maneira que faz com que a respiração de quem assiste à série se torne ofegante conforme vai aumentando ou diminuindo a velocidade.

De fato, é por meio dessa tensão constante que se estabelece uma conexão nunca cortada entre espectador e série e essa sempre crescente possibilidade de clímax faz do programa um atividade sufocante.

Ainda estou no quarto episódio e tudo pode ruir a qualquer momento, fazendo com que eu me arrependa amargamente deste texto, mas já não dá para deixar de lado a qualidade do texto que vai à tela e de que os atores não precisam ter mais medo sobre suas carreiras ficarem focadas apenas naqueles personagens pelos quais ficaram famosos. Esta série deu a Laurie e Hiddleston a oportunidade de evoluírem mais ainda. O último já tem percebido a crescente empolgação dos fãs em tê-lo como o próximo James Bond, algo que é para poucos.

Também não foi falado ainda se a série funcionará como uma história que acaba nesta temporada (meio como True Detective) ou se prosseguirá nos anos seguintes.

Particularmente, acredito que histórias de espionagem como essa deveriam ter um tempo curto para não sofrer com a questão do tempo e da repetição, mas tudo depende de um bom roteiro e este The Night Manager já provou tê-lo.


Trailer Legendado