The Night Manager é uma aula sobre histórias de espionagem

 

 

A série causou furor ainda em seu período de produção, pois mexeu com o inconsciente coletivo de uma geração que assistiu Hugh Laurie fazendo o papel inesquecível de Doutor House e da galera que aprendeu a reconhecer em Tom Hiddlestton o irmão adotivo de Thor, Loki.

Só por este motivo já era uma atração diferente para a tv e um desafio gigantesco para ambos os atores (que também produzem o programa) para se desvencilharem da imagem de suas célebres interpretações. Veja, o fato de alguém ficar marcado por um papel não é algo especificamente ruim, pois demonstra sua competência naquilo que se propôs a fazer, mas acaba por quebrar a evolução da carreira do artista.

Feita essa ressalva, a escolha de um texto tão inteligente quanto é o roteiro de John Le Carré se torna outro trunfo na manga de “The Night Manager” (AMC – toda segunda às 22h30).

Trata-se de um thriller de espionagem, romance, tensão e história da máfia que é difícil de se ver mesmo no cinema, onde tais atributos foram bem empregados, principalmente nos anos 60 e 70.

É importante lembrar que Le Carré  estudou na universidade de Berna na Suíça e na Universidade de Oxford na Inglaterra antes de se tornar professor titular em Eton College e se juntar ao corpo diplomático britânico entre 1960 e 1964 trabalhando no serviço secreto daquele país e tendo servido o MI6 por tempo suficiente para colher dali as histórias para livros como “O Espião que sabia demais” (1974), “A Casa da Rússia” (1989) e “O Alfaiate do Panamá” (1996), muitos deles adaptados por Hollywood para a tela grande.

Isso faz do autor um rival à altura de Ian Flemming, criador das histórias de James Bond, porém se percebe que Le Carré prefere situações mais cerebrais advindos de temas políticos e tramas psicológicas do que as perseguições e superficialidades da vida do agente secreto presentes em alguns momentos dos livros de 007.

Em The Night Manager há conversas ao telefone que são mais importantes do que ações dos personagens. Aquele fator ausente muitas vezes se torna mais imprescindível do que aquilo que está presente em cena e isso faz toda a diferença na atenção que se toma do espectador.

As ligações entre governo, empresas multinacionais, empresários corruptos  e o tráfico de armas são os principais agentes condutores da série e tudo gira em torno do papel de Laurie (Richard Roper), bilionário inglês que fez fortuna com investimentos de baixo risco que ninguém sabe de onde vêm. Na verdade, seu carro-chefe é o comércio ilegal de armas, principalmente para municiamento de guerras civis e conflitos armados ao redor do mundo. O capital é conseguido através de outros endinheirados que esperam ao final de um ano conseguir uma boa melhoria em seu total.

É aí que entra Jonathan Pine, personagem de Hiddleston, ex-agente do exército britânico que trabalha atualmente como gerente noturno de um hotel de luxo no Cairo (daí o título), mas que será jogado para o universo por causa de uma situação que interferirá nele e o colocará cara-a-cara com Roper.

Uma terceira personagem, Angela Burr, vivida por Olivia Colman, que trabalha numa agência secreta da Inglaterra verá nele potencial e a ira suficientes para que o coloque como agente disfarçado trabalhando para Roper.

Se tudo em algum momento pode se tornar rocambolesco (como as formas como ele consegue se infiltrar no mundo do crime ou na vida do bilionário inglês) a coisa é superada pela forma como o roteiro corrige isso. Logo você esquece dos excessos por causa da trama bem intrincada, da facilidade com que é contado o processo para que pessoas do governo tenham interesse na continuidade das ações do tráfico de armas, a interpretação segura dos atores principais e da presença de Elizabeth Debicki (Jed Marshall). Que mulher é essa!

Além disso, a trilha sonora faz parte dos episódios de tal maneira que faz com que a respiração de quem assiste à série se torne ofegante conforme vai aumentando ou diminuindo a velocidade.

De fato, é por meio dessa tensão constante que se estabelece uma conexão nunca cortada entre espectador e série e essa sempre crescente possibilidade de clímax faz do programa um atividade sufocante.

Ainda estou no quarto episódio e tudo pode ruir a qualquer momento, fazendo com que eu me arrependa amargamente deste texto, mas já não dá para deixar de lado a qualidade do texto que vai à tela e de que os atores não precisam ter mais medo sobre suas carreiras ficarem focadas apenas naqueles personagens pelos quais ficaram famosos. Esta série deu a Laurie e Hiddleston a oportunidade de evoluírem mais ainda. O último já tem percebido a crescente empolgação dos fãs em tê-lo como o próximo James Bond, algo que é para poucos.

Também não foi falado ainda se a série funcionará como uma história que acaba nesta temporada (meio como True Detective) ou se prosseguirá nos anos seguintes.

Particularmente, acredito que histórias de espionagem como essa deveriam ter um tempo curto para não sofrer com a questão do tempo e da repetição, mas tudo depende de um bom roteiro e este The Night Manager já provou tê-lo.


Trailer Legendado

 

Anúncios

Um comentário em “The Night Manager é uma aula sobre histórias de espionagem

  1. Anee disse:

    É ruim p/ caralho, os atores são ótimos, mas a historia é bem rasa, e as falas são bem infantis, só consegui ver 3 cap, e me arrependi por ter perdido tempo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s