Dica nacional do dia: Já conhece Bazar Pamplona?

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De vez em quando há a necessidade de se realizar uma garimpada na rede mundial de computadores para achar coisas novas seja no mundo musical ou em qualquer área da cultura pop e do entretenimento e artes em geral, mas em dezembro acontece o fenômeno de minguar notícias a respeito de lançamentos e shows por aqui e isso aumenta a possibilidade de este mês se tornar um período de maior procura por essas joias escondidas.

Sendo assim, o blog decidiu se organizar melhor e colocou como meta procurar por um minério que normalmente faz falta por esses lados: artistas nacionais. E vou além, pois também é importante falarmos sobre locais que dão uma força para o rock nacional, festivais que suam muito para mostrar um pouco da arte musical brasileira e por produções e iniciativas que desenvolvem o underground tupiniquim de maneira gloriosa e quase penosa.

A boa do dia se chama Bazar Pamplona, banda que já existe desde 2004 e que, por um relapso horroroso do Blog foi ignorada até o dia de ontem.

O grupo paulistano utiliza a verborragia bem instrumentada e inúmeras figuras de linguagem compostas dentro de histórias e narrativas ora verossímeis ora surrealistas para divulgar um rock que passeia pela MPB sem ruborizar e promove um misto de impacto visual/sonoro com uma leveza e crueza que são difíceis hoje em dia.

Há momentos em que se emula a Blitz noque tange ao modo como conta as histórias, mas há bastante perspicácia nessa ação e muita originalidade para fabricar tais historietas enquanto o ambiente musical desenha bem tais cinestesias.

Uma banda que foi, voltou e já se embrenhou em outras matas artísticas como curtas-metragens e quase instalações visuais não é de se admirar que não tenham feito um sucesso mais comercial, mas também há de se entender que sua forma peculiar de tocar os corações dos ouvintes seja um empecilho para entrar no mainstream nacional.

Por essas e outras o Bazar Pamplona já merece este texto e pode funcionar bem em festivais Brasil afora com sua festa musical que chega fácil aos tímpanos e gera dança fácil.

A última empreitada da banda é o single “Capítulo Primeiro” que comporá o novo álbum “Banda Vende Tudo” que deve sair em 19 de Janeiro do ano que vem e que já tem outras duas faixas conhecidas do público, “Bom Mesmo é Ouvir um Riff dos Stones” e “Dias Gordos”. O trabalho novo foi concebido através de financiamento coletivo e já terá uma amostra ao vivo nesta sexta-feira na Casa do Mancha em Pinheiros.

 

 


 

 

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Confirmado: Lolla BR 2019 será o mais fraco da história

 

São alguns os pontos que corroboram com a opinião do Blog:

  • Primeiro – nunca antes na história do festival brasileiro o line up demorou tanto para sair;

 

  • Segundo – nunca antes na história do festival brasileiro o line up por dia foi tão rapidamente informado na mídia;

 

  • Terceiro – Houve precipitação (ou desespero mesmo) na escolha de alguns headliners. Cito aqui dois exemplos claríssimos: Tribalistas e Twenty One Pilots (será que tanto um quanto outro são capazes de puxar um dia todo para Interlagos?);

 

  • Quarto – A escolha de última hora de Kings of Leon só demonstra que a própria organização percebeu que havia risco de deixar do jeito que estava e ter um dia inteiro flopado de antemão (algo inédito na história da franquia de shows);

 

  • Quinto – A inclusão de última hora da Letrux também comprova que sabia-se logo de início que haveria grita pela quantidade baixa de bandas e artistas da cena indie brasileira ou estrangeira no line up todo em detrimento de alguns repetecos desnecessários.

 

  • Último – faltou iniciativa, criatividade ou pode ser já um sintoma da dificuldade que haverá por produtores brasileiros para trazer bandas e artistas internacionais para realizar shows nos próximos anos deste governo que acabou de ser eleito e que já demonstrou ser afeito a manifestações culturais, diversidade e respeito às diferenças em geral (algo muito promovido por este tipo de evento).

 

E você, concorda ou discorda dos argumentos apontados acima?

 


 

Pete Shelley, uma lenda do punk que se vai

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Morreu nesta quinta-feira Pete Shelley, líder fundador do Buzzcocks.

Com 63 anos, o que se especula é que o vocalista e guitarrista da banda inglesa de punk nascida nos áureos e efervescentes anos 70 tenha sofrido um ataque cardíaco em sua casa na Estônia.

Figura ícone da construção de uma cena punk naquele período em que a música era grandiosa e pulsante na Grã Bretanha, Shelley e sua banda foram essenciais, ao lado de The Clash e Sex Pistols, para impulsionar o sucesso junto ao público ávido por coisas novas a cada semana.

ao moldar uma forma de fazer rock mais firme, direta e simples do que as invencionices acrobáticas anteriores de Led Zeppelin, Deep Purple e até mesmo Black Sabbath, o Buzzcocks também se diferenciou dos colegas do punk, pois foi através de uma produção e trabalho totalmente independentes que eles começaram a se movimentar pelos porões de Manchester.

Tendo feito sua primeira apresentação como banda de abertura dos Sex Pistols na sua própria cidade natal, Shelley e os outros integrantes do Buzzcocks, Howard Traford (que depois trocou o sobrenome para Devoto, Steve Diggle, Garth Smith e John Maher, abriram uma nova tendência no rock, o underground era independente e adepto do Do It Yourself, expressão que só viria a ser de fato usada com ênfase na indústria mais de uma década depois.

Foi com clássicos como o EP “Spiral Scratch” (1977), todo bancado com as 500 libras emprestadas pelo pai de Pete (àquela época ele ainda usava o sobrenome McNeishe) à banda e a tríade de álbuns iniciada com “Another Music in a Different Kitchen” (1978), continuada com “Love Bites” (1978) e fechada com “A Different Kind of Tension” (1979), que o Buzzcocks ficaram gravados na história do Punk como uma de suas melhores consequências.

Eles ainda tiveram um retorno com “Trade Test Transmissions” (1993) e a partir daí fizeram coisas novas ou se lançaram em turnês de forma periódica até recentemente.

O último show de Pete Shelley com o Buzzcocks foi em agosto passado na cidade de Belfast, na Irlanda do Norte. No que diz respeito ao Brasil a ligação da banda e de seu guitarrista é bem sólida com algumas apresentações insanas e energéticas por esses lados, sendo a última em 2010 na extinta Clash Club em São Paulo.

Não há informações ainda sobre o enterro do ícone punk, mas a comoção já toma conta de publicações especializadas e artistas ligados ao mundo independente ou que fizeram parte daquele período de ouro do final dos anos 70 da Inglaterra já se manifestam com suas condolências e lembranças de um tempo que não volta mais.

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Descubra Billie Eilish e se apaixone rapidamente por sua música

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A menina tem apenas 16 anos e já aproveitou bastante o espaço proporcionado pela rede mundial de computadores para mostrar muito de sua música.

 

Seu nome completo é Billie Eilish Pirate Baird O’Connell e vem de uma família ligada às artes e à musicalidade da cidade de Los Angeles, Califórnia. Seu irmão Finneas é seu parceiro de composição e produtor principal de seu trabalho.

 

A passagem pela Los Angeles Children’s Chorus desde os oito anos ajudou para situar e mostrar à guria que sua facilidade de usar a voz podia ser muito bem trabalhada se colocada da maneira correta no formato e na intensidade de sua performance, mas foi a partir dos 11 anos de idade que a menina começou a escrever suas próprias composições fazendo com que a brincadeira ganhasse tons mais sérios.

 

Em 2015 o irmão subiu através do Soundcloud uma canção cantada pela moça e o áudio viralizou. Era o single “sHE’S brOKen” (assim mesmo propositalmente estilizado) que demonstrava ao público teen que a pequena Billie tinha futuro.

 

Daí pra frente, já lançou inúmeros singles, como “Six Feet Under” (2016), “Ocean Eyes” (2017), “Bellyache” (2017) e “Bored” (também parte da trilha da série 13 Reasons Why? – 2017), além das participações junto de Vince Staples em “&burn” (2017) e Khalid em “Lovely” (2018).

 

Em 2017 ela lançou um EP, com nove faixas que já haviam povoado o Youtube e o Soundcloud nos anos dois anos anteriores, intitulado “don’t smile at me” e no ano de 2018 já são quatro vezes (cinco, se for considerado o single com participação de Khalid) que saem singles com canções inéditas dela: “Bitches Broken Hearts”, “You Should See Me in Crown”, ‘When The Party’s Over” e “Come Out And Play”.

 

Desde muito tempo já se tem a promessa do lançamento de um álbum cheio dessa garota prodígio, mas pelo andar da carruagem ou isso ainda não foi possível por conta do número de canções disponíveis para tanto ou mudou-se a estratégia pela verificação do sucesso via web da garota que tem contrato com a Interescope Records, gigante do setor fonográfico, já há algum tempo.

 

O som característico da cantora viaja entre o indie eletrônico simples e direto ou deslancha para o pop mais próximo de musas como Taylor Swift, Ariana Grande e Kate Perry. Nesse ponto é quase inevitável não lembrar de Lorde e sua precocidade com o mainstream, mas é bom aguardarmos mais um pouco para que uma comparação dessas não seja mais uma maldição do que uma benção.

 

Sua vocalização varia a profundidade e a singeleza que por vezes demonstra um pouco da fragilidade da juventude que ainda há de dar mais potência ao seu vocal. Porém, o magnetismo de sua presença, sua facilidade para se portar em frente às câmeras e o poder que conseguiu cultivar pelas redes sociais, Youtube e outras plataformas digitais faz com que Billie Eilish tenha uma capacidade de subir no ranking de importância no mundo musical tanto quanto as outras meninas já citadas aí acima.

 

E, assim sendo, tudo leva a crer que ela vai longe sim. Enquanto isso, escutar e vê-la cantando será um propósito facilmente alcançável por mais e mais pessoas mundo afora. Mas sejamos prudentes e vamos aos poucos curtindo o seu momento. Isso é o mais importante para não colocarmos o carro na frente dos bois. A boa música agradece!

 

 


 

 

 

 

Miley Cyrus está de volta (aquela nossa favorita)

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A boa e velha (nem tão velha assim) Miley Cyrus está de volta. Depois de se enveredar pelo pop certinho do disco “Younger Now” do ano passado ela ganha uma força de Mark Ronson, produtor famoso por explodir as carreiras de Amy Winehouse e Adele, por exemplo, para retornar com “Nothing Breaks Like The Heart” que volta aos temas mais fortes e com um ritmo mais dançante e energético

O country americano tipicamente americano também está lá, mas ele vem revestido de batidas mais modernosas que se aproximam mais da pista de dança atual e a voz nascida no Tenessee ajuda a moldar essa sonoridade para que o público se apaixone fácil pelo single.

O nome dele, aliás, pode remeter a inúmeros propósitos estilísticos. O coração pode ser o amor, mas pode surgir como outras figuras de linguagem.

Estamos falando de uma música (e de um vídeo clipe) que fala sobre conceitos que não são desconhecidos por nós brasileiros do ano de 2018. Lá estão as discussões sobre intolerância religiosa, a luta pela igualdade de gênero, o ar belicista com o qual alguns setores da sociedade lidam com o debate de ideias e o coração tem tudo a ver com isso, ou a sua quebra.

No vídeo de perseguição policial há crianças brincando com projeteis, gente na rua protestando, a figura da polícia como agente do estado sempre pronto para agir contra a ordem pública (ou a manifestação por direitos) e uma Miley Cyrus que passeia por tudo isso dizendo como sente por essa repressão e como está do lado certo.

A música é boa, a ambientação criada por Ronson facilita que o single se torne hit rapidamente e que a volta da menina às pistas não seja difícil, mas também estamos diante de um forte grito contra a repressão e como seu público alvo é o jovem (ou até mesmo o infantil) já ganhou a adesão do blog para partilhar a canção para quem quer que seja.

Apesar de “Nothing Breaks Like The Heart” poder parecer mesmo em algum lançamento de Ronson em 2019, é de se esperar que venha mais dessa nova velha Miley quando ela lançar seu próximo disco ainda no próximo semestre. Aguardemos!

 

 


 

A voz de Elena Tonra ressoa leve em nossos ouvidos (dessa vez em carreira solo)

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A banda inglesa Daughter já possui dois ótimos discos, If You Leave (2013) e Not To Disappear (2016), além de ser colaboradora da maioria das canções da trilha sonora de Before the Storm, Music From Before the Storm (2017). Seus shows têm promovido boas dosagens de energia e intimismo. Seus instrumentistas são talentosos e criativos.

Mas…

Uma coisa é certa entre aqueles que analisam a obra do grupo nascido em  2010 e até hoje em atividade: sua vocalista é a melhor coisa da banda!

Elena Tonra tem uma suavidade em sua voz e uma maneira simples e aparentemente fácil de transmitir isso tanto no palco quanto em estúdio. A forma com que transita entre uma quase conversa com o ouvinte e um espasmo de tensão numa casa sonora acima é perceptível apenas aos mais calculistas e observadores, mas mesmo aquele menos atento consegue verificar pura sensibilidade em suas ações.

E talvez seja pensando mesmo nessa evolução que pode alcançar a cada voo realizado é que a menina vem pela mesma gravadora de seu projeto fixo, a sempre astuta 4AD, lançar um disco solo nos estertores de 2018.

O nome da obra (e aparentemente do projeto) é Ex:Re e vem recheada de 10 canções que não menosprezam a experiência conseguida com a sonoridade do Daughter, mas que pretende (e consegue) trilhar outros caminhos mais complexos e distantes do shoegaze do grupo.

Acompanhada do produtor Fabian Prynn que buscou outra ritmização para sua voz já limpa e da violoncelista Josephine Stephenson que perpassa todos as músicas como se estivesse ali só de olho, quase como um vouyer, a britânica brinca (ou não) com o fim dos dos relacionamentos e mostra maturidade para trocar ideia sobre o assunto. Foge um pouco do esteriótipo triste do pós-desenlace e foca a vida sozinha (e nem sempre solitária).

A também quase onipresença de toques quase silenciosos do piano e de uma base eletrônica que vai e vem entre as lacunas deixadas pelos outros instrumentos trazem uma vida diversa para a musicalidade de Elena Tonra que ora a distancia do trabalho com o Daughter ora parece ser uma probabilidade para o preenchimento de novas atividades da banda.

São destaques do álbum que sai hoje, inclusive nas plataformas de streaming, Where the Time Went, Romance, Too Sad, Liar e a profunda My Heart, mas é possível pensar o trabalho de maneira bem uniforme e, sendo assim, os sons quase se completam.

Dessa forma, há por vezes, a sensação de que músicas como Crushing, The Dazzler e a própria Liar são continuações de suas predecessoras.

Ex:Re é uma atividade musical de muita sensibilidade sonora com um tremendo estudo sobre o jeito certo de utilizar a voz quase como se fosse um instrumento e uma delícia de se ouvir do início ao fim sem interrupção.

Sendo assim, Elena tem grande futuro dentro de um universo vocal que possui representantes forte e competentes como Sharon Van Etten, Mitski, Angel Olsen e Julia Holter.

 


 

Ex:Re

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1 – Where the Time Went

2 – Crushing

3 – New York

4 – Romance

5 – The Dazzler

6 – Too Sad

7 – Liar

8 – I Can’t Keep You

9 – 5AM

10 – My Heart