A segunda temporada de Making a Murderer já está entre nós

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A segunda temporada da série da Netflix Making a Murderer já foi disponibilizada no canal de streaming com todos os dez episódios podendo ser assistidos em sequência.

Dona de uma audiência expressiva, a primeira temporada foi lançada no final de 2015 e acabou com o espírito natalino de muita gente naquela época (este que vos escreve, inclusive).

A segunda parte da atividade dirigida pela dupla Laura Ricciard e Moira Demos dá a impressão de querer fazer o mesmo contigo desde o início do primeiro capítulo. Já terminei o segundo e agora parece que ficará o misto entre o desespero para terminar logo e a angústia com tanta coisa negativa passando pela sua frente que outro sentimento, o de tentar mastigar pausadamente cada bofetada que a série te dá, faça com que você não queira ver tudo isso de uma só vez.

Making a Murderer segue a trilha do caso envolvendo as prisões de Steven Avery em duas ocasiões diferentes e todo o processo pelo qual ele passou nesse ínterim, primeiro, por ter sido descoberto que não era o criminoso da primeira vez que foi acusado e encarcerado e, segundo, do crime pelo qual ele e seu sobrinho Brendan Dassey foram presos e que, agora, tentam provar sua inocência.

Seria mais uma série sobre crimes famosos se não fosse o fato de que nos dois processos movidos pela promotoria pública de Manitowoc, Wisconsin, há inúmeras inconsistências (para não falar, mentiras) e reviravoltas que fizeram até um número gigantesco de pessoas pedir à época do lançamento da primeira temporada do programa a concessão da anistia por parte do então presidente Barack Obama.

 

É bom que se diga também que até aqui essa temporada também faz um trabalho de metalinguagem mostrando muito daquilo que mudou por conta da ação e da reação das pessoas depois da exibição da primeira temporada.

 

Portanto, assista a esta segunda temporada da série e sinta mais de perto como o mundo pode ser nojento e as pessoas, mais escrotas ainda.

 


 

 


 

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Dica de filme: “Negação” é possibilidade de entender o que está em jogo no Brasil atual

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Um ponto-chave no desenrolar da trama de “Negação” (Denial – 2016), em exibição na HBO e HBO GO, é quase um anticlímax. O juiz do caso pergunta ao personagem Richard Rampaton (Tom Wilkinson), advogado de defesa da ré Deborah Lipstadt (Rachel Weiss) se poderia o historiador e negacionista David Irving (Timothy Spall) ser um negacionista honestamente antissemita que acredita naquilo que diz. A resposta do advogado é de que algo do tipo: sim, poderia, mas no caso em questão ele mente deliberadamente, mesmo sabendo que aquilo está bem longe da realidade somente para que haja uma reafirmação de suas convicções absurdas.

Este é um ponto nevrálgico do filme de Mick Jackson: estamos diante de um julgamento que poderia ser considerado surreal por muitos, mas que acaba por acontecer porque o historiador e biógrafo de Hitler moveu uma ação contra a também historiadora americana pelo fato de ela afirmar em livros e palestras suas que o homem é um negacionista do Holocausto, algo que teria feito o primeiro perder oportunidades profissionais em sua carreira.

Portanto, partimos do ponto de vista do acusador, pois ele está afirmando coisas extremamente odientas, mas acaba por tentar provar que tinha o direito dessa liberdade de expressão.

Posteriormente a isso, nos focamos na defesa de Deborah que, inicialmente, queria depor e colocar sobreviventes do Holocausto para dar seu testemunho e acabar com a premissa que David defende, pois este salienta de que não há provas de que milhões e milhões de pessoas teriam morrido durante a segunda guerra mundial nos campos de concentração.

Uma boa parte do filme é consumida por conversas da equipe de defesa de Deborah que teve de se sujeitar a participar do julgamento como ré na Inglaterra, já que a solicitação do inglês partiu de lá quando um dos livros de Deborah foi lançado em solo britânico. Mas também percebe-se no caminhar do filme que os advogados preferem que não haja embate direto nem da americana com o negacionista nem de judeus com ele.

Fica aparente no primeiro instante que se trata de uma análise fria deles, mas comprova-se posteriormente que sua estratégia tinha não só o viés de ganhar a ação, mas também de não expor Deborah e, principalmente os judeus sobreviventes às piadas antissemitas de David.

Todo o trajeto inicial da defesa, porém, parece que vai ser jogado por terra, quando a pergunta lá do início do texto é feita pelo juiz ao principal advogado de defesa.

Aqui é que entra a comparação com o momento atual vivido por nós no Brasil.

Se numa sociedade como a europeia que viveu tempos terríveis como o fascismo, o nazismo e as duas grandes guerras do início até a metade do século passado e que depois teve ação exemplar para lutar contra esse tipo de pensamento em seus cidadãos que vieram depois ainda vive com arroubos de loucura como a que suscitou essa briga judicial em que um piadista politicamente incorreto que adorava falar mal de negros, subjugar o papel das mulheres nos meios sociais e tem desprezo pela ciência da qual ele mesmo vive o que dirá, portanto, do país que não promoveu ruptura nenhuma com seu passado terrível de tempos de ditadura?

Veja bem, vivemos durante 21 anos um período em que pessoas foram torturadas, perseguidas, mortas e escondidos seus corpos e a transição para a volta democrática ocorreu do modo mais pacífico e silencioso possível depois que as forças militares engendraram acordos para que a anistia fosse realizada sem nenhum critério jurídico passível de punição.

Isso fez com que não houvesse debate em torno do julgamento de gente que se envolveu com atividades escusas e que não teve seus nomes colocados em análise tanto pelo crivo popular, quanto pelo crivo jurídico e midiático. Saíram literalmente do governo para que voltassem tranquilamente para suas casas viver da aposentadoria. Até hoje há pessoas desaparecidas que não puderam sequer ser enterradas pela família.

Com tal processo de mudança sem nenhum impacto crítico na mudança de governo da ditadura para a volta do povo ao poder só bastaram algumas primaveras para que se ouvissem aqui e ali um “na ditadura que era bom”, “naquele tempo não havia inflação”, “na ditadura sim que havia segurança”.

Lembre-se que isso não se dá somente pela distância histórica, mas também pela falta de debate sobre aqueles anos de chumbo. Isso fez com que aproveitadores e espertalhões se apossassem do tal discurso do “antes que era bom” para aproveitar esse nicho descontente com “tudo o que está aí”.

Bolsonaro, o candidato líder das pesquisas e favorito a ganhar o pleito domingo que vem, cansou de utilizar esse discurso em programas televisivos e foi eleito várias vezes para a Câmara Federal simplesmente por repetir sua baboseira pró-militarismo durante anos. Conforme o tempo foi passando incluiu também na sua fala jocosa elementos de preconceito, antissemitismo e discriminação contra as mulheres, os negros e a comunidade LGBT.

Quando sua popularidade atingiu um nível nacional gritante e sua capacidade de discutir ideias para o Brasil foi afrontada ele se viu na necessidade de atirar em novos alvos: notadamente o PT, a corrupção e a insegurança pública.

Não haveria nenhum problema se realmente seu discurso tivesse tido um acréscimo de criticidade e pudesse falar contra problemas reais da roubalheira de parte do governo petista e da violência que assola o país. A questão neste ponto é que nunca se quis fazer uma análise profunda acerca dessas situações: o que ele sempre quis foi causar, como aquela pessoa chata que sempre é do contra, mas nunca dá solução.

E se ainda assim tivesse ficado nisso só sua mitologia, meio que para se autoafirmar recrudesceu mais ainda o foco em inimigos imaginários e principalmente na necessidade de vestir uma carapuça de fiscal dos direitos alheios e elegeu todas as minorias como antagonistas da nação. E é neste ponto que ficou deveras perigoso até para um lugar tão conservador quanto o Brasil.

Se já tínhamos um nível de violência gigante contra minorias nesta parte do globo foi nos últimos meses que o negócio descambou para a agressão gratuita mais pesada e física, e nas últimas semanas para assassinatos com requintes cruéis de antissemitismo e discriminação. Mulheres, pessoas ligadas a movimentos sociais, negros, gays, lésbicas, trans e até líderes religiosos (que não aceitam a bandeira de extrema direita) estão sendo atacados à luz do dia e a polícia e a justiça parecem fazer vista grossa.

A eleição nem ocorreu, a vitória do candidato que defende tais ideias também não aconteceu, mas já se percebe que seus seguidores babam atrás de sangue derramado de qualquer um que eles julguem seus adversários.

É importante que se diga que num momento assim é necessário a união de quem não compactua com tais práticas e ideologia semelhante e que qualquer governo democrático (de qualquer esfera ou espectro político) é mais indicado do que o fascismo institucionalizado como o deseja essa turma. Sendo assim, ainda há margem para um virada.

Porém, a barbárie de uma parcela significativa da população nacional já foi identificada e teremos que saber conviver e desenvolver meios de lutar contra ela mesmo que tal vitória da democracia ainda ocorra domingo.

No filme (e na vida real) que provocou a escrita deste artigo o final é coerente com a luta que a Europa teve contra as forças maléficas do nazismo e fascismo e Deborah Lipstadt ganha a ação conta David Irving o jogando ao ostracismo, que é onde pessoas que defendem o indefensável deveriam estar sempre. Mas e aqui, o que vamos fazer a respeito?

 

 

 

 

Atividade Cultural no MIS: visita à exposição sobre Alfred Hitchcock

 

Foi realizada nesta sexta-feira (28) visita dos alunos da EMEF Professor Rivadávia Marques Junior ao Museu da Imagem e do Som de São Paulo para apreciação da exposição “Alfred Hitchcock – os bastidores do suspense” que foi inteiramente construída, montada e produzida pelo museu paulistano.

Os alunos tiveram anteriormente aulas sobre o autor cinematográfico britânico e puderam conhecer mais sobre a obra do cineasta. As cenas de seus filmes, a técnica empregada para dirigir atores e atrizes, seu humor ácido e sarcástico e muitas de suas manias foram vistas pelos meninos e meninas e muitas foram as dúvidas dirimidas com o professor na sala de leitura da escola.

Quanto á visita em si a atividade teve um rico conteúdo e todos conseguiram aproveitar bem a exposição e a monitoria da amostra que sempre está pronta para atender a questionamentos das crianças e adolescentes.

Abaixo, listamos algumas imagens do dia de ontem para provar o quanto foi dignificante tal ação e já ficamos ansiosos pelo próximo projeto em parceria com o museu que, com certeza, terá muita procura e visitação, pois seu tema será sobre histórias em quadrinhos. Até lá!

 

 


 

 


 

 


 

 


 

 


 

 


 

 


 

 


 

 


 

 


 

 


 

 


 

Bicentenário de Karl Marx: 5 filmes sobre comunismo para entender o filósofo

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A importância do comunismo pode até ser rechaçada pelos seus detratores, mas não há como negar que a simples tentativa de levá-la para o mundo real da sociedade e das pessoas é um procedimento que a identifica como uma ideologia imprescindível para a evolução dos questionamentos do que fizemos com esse mundo onde vivemos.

Já diria Eduardo Galeano (que parafraseava Fernando Birri) que uma utopia é aquilo pelo qual temos que continuar indo em frente: “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”

Ora, sendo assim, estudar o pai da ideia de unir os trabalhadores em torno de um ideal comum é necessário para que não possamos nos perder em discussões vazias sobre o fato de o sistema socialista não ter “dado certo” como regime político.

Sim, até porque há muito o que discordar sobre esse tipo de afirmação preferida da direita mundial.

Portanto, abaixo, citamos 5 filmes que tratam do tema e são importantes para entender suas vertentes e como seus desdobramentos podem ter sido positivos ou mal interpretados ao longo desses últimos dois séculos.

 


 

O Jovem Marx

 

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Obviamente, para falar sobre o comunismo nada melhor do que começar pelo seu idealizador e organizador karl Marx que através do “Manifesto Comunista” encaixou tudo aquilo que achava ser necessário para os trabalhadores do mundo todo se unirem. Para isso, o filme “O Jovem Karl Marx” (Raoul Peck – Alemanha – 2017) não é nenhum suprassumo no estudo básico do personagem histórico, mas tenta se ater ao indivíduo. Porém, se há uma qualidade na produção é que tenta se fazer uma distinção entre o que seria o Pensamento Marxiniano é diferente do Pensamento Marxista. A diferença sutil é que enquanto o primeira ideia é o que foi colocado em prática por governos totalitários do século XX o segundo pensamento é exatamente o que o filósofo alemão queria que houvesse sido empregado mais incisivamente.

 

 


 

Reds

 

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A importância desse filme tem a ver mais com a utilização inteligente do roteiro com relação aos diálogos. Ambientado a partir do início do Século XX, o longa de Warren Beatty de 1981 segue a vida de John Reed, jornalista socialista que trabalhava no periódico The Masses, que participa da fundação do Partido Comunista dos Estados Unidos e, posteriormente, acompanha o desenvolvimento da Revolução Russa, algo que culmina na escrita de seu livro “Os Dias que abalaram o mundo”. De fato, são as discussões sobre política e economia que permeavam aquele período e as atuações no filme por parte de Jack Nicholson e Diane Keaton (que vive sua esposa Lousie Brant) roubam a cena da produção.

 

 


 

Encouraçado  Potemkim

 

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Este filme tem uma intenção panfletária, mas nem por isso ele deixa de ser clássico e de uma qualidade de linguagem e roteiro únicos. Lançado pelo regime soviético em 1925, esse filme representa uma obra magistral do cinema mudo, independente de ideologia ou daquilo que pretende defender. O trabalho artístico da produção soviética dirigida por Serguei Eisenstein é perfeito em cada cena e as atuações também rendem elogios. À base de um fato real, o levante de um grupo de marinheiros em 1905 que se recusou a comer carne podre, e, a partir deste fato, há uma discussão sobre o poder do coletivo e das massas diante de qualquer injustiça. Filme que está entre os mais importantes da história do cinema mesmo que fale sobre uma questão difícil como é a ideologia política.

 

 


 

Adeus, Lênin

 

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Este filme alemão de 2003 dirigido por Wolfgang Becker tem uma via cômica principalmente por retratar a vida de um rapaz que precisa resolver um problema complexo com sua mãe: ambos moram do lado oriental de Berlim e a velha, uma fã incondicional do regime socialista, sofre um ataque cardíaco, entra em coma e após oito meses acorda já após a queda do muro em 1989. O filho inicia então uma série de ações para que ela não perceba que tudo mudou e não a entristeça com o fim do sonho socialista. As situações para que isso aconteça viram acontecimentos hilários que têm a façanha de deixar o espectador atento a cada nova atividade inventada pelo rapaz. Apesar do tom humorístico a fita mostra o quanto as ideias de Karl Marx quase não são reconhecidas nos procedimentos tomados pelo regime comunista mais de uma centena de anos depois das ideias terem sido lançadas ao mundo.

 

 


 

Edukators

 

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A última dica é “Edukators”, filme de 2004 produzido por Áustria e Alemanha e dirigido por Hans Weingartner. A produção mostra como a juventude pode ser uma força grande na luta de classes. Aqui há uma clara situação em que no momento em que a liberdade lhe é tirada e o autoritarismo se revela  é a parte jovem da sociedade quem tem um dos primeiros passos para seguir contra tais desmandos. A vingança contra os ricos acontece por meio de ótimos diálogos e monólogos que mais parecem discursos em cima de um palanque. A trama é de um grupo de jovens sem grandes perspectivas que decide invadir mansões apenas para mudar o local dos móveis e deixar mensagens com o intuito de mandar um recado sobre a liberdade. Funciona bem, traz elementos suficientes para a discussão política e ideológica, além de entreter bem.

 

 


 

Agora o negócio ficou sério. Veja o trailer de Vingadores: Guerra Infinita

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Sorry! Sad but true, DC!

A Marvel parece que só esperou a desgraça da coirmã acontecer para lançar o trailer de Vingadores: Guerra Infinita.

Nele vemos diversos personagens do universo expandido da companhia aparecendo durante a iminência de um problema bem real e grupos inteiros de super heróis juntando forças para dirimir tal situação.

O problema em questão tem nome: é Thanos, o titã louco que virá à Terra para reunir em seu poder o restante das joias do infinito e os Vingadores terão de contar com qualquer tipo de ajuda possível para evitar tal catástrofe.

Nos pouco mais de 2 minutos de trailer vemos Dr. Estranho (Benedict Cumberbatch), Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Dr. Banner (Mark Rufallo), Thor (Chris Hemsworth), Viúva Negra (Scarlett Johansson), Capitão-América (Chris Evans), Peter Quill (Chris Pratt) e mais o restante do pesado elenco sendo subjugado por Thanos (Josh Brolin) e seu exército estelar.

Dá para perceber que o filme muito provavelmente será uma espécie de “O Império Contra-Ataca” da franquia com possíveis baixas e muitas derrotas durante a produção dirigida pelos irmãos Russo (Capitão-América: Guerra Civil, Capitão-América: O Soldado Invernal).

 

Nos próximos meses teremos ainda outros teasers e muitas especulações, mas neste momento aproveite e se delicie com o trailer de agora.

 

 


 

 

Os limites da internet e do bom senso são tratados em “Cuidado com o Slenderman”

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A lenda urbana em torno do personagem aterrorizante Slenderman não tem um início tão assustador assim.

Em 2009, através de um concurso de photoshop, um usuário da WEB criou uma imagem atrás de pessoas que estavam posando para uma foto que demonstrava um homem esguio, tremendamente alto, com braços longos e rosto sem traços nem boca, nariz e olhos que usava terno perto e gravata.

Pronto, estava pronta uma das mais rápidas e devastadoras lendas urbanas dos últimos anos na internet.

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O que ocorreu é que alguns sites voltados para histórias de terror começaram a usar a imagem e outras pessoas tiveram a ideia de incluir o personagem em fotos de época e outras mídias como filmagens que imitavam o subgênero de terror Found Footage do cinema (aquela na qual supostamente alguém encontra um vídeo assustador) foram realizadas.

Claro que muitas dessas criações eram inocentes e só tinham a pretensão de assustar o amigo mais medroso, mas em 2014 algo terrível aconteceu e o mito do tal Slenderman se viu no meio de uma situação insólita.

Duas garotas esfaquearam uma amiga de escola por 19 vezes e a deixaram sangrando para a morte no meio da mata. A menina sobreviveu, um ciclista a encontrou agonizando e este chamou a polícia. Começava ali uma busca incessante na cidade de Waukesha, interior do estado do Wisconsin por essas meninas que vieram depois a ser acusadas como adultas e tinham a possibilidade de pegar até 65 anos de prisão. A vítima, felizmente, sobreviveu e o julgamento é um dos pontos importantes da trama bem costurada por Irene Taylor Brodsky, diretora do documentário.

Logo no começo da produção da HBO há inúmeros vídeos em que as meninas acusadas do delito explicaram com bastante clareza de detalhes sobre o suposto mandante do crime e falam sobre suas ameaças de matar a família de quem não o ajuda, seus tentáculos, o motivo pelo qual devora crianças e como ele constrói exércitos ao seu dispor.

Obviamente, que há a explanação durante o filme de que uma das meninas (ou até mesmo as duas) tem esquizofrenia, mas também é abordado o tamanho da encrenca que histórias como essa do Slenderman podem fazer com a cabeça de pré-adolescentes suscetíveis a esse tipo de persuasão.

A investigação filmográfica vai atrás de elementos para falar de memes, gifs e posts de sucesso que vemos todos os dias na rede social e qual o impacto deles na vida da molecada. Jogos como o da Baleia Azul ou do enforcamento que pululam vez ou outra são alguns dos exemplos de como a internet é usada como instrumento de manipulação por quem quer apenas a maldade pura e simples, mas também por quem nem se dá conta de que está lançando fogo na internet. Mesmo casos de boataria, fofoca ou a palavra da moda pós-verdade são exemplos vivos e recentes dessa questão mostrada no longa.

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Com quase duas horas de duração, há tempo suficiente para que “Cuidado com o Slenderman” fale da importância da supervisão dos pais na atividade dos filhos na rede mundial de computadores, mas é inteligente para mostrar que mesmo assim muita coisa maluca pode subverter a cabeça dos meninos e meninas. Basta ver o depoimento do pai de uma das agressoras para entender como mesmo elas (e ele próprio) são vítimas da situação.

Todo o conteúdo do filme pode ser um aliado importante para tratarmos de maneira séria e mais profunda o problema do bullying, da repressão, da depressão e até mesmo dos limites das brincadeiras e do bom senso entre as crianças e dos adultos também. A criação de amigos imaginários, de inimigos ocultos ou mesmo de coisas para fugir da realidade pode ter alguma importância em certo momento da infância, mas quando isso ultrapassa a capacidade de inferir o que é bom ou ruim pode ser perigoso ao extremo.

Num país em que o cotidiano da escola perpassa pelos problemas da sociedade como questões emocionais, psiquiátricas ou relacionais e sociais, a influência de toda sorte é passível de análise.

Inclusive, pode se perceber que a importância de estarmos alertas à nossa saúde mental e a de nossos filhos é um dos focos do filme e acaba por ser uma grande qualidade da produção feita para a tv a despreocupação em apontar culpados já que nem sempre dá para ter certeza da intencionalidade de cada um dos participantes neste tipo de processo.

Enfim, a internet não é ruim no seu âmago e a possibilidade que proporciona para toda uma geração é incrível, mas o seu uso se assemelha ao do martelo que foi inventado para pregar coisas, mas também é capaz de ferir a cabeça de alguém, basta ter a intenção de quem o segura.

O filme estreou dia 15 de Maio e está disponível na plataforma HBO GO.

 


 

“Corra” entrega o que promete, um suspense com crítica social

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Uma constante na visualização do filme “Corra” é o estranhamento.

Desde os primeiros segundos do filme quando toca uma música de sonoridade esquisita aos ouvidos de uma plateia acostumada à FM e suas canções-chiclete é óbvio que a ideia do diretor Jonathan Peele é causar desconforto.

Temos atuações muito boas dos protagonistas Cris (Daniel Kaluuya) e a namorada Rose (Allison Williams) e um interessante elenco de apoio com destaque para os pais da moça (Bradley Whitford e Catherine Keener) e o melhor amigo do personagem principal (LiRel Howery) responsável pelos momentos de alívio cômico do filme.

A trama gira em torno da visita do jovem e recente casal à casa dos familiares da garota e desde a viagem algumas situações acontecem para que Cris fique angustiado. Primeiro, pela estranheza do lugar em que se encontra e, segundo, pelo preconceito racial velado apresentado por todos que o cercam.

Esse início que remete automaticamente a “Adivinhe quem Vem para Jantar” de Stanley Kramer (1967) ruma inesperadamente para um suspense cheio de situações non sense, surrealismo, tensão racial, hipnose, um pouco de ficção científica, eugenia e um pouco de terror gore no final, porque ninguém é de ferro.

No meio disso tudo há um clima entre a construção morosa dos personagens e apressamentos em outros momentos que levam o espectador a supor questões de forma rápida que o levam ao erro de interpretação.

Muito disso vem da experiência do diretor com a comédia, afinal de contas. o cara é da cena humorística americana e foi surpresa quando decidiu fazer uma produção que caminhava por uma estrada mais dramática.

O filme foi todo rodado no Alabama num curto espaço de tempo (apenas 28 dias) e contou com um orçamento de US$ 4,5 milhões, algo que nem mesmo os filmes indie conseguem gastar para ter uma arrecadação que já ultrapassa os US$ 100 milhões, somente no mercado interno americano.

Peele diz que a ideia do roteiro veio de um stand up de Eddie Murphy contando como foi conhecer os pais brancos de sua namorada. Quando percebeu que aquela situação aparentemente cômica era também digno de filme de horror partiu para a escrita do que se tornou “Corra”. E não é que deu certo?