Chimamanda: voz forte contra o preconceito

Chimamanda Ngozi Adichie é uma escritora nigeriana relativamente nova para a fama que conseguiu (tem apenas 38 anos).

Ela já é reconhecida como uma das mais importantes autoras e está tendo sucesso em atrair uma nova geração de leitores de literatura africana. E o mais interessante de tudo isso é que ela o faz através de um misto de estilo e força em suas palavras.

Chimamanda nasceu em Abba, no estado de Anambra, mas cresceu na cidade universitária de Nsukka, no sudeste da Nigéria, onde se situa a Universidade da Nigéria. Seu pai era professor de Estatística na universidade, e sua mãe trabalhava como administradora no mesmo local. Quando completou dezenove anos, deixou a Nigéria e se mudou para os Estados Unidos da América. Depois de estudar na Universidade Drexel, na Filadélfia, Chimamanda se transferiu para a Universidade de Connecticut. Fez estudos de escrita criativa na Universidade Johns Hopkins de Baltimore e mestrado de estudos africanos na Universidade Yale.

Portanto, não estamos falando de uma pessoa que passou por inúmeras dificuldades socioeconômicas por ser de um país africano. Muito pelo contrário, Chimamanda faz questão de repetir sua história para que todos percebam que o estereótipo colado em todo morador daquela região do mundo não pode ser apenas a única visão que as pessoas possam ter.

Seu primeiro romance, “Purple Hibiscus” foi publicado em 2003 e causou certa comoção por tratar de extremismo religioso católico, algo que normalmente é passado como real apenas em outras religiões.

Com essa coragem em bater em pontos tabus a escritora chegou ao segundo título, “A Metade de um Sol Amarelo”, mexendo no vespeiro da guerra de Biafra, passagem pesada da história nigeriana. A obra foi lançada em 2006 e ganhou o Orange Prize para ficção em 2007.

Pulando para os dias atuais, Adichie divide seu tempo entre sua moradia na Nigéria ensinando oficinas de escrita e onde se tornou a primeira mulher a ser Chefe da Administração da Universidade da Nigéria e outro período ministrando palestras nos Estados Unidos.

Para chegar à condição de hoje, a desconhecida autora Adichie, chegou a publicar coletâneas de poemas ainda nos anos 90 e se meteu até com peças de teatro (For Love of Biafra) em 1998.

Importantes prêmios estão inclusos em sua carreira como o Caine por “You in America”, o prêmio BBC Short Story Awards por “That Harmattan Morning”, além do prêmio O. Henry por “The American Embassy “.

Ela também ganhou o Prêmio Internacional de Contos David T. Wong 2002/2003 e um Beyond Margins Award pelo já citado “A Metade de um Sol Amarelo” de 2007.

Suas últimas empreitadas na ficção são “The Thing Around Your Neck” (2009), uma coleção de contos, e “Americanah” (2013), romance aclamado por público e crítica tanto nos EUA quanto na Europa, tendo sido considerado um dos melhores livros daquele ano pelo New York Times.

Em 2010, ela entrou na lista dos 20 autores de ficção mais influentes com menos de 40 anos e em abril de 2014 ela foi nomeada como um dos 39 escritores mais importantes com idade inferior a 40 no projeto Festival Hay e Rainbow Book Club.

Há um vídeo muito famoso e compartilhado no Youtube com a escritora participando de uma palestra da instituição mundial TED em 2009. A fala de Idichie ficou conhecida como “O perigo das histórias únicas” e foca exatamente na necessidade de abrirmos o leque de opções para a compreensão das histórias que contamos e ouvimos desde sempre. Também serve como um alerta sobre a importância de contarmos as histórias dos lugares onde vivemos para ampliar os horizontes e a visão de mundo muito além da europeização e americanização com o qual estamos acostumados em todas as esferas do conhecimento literário.

A fluência da voz calma e combatente da nigeriana emprestou sua suavidade também ao evento Commonwealth Lecture de 2012 em Londres onde presenteou a plateia com a palestra “Conectando Culturas” e ainda teve fôlego para realizou, novamente para o TED, a fala feminista “Todos nós deveríamos ser feministas”.

A capacidade contundente de falar para uma geração inteira de mulheres de todas as partes do mundo foi tão forte que este discurso foi incorporado em 2013 na música “Flawless” de Beyoncé, ganhando assim mais notoriedade ainda, possibilitando até a edição em livro.

Dessa forma, estamos diante não apenas de uma componente interessante da nova literatura mundial, mas de uma mulher ciente de seu poder de persuasão, consciente da capacidade de escrever sobre os problemas e realidades de seu povo e do mundo como um todo, mas também de uma escritora capaz de falar da beleza das coisas e de como a luta social e étnico-racial também pode se estabelecer como uma dessas belezas de nossa contemporaneidade.


Bibliografia:

  • “Hibisco Roxo” (título no Brasil) – 2003;

  • “A Metade de um Sol Amarelo” – 2006;

  • “The Thing Around Your Neck” – 2009;

  • “Americanah” – 2013;

  • “Todos Devemos ser feministas” – 2014.

 

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