“Time Will Burn”: doc sobre indie brasileiro vale pelo ineditismo

***Com informações do jornalista Leonardo Rodrigues para o UOL Entretenimento***

 

 

O nome foi extraído do álbum de estreia da banda paulistana Pin Ups (a capa você vê logo acima) que se destacou nos anos 90 pelo circuito alternativo do rock numa época em que o gênero chegou a mandar em algumas rádios do dial brasileiro.

Falamos aqui do período em que Kurt Cobain, Eddie Vedder e Chris Cornell estavam com sua bandas entre as mais tocadas e muitos de seus shows (menos o Pearl Jam que demorou para vir para cá) tinham lotação máxima em grandes estádios. Vivíamos o auge do movimento grunge.

Gente influenciada pelo subgênero e pelo rock alternativo inglês como Pin Ups, Killing Chainsaw, Mickey Junkies, Second Come e Okotô, não atingiram o grande público, mas fizeram certo sucesso em nichos de mercado e nas baladas rock eram sempre muito solicitados. E o mais importante é que para uma boa parcela desses artistas o negócio ficou assim mesmo sem muitos holofotes em cima deles.

O UOL fez uma reportagem acerca do documentário intitulado “TIme Will Burn” que chamou o povo daquele período histórico para a música underground brasileira para explicar melhor o que significou aquela onda de bandas cheias de guitarras distorcidas e pegada punk em sua melodia.

O repórter Leonardo Rodrigues falou com os produtores Marko Panayotis e Otavio Sousa e escutou que a produção que está sendo feita há quatro anos traz cenas raras de arquivo e entrevistas com músicos e jornalistas.

Também foi constatado que o filme já está todo montado, restando apenas retoques na fotografia e áudio com a ideia de ser lançado no segundo semestre deste ano em festivais como o In-Edit.

Com um orçamento baixo (cerca de R$ 10 mil) a estrutura da fita parece seguir os moldes das bandas que serão mostradas no filme, com tudo funcionando de maneira independente.

Rodrigues ouviu de Panayotis, por exemplo que aquela cena musical “teve grupos muito bons e que, de certa forma, não tiveram reconhecimento merecido”. Também explica que “muitos músicos não sabiam onde tinham as coisas guardadas. Muita coisa em VHS teve que ser digitalizada. O Killing Chainsaw tinha fitas em formato que não se usa há mais de 20 anos. Tivemos que achar um lugar em SP onde se converter esse material.”

O interessante que poderá ser mostrado no documentário é que naqueles anos de ouro do indie brasuca todo mundo acabava se conhecendo e conhecendo as bandas por meio de points como o Aeroanta (lugar favorito de Nick Cave quando o australiano morou por aqui), Madame Satã, Retrô, Porão, entre outros. Ainda havia uma cultura legal de se dar chance para grupos com letras próprias e a tendência de se colocar apenas gente cantando covers nesses locais ainda não era tão disseminada.

O Pin Ups, por exemplo, era figurinha carimbada no circuito paulistano, mas também havia gente como a banda Maria Angélica, que seguia uma linha de som semelhante com o do Jesus and Mary in Chain. As letras eram niilistas e o palco era usado para diversas microfonias que faziam jus aos shows do Sonic Youth, outra banda que influenciou bastante aquele povo.

Segundo o que conta o produtor ao repórter do UOL, o filme mostrará, além de histórias pitorescas e interessantes sobre a produção do disco que dá nome ao documentário e de outras gravações do período com outros artistas também serão focados áudios e imagens do famoso festival Juntatribo que em 1993 e 1994 aconteceu debaixo de uma lona dentro da Unicamp em Capinas (SP).

Conhecido como um dos eventos que fez a divulgação do pessoal da cena da época, o Juntatribo deve render inúmeros causos e comentários de quem viveu aquilo.

E se, apesar de não terem tido maios sequência na história do rock brasileiro posteriormente, esses grupos e estes artistas tiveram preponderância que promove a possibilidade de um filme ser feito em sua homenagem. Legal que isso aconteça e que venham os outros materiais sobre aquela época tão empolgante em nossas memórias.

Abaixo, você pode escutar o álbum do Pin Ups que dá nome ao documentário:

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