Com vocês, o melhor disco do ano!

 

Resultado de imagem para swans live

 

Sim, estamos ainda em setembro e muita coisa grandiosa já foi lançada por aí.

Houve nos primeiros dias do ano o disco derradeiro de David Bowie (em vida, pelo menos) que carrega um componente emocional desigual com relação a qualquer outra coisa que tenha saído posteriormente. Aconteceu também o retorno de Nick Cave pós-morte do filho, que devemos considerar também um sentimento diferente ao escutar o disco do australiano.

Há ainda álbuns excelentes que já chegaram desde o Savages novo até o “Heads Up” do Warpaint que está fresquinho em nossas caixas de som desde ontem, mas nada, repito, nada será parecido com o trabalho do Swans.

A banda de Michael Gira já vinha batendo na tecla dos lançamentos clássicos desde o seu retorno em 2009, mas foi em 2014 com “To Be Kind” que eles se renovaram por completo e iniciaram um projeto que parece ter continuidade no LP que sai agora em 2016.

“The Glowing Man” saiu sem alarde nenhum no dia 17 de junho e as apresentações ao vivo não tem sido muitas. A questão relacionada à dificuldade para estruturar um show da banda parece ser o principal motivo para isso, mas um evento deste porte também deve ser bem caro e pode existir o receio de produtores em financiar um espetáculo que não dá para chamar de outra coisa que não seja uma sinfonia do caos.

Dessa forma, acredito que é quase impossível que Gira e seus companheiros de banda também participem de festivais já que um show do Swans não tenha menos do que duas horas.

Com relação ao conteúdo das faixas em si o que se demonstra é a intensificação de um trabalho de experimentação que ultrapassa em muito o pós-punk moderno que os caras tem feito desde sua volta.

Dá para pincelar influências do stoner rock de Kiuss e Queens of the Stone Age, microfonias de shoegaze e primórdios do Black Sabath, mas é muito mais do que isso.

Há elementos de sinfonia no som dos caras, há influência de outras bandas como Sonic Youth na maneira de tocar os instrumentos (o próprio Gira admite que a canção The “World Looks Red / The World Looks Black” já tinha sido escrita em 1982 e que foi usada em grande parte pela banda de Thurston Moore) e o vocal prossegue emergindo com mantras e repetições que fazem o ouvinte viajar pela sonoridade de uma maneira muito diferente de qualquer coisa realizada hoje em dia.

Aliás, essa ideia de mantra se nota também nos acordes que, por muitas vezes, utilizam isso como uma ambientação para chegar em ápices (ou simplesmente um anticlímax) que se aprofundam em riffs ao longo dos muitos minutos de exibição. Note isso em “Frankie M” e na dobradinha “Cloud of Forgetting” e “Cloud of Unknowing” do início do disco, por exemplo.

Portanto, há de tudo nesse balaio: heavy metal, pitadas de jazz e blues, percussão e rugidos indígenas americanos, além de base celta que outras bandas atuais também utilizam. O conceito por trás do Swans, dessa forma, não pode ser explicado em poucas palavras, nem sequer num texto que tenta traduzir o motivo de se tornar o melhor lançamento do ano. É importante mergulhar de cabeça no som para que se estabeleça uma conexão real com ele.

Pode haver quem diga que em algum instante chega a ser cansativo escutar um álbum com quase duas de duração, mas a experiência sensorial é única.

Além disso, é quase impossível mencionar os nomes de todos os colaboradores do disco já que um conjunto que utiliza piano, guitarras das mais diferentes formas e tamanhos, sinos, metais, sintetizadores, percussão variada e mais uma infinidade de penduricalhos com a finalidade de produzir sons esquisitos ou com alguma especificidade precisa de gente suficiente a essa altura.

Mas basta dizer que numa apresentação formal deles pelo menos Michael Gira, Norman Westberg, Kristof Hahn, Phil Puleo, Christopher Pravdica, Thor Harris e Bill Rieflin estão presentes.

Também podemos mencionar como curiosidade que em “When Will I Return” há a participação especial de Jennifer Gira no vocal numa faixa um pouco mais diferente do usual (se é que podemos chamar assim) da banda. Outra particularidade é que em “Cloud of Unknowing” ouvimos um solo improvisado de cello com a marca de Okkyung Lee.

Outra característica diferenciada em relação ao penúltimo disco é que este “The Glowing Man” parece ser conduzido com mais ferocidade. A própria faixa-título dá certa dimensão do que aqui é dito. Através de uma microfonia intensa e guitarras pesadas a música parece demonstrar uma catástrofe que se avizinha de quem a escuta. Um terremoto caótico!

Com uma intensidade na forma de tocar, na maneira de cantar e também no modo como se faz presente num evento ao vivo, este disco se torna um acontecimento único em 2016 e a existência do Swans no cenário alternativo da música contemporânea se torna uma demolição de conceitos pré-estabelecidos para quem faz música atual.

Assim sendo, através de apenas oito canções o grupo nova-iorquino consegue sintetizar toda a sua estrutura e tentativa de fazer oposição a tudo o que acontece ao seu redor. Uma experiência que parecia não ser mais possível em pleno 2016.

 


 

Swans – The Glowing Man

Resultado de imagem para swans the glowing man

1 – Cloud of Forgetting 12:43

2 – Cloud of Unknowing 25:12

3 – The World Looks Red / The World Looks Black 14:27

4 – People Like Us 04:32

5 – Frankie M 20:58

6 – When Will I Return 05:26

7 – The Glowing Man 28:50

8 – Finally, Peace 06:15


The Glowing Man

 

 


 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s