Há vida inteligente no Youtube: cinco canais para acompanhar cultura nerd

 

Se há muita porcaria desenvolvida no Youtube para os jovens se deliciarem e perderem de vez o senso do ridículo, também é importante dizer que há muita coisa bem feita e com qualidade mínima para ser citado com louvor.

O movimento de falar sobre qualquer bobagem não é uma exclusividade do site e nem da internet, quiçá da vida real, portanto perceber que tal situação cresce vertiginosamente nesta página criada para mostrar vídeos não causa nenhuma surpresa.

Dessa forma, é necessário cravar sempre os exemplos de gente boa que andam por lá não só para angariar mais uma galera para assistirem aos seus interessantes programas, mas principalmente para fazer aqueles que insistem em chafurdar na lama do senso comum perceberem que podem ter bom humor com conteúdo (e vice-versa).

Eis abaixo, uma pequena lista com alguns casos em que há boas propostas para serem visualizadas por nós em canais bacanas e qualitativos no Youtube.


Mikannn

Com um canal que parece ter sido criado inicialmente apenas para falar sobre cultura pop japonesa já que a moça (o nome dela é Miriam) é fã declarada deste universo nerd, a coisa foi crescendo e hoje dedica grande tempo para a apresentação de temas como games, animes, séries variadas e, acima de tudo, a teorias acerca de Game of Thrones e os livros dos quais foi adaptada o programa de tv, as Crônicas de Gelo e Fogo de George R.R. Martin.

A grande marca do programa da garota é seu carisma espontâneo já que não precisa fazer caretas, piadas bobas ou qualquer artifício infantil para conseguir angariar mais gente para sua audiência. Além disso, tem uma fala muito boa, sabe se expressar muito bem e possui vocabulário vasto sobre as obras que fala.

Por último, consegue sintetizar o que diz com boas imagens sem que precise realizar pirotecnia desnecessária para tanto. Desse modo, já figura entre as favoritas do blog para quando há a possibilidade de discutir sobre as tais teorias malucas de Game of Thrones ou quando simplesmente quer ver algo conteúdo comprovado.


Carol Moreira

 A Carol Moreira trabalha para o site Omelete e uma vez por semana solta vídeos próprios em seu canal no Youtube.

Também é amiga de Miriam e de vez em quando fazem um combo para falar de Game of Thrones, o que acaba sendo um deleite para os fãs por conta do carisma das duas.

Se Carol não tem o conhecimento de nomes e palavras sobre os assuntos falados assim como a sua companheira de vídeos é pelo seu bom humor e maneira graciosa com que faz suas falas que cativa as pessoas.

É claro que a menina acaba por se destacar por conta disso, mas também possui conteúdo em tudo o que faz em seus programas, pois utiliza sua experiência no site de cultura pop para antecipar acontecimentos, citar referências e falar sobre estreias do cinema, literatura e séries de tv.

Sendo assim, se há um pouco de caretas demais em algumas de suas intervenções, tudo isso é compensado pela sua maneira bacana de ser e de desenvolver suas ações no site.


Jovem Nerd

Eu sei que as pirotecnias desnecessárias em vídeos chegam a causar certa repulsa no dono do blog, mas é que esses caras do Jovem Nerd compensam tal empolgação com bastante bom humor e espontaneidade.

Se não possuem o conhecimento técnico e literário das meninas citadas acima pelo menos não escondem isso ou tentam parecer cultos.

Eles são ogros utilizados da melhor maneira possível: fazem ogrice nerd.

Os vídeos são bem hilários, mas também tiram dúvidas dos fãs que gostam de visualizar sobre suas séries, HQs, filmes e referências prediletas e possuem boa produção.

Claro que o clima despojado e falastrão dos dois rapazes que apresentam a maioria dos programas ajuda a criar um clima de papo de bar e tudo termina de forma leve.

Portanto, vale a pena não por conta da informação que fornece, mas pelas entrelinhas desse conhecimento.


Nerd Rabugento

Aqui o que vale é se despir de preconceitos e também das vestes de fanboy para apreciar as contestações e críticas pesadas que o cara realiza de obras ditas sagradas.

O dono do canal é bastante culto e consegue sintetizar isso de maneira eficaz e digna para o seu público.

Não faz concessões a ninguém e a nada!

Dessa forma, os filmes inspirados em HQs, as próprias HQs, as séries e programas de tv em geral sofrem com sua veia analítica pesada e não tem medo de parecer demais para aquele xiita que não aceita que sua obra infalível receba qualquer defeito.

Muito bom, mesmo que você discorde de suas opiniões, pois estas são dadas sem medo e com bastante aprofundamento técnico.


Nerdologia

O que é interessante neste canal (que é ligado ao Jovem Nerd) é que sua busca é de se aprofundar na cultura nerd e ultrapassa os limites apenas da crítica ou da simples análises de programas e séries em geral.

A ideia dos donos do canal é fazer pesquisas e apresentações sobre realidade virtual, informática em geral, tecnologia das mais variadas, mas acaba por se meter em lançamentos de HQs, animes e filmes durante o ano todo.

Mas o que acaba por fixar mais visualizações dos programas do canal é que muitas referências desses suportes da cultura pop são analisados sob o ponto de vista científico, como por exemplo, a possibilidade de ser real ou não a prática de algo que acontece num filme ou a veracidade de acontecer algo que se passou numa série.

Sendo assim, fica para trás apenas a análise artística daquela forma de arte e entra a crítica sobre sua verossimilhança.

 


 

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Sim, é uma triste verdade. Bowie se foi!

 

“Music legend David Bowie dies at 69.”

Pensei que nunca leria tal notícia, até por que isso demonstra que nossos ídolos são feitos de carne e osso e nunca nos preparamos para tal situação.

Mas, oras, isso não importa já que ele já virou imortal, sua obra prova isso, seu carisma, sua importância para a música, entretenimento e cultura pop. É um clichê clássico, mas não posso deixar de escrever: “Bowie morre para entrar para a História!”

Todo mundo já falou a respeito, muita gente prestou suas homenagens e um caminhão de astros de Hollywood e da indústria musical fez reverência ao britânico que ficou conhecido como o camaleão do rock, mas é tão difícil falar sobre o seu próprio ídolo sem parecer piegas ou emocionalmente comprometido que prefiro não cair na tentação e deixarei abaixo apenas alguns vídeos que acho imprescindíveis para quem quer conhecer minimamente a carreira do artista que nos deixa.

Dessa forma, deixo para quem tem a vocação da pena para escrever palavras mais adequadas a Bowie e sua carreira e demonstro meu apreço por ele e a já pronta saudade por meio de sua música, enfim a coisa que o fez ser o que será para sempre, um artista único, aquele que não era deste mundo, com certeza.

Desde já sei que não há espaço suficiente para mostrar todas as canções importantes de nosso ídolo, mas é somente uma demonstração do quanto sua facilidade de se reinventar foi uma de suas marcas.

E demonstro isso através de suas músicas e vídeos logo aqui:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Saiu na NME: Henry Rollins fala de tudo um pouco

 

O grande Henry Rollins (líder das bandas State of Alert, Black Flag e Rollins Band) não está, de fato, retornando. Há muito tempo que o rapaz é figurinha carimbada na cena underground mundial.

O cantor, compositor, ator, DJ e ativista tem sido visto fazendo parte da cultura americana desde os anos 80 quando atuou como vocalista da primeira banda punk dele, ainda em Washington D.C., sua terra natal.

Já fez stand-up comedy, realizou atividades em prol da legalização do casamento gay, criou sua própria gravadora musical para lançar seus discos, teve papeis importantes em seriados como Sons of Anarchy, participou de bons programas da MTV e periodicamente aparecia em episódios do Jackass, além de já ter apresentado o Harmony in my Head, programa da Rádio Indie 103.

Pois, eis que a revista especializada em música NME realizou uma entrevista exclusiva com Rollins e nessa conversa (apresentada hoje no blog da publicação) guiada pelo jornalista Gary Ryan tem de tudo.

A primeira grande “desculpa” para a reportagem acontecer é a nova excursão que Henry fará ao redor da Grã-Bretanha com sua apresentação de “Spoken-Word” (atividade na qual há conversas dele com a plateia e se fala acerca de temas variados): “Eu estarei falando muito sobre a própria viagem, filmes e os trabalhos de TV que venho fazendo” – disse o multifacetado artista à revista.

A conversa se desvia para falar de “Gutterdämmerung”, filme no qual Henry Rollins participa ao lado de outros ícones do Rock como Iggy Pop, Grace Jones e Slash, mas a questão sobre terrorismo entra na pauta, pois Josh Homme e Jesse Hughes, líderes do Eagles of Death Metal, também estão no longa, o que leva ao cantor a falar dos atentados em Paris no mês passado: “Eu estava com esses caras (os integrantes da banda que excursiona sem a presença de Homme) na noite antes dos ataques de Paris em Londres.” 

Rollins diz na entrevista que naquele dia se despediu de Hughes e disse que da próxima vez queria estar também com o vocalista do Queens of the Stone Age. Quando pegou o avião e chegou na América alguém lhe passou o Smartphone e pediu que ele visse as notícias sobre o Bataclan.

Teaser do Filme “Gutterdämmerung”

O ícone punk fala sobre a cena indie atual, dá detalhes a respeito de suas visitas a lugares sob guerra civil, Síria inclusa, explica suas posições relacionadas às discussões climáticas, mas perde a linha mesmo é com Donald Trump, o empresário falastrão pré-candidato à presidência dos E.U.A.: “Ele é apenas um cara entediado rico que gosta de dizer coisas que deixa gente tonta excitada.”

Há muito mais coisa sendo abordada na reportagem da NME e é sempre importante ouvir (ou ler) a opinião de gente que não tem papas na língua, mas que também não fala qualquer absurdo aos quatro ventos. O cara sabe argumentar e tem propriedade e conhecimento de tais temas.

Para conseguir ler a integra da entrevista de Rollins acesse o link: http://www.nme.com/blogs/nme-blogs/henry-rollins-speaks-out-on-his-tour-terrorism-and-trump

 

HBO, Netflix e BBC: uma ilha de criatividade num mar de repetição

Quando você ligar sua tv hoje preste atenção numa coisa:

Muito da programação de séries, seriados ou filmes é baseado em adaptações, refilmagens ou franquias intermináveis.

O número de películas e programas semanais inspirados (ou pouco inspirados) em quadrinhos é alarmante e suas infinitas sequências deram lugar agora a um novo gênero dentro da cinematografia mundial: o reboot!

A nomenclatura esconde atrás de si a prática preguiçosa de se reiniciar a história que já fora contada anteriormente. É ou não é uma crise para a indústria de cinema atual?

O sem número de vezes que os roteiristas tem prosseguido com a mesma fórmula vazia das histórias produzidas hoje em dia revela que ou eles não estão tendo criatividade suficiente para falar sobre coisas diferentes das que estão por aí ou que a exigência do mercado e das produtoras tem se revelado poderosa demais para ser contrariada.

É óbvio que o público tem a sua parcela de culpa por encher cada vez mais as salas Imax e 3D mundo afora para assistir “Batman” e “Homem-Aranha” sem que haja algo novo para ser passado em suas sagas.

Até mesmo a empolgação em torno do novo “Star Wars” revela um desejo do fã de se repetir.

Mas no marasmo dessas produções entendiantes baseadas em muitos recursos tecnológicos (ressalto aqui que um filme pode ter muitos efeitos especiais para ajudar um roteiro bem contado) há três empresas que tem se notabilizado por tentar fazer coisa nova.

Não vou entrar no mérito da indústria filmográfica, pois essa é mais complexa de se explicar e analisar, mas ficarei apenas no segmento de tv e tv por assinatura, por consequência.

Pois é neste tipo de suporte de programação que as americanas HBO e Netflix e a britânica BBC têm se mostrado diferentes em relação à maioria da concorrência.

Há inúmeras exceções como os casos de Breaking Bad e Mad Men em outros canais, mas são exatamente isso: exceções!

O que ocorre com a HBO, por exemplo, é a necessidade de dar voz e imagem a quem tem coisas novas a contar (ou pelo menos pontos de vista diferenciados). São os casos dos documentários transmitidos atualmente pelo canal e das mini-séries.

“The Life and Deaths of Robert Durst” é tão bom e seria tão difícil de se encaixar em outro canal (seja aberto ou por assinatura) que acaba sendo um ponto fora da curva para quem gosta de histórias bem contadas (e esta é uma história bem real). Saber que houve comoção nos EUA por conta de seu desfecho pode depor a favor de uma audiência maior, mas tudo o que envolve a produção é muito bem acabado que a série em 6 capítulos te deixa instigado do início ao fim.

Outros exemplos como os de “O Caso do Policial Canibal”, “Finding Vivian Meier”, “The 50 Year Argument”, entre outros, demonstram o cuidado da emissora em ter em seu cardápio coisas boas para mostrar ao seu consumidor.

No caso do Netflix parece haver um misto interessante de fatores que convergem para a facilidade de trabalhar com conteúdo inédito e criativo: o fato de ser feito sob demanda, a possibilidade de ser assistido via internet e de ter em seu quadro de clientes gente preocupada em garimpar coisa menos comercial promove uma tendência de o canal procurar fazer exatamente isso.

Documentários como “What Happened, Miss Simone?”, “The Devil and Daniel Johnston”, “The Nightmare”, “India’s Daughter” e “Finers Keepers”, por exemplo, são produzidos ou pela Netflix ou em parceria com a empresa ou produzidos independentemente, mas só encontraram no canal sob demanda a possibilidade de serem mostrados.

Além disso, o Netflix tem investido em boas mini-séries como “Narcos”, séries elogiadas como “Better Call Saul” e “Bates Motel” e o seu primeiro longa acaba de sair com o nome “”Beasts of No Nation” com bastante mídia a favor.

No caso da BBC a situação já é conhecida há muito tempo.

A emissora pública sediada em Londres é conhecida desde os anos 60 pela sua programação de qualidade e da capacidade de lançar bons diretores e atores em filmes e seriados.

Por lá, desde sempre, há facilidade de divulgação deste tipo de trabalho mais autoral ou independente por que o público está acostumado e não tem preconceitos que façam evitar esse tipo de produção mais cult.

Dessa forma, clássicos do humor (Monthy Python), dos seriados (Dr Who), da música (Top of the Pops e Later with Jools Holland), dos esportes (Match of the Day) e do mundo infantil (Lazy Town) se misturam a produções novas como The Office, Sherlock, QI e Casualty.

 

 

Além disso, a atividade de produções documentais é das melhores do mundo. Desde a interessante “Show me what you are made of”, passando pelo lindo “Borboletas”, filmes informativos sobre a história da Inglaterra e dos países vizinhos, produções intrigantes como o recente “Por que nós sonhamos”, o perscrutador “Going Clear: Scientology and the Prison of Belief” e o premiado “Paralell Univereses, Alternative Timelines & Multiverse”, o telespectador da BBC nunca fica entediado.

Pensando assim, nos parece que a qualidade venceu os parâmetros do que pode ser transmitido para o consumidor destes canais. É claro que se houvesse baixa audiência tais programas já estariam perdidos no limbo ou as séries teriam sido canceladas ou nem mesmo terminadas em suas primeiras temporadas.

Mas, neste caso, a explicação parece simples (ou não?): quem assiste a essas programações e faz tê-las sucesso acaba saindo dos canais convencionais em busca de algo mais e quando percebe que as tvs mencionadas aqui procuram fazer algo além do óbvio não saem mais de lá e viram público cativo.

Que mais gente tenha coragem de inventar e produzir conteúdo inédito a partir de criatividade. O telespectador agradece!

Saiu o primeiro trailer de Suicide Squad

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Já não é novidade para ninguém que a DC está doida para desancar a supremacia da Marvel nos cinemas.

O que ocorreu anteriormente com a editora de X-Men e Os Vingadores deu impulso avassalador com o entrelaçamento entre todas as histórias de seus heróis.

Por conta disso, parece que a editora de Batman e Superman fará algo muito parecido com seus próximos lançamentos.

Nesse sentido, nada é mais ambicioso quanto a produção de um universo baseado na Liga da Justiça e para isso a estreia de Batman versus Superman ano que vem será o pontapé inicial.

Porém, assim como procedeu a Marvel com Guardiões da Galáxia sendo uma espécie de mundo paralelo à grande história dos Vingadores o mesmo deve ser dito de Esquadrão Suicida.

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O filme deve estrear em agosto de 2016 e servirá, ao que tudo indica, como peça cult aos olhos dos fãs.

Abaixo, veja o primeiro trailer do filme que trará à tela um mundo sinistro dos bad guys da DC, além da esperada aparição de Jared Leto como o temível Coringa.

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A-ha no Rock in Rio: Não, este não é um texto de 1991

 
A manchete estampada em alguns sites de cultura e entretenimento na tarde de ontem (04) parecia demonstrar o anúncio como um trunfo, uma carta na manga dos organizadores do Rock in Rio.
 
É isto mesmo que o caro leitor leu: no ano que vem uma das principais atrações do festival conhecido mundialmente que ocorre mais uma vez na cidade que lhe deu o nome (parece piada, mas o Rock in RIO já foi realizado em Portugal, Espanha e terá uma edição neste ano nos EUA) será o A-ha.
 
Em 1991, a banda norueguesa liderada pelo topetudo Morten Harket levou o seu show ao Maracanã lotado para bater o recorde de público do festival até os dias atuais. Havia na apresentação daquele dia 198 mil pessoas (em sua maioria meninas histéricas) gritando os nomes de Harket, Furuholmen e Waaktaar.
 
A questão não é a relevância do grupo nórdico naquele momento histórico da música mundial (ou nacional), mas o que eles representam para a indústria do entretenimento nos dias atuais. E a resposta é: ZERO!!!
 
Trata-se de um grupo que surfou numa moda que durou quatro, cinco anos e que se desintegrou como qualquer fruto da sazonalidade da indústria do entretenimento.
 
De uma hora para outra ninguém mais ouviu falar de A-ha e isso continuaria a acontecer se não houvesse algum gênio do marketing dentro da produção do evento que acontecerá nos dias 18, 19, 20, 24, 25, 26 e 27 de setembro de 2015, na Cidade do Rock, na Zona Oeste da cidade carioca.
 
O que incomoda é que a curadoria de qualquer projeto do porte de um Rock in Rio da vida deveria se preocupar também com a relevância musical do evento.
 
Sei que os patrocinadores são necessários e que ninguém deste meio conseguiria proporcionar uma atividade desta magnitude sem que haja um mínimo de publicidade em seu interior.
 
Mas o Rock in Rio exagera: você não consegue andar mais do que cinco metros sem que haja alguém querendo fazer um penteado novo no seu cabelo ou que outro ofereça balas que o deixam com hálito de pétalas de rosas ou que outro fulano demonstre as maravilhas de uma bebida energética que te leva para o espaço sideral com um apenas um gole.
 
Desta forma, a programação musical do festival, curiosamente, fica em segundo plano.
 
Assim como já acontece com o Lollapalooza daqui de São Paulo, que inicia a venda de seus ingressos sem que haja sequer a confirmação de algum dos artistas participantes, o Rock in Rio começou a comercialização de seus tickets tendo anunciado apenas Kate Perry como headliner de sua line-up total.
 
Como o resultado é satisfatório (os cerca de 100 mil Rock in Rio cards foram pulverizados em menos de um dia) a produção caga e anda para quem irá cantar no festival e para o público que espera por alguém realmente significativo em cima do palco.
 
Portanto, assim como já diz o camarada André Barcinski, “festival de música não é para quem gosta de música”.
 
Mas isso só evidencia outra coisa: há muita preguiça encrustada nas costas destes organizadores.
 
Ora, se tanto faz quem vem para cantar no festival, já que os ingressos seriam vendidos mesmo que depois fosse anunciada uma sessão de Heavy Metal da Peppa Pig, poderiam estes produtores se preocupar em chamar uns artistas de maior expressão musical, pois são estes músicos normalmente que custam menos, fazem menos exigências e poderiam dar um ar mais sério ao evento e um salto qualitativo para sua história.
 
Artistas do universo indie (Spoon, Wilco, Weezer, Dinossaur Jr., The National), músicos que estão iniciando (Warpaint, Haim, Poliça, Grimes, Chvrches) ou mesmo feras que nunca fazem apresentações por aqui (Nick Cave, Leonard Cohen, P.J. Harvey) teriam o maior prazer em vir para cá desde que tivessem à disposição estrutura adequada para seus shows.
 
Mas como a demanda não é crítica com relação ao produto que compra não há uma pressão maior por melhoria dessa situação.
 
O jeito é assistir coisas legais pela tv, internet, ou mesmo se aventurar pelos festivais gringos que possuem essa consciência de que a qualidade vem junto com a necessidade de ganhar rios de dinheiro.
 
Aliás, ninguém quer que não haja a comercialização do evento, o que não precisa é vender o nada já que a ideia seria fazer shows musicais, algo que está se perdendo nos festivais de “música” daqui do Brasil.

André Rieu: o espetáculo da vergonha alheia

 
 A última vez que o maestro, compositor, violinista e presepeiro holandês André Rieu veio ao Brasil faz pouco tempo: foi no último mês de outubro quando realizou uma série de shows superlotados no ginásio do Ibirapuera em São Paulo.
 
Zapeando pelos canais da tv paga na noite desta quinta-feira me deparei com o final de “Viva o Gordo”, saudoso programa de Jô Soares na TV Globo que o Canal Viva exibe periodicamente, e decidi assistir ao derradeiro esquete de humor, mas tão logo este acabou eis que se apresenta o intervalo comercial e a primeira peça publicitária é sobre uma atração do próprio canal.
 
Mamãe!!!
 
Fiquei estarrecido com a cena que se alongou por mais ou menos trinta segundos: milhares e milhares de pessoas cantando em uníssono músicas como “Ai, se eu te pego” de Michel Teló com suas notas precisas e clássicas saídas do violino de André Rieu. Tratava-se exatamente da apresentação que eu citei no primeiro parágrafo e que o Canal Viva exibirá em breve. Portanto, fazia propaganda de sua atração.
 
Com relação ao hit de Teló, cabe uma explicação: na última vez que o músico havia vindo ao país ele se apresentou no Domingão do Faustão e defendeu com unhas e dentes a canção nacional: “Não acredito nos conceitos de baixa e alta cultura” vociferou o músico, no que, em certa medida, faz até sentido.
 
Mas voltando ao comercial assistido o que incomoda é a mistura, o mix de gêneros tão antagônicos colocados no mesmo balaio como se fossem coisas iguais. Não são!
 
A música popular (ou pop, ou brega, ou seja lá o que for esse negócio do Michel Teló) tem seus méritos e a música clássica possui os seus. Mas ambas funcionam de maneira distinta. Não foram feitas para caminhar no mesmo ritmo.
 
Continuando com as cenas blasé você percebe mães, pais, filhos, netos e vovós se abraçando como se estivessem assistindo a uma apresentação de Bethoveen ou Mozart. E aí mora outro problema.
 
O que Rieu faz é uma picaretagem sem tamanho, pois o que vende ao público é a aproximação deste com a música clássica. Não é!
 
Quer ter contato com a música clássica de forma popular? Então vá à Sala São Paulo localizada no Centro Cultural Júlio Prestes na cidade paulistana.
 
Lá sim há uma programação de orquestras que realizam esta promoção do público ao se conectar com a música clássica. E tudo isso com uma vantagem imensa sobre André Rieu e seus blue caps: o preço. Muitas atrações na Sala São Paulo podem ser visualizadas através de preços módicos e, às vezes, até gratuitamente.
 
Enquanto o holandês paga de gatinho dizendo que populariza a música erudita para as grandes massas faz o inverso na realidade e só atende à gente diferenciada recém-aceita na Anália Franco ou Higienópolis, pois cobra os olhos da cara para uma apresentação como foi esta do Ibirapuera.
 
Nada contra o valor cobrado. Cada um sabe o quanto quer pelo seu show e o que acaba valendo é a lei da oferta e da procura como em qualquer outro caso no meio cultural, mas o que incomoda é o discurso. E isso pega na mídia ou no senso comum, pois todos ficam achando que o tal fulano é o paladino da justiça em favor da música clássica para todos e isso não é verdade.
 
Seu show não passa de um método cafona de tirar dinheiro de uma plateia que não conhece música clássica e que, por isso, é enganada na mão grande por uma produção medíocre tanto na execução das músicas quanto no estilo adotado em palco. Algo que a orquestra de Ray Conniff já fazia há muito tempo e de maneira muito mais honesta.
 
E dá-lhe gente sambando na plateia, pessoas maravilhadas com um solo de violino e aplaudindo o cara de pé e gritando como se fosse um bando de tietes da época dos Beatles (ou do Wando!!!).
 
O cabelo cheio de mulletts de Rieu também dá um toque diferente ao espetáculo e ele se trata como se fosse mesmo um pop star e acho que é mesmo. Mas se for para pensar assim é muito melhor gastar seu rico dinheiro, caro rei da balada, com Madonna ou Beyoncè já que estas entregam aquilo que prometem.
 
PS- As cenas do comercial foram tão chocantes para mim que nem consegui gravar na mente a data e o horário em que será exibido o especial do músico oriundo dos países baixos. Portanto, agradeça-me!!!