Há 36 anos a música perdia Ian Curtis. E junto se foi a sua magia!

 

Ian Curtis nasceu em Manchester, Inglaterra, em 1956. Filho de Doreen Elizabeth Curtis e Kevin Curtis ele cresceu na área de Hurdsfield em Macclesfield e ainda muito jovem já demonstrava talento para a composição de músicas e poesia.

Embora tenha se formado na King’s School de Macclesfield aos 11 anos de idade, Ian nunca demonstrou interesse no sucesso acadêmico, focando seus interesses apenas às ambições da área musical.

A paixão pela música era notória e isso o levou a trabalhar numa loja de discos por um curto tempo na adolescência. Ele também trabalhou como funcionário público em Manchester e em Macclesfield, mas seu destino parece ser sido decidido após ter assistido a uma apresentação dos Sex Pistols em 1976, pois ali estava a maneira como ele queria se comportar em cima de um palco.

Daí ao contato com outros dois jovens de ideias e aspirações musicais parecidas como o eram Bernard Sumner e Peter Hook foi um pulo.

Ian tinha visto o cartaz dos dois garotos que estavam tentando formar uma banda e ele se propôs a ser o vocalista e escritor das letras. O acordo estaria logo firmado e a banda praticamente completa.

O baterista acabou sendo Stephen Morris e o Warsaw iniciava seus trabalhos. Logo, tiveram que mudar o nome por causa de outro grupo homônimo e se lançaram no circuito underground da cidade como Joy Division.

O ano era 1978 e a persistência de Curtis ajudou a conseguir um contrato de gravação com a gravadora Factory Records, de Tony Wilson, à época ainda sob outra nomenclatura. O convencimento de Ian proporcionou que o dono do selo os permitisse a tocar “Shadowplay” no Granada Reports — um programa regional de televisão. E a partir deste pontapé eles conseguiram se estabelecer para um trabalho profissional.

Mesmo nos primeiros shows do Joy Division, Ian Curtis já conseguira desenvolver um estilo único de dançar, reminiscente dos ataques epiléticos dos quais sofria, algumas vezes até mesmo no palco. O efeito era tal que as pessoas que estavam no público não sabiam se ele estava dançando ou tendo um ataque.

Chegou-se ao momento da necessidade de algumas vezes haver a atendimento médico dele ainda no palco, já que sua saúde sofria com a intensa rotina de apresentações do grupo.

As canções escritas por ele eram carregadas com ilustrações de dor emocional, alusões à morte, violência, alienação e degeneração urbana. Tais assuntos recorrentes levaram os fãs e a esposa de Ian, Deborah, a acreditar que as letras sempre eram autobiográficas. O próprio cantor disse certa vez que escrevia “sobre as diferentes formas que diferentes pessoas lidam com certos problemas, e como essas pessoas podem se adaptar e conviver com eles”. Se havia uma intensidade sobre si mesmo nelas isso ficou apenas com ele.

Curtis cantava com um estranho timbre baixo-barítono, o que fazia com que sua voz parecesse pertencer a alguém muito mais velho que ele realmente era. Além disso, o vocalista também acabou fascinado pela escaleta Hohner, um instrumento que foi mostrado a ele pela esposa de Tony Wilson, Lindsey Reade., pouco tempo antes da morte de Ian. Ele utilizou o instrumento ao vivo pela primeira vez durante uma passagem de som do Leigh Rock Festival em 1979, após o que ele adquiriu uma coleção de oito desses instrumentos. A fascinação de Ian Curtis pela escaleta levaria Bernard Sumner a utilizar o instrumento tempos depois, no próprio New Order.

A morte de Ian Curtis ocorreu pouco mais de um ano após o Joy Division ter lançado o seu primeiro disco, “Unknown Pleasures”.

Neste curto período, cantor e banda deixaram sua marca na música: a atmosfera gélida e as letras sombrias influenciaram boa parte do rock feito nos anos 1980, tanto na Inglaterra quanto no resto do mundo. Aqui no Brasil, inclusive!

A precocidade de seu falecimento também auxiliou na transformação do cantor em objeto de culto, assim como aconteceu com outros artistas que se foram ainda com pouco tempo de carreira, casos de Jim Morrison, Jimi Hendrix e Janis Joplin.

Esse fanatismo por Ian Curtis aumentou muito nos últimos anos, tanto pela proficuidade com que se lançaram novas bandas com influências de sua maneira de compor, de cantar e até mesmo de dançar, mas também pela facilidade de pesquisa na internet e suportes de outras mídias para mostrar a carreira do cantor. Até no cinema ele vem aparecendo sazonalmente. Em 2002, Curtis foi um personagem secundário de “A Festa Nunca Termina” e em 2007, sua vida foi retratada em “Control”, com Sam Riley no papel principal.

Hoje, podemos citar que grupos novos como Interpol, The Editors, Arcade Fire, The Killers, Warpaint, Savages e Bloc Party possuem algum tipo de reverência ao Joy Division ou ao estilo de seu vocalista, mas grupos mais antigos como Depeche Mode, U2, Nine Inch Nails, The Cure, Radiohead e até mesmo o Legião Urbana aqui por nossos lados.


Curiosidades sobre a curta carreira de Ian Curtis

 

  • O Joy Division foi formado em 1976, mas adotou este nome apenas em janeiro de 1978. Antes, a banda chamava-se Warsaw, em referência à música “Warszawa”, de David Bowie;

  • Curtis cantava no registro baixo-barítono, mas ao falar sua voz não era tão grave. Suas primeiras gravações, ainda na época do Warsaw, trazem um registro mais próximo de sua voz falada;

  • Ian Curtis casou-se com Deborah Woodruff em agosto de 1975, quando ele tinha 19 anos e ela 18. O casal teve uma filha, Natalie, nascida em 1979;

  • A última apresentação do Joy Division aconteceu em 2 de maio de 1980, duas semanas antes da morte de Curtis, em Birmingham, na Inglaterra. Trechos deste show estão na coletânea “Still”;

  • Curtis sofria de epilepsia. Ele foi diagnosticado em janeiro de 1979. Também escreveu uma canção sobre a doença, “She’s Lost Control”. A música está no disco “Unknown Pleasures”;

  • Antes de cometer suicídio, Curtis assistiu ao filme “Woyzeck”, dirigido pelo alemão Werner Herzog. O último disco que ele ouviu foi “The Idiot”, de Iggy Pop;

  • A canção mais conhecida do Joy Division, “Love Will Tear Us Apart”, foi lançada um mês após a morte de Curtis. O segundo disco da banda, “Closer”, saiu dois meses depois de seu suicídio;

  • O túmulo de Curtis traz as inscrições “18 – 5 – 80” e “Love Will Tear Us Apart”. Em 2008, a lápide foi roubada do cemitério de Macclesfield e teve que ser substituída por uma nova;

  • Após o suicídio de Curtis, os integrantes da banda (o guitarrista Bernard Sumner, o baixista Peter Hook e o baterista Stephen Morris) formaram o New Order. Seu primeiro single, “Ceremony”, foi composto por Ian Curtis;

  • Em 2010, Peter Hook fez uma série de shows com músicas do Joy Division. Seus ex-companheiros de banda o criticaram por supostamente se aproveitar da memória de Curtis.

 


 

 

Transmition

 


 

Disorder

 


 

Shadowplay

 


 

 

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