Enfim, o novo álbum do Radiohead: veja as impressões do blog

 

Após desaparecimentos da internet e mensagens subliminares em panfletos entregues aos fãs é óbvio que o lançamento do novo álbum seria uma espécie de evento marcante para todos.

“A Moon Shaped Pool” é o abandona de certa dose rebeldia dos ingleses com métodos esquisitos e diversos de composição musical e de letra sem se basear tanto em experimentalismos desnecessários.

Em determinado momento da carreira do grupo começou um procedimento meio implícito de causar o anti-impacto com músicas que provocavam estranheza nos ouvintes por não ter muito a ver com o trabalho anterior. Mas agora, os caras se voltam novamente ao processo artístico baseado em guitarra, violão, bateria (às vezes eletrônica) e piano.

Jonny Greenwood, que passeou bastante por trilhas sonoras do cinema, acaba por funcionar bem de novo na mudança de estilos em seu trabalho calcado no blues e no folk mais tradicional, mesmo que isso se modifique para incursões ao psicodelismo dos anos 60.

São 11 músicas, dentre as quais algumas já eram tocadas há tempos em shows. Um caso exemplar é “True love waits”, mostrada em apresentações desde 1995.

Desta maneira, enquanto “The king of limbs” (2011) era complexo e robusto no sentido de adaptações e mudanças sonoras e vocais este “A Moon Shaped Pool”, nono disco de estúdio do Radiohead, não chega a ser o oposto, mas é, no mínimo, menos complicado.

Mas se podemos fazer uma condensação do LP é possível sintetizar em pelo menos quatro músicas:

“Burn the Witch” é uma canção de clima denso e tenso sem nunca chegar a um ápice ou ter uma sequência protuberante. Sua ideia é mesmo promover um arranjo de cordas aliado ao sufocamento da voz de Thom Yorke enquanto somos levados a uma ilustração de um mundo que soa distópico, mas que no final das contas é o nosso próprio lar.

“Daydreaming” funciona como trilha sonora da angustia de nossa rotina e atua como uma bússola de nossos pensamentos perdidos entre o “Para além do ponto sem volta/ E é tarde demais/ O estrago já foi feito”, cantado por Yorke, o piano repetitivo de Johnny Greenwood e o baixo moderado de Colin Greenwood. Dizem as más línguas que tudo isso tem a ver com o divórcio do cantor.

“The numbers” é a banda fazendo blues com certa temperança. O mais correto, na verdade, é dizer que no meio de tudo isso há bastante psicodelia, não só na maneira de conduzir a parte sonora, mas também na letra. Um ponto interessante do disco por não ser algo tão presente na discografia deles.

“True love waits” é o fechamento em grande estilo do álbum. Mesmo que seja uma canção antiga no repertório do Radiohead, parece que agora se situa numa prateleira mais importante na vida de Yorke, pois parece fazer sentido com seu momento pessoal. “E o amor verdadeiro espera/ Em sótãos mal-assombrados” pode ser um punhado de versos bem depressivos, mas é lindo de morrer.

Dessa forma, a melancolia parece fazer parte do disco de maneira intrínseca, mas sempre com ar elegante.

E é importante citar que, se parece delicado e bonito em determinados momentos, também tem postura pesada e de certo encontro com a escuridão das ideias e sentimentos em outras sequências.

Portanto, mesmo tendo pouco a suscitar como evolução de discos anteriores, “A Moon Shaped Pool” acaba por demonstrar que a necessidade dos integrantes da banda em sempre olhar adiante é vista neste caso como um passo ao encontro com características pouco trabalhadas em estúdio no passado.

E a capacidade de fazer fãs ouvirem os seus sons e possibilitarem viagens extremas e sensoriais é prova de que conseguem sempre determinar boas doses de emoção a quem ultrapassa o senso comum da cultura pop simples para um processo mais complexo de audição.


A Moon Shaped Pool – Radiohead

1. “Burn The Witch”
2. “Daydreaming”
3. “Decks Dark”
4. “Desert Island Disk”
5. “Ful Stop”
6. “Glass Eyes”
7. “Identikit”
8. “The Numbers”
9. “Present Tense”
10. “Tinker Tailer Soldier Sailor Rich Man Por Man Beggar Man Thief”
11. “True Love Waits”

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