Folk, Indie e Pop: Soko é tudo isso aí e mais um pouco!

A internet é tão mais bonita e salutar quando utilizada de modo adequado e moderado.

Os próprios períodos dos últimos anos foram mudando de tempos em tempos na relação custo-benefício de cada área da rede mundial de computadores.

Lembro que nos anos 2000, o MySpace é o local adequado para garimpar coisas bacanas e obscuras no submundo indie. Algo como o que eram as revistas importadas sobre música nos anos 90 ou os amigos endinheirados que vinham de Londres nos anos 70 e 80. Tudo a seu tempo mesmo.

Pois é da época do MySpace (que hoje foi engolido pelos canais do Youtube e pela entrada dos serviços de Streaming) que veio a primeira fagulha de fama da cantora francesa de origem polonesa Soko.

Na verdade, a menina se chama Stéphanie Sokolinski, mas acertadamente decidiu usar apenas a corruptela do sobrenome. Ficou estiloso sim!

De Bourdoux para os filmes franceses do meio da década passada para a cena musical underground daquele país europeu, Soko percebeu que sua voz era mais do que apenas uma embalagem bonitinha.

Ela funciona não só na categoria folk com base quase exclusiva de violão e percussão, mas também se destaca na evolução vocal em ambientes de influência instrumental indie com pitadas de um pop meio calmaria e dream pop lá no fundo.

Cabe até um pouco de New Wave e influência de Siouxsie and the Banshees (“My Dreams Dictate My Reality” é a prova viva).

Stéphanie passou por escolas de atuação como a da Eva St Paul, mas quando começou a dar mais atenção à veia musical abandonou um pouco este lado. Curiosamente, quando iniciou seu lado compositora também passou a fazer participações em diversos filmes.

Fez parte de películas como “Au secours, j’ai trente ans!” (2004) e “Oh Ma Femme”  e “Mes copines” (2006), mas em 2007 tomou coragem para lançar o EP de estreia “Not Sokute” que tinha 5 faixas com a participação do guitarrista Thomas Semence. É deste trabalho que surgiu a canção “I’ll kill her” que alcançou o primeiro lugar nas rádios e na iTunes Store da Dinamarca, mas teve boa repercussão por ter sido usada na trilha sonora do desfile de Stella MacCartney na Semana de Moda de Paris daquele mesmo ano.

A garota também chegou a dar umas viajadas na carreira, tendo chegado ao ponto de, em janeiro de 2009, dizer que estava deixando sua carreira musical para afirmar meses depois que tudo não passava de um “renascimento” e que estava, portanto, voltando com a atividade. Por novo acaso (ou não?) neste mesmo período foi indicada ao César pelo trabalho de atriz revelação por sua atuação em “À l’origine”.

Ela até pousou aqui no Brasil para shows em 2010 que passaram por Recife, Salvador, Porto Alegre e São Paulo.

Tudo isso aconteceu antes mesmo do primeiro álbum cheio, “I though I was an alien”, lançado em janeiro de 2012. Agora, mais recentemente, em 2015, lançou o segundo disco intitulado “My Dreams Dictate My Reality”.

O clima frio, bucólico, denso e soturno é meio que uma marca da moça nos dois trabalhos e não só é sentido pela sua voz rasgada que desfalece durante os acordes do violão e dos poucos elementos conjuntos da sua obra, mas também pelo ambiente que constrói ao longo de cada canção.

Os álbuns são bem produzidos e limpos, mas há de se notar que isso não faz da atividade musical de Soko algo somente fofo. Há talento acima da beleza estética de suas canções e sua maneira de levar os versos não cai apenas no modorrento desprazer de um romantismo tristonho.

Soko tem repertório, tanto vocal quanto musical e sua carreira tem tudo para não ficar estacionada em estereótipos que possam categoriza-la como uma coisa apenas. A própria segunda experiência já demonstra isso com a alteração de voz para tendências mais graves.

Serve para noites de frio, funciona para casais apaixonados, mas também surge como trilha sonora de mentes mais viajantes que não se contentam com o óbvio das nomenclaturas.


Álbum Completo – “I though I was an alien”


Álbum Completo – “My Dreams Dictate My Reality”

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