Blood Sugar Sex Magik: o salto fatal do Red Hot Chili Peppers

Tudo começa com uma série de mudanças. Como em toda banda de rock isso pode fazer uma grande diferença. E fez.

Em 1988, logo após a turnê do seu terceiro álbum, o Red Hot Chili Peppers perdeu o guitarrista original da banda, Hillel Slovak, vítima de uma overdose de heroína.

O baterista Jack Irons deixou o grupo logo em seguida, fazendo com que o vocalista Anthony Kiedis e o baixista Flea fizessem uma busca incessante por tais novos profissionais e isso só foi solucionado, pois o fã John Frusciante se mostrou interessado em ocupar o cargo por que antes dele, DeWayne “Blackbyrd” McKnight durou apenas três shows em setembro de 1988 e foi demitido por causa de diferenças, digamos, criativas.

Faltavam apenas duas semanas para que o disco Mother’s Milk fosse iniciado e a outra escolha, a do baterista Chad Smith, também se mostrou acertada.

O LP acabou por se tornar o maior sucesso da banda até então, mas parecia que a banda ainda não estava satisfeita, pois as inúmeras alterações que o produtor Michael Beinhorn realizou durante o trabalho foram desgastantes demais e todos ansiavam por maior liberdade criativa.

Dessa forma, o novo contrato com a Warner Bros permitiu que o desejo dos meninos se realizasse: Rick Rubin foi chamado e Blood Sugar Sex Magik começou a ser produzido. Em 24 de setembro de 1991, o álbum foi lançado e sua história até hoje é bem conhecida.

O estilo musical da obra difere muito do que foi empregado no trabalho anterior e não conta com o caminhão de uso de riffs do heavy metal como anteriormente. As letras, por sua vez, abordam temas como insinuações sexuais e referências a drogas e morte, mas também tem espaço para a luxúria, temas ligados ao preconceito e relacionamentos frustrados do vocalista Anthony Kiedis com algumas de seus amores.

A influência do disco na atividade musical do movimento alternativo da época é bastante palatável, mas curiosamente teve o mesmo impulso para que o Chili Peppers deixasse de sê-lo.

Outra curiosidade é que o LP saiu no mesmo dia que “Nevermind” do Nirvana, algo que provoca mais impressões, pois foi um ano em que a proficuidade de álbuns clássicos do rock foi impressionante.

“Black Album” do Metallica, “Out Of Time” do R.E.M., “Use Your Ilusion” do Guns’n Roses e “Ten” do Pearl Jam são alguns de outros exemplos de lançamentos daquele ano que ultrapassaram os tempos na questão qualitativa e de vendagens.

“Blood Sugar…” alcançou o terceiro lugar na Billboard 200 e recebeu disco de platina sétuplo pela Recording Industry Association of America(RIAA).

Além disso, o grupo conseguiu despejar no dial das rádios inúmeros singles, sendo que o primeiro deles, “Give It Away”, foi o primeiro da banda a atingir a primeira posição na Alternative Song. O trabalho como um todo figura na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame e possui vendagem total superior a dezenove milhões de cópias em todo o mundo.

Também é interessante constatar que o sucesso daquele período promoveu divergências na banda como a saída de John Frusciante durante a turnê em 1992.

Talvez tudo naquele momento parecesse funcionar no 220 volts para seus integrantes: um exemplo é que “Blood Sugar Sex Magik” foi escrito em um ritmo mais rápido do que o álbum anterior, a atividade criativa aconteceu toda numa mansão alugada para que eles não precisassem ser interrompidos e Kieds e Frusciante eram os responsáveis pela maioria das composições e das letras das canções contidas na produção, mas muita coisa era mais bem arranjada quando chegava as mãos de Smith e Flea.

Assim sendo, parece ser mais um trabalho em equipe do que qualquer outro tipo de atividade que poderiam escolher realizar.

As letras de “Suck My Kiss,” “If You Have to Ask,” “Sir Psycho Sexy,” “Give It Away” e “Blood Sugar Sex Magik” tem sempre uma conotação entre o apelo sexual e a luxúria, mas há muita poesia em versos como os de “Under the Bridge” que transformava a insegurança de Kieds e a relação com a drogas num mundo todo “debaixo da ponte”.

No disco também há lugar para baladas sobre relacionamentos que não deram certo como em “Breaking the Girl” e “I Could Have Lied”, a canção “My Lovely Man” que nada mais é do que um tributo ao falecido Hillel Slovak e “The Power of Equality” cita questões sobre a igualdade racial.

Ao todo são 17 faixas que em maior ou menor grau conseguem destilar energia suficiente para que um disco duplo não se torne maçante.


Para finalizar e provar a magnitude da potência de “Blood Sugar…” veja abaixo, alguns exemplos de comendas conquistadas pelo famoso álbum:

Revista Visions (Alemanha) – “Mais importantes álbuns da década de 90” (Posição número 1);

Rolling Stone (Estados Unidos) – “Os 500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos” (Posição número         310);

Rolling Stone (Estados Unidos) – “Os 100 Maiores Álbuns dos anos noventa” (Posição número 19);

Spin   (Estados Unidos) – “Os primeiros 90 álbuns da década de 90” (Posição número 58);

Q (Reino Unido) – “90 álbuns da década de 1990 (Posição número 58);

My Favourite Album        (Austrália)   – “Álbuns favoritos da Austrália de todos os tempo” (Posição Número 8);

Rock and Roll Hall of Fame        (Estados Unidos) – “Os 200 definitivos: Os primeiros 200 álbuns de todos os tempos” (Posição Número 88)


Red Hot Chili Peppers – Blood Sugar Sex Magik

“The Power of Equality”

“If You Have to Ask”

“Breaking the Girl”

“Funky Monks”

“Suck My Kiss”

“I Could Have Lied”

“Mellowship Slinky in B Major”

“The Righteous and the Wicked”

“Give It Away”

 “Blood Sugar Sex Magik”

“Under the Bridge”

“Naked in the Rain”

“Apache Rose Peacock”

“The Greeting Song”

“My Lovely Man”

“Sir Psycho Sexy”

“They’re Red Hot”


Give It Away

 


 

Breaking the Girl

 


 

Suck My Kiss

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