Última temporada de “The Leftovers” comprova sua qualidade de texto e atuações memoráveis

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Quando foi lançado dois anos atrás a série “The Leftovers” tinha na bagagem a produção de Damon Lindelof e sua experiência com “Lost”, um roteiro adaptado do sucesso literário do autor Tom Perrota e um elenco com gente tarimbada e competente.

Porém, pouco se sabia a respeito do projeto e muitas perguntas foram sendo feitas nos primeiros capítulos da trama em sua primeira temporada que foi uma das melhores coisas de 2015.

O próprio Blog escreveu em determinado momento que o bom da série seriam seus questionamentos em detrimento de respostas desesperadas pretendidas pelos fãs.

A questão é que veio a segunda temporada ano passado e um monte de situações se avolumou na vida dos personagens e mais gente foi jogada a esse balaio de gatos transcendental que provocou nós em qualquer cérebro que se acha (ou achava) normal até então.

O resultado foi uma das melhores temporadas de série em todos os tempos.

Mas havia um problema que a série não conseguiu resolver: sua base de público não aumentou e fez com que fosse cancelada após a terceira temporada. Talvez a HBO, detentora da produção só deixou que houvesse essa última parte da série por conta do prestígio de seu idealizador e deu a ele carta branca para fazer o que quisesse para o final da história.

Obrigado, HBO! Obrigado, Damon e Tom.

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A terceira temporada que só terá oito episódios (domingo que vem será o penúltimo) brinca novamente com nosso senso de realidade, fala alto aos nossos ouvidos naquilo que queremos saber e a respeito daquilo que não desejaríamos nunca ter de enfrentar e nos entrega atuações que são dignas de Emmy para todos os lados.

Seguindo a linha de responder uma coisa aqui e ali sobre questões da existência humana, mas nunca dando a entender que irá explicar o porquê de tanta gente ter sumido repentinamente naquele fatídico dia 14 de outubro e se atém espertamente na vida e loucura deixada nos que ficaram para trás.

Daí é que surgem Messias, aproveitadores, depressivos e suicidas a cada momento que temos acesso aos novos capítulos. Normalmente, principalmente nesta fase final da história, percebemos que a angústia dos principais personagens está chegando a pontos absurdamente insustentáveis e nem mesmo a religião está sendo capaz de confortar os corações dilacerados pelas perdas não explicadas. O tchan incrível é que essa doença pega em nós, espectadores, é nos sentimos amplamente aflitos pela dor alheia daqueles que não conseguem alívio para seu buraco interno.

A série tem tratado neste momento de mitos, lendas, conflitos e confrontos relacionais, a procura por algo que dê novo sentido à vida dos protagonistas (enquanto demonstra de longe o que ocorre com o resto da população mundial), bombas atômicas, bacanais, fé e a perda dela, mas é difícil ficar alheio às atuações de Justin Theroux (Kevin Garvey), Carrie Coon (Nora Durst), Scott Glenn (Kevin Garvey Sr.), Christopher Ecclestone (Matt Jamison) e Amy Brenemman (Laurie), pois todas elas têm sido arrebatadoras.

Além disso, aparições-relâmpago em pequenos trechos feitos por personagens que aparentemente nem são importantes para a trama central trazem belíssimas performances tanto no empenho de seus atores e atrizes quanto na fotografia fantástica que sai de coloridos intensos para tons pasteis e ilustrações áridas como a vida das pessoas que são mostradas na tela.

Os temas musicais que são modificados e transformados para servir de tema para alguns momentos já clássicos de “The Leftovers” valem não só pela experiência sonora, mas pela história que ela conta também.

Enfim, toda a série é digna de elogios e sua cada vez mais próxima finalização fará com que também nossos corações sejam arrebatados pelo vazio que tal produção deixará. Claro que nunca dá para dar 10 com louvor sem antes saber do final, mas espero sinceramente que não se respondam muitas coisas e que tudo continue focado nos personagens que foram modificados para sempre após suas perdas sem sentido. Isso tudo pode servir, inclusive, para provar que uma série não precisa necessariamente ser como o Google que precisa ter resposta para tudo no momento que você tecla a palavra-chave. Que saibamos viver sob a égide da dúvida e que perguntar tenha tanta importância como é a resposta pura e simples.

Dessa forma, “The Leftovers”, podemos repetir com bastante clareza, é uma das melhores séries que já surgiu na tv em todos os tempos. E isso, mesmo que tenha uma última cena horripilante. Mas pela qualidade empregada e falta de pressa para fazer as coisas acontecerem é possível confiar que nada disso acontecerá. Tomara!

 


 

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