A violência entre menores: a culpa é só de quem a pratica?

 

Os casos pululam nos quatro cantos do país: situações em que menores se envolvem como agressores e vítimas de violência extrema.

Um vídeo (que não repercutirei por aqui por se tratar de ofensivo e pesado toda vida) que circula pelo Facebook mostra duas meninas de aproximadamente 15 ou 16 anos agridem covardemente uma “amiga” da mesma faixa etária das mais fortes e absurdas formas. Não é só o processo físico que impacta quem assiste ao horror (eu só consegui visualizar os quinze segundos iniciais), pois são usadas facas, pedaços de pau e outros utensílios de tortura medieval. 

A questão também é psicológica, já que elas cavam um buraco para enterrar a moça, ameaçam mata-la a todo momento e conversam entre si dizendo impropérios dos mais variados.

Numa outra situação semelhante mostrada pela imprensa garotos de 8 anos de idade oriundos de uma escola particular do Rio de Janeiro se juntam para agredir um colega da mesma idade no banheiro da escola. O caso choca apenas quem vive na classe alta do país, mas nem ali isso é mais incomum quanto na periferia das cidades grandes ou pequenas que assistem a este tipo de conduta dos meninos e meninas facilmente em qualquer dia da semana.

Os motivos alegados por eles são os mais variados: ciúme, inveja, o bullying puro e simples ou preconceitos de cor, etnia, religião ou de gênero/homofóbico e a maneira como se multiplicam ali e aqui é preocupante.

É óbvio que em ambos os casos as crianças e os adolescentes, sendo alunos (no caso da escola) ou não, devem ser responsabilizados.

Também é notório que há muitos resquícios de mau caratismo nessa ação e é claro e evidente que ninguém é a favor do que eles fizeram. As ações citadas acima foram filmadas ou relatadas por colegas e isso fortalece a questão acerca da crueldade que foi impetrada contra as vítimas.

Além disso, é importante salientar que no caso das meninas se trata de um caso de polícia, principalmente por envolver sequestro, cárcere privado, crime de tortura e tentativa de homicídio (não me vem mais nenhum na memória). Mas no caso do segundo caso também é bom avaliar qual o sentido em envolver a autoridade policial já que uma sanção dentro da escola e uma conversa com os pais dos agressores pode resolver mais pacificamente o caso.

Entretanto, é necessário fazer o uso da argumentação para divagar sobre a questão macro do problema. Será que só o que foi elencado como maldade aí em cima é suficiente para explicar tudo?

Nesse sentido é óbvio também que esse tipo de caso só se concretiza dentro de um mundo em que os próprios pais das crianças de hoje em dia alimentam o ódio e a segregação. Rico é rico, pobre é pobre e a tentativa de convivência pacífica vai para as cucuias sem muito pudor.

É notório igualmente dizer que uma boa parcela destes mesmos pais abominam ações em prol da justiça social e acreditam que a meritocracia (num mundo injusto) faz todo o sentido. Pode ver o quanto isso é verdade quando se analisam os resultados das eleições do último final de semana.

A esquerda regride (até por que tem muita culpa nisso) e não consegue mais dialogar. Isso possibilita uma evolução crescente de um pensamento retrógrado, reacionário, até mesmo com um Q de fascismo.

As pessoas se sentem atraídas por recusar a mão ao outro e o desejo de revolta facilita o caos e a ideia de salvar apenas a si próprio.

Por fim, é claro que esses adultos que não tiveram a mínima chance de ser jovens com condições básicas de cultura e tranquilidade para trocar socialização de bom grado acabam funcionando como espelho para que seus filhos se tornem muito pior do que eles. 

E aí é  isso  o que sobra. Tanto para o presente quanto para o futuro. E o passado parece se repetir.

Depois não adianta reclamar. 

A intolerância, o discurso pelo poder através da força e os preconceitos irão sempre vencer numa sociedade que demonstra cada vez mais o culto da individualidade, do selfie, do “eu mereço mais que ele”.

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