Há vida inteligente no Youtube: cinco canais para acompanhar cultura nerd

 

Se há muita porcaria desenvolvida no Youtube para os jovens se deliciarem e perderem de vez o senso do ridículo, também é importante dizer que há muita coisa bem feita e com qualidade mínima para ser citado com louvor.

O movimento de falar sobre qualquer bobagem não é uma exclusividade do site e nem da internet, quiçá da vida real, portanto perceber que tal situação cresce vertiginosamente nesta página criada para mostrar vídeos não causa nenhuma surpresa.

Dessa forma, é necessário cravar sempre os exemplos de gente boa que andam por lá não só para angariar mais uma galera para assistirem aos seus interessantes programas, mas principalmente para fazer aqueles que insistem em chafurdar na lama do senso comum perceberem que podem ter bom humor com conteúdo (e vice-versa).

Eis abaixo, uma pequena lista com alguns casos em que há boas propostas para serem visualizadas por nós em canais bacanas e qualitativos no Youtube.


Mikannn

Com um canal que parece ter sido criado inicialmente apenas para falar sobre cultura pop japonesa já que a moça (o nome dela é Miriam) é fã declarada deste universo nerd, a coisa foi crescendo e hoje dedica grande tempo para a apresentação de temas como games, animes, séries variadas e, acima de tudo, a teorias acerca de Game of Thrones e os livros dos quais foi adaptada o programa de tv, as Crônicas de Gelo e Fogo de George R.R. Martin.

A grande marca do programa da garota é seu carisma espontâneo já que não precisa fazer caretas, piadas bobas ou qualquer artifício infantil para conseguir angariar mais gente para sua audiência. Além disso, tem uma fala muito boa, sabe se expressar muito bem e possui vocabulário vasto sobre as obras que fala.

Por último, consegue sintetizar o que diz com boas imagens sem que precise realizar pirotecnia desnecessária para tanto. Desse modo, já figura entre as favoritas do blog para quando há a possibilidade de discutir sobre as tais teorias malucas de Game of Thrones ou quando simplesmente quer ver algo conteúdo comprovado.


Carol Moreira

 A Carol Moreira trabalha para o site Omelete e uma vez por semana solta vídeos próprios em seu canal no Youtube.

Também é amiga de Miriam e de vez em quando fazem um combo para falar de Game of Thrones, o que acaba sendo um deleite para os fãs por conta do carisma das duas.

Se Carol não tem o conhecimento de nomes e palavras sobre os assuntos falados assim como a sua companheira de vídeos é pelo seu bom humor e maneira graciosa com que faz suas falas que cativa as pessoas.

É claro que a menina acaba por se destacar por conta disso, mas também possui conteúdo em tudo o que faz em seus programas, pois utiliza sua experiência no site de cultura pop para antecipar acontecimentos, citar referências e falar sobre estreias do cinema, literatura e séries de tv.

Sendo assim, se há um pouco de caretas demais em algumas de suas intervenções, tudo isso é compensado pela sua maneira bacana de ser e de desenvolver suas ações no site.


Jovem Nerd

Eu sei que as pirotecnias desnecessárias em vídeos chegam a causar certa repulsa no dono do blog, mas é que esses caras do Jovem Nerd compensam tal empolgação com bastante bom humor e espontaneidade.

Se não possuem o conhecimento técnico e literário das meninas citadas acima pelo menos não escondem isso ou tentam parecer cultos.

Eles são ogros utilizados da melhor maneira possível: fazem ogrice nerd.

Os vídeos são bem hilários, mas também tiram dúvidas dos fãs que gostam de visualizar sobre suas séries, HQs, filmes e referências prediletas e possuem boa produção.

Claro que o clima despojado e falastrão dos dois rapazes que apresentam a maioria dos programas ajuda a criar um clima de papo de bar e tudo termina de forma leve.

Portanto, vale a pena não por conta da informação que fornece, mas pelas entrelinhas desse conhecimento.


Nerd Rabugento

Aqui o que vale é se despir de preconceitos e também das vestes de fanboy para apreciar as contestações e críticas pesadas que o cara realiza de obras ditas sagradas.

O dono do canal é bastante culto e consegue sintetizar isso de maneira eficaz e digna para o seu público.

Não faz concessões a ninguém e a nada!

Dessa forma, os filmes inspirados em HQs, as próprias HQs, as séries e programas de tv em geral sofrem com sua veia analítica pesada e não tem medo de parecer demais para aquele xiita que não aceita que sua obra infalível receba qualquer defeito.

Muito bom, mesmo que você discorde de suas opiniões, pois estas são dadas sem medo e com bastante aprofundamento técnico.


Nerdologia

O que é interessante neste canal (que é ligado ao Jovem Nerd) é que sua busca é de se aprofundar na cultura nerd e ultrapassa os limites apenas da crítica ou da simples análises de programas e séries em geral.

A ideia dos donos do canal é fazer pesquisas e apresentações sobre realidade virtual, informática em geral, tecnologia das mais variadas, mas acaba por se meter em lançamentos de HQs, animes e filmes durante o ano todo.

Mas o que acaba por fixar mais visualizações dos programas do canal é que muitas referências desses suportes da cultura pop são analisados sob o ponto de vista científico, como por exemplo, a possibilidade de ser real ou não a prática de algo que acontece num filme ou a veracidade de acontecer algo que se passou numa série.

Sendo assim, fica para trás apenas a análise artística daquela forma de arte e entra a crítica sobre sua verossimilhança.

 


 

É a Ciência, estúpido!

 

A entrevista aconteceu no programa americano The Late Show with Stephen Colbert pela Rede CBS.

O famoso apresentador recebeu para uma conversa descontraída o físico Brian Greene para que através de uma explicação didática conseguisse condensar ao telespectador a importância da recente descoberta científica acerca da detecção das ondas gravitacionais do universo, algo que já havia sido estudado e previsto por Albert Einstein há cem anos.

Só para situar a todos: Greene é formado em Física por Harvard e Doutor pela mesma matéria por Oxford. Atua como professor em Columbia desde 2003 e é codiretor do Columbia’s Institute for Strings, Cosmology, and Astroparticle Physics (Instituto de Cordas, Cosmologia e Física de Partículas da próprio Universidade)  – ISCAP – e lidera um programa de pesquisas da aplicação da teoria das supercordas em questões cosmológicas.

Imagem da entrevista

A questão que torna o diálogo mais interessante não é só a forma apaixonada com a qual Greene trata a descoberta, nem tampouco a maneira bem-humorada com que Colbert leva os pouco mais de 7 minutos de conversa, mas a maneira pedagógica e fácil que a gente se envolve com a explanação e a exemplificação bem efetuada.

É claro que tudo é auxiliado e melhorado pelos equipamentos trazidos ao palco pelo físico, mas se não fosse seu tato para o ensino ter grande elevação quem assiste ficaria boiando sem entender um pingo dos “Is” proferidos por ele.

Também é óbvio que toda a celeuma em torno deste achado científico empolga demais a todos nós pela reafirmação da genialidade de Einstein, porém não é somente um souvenir ateu a fim de provar que não é um deus que faz tudo com uma varinha de condão. Há questões importantes que ajudam na compreensão de como funciona o espaço e o tempo em nosso universo que faz da pesquisa algo conveniente para a humanidade.

Portanto, assista ao vídeo e tente não se hipnotizar com a explicação bacana e esclarecedora de Brian Greene.

 

O Uber faz estrago até com Courtney Love

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Foi ela mesma quem postou uma foto e um vídeo curtinho agora a pouco por meio de sua página oficial no Facebook.

Courtney Love está no aeroporto de Paris e pediu o serviço de chamamento de táxis via aplicativo, foi rapidamente atendida por um dos automóveis cadastrados pelo app e quando já estava no interior do veículo este foi alvejado por pedras e paus lançados por outros taxistas que, obviamente, são contra o processo via Internet.

Na primeira imagem a viúva de Kurt registrou um dos vidros do carro quebrados. Já no vídeo aparecem três rapazes vindo com tudo para cima do automóvel com um deles tentando abrir as portas enquanto a moça filma seu próprio apavoramento com a situação e a aflição do motorista.

Veja abaixo:

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No post da cantora ela questiona: “Taliban francês? Reforma Civil solicitada na França?”. Depois afirma: “Eu quero ir pra casa!”

O Uber tem causado muita controvérsia tanto lá fora quanto no Brasil por se tratar de um aplicativo que cadastra motoristas que, alguns casos, não possuem registro municipal de táxi.

Por aqui já gerou até discussão no Congresso Nacional com líder de sindicato dos taxistas afirmando que haveria até morte se os deputados votassem a favor de lei que regulamentasse o tal serviço.

Previsões do Blog para 2015

Política:

Emergirão no campo nacional novas denúncias nos casos de corrupção já conhecidos (petrolão e trensalão), políticos renomados e raposas velhas estarão no olho do furacão e muitos líderes do governo e da oposição estarão envolvidos até a medula.

Juízes e desembargadores irão vociferar contra a corrupção e líderes de bancada falarão à nação contra os métodos escusos e absurdos do Estado.

No final das contas, tudo virará fumaça, alguns poucos borra-botas serão presos e ainda por cima, os barões da política brasileira serão alçados a novos voos políticos.

Além disso, faltará água em São Paulo, haverá enchente no final do ano no sudeste e seca no meio do ano no nordeste. Não haverá uma única atividade ou obra de contenção contra estes problemas e o jogo seguirá com o PSDB em São Paulo e o PT no governo federal.


Educação:

O Brasil continuará seguindo no fim da fila das principais listas sobre aprendizagem, proficiência em inglês, matemática, língua materna ou qualquer coisa que tenha a ver com educação.

O governo continuará condicionando liberação de verbas aos municípios e estados ao nível de aprovação e não ao índice de aprendizagem e fará de tudo para que professores e equipes gestoras (inclusive pressão e outras maneiras menos cíveis) para que estes aprovem todo e qualquer aluno, mesmo aquele que morreu no mês de maio.

Haverá greves de professores por todo o Brasil e os secretários de Educação e secretários da mesma pasta tratarão os mestres como se fossem cachorros vira-latas (e bem que estes últimos têm tido melhor vida ultimamente). Ao final dessas manifestações desgastantes e que dividirão a categoria os profissionais sairão com menos direitos do que quando entraram na disputa com o Estado.


Manifestações nas redes sociais e nas ruas

Coxinhas e Petralhas continuarão se degladiando pelas redes sociais e o clima de Fla x Flu continuará imperando na internet.

Não importará se você estiver falando do novo filme de Tarantino ou do novo restaurante do Alex Atala> o que vale é defender seu partido e seu estilo de vida da onda comunista que irá comer criancinhas ou do capitalismo selvagem que rouba suas cuecas.

Também haverá muito protesto de rua de gente alienada pedindo a volta do Regime Militar e de seu edificante processo de tortura, perseguição e censura, tudo isso contra a Cubanização do Brasil ou da necessidade de mandar que não pensa como um ogro da Idade Média para morar em Havana.

Do outro lado, teremos inúmeras pessoas saindo às ruas com suas máscaras compradas no shopping center prontos para quebrar tudo, mas sem a mínima ideia sobre o que está protestando. Mas haverá gritos contra o consumismo e o capitalismo das mesmas bocas que são sustentadas por pés calçados com belos Nikes e Adidas.

Amigos se tornarão inimigos e inimigos tentarão se matar, mas tudo não passará de frescura da mais idiota possível, pois quando houver aumento do IPTU ou do IPVA todos correrão ao banco o mais rápido possível para conseguir um desconto no pagamento.


Cinema

No âmbito nacional, continuaremos a ser brindados com muitas estreias com aquele gordinho como atração principal fazendo piadas engraçadas serem encaradas como uma dose de diazepan ou utilizando caretas que mais parecem a de um garoto que acabou de tomar a vacina do Zé Gotinha.

Além disso, outras películas brasileiras terão como mote principal o rescaldo de séries, programas ou novelas que já são ruins, mas que poderão ser potencialmente pioradas na tela grande.

Enquanto isso, blockbusters americanos tomarão cento e cinquenta por cento das salas do Brasil e impedirão você, caro leitor, de assistir a uma obra sincera e bem executada da Argentina ou Espanha.

Os melhores títulos ficarão de fora e muitos você só conseguirá baixar pelo sistema torrent.

No Oscar, os melhores atores, atrizes diretores e roteiristas serão deixados de lado em prol de algum filmeco que o faça chorar que nem criança.


Música

A música sertaneja continuará a ser destaque nas rádios nacionais, mas isso não impede que fenômenos como o de Pablo ganhe notoriedade nas redes sociais e tenha gente gostando da porcaria só por que outros imbecis gostaram da mesma porcaria.

O funk continuará no gueto, mas atrapalhando a vida (e os ouvidos) daquele que estiver no trânsito ou em casa, ou no espaço, pois os melhores aparelhos de som automotivos já vêm com algum CD de funk bem horripilante para tocar no carro parcelado em 100 vezes que o fulano não consegue pagar, mas que prefere equipar com caixas e subwoofers potentes para que com essa estranha e ridícula dança do acasalamento consiga pegar algumas “novinhas”.

No campo internacional, surgirá uma nova Lorde que fará sucesso meteórico, mas não conseguirá o sucesso mais expansivo da garota neozelandesa. As gravadoras bem que tentarão que isso aconteça, mas só uma parcela do público ainda é tão idiota para comprar ideias fabricadas assim a cada semana.

Paul McCartney, Metallica, Iron Maiden e Laura Pausini se apresentarão por aqui e conseguirão tirar alguma grana de produtores e fãs mais uma vez.

Lollapalooza e Monsters of Rock terão música, independente dos gostos baterem ou não, mas nem chegarão perto da mídia que o festival de não-música Rock in Rio conseguirá. Por lá haverá muita propaganda, oferecimentos mil acerca de produtos para o público jovem, mas música que é bom você ouvirá de vez em quando.


Esportes

Algum brasileiro abnegado do xadrez ou do curling será campeão mundial com seus próprios recursos e esforço individual, será alçado a novo ídolo nacional e será comparada ao mala Ayrton Senna. No momento em que desembarcar no Brasil, o fulano será recebido por milhares de pessoas que dirão acompanhar a carreira dele desde quando era pequeno e falarão com a maior cara de pau que o curling é o seu esporte predileto.

Na próxima etapa quando o tal esportista tiver um mau dia, será achincalhado pela massa tupiniquim e recebera a alcunha já conhecida de pipoqueiro.

No futebol, a coisa continuará sendo disputada entre o jogo bonito e pouco eficaz do Barcelona, o futebol copiado do Bayern Munique ou o jogo mistura de tudo isso do Real Madrid. Individualmente, Cristiano Ronaldo continuarão dividindo s os louros das premiações de fim de ano.

Pela seleção brasileira, o risadinha Neymar continuará dando inúmeras vitórias ao time da CBF contra times do Golfo Pérsico, da África Central ou da Oceania e será festejado como o melhor do mundo depois do português e do argentino. Isso tudo para fazer vexame nas competições que valem de verdade. A entidade máxima do futebol do bananão continuará a roubar e a sugar tudo o que podem de times e jogadores e estes continuarão quietos achando que quem está errado e o pessoal do Bom Senso FC.

Por aqui, Cruzeiro e Atlético tendem a prosseguir na disputa entre os primeiros lugares de nossos campeonatos, mas quando o negócio for lá fora pela Libertadores iremos tomar mais uns chocolates dos países vizinhos. E dá-lhe contratação de ex-jogadores, salários astronômicos, brigas internas e outras coisas que farão os times de São Paulo e Rio se afundarem e chafurdarem cada vez mais na lama.


Bem, é isso, por enquanto. Se alguém quiser discordar, tem uma previsão mais otimista ou pior mande o seu comentário.

O Blog entrará em recesso a partir de agora para a passagem das festas de final de ano e deseja a todos um ótimo início de 2015.

Voltamos em 05 de janeiro, mas se houver alguma outra novidade passaremos por aqui para dar a notícia ou comentar alguma barbaridade por aí.

“Interestelar”: o abacaxi espacial

 
Confesso que tinha desistido de Christopher Nolan desde “A Origem”, mas como este “Interestelar” era uma das estreias mais aguardadas do ano e tinha como estrela principal o ressuscitado Matthew McConaughey dei um crédito à produção e fui assisti-la.
 
Também é importante salientar que fui, de certa forma, influenciado pela excelente análise do parceiro André Barcinski que, em seu blog, cometeu um dos melhores textos sobre cinema de 2014 com o maravilhoso título “Didi, Dedé, Mussum e Christopher Nolan”.
 
Está bem que Barcinski desce o reio no filme, mas a sua crítica é tão bem construída que é impossível não lembrar dela durante a rodagem da película, algo que farei o possível para evitar nas próximas vezes em que for ao cinema, pois isso interfere no meu próprio texto.
 
Além disso, o filme foi vendido como o projeto mais ambicioso da carreira do diretor. Sabendo de sua megalomania e de seu apreço por promover discussões filosóficas em seus trabalhos fiquei especialmente tentado a verificar o produto final.
 
Realizadas todas essas ponderações iniciais não há como negar: “Interestelar” é o pior filme deste ano.
 
Claro que não vou compará-lo com qualquer comédia brasileira com Leandro Hassum ou a nova incursão de Regina Casé no cinema com seu neo-clássico “Made in China”.
 
É obvio que falamos aqui de produções distintas. Uma mambembe e sem o mínimo esforço para ter qualidade e a outra favorecida pelos milhões e milhões de dólares injetados pela indústria cinematográfica americana.
 
Nolan tem à sua disposição todo e qualquer investimento possível para fabricar seu bem de consumo, fruto também da bilheteria que já conseguiu angariar ao longo da carreira, tanto que “Interestelar” é seu pior lançamento desde “Amnesia” com um retorno pouco menor do que 60 milhões de dólares, somente nos EUA.
 
Pois bem, espera-se que uma atividade rodeada de tanta grana também possua qualidade em seu roteiro, elenco, direção e estética. Nem falo a respeito dos efeitos sonoros e visuais, pois estes são perfeitos, mesmo que possamos argumentar são utilizados de maneira equivocada ali e aqui.
 
A qualidade estética também pode ser absolvida já que os filmes de Nolan (e este não foge ao esquema) têm esse adjetivo quase que no superlativo, situação que confere pontos também à direção, afinal de contas, o rapaz não é somente um louco grandiloquente e possui seus méritos artísticos.
 
Mas uma parte do elenco e o roteiro são pontos fracos demais para um filme tão grande.
 
A escolha de Anne Hathaway como a mocinha do filme confere tanto açúcar à história que você pode ter elevada sua taxa de glicemia ainda na metade do filme, mas ela é bem atrapalhada pelo seu papel, uma cientista que acredita mais no amor do que na razão. Não que não possa haver cientistas mais sensíveis pelo mundo afora, mas que os roteiristas carregaram nas cores amorosas com ela isso não há dúvida.
 
Além disso, temos um McConaughey meio inquieto com seu papel de piloto da NASA que vira fazendeiro e depois volta a pilotar para a agência americana. Aliás, o modo como tudo isso acontece é tão inverossímil que nem em desenhos da Disney a coisa é maniqueísta a este ponto.
 
Outra coisa que me incomoda na escolha do ator e que pode parecer algo estranho para quem ainda não assistiu ao filme é que quando ele está de capacete no espaço ele se torna indefectível e confunde um pouco o telespectador. Isso pode parece fútil, mas quando você assiste a um filme de ficção científica em que as coisas precisam se tornar claras em poucos segundos acaba por fazer a diferença para pior.
 
O roteiro, enfim, é confuso e preguiçoso, sem dar muitas explicações para algumas situações, mesmo no início da produção (como o motivo para as coisas estarem naquele estado apocalíptico na Terra ou o fato que levou a essa queda de produtividade agrícola) e extremamente didático em partes em que isso seria desnecessário (em diversos momentos de alta tensão e ação alguns personagens só faltam pegar uma lousa para explicar o que está acontecendo).
 
A história trata de uma viagem estelar em que a maior missão é encontrar um novo lar para os terráqueos. A subtrama foca a relação entre o personagem de McConaughey e sua filha vivida no primeiro momento pela Mackenzie Foy e depois por Jessica Chastain.
 
Por outro lado, o fato de termos atores consagrados e bons como Casey Afleck, Michael Caine e John Lithgow em papeis que não servem criteriosamente para nada confere tons cruéis ao longa.
E transformar esse proposito todo em três horas de filmagem é extremamente uma prova da megalomania de Nolan. O fim fica parecendo as despedidas intermináveis do último “Senhor dos Anéis” em que parecia que Peter Jackson não queria se desfazer de seu brinquedinho.
 
Por outro lado, um filme de ficção-científica, e ainda mais um filme do subgênero Viagem Espacial precisa ter um pouco de imaginação para se fazer possível, mas a verossimilhança e o abraço da realidade (ou da possibilidade dela) têm que acompanhar o roteiro para que não pareça um bicho sem pé nem cabeça.
 
E esse talvez seja o pior contido em “Interestelar”. Se no início você até admite que de uma sala de reunião abra-se uma porta com um foguete por trás dela as coisas vão ficando piores e altamente pedantes.
 
As explicações para alguns dos acontecimentos vêm acompanhadas de frases que parecem ter sido tiradas de algum livro de filosofia que Nolan irá lançar em breve e algumas conversas não fazem o menor sentido. E quando cita poetas ou filósofos de verdade a coisa parece acontecer forçadamente somente com o intuito de emprestar alguma seriedade para esse pastelão.
 
Em algum momento do filme fiquei imaginando Albert Einstein ou Stephen Hawking assistindo ao filme e ambos coçando a cabeça incrédulos com o besteirol.
 
A própria explicação final para os acontecimentos que levam ao desfecho se assemelham com qualquer piada muito mais bem construída pelo Monty Python. Eu realmente acreditei que algum momento tivessem trolado a fita.
 
Essa situação dos minutos finais soa tão absurda que tenho certeza que muitos telespectadores tenham torcido para que a cena seguinte, em que o protagonista acorda num hospital, revelasse que tudo não passou de um sonho. Ledo engano, pois Nolan é teimoso.
 
Não vou me alongar muito, pois poderia entregar alguns pontos cruciais da história e acredito que esta deva ser uma análise mais relevante (se é que alguém a considerará para tal) para quem já assistiu à obra do que para quem ainda não ficou com o bumbum quadrado de tanto se revirar na poltrona durante a sessão.
 
Por fim, só quero deixar minha indignação quanto ao final do filme, pois se este a história toda é envolvida pela relação pai-filha é de se indignar que a solução para a trama seja um encontro entre ambos em que a filha manda o pai ir atrás da mulher com quem ele realizou a viagem espacial.
O pior é que ele vai mesmo. Vai morrer de diabetes o infeliz!
Veja o trailer abaixo:

Games: Velocity 2X é sequência ok para a saga espacial

 
Quando chegou ao mercado mundial Velocity iniciou uma febre entre os gamers por ter uma jogabilidade simples e viciante.
 
Por conta dessa empolgação da galera indie com o título, este novo título da produtora Futurelab, acabou por ser bem antecipado.
 
Dessa forma, Velocity 2X traz novamente uma combinação muito boa entre a forma com que se joga com a alta velocidade. Esse processo flui muito bem e a adição de fases 2D ao jogo promove variedade ao que já era interessante.
 
O roteiro do game é este: a tenente Kai está perdida no espaço e acaba capturada por uma raça alienígena que escraviza outras espécies e se transforma numa líder de uma causa rebelde que tentará iniciar uma revolução.
 
A narrativa é entrecortada, isto é, as informações aparecem por meio de cenas cortadas ao longo do jogo, algo que pode até ser um empecilho para a compreensão da história em dados momentos, mas isso se torna irrelevante, pois a missão já está dada e a evolução de telas é bastante autoexplicativa.
 
E no final das contas a saga de Kai serve mesmo como desculpa para a maneira como ela é suplantada através de sua jogabilidade.
 
No que diz respeito ao design de cada fase não há o que reclamar. As coisas podem ser superficiais e bem lineares no começo, mas os caminhos da tela são rapidamente abertos, o que forma diferentes rotas sincronizadas por vezes com mini-estágios 2D dentro das fases espaciais e quebra-cabeças que pedem atenção, memória e precisão.
 
Acerca dessas fases realizadas no espaço há certa preguiça do desenho das imagens e da evolução das coisas já que se parecem muito com o game original, mas isso logo se dissipa com a colocação da câmera de cima para baixo, onde o jogador controla uma nave equipada de um potente acelerador e uma variedade de armas.
 
A viagem em teletransporte, por exemplo, é um componente que permite esquecer as falhas do design descrito anteriormente, pois permite à Kai levar sua nave de um ponto para o outro.
 
Sua realização requer foco total do jogador e a atenção com que deve ser promovida a viagem é dos momentos mais tensos do jogo.
 
Dessa forma, Velocity 2X até se torna fácil de aprender, mas a dificuldade reside em seu domínio com precisão.
 
Há também que se tomar cuidado com a mira do sistema quando se realiza a viagem de teletransporte longa, pois não é tão sincronizada e qualquer vacilo impede o jogador de acertar o alvo.
 
Por último, a sequência completada de todas as 50 fases do segundo título da saga espacial pode ser apenas um início de desafio consigo mesmo já que a luta pode prosseguir para completar as mesmas fases de maneira mais perfeccionista.
 
O game Velocity 2X está disponível para PlayStation 4 e PS Vita.

Análise de um artigo desprovido de conhecimento da verdade

pinoquio

Nos últimos dias foi publicado na versão da internet de Veja um artigo de nome “Professores, acordem” do economista Gustavo Ioschpe, que não se sabe o por que foi vendido para as pessoas como especialista em Educação, e que lança uma série de acusações aos profissionais da Educação deste país.

Veja aqui o artigo na integra: http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/professores-acordem

A coluna é interessante, pois julga ter encontrado os culpados pelas péssimas condições da Educação no Brasil: o professor.

Ele discorre sobre o tema tentando demonstrar que o professor não precisa de melhoria em seu salário e que ao pedir aumento de seus vencimentos, altamente desvalorizados nas últimas décadas, ele (o professor) acabou por se tornar um “coitadinho” para a população.

Abaixo, reproduzo um texto que fiz e enviei para a página de Veja na internet, mas que não foi publicado.

Além de não entender o fato de não ter tido meu comentário publicado também foi esquisito perceber que não há nenhuma outra postagem de leitores ao final da mesma coluna.

Mais complexo ainda é entender que em todos os outros artigos do autor há comentários, mas não há nenhuma explicação para isso.

Já falei com outros professores que igualmente se sentiram incomodados pelo artigo e que haviam feito considerações sobre a equivocada e desinformada opinião do economista e não há nenhuma informação no site a respeito do motivo de não serem publicados comentários dessas pessoas.

Portanto, a quem possa interessar, está aí minha opinião:

“Ora, Sr Ioschpe, atente apenas para uma questão: aqui em São Paulo, onde sou professor com orgulho e ministro minhas aulas com grande dificuldade, por conta da violência e da falta de estrutura física e pedagógica, estamos em greve por uma série de reivindicações que incluem diminuição do número de alunos por sala de aula, atendimento adequado aos alunos NE’s (você sabe o que é isso?), estruturação das escolas e cumprimento da lei de porcentagem da Educação dentro do orçamento, além da isonomia entre aposentados e ativos no que tange aos vencimentos e futuros aumentos conseguidos.

Também solicitamos melhoria salarial? Sim, com certeza. Até por que temos uma defasagem em relação a outras categorias que é impensável em qualquer país. Mas está longe de ser a única súplica de uma categoria que está sendo pisoteada por esse e outros governos anteriores há muito tempo.

Não somos “coitadinhos” como você faz pensar nessa coluna cheia de desrespeito e desconhecimento da atual situação sucateada da Educação brasileira, mas fazemos parte de uma profissão que não é valorizada por, justamente, pessoas como você sempre acharem que o problema é do trabalhador, que a culpa pela escola estar ruindo é do professor, que a saúde estar em frangalhos é por que os médicos e enfermeiros não sabem trabalhar e que dessa forma deixam incólume o governante que prossegue nos roubando com sua autorização já que fecham o olho para os verdadeiros problemas: a corrupção, o mau uso do dinheiro público e a fome por aparecer que fez do Brasil um país campeão em construir “Elefantes Brancos” sejam agora para a Copa, sejam para a Olimpíada que se avizinha, sejam em qualquer ato demagógico que possa aparecer por aí.

Apenas uma dica: procure visitar uma escola da periferia e esqueça apenas por uma semana suas colunas fantasiosas de uma Educação que só existe para os academicistas que sentam em suas cadeiras dentro de salas luxuosas de Universidades e não sabem como é de fato uma sala de aula de uma escola pública de verdade, com alunos de carne, osso e mente atordoada por uma condição de vida precária.”