“O que aprendi sendo xingado na internet”: bom humor para falar de intolerância

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Leonardo Sakamoto já passou de tudo na profissão de jornalista: tendo coberto conflitos armados por diversas ocasiões e o desrespeito aos direitos humanos em países como Timor Leste, Angola e Paquistão, viu com clareza o quão cruel pode ser a ação do ser humano por conta das diferenças de crença, etnia ou mesmo pensamento.

Por outro lado, ao ser designado para ser diretor da ONG Repórter Brasil e representante da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, começou a ser perseguido pelos grupos mais conservadores brasileiros, sejam pessoas de organizações constituídas ou meros nervosinhos do Facebook, por rotulá-lo como “inimigo das empresas” ou “defensor de bandido” simplesmente pelo fato de ter na defesa dos direitos humanos uma de suas condutas primordiais.

Obviamente, Sakamoto não é perfeito e isso se explicita muitas vezes quando faz apologia de ações de governos de esquerda, mas é importante salientar em sua defesa que o faz pensando nas benfeitorias sociais desses últimos anos de governos Lula e início de governo Dilma.

Porém, por conta da batalha diária que faz na rede social para falar abertamente sobre tolerância e respeito às diferenças, muita gente que não é muito afeita a esse discurso de justiça igualitária promove os mais sujos ataques aos seus textos e, pasmem, à sua conduta profissional e pessoal.

É a partir desse ataque rotineiro e das ofensas das quais foi alvo que surgiu a ideia de realizar este projeto editorial chamado “O que aprendi sendo xingado na internet” (Leya Brasil – 2016). O livro é separado em partes com nomes deveras bem humorados: “Somos educados a tomar partido”, “Boatos são eternos”, “Falta Lexotan na água desse povo” e “Odiar é fácil. Difícil é dialogar” são alguns dos títulos presentes na obra.

Sakamoto quer, através dessa discussão literária, abranger, de forma simples (ou como poderíamos dizer “um papo reto”), os principais sintomas do período atual em que vivemos em que tudo gera polêmica ou que todos acreditam ter a opinião final sobre tudo. Falta diálogo e visão do outro lado para compreender assuntos do dia-a-dia imprescindível para uma sociedade mais justa. O fato de ainda haver gente que se acha superior a outros dificulta que possam desejar os mesmos direitos ao semelhante.

Dessa forma, o jornalista dá lugar ao cronista em alguns momentos para analisar o cotidiano dele próprio ao ter de se deparar com xingamentos e insultos de uma parcela dos internautas que simplesmente não quer dar ouvido ao contraditório de uma conversa comum.

Leonardo Sakamoto é professor de jornalismo pela PUC-SP e escreve diariamente sobre direitos humanos em seu blog no portal UOL e, deste modo, recebe bomba de todos os lados. Em entrevista recente, ele próprio já disse que “a comunicação cara a cara está sendo preterida em detrimento do diálogo virtual e, com isso, a internet pode se tornar um púlpito de onde se fala, mas não se ouve”.

Ele demonstra preocupação, pois “sem as interferências e complexidades do diálogo real, a tela de um computador ou de um tablet serve como anteparo e escudo protetor para que o interlocutor emita qualquer tipo de opinião, com uma segurança garantida e sem ter que ‘sentir’ o outro e, quem sabe, ser convencido a mudar de opinião – como, muitas vezes, acontece quando se fala cara a cara”.

Outra preocupação de Sakamato e que é demonstrada através de seu livro é a demonização da Esquerda brasileira, pois quando se percebeu que o PT era um partido que também participava da corrupção histórica da classe política nacional aqueles que queriam voltar ao poder se adiantaram em jogar toda essa culpa de 500 anos apenas nos anos de governos mais voltados ao social. Esqueceram-se de dizer que, mesmo o PT traiu a causa social, afastou-se da causa trabalhista e se alinhou aos anseios dos patrões e empresas multinacionais.

O problema é que nem mais adianta falar sobre isso com qualquer interlocutor conservador, pois este não mais quer saber de argumentações, mas apenas achincalhar quem não pensa igual.

Assim como já escrevemos aqui sobre o livro de Márcia Tiburi anteriormente, a obra aqui analisada também tem por objetivo tentar a aproximação do entendimento, da compreensão antes mesmo de espinafrar o outro. O problema é que para isso acontecer de fato terá de receber a atenção de quem não quer ouvir.

E isso está difícil!


Serviço:

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Autor: Leonardo Sakamoto

Livro: O que aprendi sendo xingado na internet

Editora: Leya Brasil

Ano: 2016


***Com informações de agências nacionais, Wikipedia, Site Vermelho.org e Site da Livraria Cultura***

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Um comentário em ““O que aprendi sendo xingado na internet”: bom humor para falar de intolerância

  1. DANIEL disse:

    GOSTEI PARABENS

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