Os limites da internet e do bom senso são tratados em “Cuidado com o Slenderman”

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A lenda urbana em torno do personagem aterrorizante Slenderman não tem um início tão assustador assim.

Em 2009, através de um concurso de photoshop, um usuário da WEB criou uma imagem atrás de pessoas que estavam posando para uma foto que demonstrava um homem esguio, tremendamente alto, com braços longos e rosto sem traços nem boca, nariz e olhos que usava terno perto e gravata.

Pronto, estava pronta uma das mais rápidas e devastadoras lendas urbanas dos últimos anos na internet.

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O que ocorreu é que alguns sites voltados para histórias de terror começaram a usar a imagem e outras pessoas tiveram a ideia de incluir o personagem em fotos de época e outras mídias como filmagens que imitavam o subgênero de terror Found Footage do cinema (aquela na qual supostamente alguém encontra um vídeo assustador) foram realizadas.

Claro que muitas dessas criações eram inocentes e só tinham a pretensão de assustar o amigo mais medroso, mas em 2014 algo terrível aconteceu e o mito do tal Slenderman se viu no meio de uma situação insólita.

Duas garotas esfaquearam uma amiga de escola por 19 vezes e a deixaram sangrando para a morte no meio da mata. A menina sobreviveu, um ciclista a encontrou agonizando e este chamou a polícia. Começava ali uma busca incessante na cidade de Waukesha, interior do estado do Wisconsin por essas meninas que vieram depois a ser acusadas como adultas e tinham a possibilidade de pegar até 65 anos de prisão. A vítima, felizmente, sobreviveu e o julgamento é um dos pontos importantes da trama bem costurada por Irene Taylor Brodsky, diretora do documentário.

Logo no começo da produção da HBO há inúmeros vídeos em que as meninas acusadas do delito explicaram com bastante clareza de detalhes sobre o suposto mandante do crime e falam sobre suas ameaças de matar a família de quem não o ajuda, seus tentáculos, o motivo pelo qual devora crianças e como ele constrói exércitos ao seu dispor.

Obviamente, que há a explanação durante o filme de que uma das meninas (ou até mesmo as duas) tem esquizofrenia, mas também é abordado o tamanho da encrenca que histórias como essa do Slenderman podem fazer com a cabeça de pré-adolescentes suscetíveis a esse tipo de persuasão.

A investigação filmográfica vai atrás de elementos para falar de memes, gifs e posts de sucesso que vemos todos os dias na rede social e qual o impacto deles na vida da molecada. Jogos como o da Baleia Azul ou do enforcamento que pululam vez ou outra são alguns dos exemplos de como a internet é usada como instrumento de manipulação por quem quer apenas a maldade pura e simples, mas também por quem nem se dá conta de que está lançando fogo na internet. Mesmo casos de boataria, fofoca ou a palavra da moda pós-verdade são exemplos vivos e recentes dessa questão mostrada no longa.

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Com quase duas horas de duração, há tempo suficiente para que “Cuidado com o Slenderman” fale da importância da supervisão dos pais na atividade dos filhos na rede mundial de computadores, mas é inteligente para mostrar que mesmo assim muita coisa maluca pode subverter a cabeça dos meninos e meninas. Basta ver o depoimento do pai de uma das agressoras para entender como mesmo elas (e ele próprio) são vítimas da situação.

Todo o conteúdo do filme pode ser um aliado importante para tratarmos de maneira séria e mais profunda o problema do bullying, da repressão, da depressão e até mesmo dos limites das brincadeiras e do bom senso entre as crianças e dos adultos também. A criação de amigos imaginários, de inimigos ocultos ou mesmo de coisas para fugir da realidade pode ter alguma importância em certo momento da infância, mas quando isso ultrapassa a capacidade de inferir o que é bom ou ruim pode ser perigoso ao extremo.

Num país em que o cotidiano da escola perpassa pelos problemas da sociedade como questões emocionais, psiquiátricas ou relacionais e sociais, a influência de toda sorte é passível de análise.

Inclusive, pode se perceber que a importância de estarmos alertas à nossa saúde mental e a de nossos filhos é um dos focos do filme e acaba por ser uma grande qualidade da produção feita para a tv a despreocupação em apontar culpados já que nem sempre dá para ter certeza da intencionalidade de cada um dos participantes neste tipo de processo.

Enfim, a internet não é ruim no seu âmago e a possibilidade que proporciona para toda uma geração é incrível, mas o seu uso se assemelha ao do martelo que foi inventado para pregar coisas, mas também é capaz de ferir a cabeça de alguém, basta ter a intenção de quem o segura.

O filme estreou dia 15 de Maio e está disponível na plataforma HBO GO.

 


 

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“Corra” entrega o que promete, um suspense com crítica social

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Uma constante na visualização do filme “Corra” é o estranhamento.

Desde os primeiros segundos do filme quando toca uma música de sonoridade esquisita aos ouvidos de uma plateia acostumada à FM e suas canções-chiclete é óbvio que a ideia do diretor Jonathan Peele é causar desconforto.

Temos atuações muito boas dos protagonistas Cris (Daniel Kaluuya) e a namorada Rose (Allison Williams) e um interessante elenco de apoio com destaque para os pais da moça (Bradley Whitford e Catherine Keener) e o melhor amigo do personagem principal (LiRel Howery) responsável pelos momentos de alívio cômico do filme.

A trama gira em torno da visita do jovem e recente casal à casa dos familiares da garota e desde a viagem algumas situações acontecem para que Cris fique angustiado. Primeiro, pela estranheza do lugar em que se encontra e, segundo, pelo preconceito racial velado apresentado por todos que o cercam.

Esse início que remete automaticamente a “Adivinhe quem Vem para Jantar” de Stanley Kramer (1967) ruma inesperadamente para um suspense cheio de situações non sense, surrealismo, tensão racial, hipnose, um pouco de ficção científica, eugenia e um pouco de terror gore no final, porque ninguém é de ferro.

No meio disso tudo há um clima entre a construção morosa dos personagens e apressamentos em outros momentos que levam o espectador a supor questões de forma rápida que o levam ao erro de interpretação.

Muito disso vem da experiência do diretor com a comédia, afinal de contas. o cara é da cena humorística americana e foi surpresa quando decidiu fazer uma produção que caminhava por uma estrada mais dramática.

O filme foi todo rodado no Alabama num curto espaço de tempo (apenas 28 dias) e contou com um orçamento de US$ 4,5 milhões, algo que nem mesmo os filmes indie conseguem gastar para ter uma arrecadação que já ultrapassa os US$ 100 milhões, somente no mercado interno americano.

Peele diz que a ideia do roteiro veio de um stand up de Eddie Murphy contando como foi conhecer os pais brancos de sua namorada. Quando percebeu que aquela situação aparentemente cômica era também digno de filme de horror partiu para a escrita do que se tornou “Corra”. E não é que deu certo?

 


Pílulas nas férias I: A experiência de assistir “Capitão Fantástico”

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“Capitão Fantástico” não é um dos melhores filme do ano, é um dos melhores do século!!!

A quantidade de teses e discussões que ele pode levantar é enorme e, apesar de ser assumidamente uma obra dita de esquerda, a produção não alivia para os erros do sistema comunista/socialista e as possíveis utopias que cada um deles pode fornecer.

Por outro lado, demonstra as complicações do capitalismo e suas reverberações que jogam o mundo no poço escuro no qual se encontra hoje.

Sendo assim, a destreza do roteiro, a trama bem desenvolvida e a atuação precisa de todos os atores (além da doçura das crianças e a ótima direção) formam, junto com a boa comicidade engendrada durante os 120 minutos de produção, um clássico imediato do cinema americano contemporâneo.

Veja o trailer abaixo:

 


 

Direto da Série Maníacos: as 5 melhores séries brasileiras em 2016

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O Blog tem acompanhado muito vários sites e publicações nacionais e internacionais que se debruçam sobre a crítica de séries e filmes ao redor do mundo.

Desses todos há uma que tem se destacado na visualização geral por conta da maneira como enfoca seus textos: a página Série Maníacos (seriemaniacos.tv) demonstra através de seus colaboradores bastante conhecimento das histórias contadas pelos programas resenhados, mas também se encontram nos textos ótima análise técnica sem precisar de uma linguagem muito complexa para tal explicação.

Sendo assim, sempre que existe a possibilidade iniciam de uma minuciosa passagem por este site alguns dos posts que faço por aqui acerca de algumas obras vistas pela nossa página. A ideia não é sugar o conteúdo de lá, mas tentar perceber algo que, às vezes, foge ao nosso entendimento ou á nossa percepção quando estamos diante da telinha ou da telona.

A última do Série Maníacos é uma lista sobre as melhores séries brasileiras do ano de 2016 e como este nicho não é uma especialidade minha e posso dizer claramente que reality shows estão longe de meu gosto pessoal encontrei uma maneira de homenagear o site ao mesmo tempo que posso citar aqui um bom texto deles.

É importante citar que o texto da página especializada em séries foi escrito a oito mãos (os créditos são dos analistas Natanael Lucas, Yuri Rebêlo, Daniel Junior, Vera Tocantins) e está disponível de forma completa no link http://seriemaniacos.tv/top-5-melhores-series-brasileiras-de-2016/.

Abaixo, os cinco programas nacionais citados na reportagem da Série Maníacos:

 

Ligações Perigosas (Globo)

 

 


 

MasterChef Brasil (Band)

 

 


 

Liberdade, Liberdade (Globo)

 

 


 

3% (Netflix)

 

 


 

Justiça (Globo)

 

 


 

Você precisa assistir Westworld!

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Não, não irei realizar uma crítica ou resenha mais bem embasada na série, pois já li outras muito mais interessantes e tudo foi falado sobre as qualidades da produção da HBO.

A questão aqui é de necessidade pelo fato de que, se não atender ao meu pedido, você corre o risco de ficar sem assunto pelos próximos 5 anos com seus amigos mais afeitos ao mundo geek/nerd.

E digo isso pelo fato de ter demorado um pouco para entrar no bonde do Game of Thrones anos atrás e isso me custou um monte de tempo para poder me atualizar ao universo de Westeros. No caso do universo das Crônicas de Gelo e Fogo do sr George R.R. Martin ainda tem a questão dos livros (que são calhamaços absurdos de grandes) que me tomaram mais tempo ainda. Obviamente que depois de conhecer tudo o deleite valeu a pena, mas não custa repetir a dose enquanto é cedo. Quem avisa…

Westworld também é uma adaptação, mas dessa vez baseada num filme de 1973, com assinatura de Michael Crichton (que viria a ficar realmente conhecido por conta dos seus dinossauros de Jurassic Park).

O louco da coisa é que a mega-produção teve todos os indícios de não dar certo. Várias e várias vezes foi atrasada no seu cronograma, em alguns momentos teve problemas de filmagem, o orçamento teve de ser alterado por diversos momentos e o elenco estrelado podia não ter dado a mínima para tais esforços e ter chutado tudo para o alto.

O time de produtores ajudou a isso não acontecer já que, além do próprio Crichton, há também a dupla Jonathan Nolan e Lisa Joy e o midas do cinema atual J.J. Abrams.

Isso provavelmente deu a sustentação e credibilidade necessárias para que o canal americano acreditasse na ideia de que poderíamos ter um sucessor à altura de Game of Thrones mesmo antes desta acabar.

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Foto de James Marsden (Teddy) e Evan Rachel Wood (Dolores)

Dessa maneira, a campanha publicitária serviu num primeiro momento, mas como qualquer coisa poderia perder a força no momento em que o público verificasse que não se tratava de albo bom de fato.

Pois bem, após um episódio 1 que teve recorde de audiência naquele horário para uma estreia, os subsequentes também mantiveram a média qualitativa e o telespectador foi junto. Não só isso, mas aconteceu algo que não é comum: houve inclusive aumento!

A premissa que vaga entre o faroeste tão amado pelos norte-americanos e a ficção científica cheia de críticas que faz dar nó na cabeça teve também pitacos de filosofia, questões relacionadas à religião, fé e limites da ciência. Tudo isso misturado num poço de hedonismo e violência que quer retratar não a sociedade futura, mas essa mesma que está por aqui no presente.

Portanto, vale a pena repetir: aproveite que os dez primeiros capítulos estão disponíveis no HBO GO e faça ma maratona. Não será cansativo e os três últimos episódios são realmente de tirar o fôlego. E depois é ficar batendo a cabeça na parede, pois a nova temporada só virá em 2018.

PS – Ah, e é incrível como o roteiro cheio de subtramas e reviravoltas tem ajuda pesada das maravilhosas atuações dos atores e atrizes!


 


 

O que está por trás da classificação de 18 anos para “Aquarius”?

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O que uma simples classificação etária de um filme brasileiro tem a ver com perseguição política?

A pergunta que parece meio sentido para quem não está a par da situação do filme “Aquarius” de Kléber Mendonça Filho, pode ser melhor respondida quando nos aprofundamos no processo de fritura pelo qual o longa estrelado por Sônia Braga desde quando houve uma postura contra o golpe Impeachment em Dilma Rousseff ao final do festival de Cannes ainda neste ano.

As reações no Ministério da Cultura recém empossado pelo presidente interino Michel Temer não foram das melhores contra os artistas participantes do ato durante o lançamento do filme naquele momento e algumas outras coisas têm acontecido desde então que vão na contramão do sucesso que a produção tem conseguido por público dos festivais e crítica especializada internacional.

Tudo começou a ficar mais pesado quando incluíram a faixa etária de 18 anos para classificação mínima permitida nos cinemas brasileiros e pelo convite do crítico de cinema Marcus Petrucelli para integrar o juri que irá escolher o filme representante do país no Oscar do ano que vem.

Para entender melhor: na primeira questão, a da idade, essa classificação atrapalha muito a visualização do longa pelo grande público para que ele possa entrar em circuito comercial por aqui e até mesmo lá fora e de acordo com os produtores a tal censura é descabida já que outros filmes concorrentes à menção do Oscar teriam cenas que seriam mais condizentes com tais práticas censoras.

Na segunda situação, cabe a explicação de que Petrucelli tem sido um dos mais árduos detratores da ação feita pelos artistas do filme durante Cannes e que desde então tece comentários negativos aos realizadores do longa pela conduta que tiveram naquele momento tendo inclusive misturado as coisas na hora de criticar o desempenho estético da película.

Dessa maneira, nas últimas horas, outros concorrentes ao título de representante do Brasil no Oscar tem se solidarizado a “Aquarius” e estão retirando suas candidaturas: são os casos de “Mãe só há uma” de Anna Muylaert e “Boi Neon” de Gabriel Mascaro.

Os diretores saíram em defesa do colega Kleber Mendonça Filho, pois acreditam que Mendonça saiu prejudicado dessas últimas decisões do Audiovisual do Ministério da Cultura.

“A gente não vai participar porque acha que o ano é do Aquarius, então não tem por quê. É o mais cotado, pelo seu histórico em Cannes. Creio que Kleber esteja sofrendo perseguições sutis. Colocam na comissão alguém que o odeia e diz isso em público, então é algo aparentemente tendencioso. E agora vem essa indicação de 18 anos. São pequenas retaliações”, disse Anna à Agência Estado na tarde desta quarta-feira, 24.

Mascaro divulgou uma nota em que questiona a capacidade da comissão de fazer um julgamento imparcial: “É lamentável que o Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual, endosse na comissão de seleção um membro que se comportou de forma irresponsável e pouco profissional ao fazer declarações, sem apresentação de provas, contra a equipe do filme ‘Aquarius’, após o seu protesto no tapete vermelho de Cannes. ‘Aquarius’ foi o único filme latino-americano na competição oficial de Cannes, tendo sido aclamado pela crítica internacional. Diante da gravidade da situação e contrários à criação de precedentes desta ordem, registramos nosso desconforto em participar de um processo seletivo de imparcialidade questionável”.

Mesmo com toda essa polêmica o filme prossegue tendo data de estreia definida para dia 01/09, próxima quinta-feira, em todo o Brasil.

 

Assista à prévia do novo disco de Nick Cave

 

Algo que seria incomum para o lançamento de um disco irá acontecer já agora ao final de agosto.

Durante o Festival de Cinema de Veneza, Nick Cave, junto à sua Bad Seeds, irá lançar seu próximo disco, “Skeleton Tree”, através de filme que depois será exibido em salas das principais capitais do mundo inteiro. Ainda não se sabe se teremos o mesmo prazer por esses nossos lados.

O longa se chama “One More Time With Feeling”, foi dirigido por Andrew Dominik e está longe de ser a primeira incursão do cantor australiano na tela grande. Além de já ter suas canções tocadas em inúmeros filmes, ele também já fez trilhas sonoras em “A Proposta” (2005), “O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford” (2007), no qual também fez uma pontinha e “Os Infratores” (2012), só para ficar em alguns exemplos.

Mas o grande filme dele foi mesmo o que fala sobre si próprio, o lindíssimo “20000 Dias na Terra” (2014), em que faz uma espécie de documentário fake.

Este novo disco de Nick será o 16º de sua carreira e está sendo bastante especulada a sua inspiração poética, pois aparece após um período trágico da vida do artista, que teve no último ano a fatalidade de ter a perda de um de seus filhos.

Imagem de Cena do Filme

O longa em questão mostrará Nick Cave compondo, preparando e gravando o disco e também através de entrevistas e monólogos, algo semelhante à produção anterior.

Portanto, “One More Time with Feeling” será visto pela primeira vez no dia 31 de agosto em Veneza e depois no dia 8 de setembro, por meio de lançamento mundial. Logo na sequência, no dia 9, “Skeleton Tree” sairá em vinil, CD e através das plataformas de acesso mais conhecidas.

Para ficarmos mais ansiosos com o retorno deste cara de voz forte e canções matadoras temos o trailer que saiu ontem.