Como conversar com um fascista? Márcia Tiburi responde

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Em tempos de Fla x Flu de opiniões políticas via internet nada como a sensatez.

Se há um sem número de pessoas preocupadas em vociferar através das redes sociais seu ódio ao interlocutor que possui um pensamento diverso sobre qualquer assunto é importante frisar que existem outros seres humanos mais alinhados com o pensamento de tentar entender esse comportamento.

Filósofa famosa por participar de programas na TV e por ter um extenso currículo de estudos e artigos sobre temas variados do comportamento social atual, Márcia Tiburi também é assídua no Facebook e Twitter (e também precisa lidar com o ódio alheio).

Desde o acirramento de discussões entre esquerda e direita no Brasil que se intensificou depois da reeleição de Dilma Rousseff em 2014, Tiburi se debruçou sobre questões relacionadas à intolerância de lado a lado e da confusão que alguns (ou seriam muitos?) fazem entre o que é opinião e apologia do crime ou de coisas antiéticas.

O livro que foi lançado ano passado pela Editora Record é um apanhado bem organizado de ensaios inéditos e outros já lançados pela autora na Revista Cult.

Se Márcia, graduada em artes e doutora em filosofia, já havia falado em feminismo em “As Mulheres e a Filosofia” (Ed. Unisinos, 2002) e “Mulheres, Filosofia ou Coisas do Gênero” (EDUNISC, 2008), tocou em assuntos sociais em “Filosofia em Comum” (Ed. Record, 2008), “Filosofia Brincante” (Record, 2010), “Olho de Vidro” (Record 2011) e tentou desembrulhar o pensamento crítico para os mais leigos em  “Filosofia Pop” (Ed. Bregantini, 2011) é nesta nova obra que tenta condensar suas preocupações com o modo como as pessoas defendem ideologias (ou simplesmente tentam minar a do outro com falas pobres ou até infantis).

É público e notório que a professora é militante da esquerda e que tende a falar mais sobre as agruras da direita conservadora, mas não se limita a isso, pois coloca o dedo na ferida de que muitos alinhados com o pensamento socialista não sabem ouvir o outro lado e acabam por se tornar fascistas em potencial por conta de sua incapacidade de dialogar.

Por outro lado, questões como homofobia, misoginia e racismo se tornam pontos de partida para Márcia citar pesquisas de Adorno, por exemplo, para explicar o motivo pelo qual muitos abandonaram a necessidade de aprender e de se relacionar com o diferente para se fechar num ciclo de que somente o que importa é o que pensa.

Márcia percebe que setores mais conservadores preferem não se informar sobre coisas como justiça social ou movimentos do mesmo sentido por que como têm dificuldade em lidar com aquele que é diferente assim se torna mais fácil de repeli-los.

Portanto, percebe a ignorância como uma doença dos dias atuais e a arrogância como sintoma disso. Obviamente, esse sentimento não é exclusivo das classes mais abastadas economicamente, mas infelizmente aparece bastante entre os mais favorecidos por conta de um temor interno dos ricos brasileiros em dividir o bolo com quem nunca teve tal possibilidade de igualdade. Na verdade, até mesmo uma dificuldade dos próprios pobres.

Dessa forma, “Como conversar com um Fascista” é um libelo acerca do pensamento crítico, da conversa em vez do conflito, da necessidade de entender o outro.

Então, leia o livro sem ódio e, mesmo que não concorde com muitas das opiniões de Tiburi, tente entendê-la. É assim que se faz um mundo mais justo, é assim que a gente consegue conviver!

 


 

Serviço:

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Livro: Como Conversar com um Fascista

Autora: Márcia Tiburi

Editora: Record

Ano de Lançamento: 2015

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