Brasil: um país de não-leitores. Podemos mudar isso?



 

***Com informações do Blog Babel de Maria Fernanda Rodrigues do Estadão***

 

A Pesquisa se chama “Retratos da Leitura no Brasil” e foi encomendada pelo Instituto Pró-Livro, órgão mantido pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pela Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros). O Ibope ouviu 5012 pessoas, sendo estas alfabetizadas ou não. O resultado será analisado mais profundamente em seminário em São Paulo com a apresentação de livro sobre o tema que será publicado na próxima Bienal do Livro de São Paulo, em agosto.

Pelo que foi analisado na amostra da pesquisa até há uma evolução no número de pessoas que dizem ler no país. Se em 2011 eles representavam 50% da população, em 2015 eles são 56%.

O problema é que este nível de leitores numa nação que conseguiu diminuir muito seus índices de analfabetismo ainda é muito menor, se comparado com outros países emergentes. Se a comparação for feita com países desenvolvidos o abismo ainda é bem maior.

O índice de leitura indica que o brasileiro lê apenas 4,96 livros por ano – desses, 0,94 são indicados pela escola e 2,88 lidos por vontade própria. Do total de livros lidos, 2,43 foram terminados e 2,53 lidos em partes. A média anterior era de 4 livros lidos por ano.

Uma coisa é importante deixar claro: para a pesquisa, é considerado leitor aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos 1 livro nos últimos 3 meses. Em contrapartida, não-leitor é aquele que declarou não ter lido nenhum livro nos últimos 3 meses. Isso vale mesmo para aqueles que afirmam ter lido um livro nos últimos 12 meses.

Também foi verificado pela pesquisa que “A Bíblia” é o livro mais lido, em qualquer nível de escolaridade. A obra é tanto aquela lida por último quanto o livro mais marcante para um boa parcela da população.

Cerca de 74% da população não comprou nenhum livro nos últimos três meses e entre os que compraram livros em geral por vontade própria, 16% preferiram o impresso e 1% o e-book.

Mas algumas situações podem ser consideradas absurdas como no caso da lembrança de que 30% dos entrevistados nunca comprou um livro. Outra questão preocupante é que para 67% da população, não houve uma pessoa que incentivasse a leitura em sua trajetória. Daqueles que tiveram tal empurrão alheio, 33% que tiveram alguma influência, sendo que 11% tiveram a mãe ou qualquer representante do sexo feminino como maior incentivador, seguido de perto pelo professor com 7%.

No quesito comparativo de gênero as mulheres continuam lendo mais: 59% são leitoras. Entre os homens, 52% são leitores.

A pesquisa também mostra que aumentou o número de leitores na faixa etária entre 18 e 24 anos – de 53% em 2011 para 67% em 2015. Isso para sinalizar para bons resultados de programas especiais do governo federal quanto ao incentivo da leitura nas escolas e a criação de Salas de Leitura em redor do Brasil nos últimos anos. É óbvio que isso é apenas uma suposição, mas não deixa de ser uma coincidência bastante grande.

Focando a pesquisa apenas entre os leitores é interessante notar que as principais motivações para ler um livro estão o gosto (25%), atualização cultural ou atualização (19%), distração (15%), motivos religiosos (11%), crescimento pessoal (10%), exigência escolar (7%), atualização profissional ou exigência do trabalho (7%), não sabe ou não respondeu (5%), outros (1%).

E se os adolescentes entre 11 e 13 anos são os que mais leem por gosto (42%), seguidos por crianças de 5 a 10 anos (40%) é por que algo após esta idade provoca a fuga dos meninos e meninas da frente de uma obra literária.

Também é válido ressaltar que os não-leitores explicam como principais desculpas para não ler a falta de tempo (32%), o não gosto pela leitura (28%), a falta de paciência (13%), a preferência por outras atividades (10%), a dificuldades para ler (9%), o cansaço (4%), ausência de bibliotecas por perto (2%), o preço alto dos livros (2%), ou falta de dinheiro (2%). Houve quem indicasse o motivo por não saber ler (20%).

No que diz respeito à importância da leitura no dia-a-dia de cada um a leitura ficou em 10º lugar quando o assunto é o que gosta de fazer no tempo livre. Perdeu para assistir televisão (73%), que, vale dizer, perdeu importância quando olhamos os outros anos da pesquisa: 2007 (77%) e 2011 (85%). Em segundo lugar, a preferência é por ouvir música (60%). Depois aparecem usar a internet (47%), reunir-se com amigos ou família ou sair com amigos (45%), assistir vídeos ou filmes em casa (44%), usar WhatsApp (43%), escrever (40%), usar Facebook, Twitter ou Instagram (35%), ler jornais, revistas ou noticias (24%), ler livros em papel ou livros digitais (24%) – mesmo índice de praticar esporte.

Quase tudo ganha da leitura de um livro: desenhar, pintar, fazer artesanato ou trabalhos manuais (15%), ir a bares, restaurantes ou shows (14%), jogar games ou videogames (12%), ir ao cinema, teatro, concertos, museus ou exposições (6%), não fazer nada, descansar ou dormir (15%).

A principal forma de acesso ao livro é a compra em livraria física ou internet (43%). Depois aparecem presenteados (23%), emprestados de amigos e familiares (21%), emprestados de bibliotecas de escolas (18%), distribuídos pelo governo ou pelas escolas (9%), baixados da internet (9%), emprestados por bibliotecas públicas ou comunitárias (7%), emprestados em outros locais (5%), fotocopiados, xerocados ou digitalizados (5%), não sabe/não respondeu (7%).

A livraria física é o local preferido dos entrevistados para comprar livros (44%), seguida por bancas de jornal e revista (19%) e livrarias online (15%), entre outros.

Uma situação grave é quando a fonte da pesquisa são os professores, já que quando foi-lhes perguntado sobre o último livro lido 50% respondeu nenhum e 22%, a Bíblia.

Mesmo entre os outros títulos citados há muita obra de autoajuda, esotérica ou religiosa como “O Monge e o Executivo”, “Bom dia Espírito Santo”, “Livro dos sonhos” e “Nunca desista dos seus sonhos”.

Isso demonstra que muitos dos profissionais da Educação não estão mais preocupados com questões de foro religioso ou de incentivo a si mesmo sem se aprofundar em suas próprias áreas de atuação ou da literatura clássica e universal. Nesse quesito falta mais contato com outros tipos de autores da filosofia, da sociologia ou setores afins e sobra empenho em ir atrás de gente como Augusto Cury, Içami Tiba e Parde Marcelo Rossi.

Ainda assim, há alguma esperança quando, mesmo dentre os leitores que não são professores, ainda são muito citados escritores como Monteiro Lobato, Machado de Assis, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e José de Alencar, mesmo que já apareçam atrás dos já citados no parágrafo anterior.

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2 comentários em “Brasil: um país de não-leitores. Podemos mudar isso?

  1. Val disse:

    Os dados até que estão animadores,né? Falei sobre o assunto no meu blog hj tb. Bjs!

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