Filosofia para ler e pensar: um apanhado de bons livros sobre o tema

Em tempos obscuros, cinzentos e temerosos como os vividos no Brasil ultimamente, em que há muita desconfiança quanto ao futuro e não se pode afirmar categoricamente nada sobre o presente há de se ter algumas leituras obrigatórias acerca do pensamento humano.

Por meio da filosofia o homem sempre quis desenvolver uma análise crítica de seu pensamento e as ideologias sociais foram sendo construídas de acordo com o alinhamento com certas formas de se analisar a nossa mente e ações.

Por causa disso, o blog acha necessário que se tenha uma lista com algumas das obras mais importantes sobre o pensamento e os nomes da filosofia que serão vistos aqui abaixo têm muito a ver com teorias e práticas vistas e repetidas no mundo de hoje. Porém, não se tem a pretensão de fazer uma lista definitiva, mas sim um norte para através deste início de leitura possam ser buscadas outras e mais outras.

Mesmo assim, é notório que algumas delas poderiam ser mais bem compreendidas, outras deveriam ser recuperadas enquanto que outras precisavam urgentemente de alguma repaginação, mas é óbvio que todas foram imprescindíveis para a evolução da sociedade.

Dessa forma, o que se segue abaixo é apenas uma linha inicial para que tenhamos mais contato com um mundo que precisa ser mais visitado para que as atividades de nossa realidade atual sejam mais bem pensadas e produzidas com mais esforço ético e sabedoria.

Portanto, saboreie a lista e escolha sua lista de livros favoritos.


 

A República – Platão

 

“A República” é um diálogo socrático escrito por Platão, filósofo grego, no século IV a.C.. Todo o diálogo é narrado, em primeira pessoa, por Sócrates. O tema central da obra é a justiça.

No decorrer da obra é imaginada uma república na cidade de Calípole, Kallipolis, que significa “cidade bela” e é neste livro que se encontra o famoso mito da caverna.

O diálogo todo tem uma extensão considerável, articulada pelos tópicos do debate e por elementos dramáticos. Exteriormente, está dividido em dez livros, subdividida em capítulos e com a numeração de páginas do humanista Stéphanus da tradição manuscrita e impressa.


 

Poética – Aristóteles

Poética é o mais antigo dos trabalhos conhecidos de Aristóteles. Trata-se de uma compilação realizada por volta de 335 a.C., que busca sistematizar o formato e a estética dos gêneros literários gregos. O texto que temos hoje conta com 26 capítulos e é composto por uma introdução geral sobre a arte poética, seguida de uma digressão detalhada sobre a poesia trágica e a épica, concluindo com uma comparação entre ambas.

O termo grego que dá nome à obra significa literalmente “fazer”, uma alusão ao fazer da arte, a composição artística, e incluía originalmente os gêneros cultuados pelos gregos, como o drama, a comédia, a tragédia e a sátira, além da poesia lírica, a poesia épica, e o ditirambo, porém algumas destas partes foram perdidas.

No final das contas, o livro constitui-se uma obra tal qual uma cartilha do professor, com a síntese de como deva se comportar o mestre perante sua função.


Máximas Principais – Epicuro

EPICURO - MAXIMAS PRINCIPAIS

Este livro traz opiniões de Epicuro, transcritas por Diógenes Laércio. São quarenta aforismos que sintetizam a ética epicurista.

Considerado um filósofo grego do período helenístico, Epicuro teve uma obra tão influente que fez com que diversos e numerosos centros epicuristas fossem construídos no Egito, mais precisamente em Jônia. Seu maior divulgador foi Lucrécio, que começou a espalhar sua filosofia em Roma no século I.

No livro, há muito do pensamento dele acerca do prazer que considerava ser o único fenômeno capaz de trazer o bem estar. Por pensar desta forma, foi confundido com os hedonistas, que dizem ser o prazer o princípio e o fim de uma vida feliz. No entanto, Epicuro faz uma distinção entre o prazer passageiro e prazer estável. O primeiro seria a alegria, a felicidade. Já o segundo seria a total ausência de dor.


 Sobre a Brevidade da Vida – Sêneca

“Sobre a brevidade da vida” é a obra mais difundida do filósofo Lúcio Anneo Sêneca (4 a.C.? – 65 d.C.) e um dos textos mais conhecidos de toda a Antiguidade latina.

São cartas dirigidas a Paulino (cuja identidade é controversa), nas quais o sábio discorre sobre a natureza finita da vida humana. São desenvolvidos temas como aprendizagem, amizade, livros e a morte, e, no correr das páginas, vão sendo apresentadas maneiras de prolongar a vida e livrá-la de mil futilidades que a perturbam sem, no entanto, enriquecê-la.

Escritas há quase dois mil anos, estas cartas compõem uma leitura para todos os homens, e seriam uma forma, segundo o próprio pensador, de ajudar a avaliar o que é uma vida plenamente vivida.


Os Devaneios de um Caminhante Solitário – Jean Jacques Rousseau

Nos dois últimos anos de vida, entre 1776 e 1778, Rousseau realizou longas caminhadas por Paris e arredores, observando os passantes, a flora – uma de suas grandes paixões –, as edificações e refletindo, amargurado, sobre a sociedade.

Sentindo-se isolado pelas críticas à sua obra e às suas posições humanistas, registrou essas impressões em Os devaneios do caminhante solitário, um dos seus livros mais tocantes. Aqui a paixão inflamada dos seus primeiros escritos dá lugar ao lirismo e à serenidade, inspirando centenas de pensadores com suas considerações sobre a natureza do homem, sua individualidade e conduta.


Discurso do Método – Descartes

“O Discurso do método” é um tratado matemático e filosófico de René Descartes, publicado em Leiden, na Holanda, em 1637.

Constitui princípios de filosofia e Regras para a direção do espírito (Regulae ad directionem ingenii), a base da epistemologia do filósofo, sistema que passou a ser conhecido como cartesianismo. O Discurso propõe um modelo quase matemático para conduzir o pensamento humano.

Segundo o próprio Descartes, parte da inspiração de seu método (descrito nesse livro/tratado) deveu-se a três sonhos ocorridos na noite de 10 para 11 de novembro de 1619: nestes sonhos lhe havia ocorrido “a ideia de um método universal para encontrar a verdade”.


 

O Príncipe – Maquiavel

“O Príncipe” foi escrito por Nicolau Maquiavel em 1513, cuja primeira edição foi publicada postumamente, em 1532. Trata-se de um dos tratados políticos mais fundamentais elaborados pelo pensamento humano, e que tem papel crucial na construção do conceito de Estado como modernamente conhecemos.

No mesmo estilo do Institutio Principis Christiani de Erasmo de Roterdã: descreve as maneiras de conduzir-se nos negócios públicos internos e externos, e fundamentalmente, como conquistar e manter um principado.


O Capital – Karl Marx

“O Capital” é um conjunto de livros (sendo o primeiro de 1867) de Karl Marx que constituem uma análise do capitalismo (crítica da economia política).

Muitos consideram esta obra o marco do pensamento socialista marxista, pois nela existem muitos conceitos econômicos complexos, como mais valia, capital constante e capital variável e uma análise sobre o salário e sobre a acumulação primitiva.

Resumindo, a obra realiza uma análise crítica sobre todos os aspectos do modo de produção capitalista, incluindo também um olhar sobre a teoria do valor-trabalho de Adam Smith e de outros assuntos dos economistas clássicos.


Assim Falava Zaratustra – Nietzsche

“Assim falou Zaratustra” foi escrito entre 1883 e 1885 pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche e influenciou significativamente o mundo moderno. O livro foi escrito originalmente como três volumes separados em um período de vários anos. Depois, Nietzsche decidiu escrever outros três volumes mas apenas conseguiu terminar um, elevando o número total de volumes para quatro. Após a morte de Nietzsche, ele foi impresso em um único volume.

O livro narra as andanças e ensinamentos de um filósofo, que se autonomeou Zaratustra após a fundação do Zoroastrismo na antiga Pérsia. Para explorar muitas das ideias de Nietzsche, o livro usa uma forma poética e fictícia, frequentemente satirizando o Velho e Novo Testamento.

O centro de Zaratustra é a noção de que os seres humanos são uma forma transicional entre macacos e o que Nietzsche chamou de Übermensch, literalmente “além-do-homem”, normalmente traduzido como “super-homem”. O nome é um dos muitos trocadilhos no livro e se refere mais claramente à imagem do Sol vindo além do horizonte ao amanhecer como a simples noção de vitória.


 

 

O Ser e o Nada – Jean Paul Sartre

O francês Jean-Paul Sartre (1905- 1980) é um dos mais importantes e famosos filósofos do século XX e, por causa de seus escritos, tornou-se o principal representante do existencialismo francês.

Foi prisioneiro de guerra dos alemães, lecionou em Paris e fundou a revista Les Temps Modernes em conjunto com a também filósofa Simone de Beauvoir.

Outra peculiaridade de Sartre é que não aceitou o Prêmio Nobel de Literatura, alegando que não deveria deixar as instituições o transformarem. Só por este motivo sua bibliografia deveria ser consultada de alguma forma, mas o seu conteúdo é tão necessário para entender a idade moderna que custa a sair de sua leitura.

“O Ser e o Nada” é uma análise do ser em sua mais pura essência. O autor considera o ser em sua mais alta pureza e que neste sentido nada poderia escapar à consciência.

Para Sartre, você só sabe, se “sabe que sabe”, ou seja, se tem consciência daquele saber. Pode parecer uma prisão, pelo contrário, aí é que está o cerne da liberdade. Só que Sartre mostra a liberdade como um fardo, por isso diz que o homem está, então, condenado a ser livre.


O Segundo Sexo – Simone de Beauvoir

O Segundo Sexo (Le Deuxième Sexe em francês) é um livro escrito por Simone de Beauvoir, publicado originalmente em 1949 e uma das obras mais celebradas e importantes para o movimento feminista. O pensamento de Beauvoir analisa a situação da mulher na sociedade.

No Brasil foi publicado em dois volumes: “Fatos e mitos” é o volume 1, e faz uma reflexão sobre mitos e fatos que condicionam a situação da mulher na sociedade. “A experiência vivida” é o volume 2, e analisa a condição feminina nas esferas sexual, psicológica, social e política.

Em tempos de ódio de classe e machismo pujante na sociedade a luta feminista introduzida por muitos dos escritos de Beauvoir é de suma importância para as mulheres poderem prosseguir com a batalha e para que os homens se dispam de alguns preconceitos.


Deus e o Estado – Bakunin

Principal nome do anarquismo e uma das influências mais importantes de ateus e de pessoas que lutam pela laicidade na constituição social moderna, Bakunin ganhou relevância maior nos últimos anos tanto no Brasil quanto em outras partes do mundo por conta da falência do Estado em diversas instâncias.

“Deus e o Estado” é uma das obras literárias mais importantes publicados pelo teórico libertário russo e foi escrita nos meses de fevereiro e março de 1871.

A intenção nítida do livro e a de servir como a segunda parte de um trabalho maior que seria chamado “O Império Teuto-Germânico e a Revolução Social”, mas assim como outras obras de Bakunin, nunca foi finalizado.

Porém, inúmeras situações são bem constituídas e discutidas na obra como a relação intrínseca entre religião e Estado, questões envolvendo a teoria anarquista, o papel da ciência como substituidora da religião e a legitimidade das autoridades.


Segredos, Mentiras e Democracia – Noam Chomsky

 Segredos Mentiras e Democracia

Reconhecido inicialmente como grande linguista pela comunidade internacional, Noam Chosmky se tornou um dos maiores críticos do imperialismo americano e filósofo de importância considerável a partir do final do século XX.

Neste sentido, um bom começo para estudar este pensador contemporâneo poderia ser sua discussão sobre a gramática universal, cuja demonstração e desenvolvimento têm sido dedicados diversos estudos que partiram das idéias dele.

Mas é posterior às atividades  no campo linguístico, que Chomsky se tornou mais pesquisado por outras áreas ligadas á política e à filosofia.

Neste “Segredos, Mentiras e Democracia”, Chomsky, através de uma entrevista concedida a David Barsamian nos fins de 93 e inicio de 94 discute sobre a democracia e muitas de seus mitos por meio da análise de diversos exemplos ao redor do mundo.

“Por que é importante [para as elites] manter a população em geral sob controle?”

A resposta para essa e outras perguntas pode ser degustada pelo leitor para entender um pouco mais do que ocorre ao nosso redor e das mentiras que são contadas pelos governantes para se manter no poder e promover ainda mais a concentração de renda.

 


 

 

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