Resultado Final do IV Concurso de Contos de Terror do Riva

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1º lugar: Do You Like… Faires? – Luanna Cotting 7º Ano D (66 votos + 4 curtidas = total de 70 votos)

2º lugar: Mansão Amonther – José Vinícios Lopes 9º Ano D (43 votos + 9 curtidas = total de 52 votos)

3º lugar: Quer Mesmo Travessuras? – Gabriel Vasconcelos 9º Ano A (33 votos + 5 curtidas = total de 38 votos)

4º lugar: As Últimas Palavras – Marcos Vinícius Cabral 9º Ano C (31 votos + 4 curtidas = total de 35 votos)

5º lugar: Gravidez Psicológica – Tabata Cristini 7º Ano D (20 votos + 7 curtidas= total de 27 votos)

6º lugar: O Criador de Bonecas – Giovanna Orçati 9º Ano D (16 votos + 5 curtidas = total de 21 votos)

7º lugar: A Escola Assustadora – Iury Henrique 7º Ano B (15 votos + 5 curtidas = total de 20 votos)

O prêmio especial para melhor conto escolhido pelos professores vai para “O Criador de Bonecas” de Giovanna Orçati.

A premiação acontecerá nos próximos dias e traremos algumas das imagens aqui no blog.

Ano que vem tem mais. Até lá!

Mansão Amonther

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– Alô, a mansão Amonther está pegando fogo.

– Enviaremos viaturas e bombeiros, existem feridos, Senhora?

Capitulo 1.

10 – 09 – 2016

7h

Essa historia é de Luci que aos 10 anos perdeu o pai em um acidente, desde então ela mora com a tia. Eu irei cuidar de relatar a história dela, sua tia Lara insiste dizer que sua sobrinha tem problemas.

– Olá, me chamo Meredth, sou eu a psicóloga que irá cuidar de você, Luci.

Luci – Quem te chamou aqui?

 – Foi sua tia, ela está muito preocupada com você.

Luci – É claro!

Elas moram em uma linda casa de costas para um lago, a cidade não fica tão distante daqui. No momento Luci ainda não esta confortável comigo, mais darei um tempo a ela.

Meredth – Lara, você pode me dizer como tudo começou?

– Bom, desde quando seu pai morreu ela mora comigo, nunca me deu problemas até alguns meses atrás. Ela começou a cortar seu próprio cabelo e se cortar também.

Ao final de nossa conversa Luci apareceu em frente à sala e sua aparência estava mudada, como se não fosse ela. Percebi também que Lara ficou muito assustada ou até com medo.

12 – 09 – 2016

16h

Estou aqui há dois dias e não vi nada que comprove que esta garota tenha problemas mentais, pelo contrário, eu acho que ela está muito bem e é apenas mais uma de muitas meninas “adolescentes”.

Nessa manhã tive outra conversa com Lara.

Meredth – Lara pode me dizer algo mais sobre o comportamento de Luci?

– Faz um mês ela chegou em casa e era cerca de 4 horas da manhã, ela estava suja de sangue e não me disse o que era…

– E você soube?

– Ela tinha deixado um rastro até o lago, bom eu segui… E quando cheguei lá…

Lara encheu seus olhos de lágrimas e não quis terminar de falar, mas eu já posso imaginar. Aqui é perto da floresta, Luci mexeu em algum animal morto e acabou suja de sangue.

São 18h

Eu não sei o que houve, mas acho que foi grave. As luzes estão todas apagadas e ouvi gritos assim que cheguei.

Meredth – Lara, você está ai?

Tentei acender a luzes mais não funcionam.

Meredth – O que aconteceu, Lara?

– É ela de novo, quando você saiu Luci chegou e estava toda suja de barro. Eu perguntei o que tinha acontecido, mas ela me empurrou e se trancou no quarto.

Pelo o que entendi Lara quis ajudar sua sobrinha, mas Luci recusou.

Meredth – Luci, eu e sua tia estamos preocupadas com você, então, por favor, abra a porta para que possamos conversar.

São 19h34

Conseguimos entrar no quarto de Luci, mas ela não está mais aqui. Agora estou começando a acreditar que essa garota realmente precisa de ajuda.

– Lara você pode pegar minha bolsa, por favor… Lara?

Agora são exatamente 8h30

Não sei o que aconteceu e nem que dia é hoje, só me lembro de chegar em casa e estar tudo escuro. Lembro-me de discutir com Luci.

Lara – Meredth, você tem que ir embora, não dá mais para você ficar aqui.

– Foi algo que fiz?

– Não, só sinto muito.

– Mas eu ainda não acabei com Luci e nem com você!

– Como assim comigo, Meredth? O que você quer insinuar?

– Nada, Lara, mas…

– Você precisa ir!

22h

 

Aluguei um quarto de hotel na cidade e acho que a história de Luci vai acabar aqui, não obtive respostas. Infelizmente eu não consegui ajuda-las.

O diagnostico de Luci é:

Luci Amonther Hale – 20 anos

00/00/00

Depressão.

Bipolar V.

Esquizofrenia.

Eu acabei de encontrar um diagnóstico muito peculiar, o nome é:

Lara Amonther Claire – 24 anos

07/09/1984

Violência.

Bipolar V.

Esquizofrenia.

Eles são exatamente iguais.

4h

 

Estou a caminho da Mansão Amonther, Lara terá que me contar quem realmente ela é.

– Quanto a senhora quer colocar?

Meredth – 35, por favor.

Acabo de parar em um posto de gasolina e conveniência, já estou dirigindo a quase 1 hora. Todo o documento que encontrei sobre Lara prova que ela tem muitos problemas e não sua sobrinha.

Meredth – Uma água, por favor.

– Aqui está.

– Obrigada.

– Feliz 7 de Setembro..

– Como assim?

– Não entendi.

– Já passamos do 7 de setembro, eu cheguei aqui dia 10.

– Aqui está o jornal, senhora. É hoje que irão inaugurar a Mansão Amonther.

– Inaugurar?

– Sim, a família criou a casa de reabilitação em memória de Lara Amonther.

– Não, isso não é possível. Mas ainda estamos em 2016?

– 2016? Não, senhora, 7 de setembro de 1984.

– Tá, muito obrigada.

– Claro, senhora Meredth.

– Espera, não te disse o meu nome…

– Adivinhei…

– Desgraçada!!! Desgraçada!!

 

Capitulo 2

– Ei Meredth, está bem?

– Onde estou?

Lara – Você não lembra o que aconteceu ontem, Meredth?

– O quê?

Lara – Você chegou aqui gritando procurando Luci e nós estávamos dormindo, foi realmente aborrecedor.

– Eu não me lembro disso.

Lara – Tudo bem, mas você precisa ir.

– Não posso, é como no sonho.

Lara – Como assim?

– Eu ainda não acabei aqui, com licença.

Não sei o que está acontecendo aqui, o sonho parecia real. Talvez eu tenha perdido meu tempo, mas não vou parar até encontrar respostas.

13 – 09 – 2016

São 14h

Acabo de chegar à prefeitura, encontrei alguns arquivos sobre a mansão Amonther, agora não é mais uma história real e sim sobrenatural.

Em 1980, Lara Amonther cometeu suicídio levando junto com ela 124 pessoas. Relatos dizem que Lara matou seu cachorro e jogou no lago, voltou para casa onde acontecia uma festa, subiu ao seu quarto e pessoas dizem ter ouvido Lara gritar com alguém antes de atear fogo na casa.

Quatro anos depois a família Amonther reconstruiu a mansão e fez dela um hospício, inaugurado em 07/09/1984. Ao longo do tempo houve muitas mortes como Emilia Martiz, Joana Algust, Luiz Embor, Mauro Eister e Victoria Wister, todos queimados. A cena do crime foi recriada e a hora da morte nunca souberam, pois os corpos eram jogados no fundo do lago e encontrados quase sempre se decompondo.

Em 1992 o hospício foi fechado e a mansão foi colocada à venda, mas com a história ninguém queria comprar, até que em 1995 foi leiloada e comprada por uma historiadora nunca revelada. A mansão virou um museu de terror. Mas em 05/09/1996 o museu pegou fogo matando a historiadora e mais 8 pessoas.

Novamente fechada, queimada e abandonada a mansão foi esquecida por muitos anos, mas em 2011 foi comprada pela professora Margo Eister, quer reformou e fez dela um hospital. Mas por um motivo desconhecido em 2013 foi fechado.

14 – 09 – 2016

10h

Estou a caminho da casa de Margo Eister, acredito que tenha respostas que eu não consegui encontrar. Todas as datas de incêndio da mansão são próximas do dia 7, tem que ter ligação e acho que a resposta é Lara Amonther e Luci Hale.

14h

– Meu nome é Meredth e estou investigando a mansão Amonther, sua mansão senhora Eister.

Margo – É claro.

– Tudo bem, o que a senhora sabe sobre Lara Amonther?

Margo – Eu não sei de muita coisa, ela colocou fogo na mansão e matou sua irmã e todos naquela festa. Quer chá?

– Não, obrigado. A senhora disse irmã?

Margo – Luci Amonther.

– Sabia que estava deixando passar algo, Luci Amonther Hale.

Margo – Se é só isso, eu estou cansada.

– Só mais uma pergunta, por favor.

– Sim…

– O que aconteceu com as 5 vitimas queimadas?

Margo – Eu não sei.

– Margo, o que aconteceu com Emilia Martiz, Vicotira Wisto, Mauro Eister…

Margo – Eu não sei, vá embora Sr. Meredth.

– Espera. Mauro Eister morreu em 1989 e um ano depois você, Margo Eister, nasceu, você é filha dele.

Margo – Por que você veio aqui?

– Eu preciso de respostas.

Margo – Pra que? Lara morreu há muito tempo.

– Nós sabemos que tem algo de muito errado com aquela mansão e Lara.

Margo – Isso é loucura.

– Só me ajude, por favor.

São 18h

 

Agora sei como realmente aconteceu e quem é Lara Amonther e vou acabar com isso de uma vez, eu nunca estive tão preparada em toda minha vida.

Capitulo 3

 

Meredth – Por que você faz isso Lara?

– Isso o quê?

Meredth – Desgraçada, sabe quantas pessoas morreram por sua culpa?

– Por que você me culpa? Eu te chamei aqui na minha casa para ajuda a Luci, ela tem muitos problemas.

Meredth – Desde o começo não era a Luci, era você! Você a culpava pelas coisas que você fez.

– Não é verdade.

Meredth – Você tem que ir, Lara, você tem que ir como Luci foi.

– Essa vadia conseguiu de novo, não é?

Meredth – Você já matou muita gente, pessoas inocentes.

– Por que você tá fazendo isso, Meredth?

– Não sou eu, Lara… é você, desde o começo!!

– Você não sabe o que ela fez comigo. Todos os garotos cobiçavam a ela, e eu?

– Isso não importa mais!!!

– Não importa? Você é como ela, não é? Ou até pior.

– Você realmente é doente.

– Luci sempre mandava e desmandava em mim, eu era o cachorrinho dela. Sempre fui.

– Então você a mata?

– Quem? Eu? Bobinha, não sabe de toda a história, não é?

– Você foi até o quarto de Luci na noite da festa, discutiu com ela e depois colocou fogo na casa.

– Vadia, monstruosa… Quando eu cheguei ao quarto Luci estava com meu marido..

– Antoni Amonther..

Lara – Eu o joguei pela janela e então Luci me acusou de o ter matado, nós discutimos. Luci trancou a porta e jogou gasolina em mim, me lembro como se fosse hoje. Eu queimava e ela ria. O meu cheiro era insuportável, mas eu me enrolei no cortina e o fogo se alastrou e Luci não consegui sair do quarto.

– Eu não fazia ideia…

Lara – Ninguém nunca faz.

– Olha, me perdoa eu nunca quis falar aquelas palavras horríveis, mas você precisa ir.

Lara – Eu sinto muito, Meredth, mas não posso e nem você.

– Porquê?

Lara – A história nunca foi revelada e nunca será.

– Não… Não…

Lara – Pra quem você tá ligando? Você não pode, a Luci vai brigar comigo. Desliga!!!

– Não!

– Desliga, Meredth.

Meredth – Alô… Me devolve, Lara.

Lara – Alô, a mansão Amonther está pegando fogo…

Meredth – Para, Lara… me deixa sair…

– Enviaremos viaturas e bombeiros, existem feridos, senhora?

– Depende…

Capitulo 4

15 – 09 – 2016

20h

Lara e Luci eram irmãs.

Lara tinha problemas mentais e isso desencadeou o ciúme de Luci e a tentativa de matar a irmão foi sua solução. Uma discussão levou Lara a colocar fogo na mansão matando muitas pessoas, inclusive Luci. Mas Antoni Amonther sobreviveu e criou o hospício Amonther.

Em 1985, Antoni escreveu uma carta e depois se matou no salão principal da mansão. A carta dizia que ele via Lara e Luci muitas vezes. Em 1986, Mauro Eister ocupou o lugar de Antoni. Mas em 1989 morreu queimado e foi encontrado no fundo do lago.

Emilia Martiz ocupou o lugar de Mauro em 1990 e morreu 2 anos depois, depois dela colocar fogo nela mesma, também deixou uma carta que não foi escrita por ela e a carta levava uma ameaça. E com tantas mortes as autoridades fecharam o hospício em 1992.

A mansão ainda foi vendida mais 2 vezes para a historiadora Alice Eister Monder (1995) que morreu queimada em 1996, e logo depois para Margo Eister (2011) que morreu afogada no lado de trás da mansão em 2016.

Essa será a história contada por todos, mas a verdadeira história ninguém sabe a não ser quem a viveu.

Ah claro… quase me esqueci!

Meredth (2016) morreu pelos escombros da mansão logo depois dela pegar fogo. As autoridades ainda não sabem como a psicóloga foi parar lá e nem como a casa pegou fogo depois de tanto tempo abandonada.

Mais a mansão foi reconstruida em 07/09/2017 deixando de ser Mansão Amonther para se chamar Hotel Meredth Amonther.

José Vinícius Lopes – 9º Ano D

Gravidez Psicológica

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A gravidez psicológica é um transtorno emocional que, geralmente, atinge mulheres que desejam muito ter um bebê e não conseguem. Moças que possuem este problema psicológico podem ter as mesmas características de uma gestante normal, como: crescimento da barriga, enjoo e ausência da menstruação.

Alguns historiadores afirmam que, na Idade Média, quando uma mulher era identificada com este tipo de gestação imaginária, ela era queimada na fogueira porque, segundo uma tradicional crença, ela teria tido relações com o demônio.

Este equívoco teria origem na lenda abaixo:

Na Idade Antiga, Taís morava numa aldeia onde uma mulher casada para ser bem aceita na sociedade deveria ter filhos. Este era um dos motivos que levava esta moça, recém-casada, a desejar ser mãe.

Mas, o tempo passava e a jovem não conseguia engravidar. Até que ela resolveu consultar Genoveva, a bruxa da região. Ao chegar à casa da velha feiticeira, a idosa disse-lhe:

– Eu sei que você deseja uma simpatia para engravidar. Então faça o seguinte: pegue o feto de um bebê morto e enterre debaixo da semente de uma flor, numa noite de Lua Cheia.

A moça ficou desapontada, pois logo indagou:

– Onde acharei um feto de criança falecida?

Alguns dias depois, sua prima deu à luz a um neném morto. Deste jeito, Taís tratou de roubar este material e fez o feitiço.

No mesmo dia, ela sonhou que um homem muito bonito lhe possuía. Assim, a partir daquela noite, Taís passou a ter sintomas como: enjoos, aumento da barriga, desejos alimentares e parada na menstruação. Logo, ela pensou que estava grávida. Mas, a velha parteira da vila disse que não existia gravidez de verdade e que a gestação era apenas emocional.

A jovem, inconformada, contratou um médico famoso na região, que também comentou que a gravidez não era real.

Nove meses se passaram e não nasceu criança alguma. Porém no dia em que completou o décimo mês, Taís escutou um choro de recém-nascido na porta de sua casa e notou que havia um bebê numa cestinha depositado lá. Porém, ao mesmo tempo, ela percebeu que sua barriga de grávida tinha sumido.

Deste jeito, a moça e seu marido adotaram o neném. Porém, na rua, as outras pessoas não viam criança alguma e chegaram a afirmar que o casal havia enlouquecido.

Um mês depois, o bebê faleceu e foi enterrado pelo casal no quintal de casa. Naquela noite, Taís viu o mesmo homem com que havia sonhado dez meses atrás, desenterrando o bebê. Este mesmo rapaz exclamou:

– Agora, vim buscar meu filho!

Após estas palavras o chapéu do homem caiu fazendo com que chifres ficassem à mostra.

Depois deste fato, Taís enlouqueceu.

Tabata Cristini 7º Ano D

Quer Mesmo Travessuras?

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Esta é uma história que vem de muito tempo atrás.

No Halloween de 1878, numa cidade distante e inominável, todo mundo aproveitava a festa, menos a família de um velho ranzinza que morava no vilarejo.

Mesmo assim, as pessoas achavam que ele não ia se importaria de entrar na brincadeira de pelo menos entregar alguns doces às crianças da região já que ele também tinha dois filhos com sua esposa. De qualquer forma, o homem era tão chato que ninguém tinha coragem de ser o primeiro a pedir.

De uma hora para outra, um grupo misteriosos de três crianças bateu à sua porta e fizeram-lhe a seguinte pergunta:

– Gostosuras ou Travessuras?

Então o velho, num tom de agressividade, respondeu:

– Travessuras, seus moleques repugnantes!

Virou-se e bateu a porta na cara das três crianças que olharam umas para as outras e saíram rapidamente.

Algumas pessoas presenciaram o fato, mas ninguém se surpreendeu já que a fama do velho não era das melhores. Porém, o que não se imaginava era o que aconteceria no futuro próximo.

Pois bem, no dia seguinte ao ocorrido o velho saiu em seu quintal e se deparou com o seu querido anima de estimação, um cachorro amável, morto com um pirulito colocado bem ao seu lado.

Não se passaram mais do que 24 horas para que nova morte acontecesse em sua casa. Dessa vez, quem apareceu morta foi sua esposa na própria cama onde eles dormiam e bem perto dela havia um pacote de balas.

Ah, a desgraça não acabou por aí não. Um dia depois dessa tragédia familiar houve outra tão grande ou pior: seus dois filhos foram encontrados mortos em seus quartos com uma cabeça de abóbora colocada no lugar das suas e doces espalhados ao seu redor e um bilhete no qual estava escrito:

– O senhor escolheu travessuras!

Ao ler aquilo o velho entrou em desespero, simplesmente enlouqueceu e foi internado numa clínica psiquiátrica. Muito pouco se sabe a respeito dele posteriormente a isso, mas muitas são as histórias acerca do seu fim.

Uns dizem que ele ainda permanece imóvel olhando para o nada na mesma clínica, outros falam que ele sumiu, mas rolou um boato de que ele se enforcou com um lençol de seu quarto e teria deixado um bilhetes com os seguintes dizeres:

– Há três crianças que toda noite aparecem na porta do meu quarto perguntando se eu tinha mudado de ideia. Com tal perturbação cometi este ato.

Gabriel Vasconcelos 9º Ano A

Do You Like… Faires?

 

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– Olá! Como vai? Bem?

– Ótimo!!

– Eu só queria fazer uma pergunta, posso?

– Claro.

– É uma pergunta muito simples, okay? Você acredita em fadas?

– Não.

– Que coisa lastimável. Você acabou de matar a sininho, seu monstro, mas porque eu perguntei isso? Oh claro! Por que eu conheço um fada!

– O quê?

– Você acha que eu estou brincando? Okay!! Vou lhe contar a história de como conheci essa fada, e depois eu lhe apresento a ela, combinado?

– Okay.

– Então… tudo começou em um inverno em 2016…

Lucy, uma jovem desempregada, rezava todas as noites antes de dormir, mas ela não rezava para Jesus Cristo, muito menos a seu pai (Deus), e nem adianta pensar em Maria, ela tinha a sua deusa, uma deusa que sua mente criou para acalmar a garota de seus medos.

Sua deusa se chamava Bianca, ela seria a pureza e a paz da garota em uma existência só, ela tinha a forma de uma pequena fada, que tinha cabelos escuros e que eram maiores que seu corpo inteiro, ela tinha os olhos verdes com roupas longas e desajeitadas, a deusa sempre sorria para Lucy, toda vez que a Lucy rezava para ela, se encontravam e tinham uma longa conversa, ela contava os pecados e perdia perdão, e a fada sempre perdoava.

– Minha querida, não se preocupe com o que eu penso, Já que a vida é sua, se você realmente é boa, mesmo que eu não lhe ensine nada, você fará o bem.          A fada sempre dizia isso segundos antes da reza acabar, Lucy dormia como um bebê.

De algumas noites pra cá, ela tem acordado à noite, assustada e tremendo, como se tivesse tido um pesadelo bem pesado, mas nunca era o caso, ela pensava que graças à sua deusa, ela nunca teve pesadelos, ou foi incomodada com o mal durante sua vida.

Mas ela estava enganada, ela dormia com o mal, ela conversava com o mal, ela ERA PARTE DO MAL, sua pequena fada, criada pela sua mente, que dizia ser pura e perfeita, a que perdoava tudo que a garota pecava, estava finalmente se revelando, Lucy estava sonhando quase todas as noites com a fada, mas não a doce fada, a sua deusa e sim a verdadeira fada, a com quem falava para ela pecar contra tudo, para ela desistir da pureza e se juntar a ela no mal, e que lá era tudo mais fácil, sem regras, sem perdão e sem pecados, já que apenas agiam como queriam, a garota sempre recuava e usava as palavras de sua deusa como escudo, mas esse escudo, a cada pesadelo ficava mais fraco, já que suas próprias palavras falsas não atingiam a fada.

Lucy, depois de meses conseguiu um emprego, como recepcionista de um aeroporto. Era o emprego perfeito para Lucy que estava sempre sorrindo e animada, e tratava todas as pessoas do melhor jeito possível.

Uma vez uma senhora, que aparentava tem 80 anos por ai e que tremia e suava, estava cheia de olheiras e a falou com a voz tremula.

– Por favor, me ajude! – Ela olhou para trás e cochichou alguma coisa, mas logo voltou a ter o foco na Lucy – ELA ME ACHOU, ELA VAI NOS PEGAR, E… você? Por que acredita nela? – A velhinha disse virando indignada o rosto.

Lucy ficou sem reação, mas a velhinha logo correu para fora do aeroporto, Lucy ficou o resto do dia pensando naquela cena, levou inúmeras broncas por estar meio desatenta, voltou para casa atordoada e estava tão pensativa que foi dormir sem rezar para sua deusa – e eu te juro – que essa foi a pior noite de sua vida.

Ela acordou milhares de vezes durante a noite, depois de uma última tentativa de ir dormir ela decide ficar acordada, ela deixa os olhos abertos e fica encarando o teto, que tinha varias formas, ela olhou, olhou para outro canto da parede e viu uma pequena sombra de fada.

Foi aí que se assustou e se sentou olhando desesperada por todos os lados, pegou seu celular e ligou a sua lanterna que era fraca, mas iluminava o suficiente para enxergar o quarto, ela passou pelo quarto a lanterna, e perto de sua cômoda ela notou que um vulto bem pequeno passou por trás de uma das gavetas, ela se encolheu e mirou a lanterna no teto, ela viu um grande buraco por um momento, ela se assustou, mas logo a imagem do buraco desapareceu e o teto estava normal novamente.

Ficou assim mais ou menos 30 minutos olhando com a lanterna, até que ela mira no teto novamente, mas dessa vez ela não vê um buraco, ela vê a sua deusa, a Bianca… ela estava sorrindo como sempre.

– Minha garota. – A pequena voava para mais perto de Lucy – Você por acaso, me esqueceu? – Sua expressão calma e serena mudava aos poucos para uma de ódio.

– Claro que não, minha musa, eu apenas me estava com a cabeça cheia – Ela tentou se explicar ficando com medo da cara da fada.

-OI? CABEÇA CHEIA? – Ela disse ficando centímetros do rosto de Lucy, que agora tremia – VOCÊ POR ACASO JÁ FOI UMA DEUSA? Ou são apenas problemas de autoestima novamente? O seu “crush” te deu o fora? PARE DE ACHAR QUE ISSO É UMA COISA QUE VOCÊ DEVERIA SE PREOCUPAR – Ela gritava, e seu rosto, meigo e delicado foi mudando para um frio, e tenso, cheio de olheiras e sardas, uma boca seca, e olhos sem cor, seu cabelo aos poucos ficava cinza.

– Agora vou te dar um castigo por esquecer sua deusa – ela foi para trás se afastando do rosto da garota – eu vou te dar Preocupações – Ela riu sadicamente.

– Bianca, por favor, eu lhe suplico, não me mate… – A garota fecha os olhos e tenta gritar o mais alto que conseguia.

– Te matar? Nunca, vou apenas te punir um pouco, mas se você morrer no caminho, a culpa é sua por ser Fraca – ela riu, e logo depois várias fadas surgiram e cercaram a garota.

– POR FAVOR – ela suplicou uma última vez.

Todas as fadas sorriram sadicamente e se juntaram, elas brilharam, e ficaram o mais próximas que conseguiam, sua luz estava esquentando, até ficar quente o suficiente para a pele derreter um pouco, a garota chorou e gritou, até ficar rouca, as fadas pararam e foram sumindo com a luz, e Bianca, a fada por quem Lucy confiou sua vida, apontou para seu corpo que estava acabado, e meio derretido, Lucy ainda chorava e gritava um pouco, Bianca deu um comando, mas as fadas não pareceram entender, então ela foi até perto do corpo da garota e enfiou a mão, e usou toda sua força para esmagar seu fígado.

Lucy estava sem expressão, não demonstrava nada, seus olhos estavam sem brilho, e seu rosto estava molhado por causa das inúmeras lágrimas que caíram, sua garganta estava inchada de tanto que gritou, seu corpo estava impossível de mexer, ela mal conseguia respirar e não tinha forças e nem capacidade de se mexer.

Assim que Bianca terminou de espremer seu fígado, ela retirou sua mão e Lucy deu seu último grito, o último grito que aguentava dar, suplicou a… ninguém, pois não tinha a quem suplicar, afinal sua deusa se virou contra ela, sua deusa estava matando-a.

Ela suspirou e fechou os olhos esperando as outras fadas fazerem o mesmo que Bianca, ela estranhou a demora e abriu os olhos novamente, e a primeira coisa que ela viu foi Bianca Sorrindo.

Lucy ficou surpresa e usou suas derradeiras forças para retribuir o sorriso, e no mesmo segundo, sentiu as pequenas mãos perfurarem a sua frágil pele…

Ela não gritou, ela não chorou, ela continuou com o sorriso, e fechou os olhos, já não tinha forças para sentir nada e simplesmente morreu por ordem de sua Deusa.

No momento do final desta história a pessoa a quem eu contava ficou perplexa com uma expressão de choque e de medo e isso se arrastou por vários minutos.

ENTÃO EU LHE PERGUNTO:

 

VOCÊ QUER CONHECER MINHA AMIGA BIANCA?

Luanna Cotting – 7º Ano D

O Criador de Bonecas

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Não tenho muitas lembranças do meu passado. O rosto dos meus verdadeiros pais estava desfocado na minha mente. Eu tinha apenas alguns flashes da minha infância, nomes sem rostos e escuridão total.

Aos nove anos de idade algo aconteceu comigo. O trauma foi tão grande que me fez querer esquecer a maior parte da minha vida, felizmente ou não, eu esqueci. Minha única lembrança vívida, porém, muito nebulosa está relacionada a quem devia ser meu melhor amigo antes do trauma. Era uma imagem dele ainda borrada na minha mente, de fundo uma risada junto com a melodia de uma caixinha de música. Se eu forçar bem, ainda podia ver seus olhos castanhos e cabelos mogno-escuro. Lembrei-me de seu sorriso amigável, mas nada mais. O resto desapareceu na escuridão.

Sem ninguém saber do meu passado, eu fui levado a um orfanato. Impressionantemente fui adotado. Madalena e Steven me trouxeram de volta a sensação e calor de ter uma família, era um sentimento que eu também havia esquecido.

Minha amnésia me levou a testes e exames psicológicos, semana após semana, mês após mês e ano após ano. Até que lentamente começaram a acreditar que era um caso irreversível. Por um lado, eu queria saber o que aconteceu comigo, mas por outro, uma estranha sensação de angústia me fazia acreditar que era melhor eu não querer saber o que aconteceu.

Obviamente isso trouxe consequências para mim. Era uma sensação de ser perseguido por algo.

Especialistas disseram que nasci com um material genético no DNA que está relacionado a uma memória especial que foi continuamente estimulada. Não se sabe a causa nem o que realmente aconteceu e apesar dos meus esforços eu mão conseguia me concentrar no que foi armazenado e esquecido nessa memória.

Eu me sentia como se estivesse sendo vigiado constantemente, mas não por pessoas, me sentia vigiado pelos brinquedos no meu quarto. Era estupido, eu sei, no início eles eram apenas brinquedos, mas uma vez e outra, grandes olhos redondos olhavam para mim. Desde que eu era pequeno eu sempre pensei que os brinquedos de pelúcia do meu quarto estivessem vivos e muitas vezes eu tentava provar. Eu olhava por um instante para fora do meu quarto entre a porta, depois voltava meus olhos para onde estava minha atenção e quando meus olhos passavam por um relance eu tinha a impressão de ver os olhos piscarem.

Se brinquedos eram uma das minhas poucas lembranças que me fazia sorrir, as coisas mudaram. Uma vez e outra, brinquedos olhavam para mim, quase parecia que estavam testando minha sanidade e eu não aguentava mais. A ideia de estar ficando louco preenchia minha cabeça. Às vezes, parecia que eles se moviam, virando seus rostos para mim e outras vezes faziam barulhos no meu quarto. Não podia ser verdade, era impossível. Porque esses pensamentos me assombram?

Porque eu odeio tanto brinquedos? Então, porque não me livrar deles? Eles poderiam ser doados a outras crianças ou simplesmente poderia joga-los fora.

Um dia eu tentei, eu realmente tentei, mas quando tomei um deles nos braços, fui preso a um forte sentimento de ansiedade obscura.

Eu sempre acabava trazendo-os de volta para seus lugares na estante, na minha cama ou nas prateleiras, então eu comecei a tomar tranquilizantes.

Havia apenas um brinquedo que eu levava comigo à noite, apesar da minha idade, eu não conseguia me separar dele. Eu sentia um calor familiar que devia ter começado antes da minha amnésia.

Eu o encontrei em meu armário no orfanato e desde então nos tornamos inseparáveis. Era o Sr. Coelho, ele tem orelhas flexíveis, de um lado era vermelho e do outro, cor de caramelo. Ele usava um colete preto com duas mangas longas que se arrastava até os pés e tinha elegantes pontos em cada borda do tecido. Seu pequeno olho esquerdo foi costurado com um tampão feito a partir de um botão preto de camisa. Era divertido, mas parecia ser o único brinquedo inofensivo.  Devido à paranoia com os outros brinquedos, eu voltei a dormir junto com o Sr. Coelho. Eu acreditava que ele poderia me proteger.

Naquela noite eu o deixei escapar dos meus braços para debaixo da coberta, escapei do meu sono instantaneamente e minhas antigas paredes rangeram.

Eu estava parado no escuro, incapaz de me mover ou entender como fui parar lá, rodeado apenas por um agudo silêncio. Algo viscoso agarrou meu pulso e apertou com tanta força que a dor percorreu por todo meu corpo.

Um conjunto de unhas pontudas como agulhas lentamente começou a penetrar minha carne. Eu o via cortando minha pele e me fazendo sangrar. Eu gritava e chorava, mas a risada cobria o som dos meus apelos desesperados.

– ELA PERTENCE A MIM – Uma voz sussurrou. Dentro desse abismo de escuridão, dois olhos verdes brilhantes apareceram diante de mim a apenas alguns centímetros do meu rosto.

– VOCÊ É APENAS UM EMPECILHO PARA MIM! HAHAHAHA – Aquilo começou a gargalhar da minha dor enquanto eu era perfurado por unhas que mais pareciam agulhas ou facas.

Ele me furou e mexia com ferramentas enferrujadas dentro de minha carne, ele dizia que estava ali para me consertar. Notei uma porta aberta, era a única coisa que podia fazer distinguir na escuridão. Meus olhos estavam embaçados pela dor, mas pude notar algumas pessoas que, na verdade, pareciam muito menores. Eu vi que eles não eram pessoas reais.

Eram brinquedos de pessoas e bonecos!

Nesse momento eu senti uma forte sensação de náusea tomando conta de mim apenas por olhar para eles. Algo neles fez meu estômago se revirar, eu sentia como se aqueles bonecos já tivessem sido pessoas reais.

– ELA PERTENCE A MIM.

Com isso eu acordei, meus olhos estavam bem abertos e meus batimentos cardíacos estavam tão acelerados que eu podia senti-los batendo na minha garganta. Com dificuldade para respirar eu me sentei na cama e esfreguei os olhos e notei que estava suando. Deixei meu coelho cair no chão de cabeça para baixo, me abaixei para pega-lo e colocá-lo de volta na cama. Minha respiração voltava ao normal, mas a imagem daquelas unhas pontudas, todo aquele sangue e aqueles brinquedos assustadores foram incluídos na minha mente.

Eu nunca tive um pesadelo daquele antes. As sensações foram terrivelmente reais. Eu ainda podia sentir aquelas garras fazendo buracos na minha carne, mas eu estava tranquilo por estar acordado. A porta rangeu e minha mãe entrou pelo quarto, assim que ela viu meu rosto exausto seu sorriso desapareceu.

-Querido? Você está bem?

– Sim mãe, foi só um pesadelo. Agora estou bem.

-Ok, Giovana veio te visitar e está te esperando na sala.

Com isso eu saí da cama, eu estava acabado e eu não queria que minha melhor amiga me visse assim. No espaço de alguns minutos eu saí do meu quarto pronto. Na minha pressa eu estava sem fôlego.

-Finalmente! – Disse Giovana sorrindo.

Eu conheci Giovana na escola e desde então nos tornamos inseparáveis. Ela era uma pessoa muito generosa e bem-vinda na família. Meus pais apreciavam suas boas maneiras, mas o que eu amava nela era uma atitude em particular, ela nunca me perguntou nada sobre meu passado. Eu tive a oportunidade de falar da minha amnésia com confiança.

O dia estava agradável e ensolarado, portanto, ficamos debaixo de uma árvore no jardim. Conversávamos lá enquanto a árvore nos servia de abrigo contra o sol. Eu levei alguns lápis de cor e folhas para passarmos o tempo. Giovana logo cansou de desenhar e foi colher algumas margaridas para coloca-las em suas tranças loiras enquanto resmungava algo sobre Luisa, uma menina que se achava o centro das atenções. Enquanto ela falava eu ficava desenhando sem tirar os olhos do papel.

– Quem é esse? Ela me perguntou ao ver meu desenho. Era como se eu estivesse em um estado de transe naquele momento, eu falhei minhas pálpebras contra o papel e me senti bastante confuso ao ver repetidas vezes o mesmo desenho.

– Eu não sei…

Eu não tinha ideia de quem ele era. A imagem mais nítida mostrava a imagem de um homem vestindo um colete preto com um casaco extravagante e volumoso nos ombros. Tinha um sorriso bonito e feliz e dois olhos amarelos que estavam um pouco cobertos por sua franja. Ele usava roupas escuras e na mão segurava uma caixa azul, semelhante a uma caixinha de música.

– Acho que devo ter visto em algum desenho.

– Ah, entendi. Vou comprar um sorvete – Disse Giovana, mudando logo de assunto nossa conversa, aparentemente não muito interessada.

Naquela mesma noite tive outro pesadelo e esse era pior que o último. Sonhei com a figura escura novamente, que me torturava brutalmente e repetia a mesma frase outra e outra vez.

– ELA PERTENCE A MIM.

Acordei às duas da manhã com minha respiração ofegante. Eu me virei no sentido contra a parede, coloquei as mãos no meu rosto e respirei fundo.

– Foi só um sonho, foi só um sonho – Eu sussurrei. Então eu olhei para o Sr. Coelho ao meu lado. Ele estava olhando diretamente para mim com os olhos negros e raivosos, eu me assustei e o joguei no chão. Desde que comecei a dormir com essa coisa, meus sonhos se tornaram pesadelos. Virei-me para descansar as pernas e em seguida senti algo tocar meus pés.

Ergui os olhos e notei um brinquedo sobre minha cama. Um brinquedo que eu nunca tinha visto antes na vida. No começo eu estava congelado no meu lugar, tudo que podia fazer era olhar para ela. Não entendi como ela foi aparecer lá. Minha mente começou a pensar sobre meus verdadeiros pais terem deixado esse brinquedo de presente. Talvez eu não gostasse tanto assim desses brinquedos, para dizer a verdade a presença deles me incomodava.

E não… eu não errei, era ela mesmo!

Era uma boneca peculiar de cera, em uma de suas pernas havia uma corrente presa a uma bola pequena, mas pesada, como se fosse para evitar que a boneca fugisse. Ela tinha um cocar de margaridas em seus cabelos, usava um vestido branco de renda bordado com fita amarrada em torno da cintura. Seus braços eram longos e tinham dedos longos de forma que não era normal para uma boneca. O que mais me chamou a atenção era uma rosa que ela tinha no meio da boca como se ela tivesse sido silenciada.

Olhei mais de perto examinando sob o luar, eu toquei seu rosto e percebi que havia algo de errado, me ajoelhei e tentei olhar ainda mais de perto, então eu ouvi algo. Uma espécie de som fraco… parecia como um… apito… eu senti uma pulsação, vinha do brinquedo!

Eu gritei e me levantei aterrorizado a derrubando no chão, eu tremia violentamente e fui ao canto da parede gritando por meus pais. Então, de repente, tudo se tornou surreal.

A parede ao lado tinha o quadro que começou a tremer, a parede ganhou relevo como se houvesse bolhas entre a tinta e o cimento. Gradualmente as fissuras apareceram e aumentaram em número. O quadro na parede caiu no chão revelando uma porta atrás dela. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo, essas coisas só acontecem em livros ou em nossa imaginação, mas para minha surpresa eu sentia que algo estava vindo daquela porta. Então via as mesmas mãos negras e pontiagudas que eu presenciava em meus pesadelos.

– Você não gostou da visita de Giovana? – Disse a criatura na porta – Eu não gostei disso, sabe? Ela chorou muito.

Giovana? Como assim? Olhei em volta, confuso, procurando a presença da minha amiga que obviamente não estava lá. No final, meus olhos observavam a boneca. Aquele cabelo loiro me parecia estranhamente familiar. Prendi a respiração, um pesadelo, isso só poderia ser outro pesadelo. Peguei a boneca do chão e levei até perto do meu rosto com minhas mãos trêmulas. Eu coloquei meu ouvido perto de seu peito e ouvi um som junto com o apito.

Eram batimentos cardíacos!

-Giovana? Giovana! – Eu gritei desesperadamente. Tinha que ser um pesadelo. Algo assim não poderia estar acontecendo.

Percebi que meus pais estavam próximos ao meu quarto, eles deviam ter me ouvido gritar, mas a coisa estava bloqueando a entrada. Meus pais começaram a bater fortemente na tentativa de invadir o quarto, eu estava em pânico sem saber o que fazer. Não era como nos sonhos, o monstro era real como nos pesadelos de tortura. Meu coração estava batendo tão forte que eu comecei a sentir a dor e a suar frio e o tremor em minhas mãos estava difícil de controlar.

O monstro continuava na porta imóvel. Na penumbra pude ver seu sorriso maligno como se estivesse esperando alguma reação minha. Tentei libertar a boneca da corrente de cera que parecia pesar toneladas para seu tamanho. Forcei, forcei e forcei enquanto o apito que vinha da boneca se tornaram mais intensos até que eu senti algo molhado sob minhas unhas.

Olhei para minhas mãos e estavam cobertas de sangue. A corrente parecia fazer parte dela e os pequenos cortes que fiz na corrente não estavam ajudando em nada. A boneca que supostamente era Giovana estava sofrendo, seus apitos eram mais horrendos, mas sua expressão permanecia impassível a de uma boneca. Eu tremia em horror. Eu tinha que me conter e de repente a criatura pegou em meu braço.

– Nathan, você a está machucando! – Exclamou o ser dos olhos esverdeados – O Sr. Coelho também não gostou de ser derrubado, mas eu te perdoo. Você se juntará a eles se continuar com essa malcriação;

  ­ Que diabos é vocês? – Eu tremia como um louco tentando me libertar enquanto meus pais tentavam arrombar a porta. A expressão dessa criatura estava cheio de admiração pela minha pergunta.

– Eu sou Jason, o criador de bonecas – Ele exclamou – Seu fiel amigo e único em quem realmente pode confiar!

Ouvir seu nome fez algo mover em minhas memórias, como um choque elétrico que percorreu todo meu corpo. Meu pai conseguiu quebrar a porta e acendeu a luz. Quando finalmente vi seu rosto minha mente explodiu, fazendo relembrar de todo meu passado, de todas memórias que estavam enterradas na mente.

Lembrei-me do dia que o encontrei pela primeira vez. Bonecas floresciam de suas mãos, lembrei-me daquele sorriso agudo e sádico. Naquele dia eu o deixei muito irritado, ele esperava que eu desse mais atenção à sua arrogância, ele acreditava que merecia tudo de mim. Então ele se cansou e mostrou quem realmente era.

Ele se revelou e aniquilou todas as pessoas importantes em minha vida. Ele sequestrou meus amigos para transforma-los em seus bonecos, no início eu o admirava por poder fazer tal coisa, eu era estúpido por pensar assim. Foi inútil eu correr pela casa por que a porta azul reapareceu no meio da sala.

Ele abateu meus verdadeiros pais e teve sua vingança, levando-os para longe de mim e quase me pegou também, mas consegui escapar de suas garras e corri o tanto quanto pude para longe dele, mas o cheiro de sangue e carne decomposta persistia no ar.

– Foi você! – Eu estava possuído pela raiva e comecei a golpeá-lo com minha mão que estava livre dele. – Você que os matou! Você! Eu continuei batendo nele, mas Jason continuava a sorrir, parecia que eu estava fazendo cócegas nele. Ele não tinha remorso algum por ter arruinado minha vida. Ele é um animal possessivo escondido atrás de um rosto bonito. Ele foi capaz de me dar tudo e depois arruinar minha vida. Ele era um ser maligno.

– É claro que fui eu, minha esplêndida criatura! O Sr. Coelho foi um presente que eu criei pra você sempre se lembrar de mim. – Ele sorriu para si mesmo. – Eu já fiz muitos, muitos brinquedos pra você com pessoas vivas, mal posso esperar para te apresentar à sua futura dona, Mareanda, mas você pode chama-la de Mandy, se preferir.

De repente, algo acertou a cabeça dele, mas quebrou em pedaços. Meu pai tinha um porrete de madeira, ele acertou o golpe na cabeça do monstro, mas a madeira foi quebrada. O sorriso de Jason se tornou uma careta de ódio e ele pressionou com mais força em meu pulso. Ele se virou e quando viu o rosto de Jason ele abriu os olhos arregalados e minha mãe cobriu a boca para abafar seus gritos. Meu pai não perdeu tempo em me libertar novamente. A vara quebrada no meio atingiu o rosto do criador de brinquedos, na mesma hora puxei meu braço e consegui me libertar.

Corri junto com meus pais para fora do quarto. Rapidamente corremos para a entrada, meu pai abriu a porta, mas em vez de termos a visão da frente do nosso jardim, havia um workshop do Jason.

– Nathan, eu vou lhe dar uma última chance! – Jason disse em uma voz baixa descendo pelas escadas – Eu vou pintar as paredes dessa casa com o sangue de todas as pessoas que você ama HAHAHAHA!

– Para a cozinha, rápido! Nós corremos para a cozinha, ouvindo o riso do monstro que nos seguia.

Agora eu tinha uma assombrosa certeza que não era mais um pesadelo. O terror se apoderou de mim e o sangue de Deise em meus dedos era mais real do que qualquer coisa que já senti.

Eu me virei:

– Cadê o papai?

Minha mãe pegou uma faca e ficou mais perto de mim me segurando pelos braços.

– Steven! – Ela gritou com uma voz trêmula, mas suspiramos de alivio quando o vimos vindo da cozinha.

– Depressa, antes que ele… – Assim como eu, ela olhou para o rosto pálido do meu pai. Ele caminhava lentamente com um olhar fixo no espaço e com os olhos arregalados.

De repente, ele caiu no chão e atrás dele apareceu Jason com um sorriso congelado. O criador de bonecas olhou para mim com os olhos selvagens.

– Acho que a bateria do papai acabou… deixe-me dar uma recarregada HAHAHA! – Jason revelou uma chave mecânica gigante pregada na parte de trás do meu pai, estava manchada de sangue. Ele deu corda no meu pai como se fosse seu boneco, na medida em que ele girava a chave meu pai gritava.

Na segunda girada eu comecei a gritar também, cobrindo meus ouvidos para bloquear o som dos ossos quebrando, mas eu não conseguia tirar meus olhos do corpo dele se contorcendo como uma cobra agonizado em dor.

– Vai embora! Deixe meu filho em paz! – Minha mãe me abraçou com força contra o peito e apesar do terror e as lágrimas, seu rosto parecia como uma leoa que protege seu filhote.

– Cala a boca, vadia! Não é com você que eu quero falar! – Resmungou o criador de bonecas, furioso ele apontou sua garra branca – Vem comigo meu velho amigo. Nós vamos nos divertir juntos novamente, vamos voltar com a alegria e risos de antigamente.

– Não! Você é um psicopata! Eu não quero me tornar um monstro como você e tenho certeza que ninguém mais nesse mundo quer ser amigo de um monstro. Quero que você suma da minha vida! Quero ter minha vida de volta!

Ao som de minha recusa o rosto de Jason escureceu e seus olhos brilharam em fúria. Ele entrou em delírio, se contorcia e balançava a cabeça em negação.

– Eu não entendo – Ele resmungou baixinho – Você não entende, né? – Agora ele gritou cerrando os dentes, o rosto dele era ainda mais assustador agora – Eu fui o único que estava ao seu lado enquanto seus pais preferiam trabalhar. Eu fui seu fiel amigo quando ninguém mais era – ele chegou mais perto de mim – Eu te dei toda minha atenção e criei um monte de brinquedos do jeito que você queria, então você não me quis mais e me machucou! – Seus gritos eram tão altos que ecoavam pelas paredes enquanto meu corpo estremecia de terror a cada palavra. – Eu me livrei das pessoas que te machucaram, não lembra? Você me pediu isso, eu acreditei que você queria ser meu amigo para sempre, mas você preferiu se esquecer de mim.

Então o rosto relaxado de antes sumiu por completo e deu lugar a um rosto de louco sádico.

– Depois de tudo que eu fiz por você, não há desculpas, há algo extremamente errado com você. Você é uma criança extremamente má. Mas não se preocupe, eu vou corrigir isso. EU VOU TE CONSERTAR POR COMPLETO!

-Q-que? – Minha voz tremia.

-Você ouviu, ingrato! Eu vou te consertar porque você não está bem – ele riu – Você vai se tornar meu mais lindo brinquedo.

Minha mãe estava paralisada por Jason, mas de repente acordou do transe e apontou a faca para ele.

– Não se atreva a tocar um dedo no meu filho, senão eu juro que vou mata-lo.

Jason olhou para minha mãe com um olhar desafiador e lentamente se aproximou. Eu sabia que Jason não gostava de ser desafiado. A faca tremia na mão da minha mãe enquanto Jason lançava um olhar inexpressivo. Ela me empurrou para trás dela e pulou em cima dele, minha mãe esfaqueou seu coração e os olhos do monstro se arregalaram, ele se contorcia de dor, gritando e agitando as sobrancelhas freneticamente, minha mãe sorriu triunfantemente.

– Brincadeirinha!

Foi quando o sorriso de Jason ressurgiu, ele abriu os braços indiferentemente, sem se incomodar com a faca cravada em seu peito. Minha mãe ficou imóvel por alguns segundos, mas ela estava possuída pelo desespero e começou a esfaqueá-lo diversas vezes, tentando desesperadamente fazê-lo reagir de alguma forma. O som nauseante de carne perfurada pela faca podia ser ouvido claramente, mas Jason mantinha o perfeito equilíbrio.

– Acho que já foi o suficiente – num piscar de olhos ele pegou minha mãe pelo cabelo e bateu violentamente contra o chão – Eu estaria em apuros se encostasse nele, foi isso que você tinha dito?

Eu estava ao lado de minha mãe, ajudando a se postar de joelhos, um lado do seu rosto estava inchado. Meus olhos saltaram para o criador de bonecas que estava à espera de uma revanche imediata, mas eu estava petrificado como uma pedra quando vi o que ele estava fazendo.

Ele desabotoou a camisa e dirigiu as unhas no próprio peito, perto das lesões que recebeu com a faca. Ele afundou suas garras em sua carne e remexia por dentro dele procurando alguma coisa. Na ferida apareceu algo se rasgando para sair e um líquido preto e espesso caiu no chão. Não era sangue, mesmo se fosse deveria estar muito apodrecido como algo que nunca vi na vida. Algo brilhou de sua caixa torácica exposta.

– Provavelmente você também se esqueceu do quanto eu me preocupo com uma ótima trilha sonora no ambiente, mas tudo bem.

Suas mãos expostas cobriam uma caixinha de música que ele retirou de dentro de si mesmo. Então ele veio, eu queria gritar, queria ajudar, mas o terror que havia testemunhado me deixou completamente paralisado para fazer qualquer outra coisa, o importante era que minha mãe me abraçou, mas levou apenas um breve momento para ele arranca-la de mim. Ele não teve o mínimo esforço para toma-la. Com uma mão ele apertou suas garras no pescoço da minha mãe e com a outra segurou o braço dela que o havia esfaqueado.

– Agora vou lhe mostrar o que acontece com quem tenta me machucar, mamãe.

Lentamente ele inclinou o braço dela na direção oposta. Ela gritou de dor, tentando se libertar, mas o criador de bonecas tem uma força enorme que ele poderia quebrar os ossos dela para fora se quisesse, mas ele não queria isso, ele queria ver minha mãe chorando de dor. As unhas afiadas começaram a penetrar a carne no pescoço dela e ela não ia conseguir se livrar dele nesse ponto, pois estava perdendo sangue e morreria em alguns segundos.

 – Ok tudo bem! Eu vou com você! Mas pare! – Eu gritei com toda a força que me sobrou.

Jason olhou por cima com um olhar sério. Minha mãe estava ficando mais pálida devido à dor e a perda de sangue. Ela precisava da minha ajuda, mas não havia nada que eu pudesse fazer a não ser me entregar ao criador de bonecas.

– Eu vou com você, mas deixe minha mãe – Eu disse com uma voz trêmula – Afinal, nós somos amigos, certo? – Eu tentei fazer um sorriso convincente, mesmo que estivesse tremendo da cabeça aos pés e com os olhos cheios de lágrimas, Jason sorriu. Ele estava satisfeito e feliz pela sua vitória.

– Excelente escolha, Nathan. – Naquela hora, os braços voltaram à cor habitual, suas feridas foram curadas em poucos segundos e ele tomou sua aparência amigável habitual. Seu rosto voltou ao normal, mas eu sabia o monstro que estava escondido por trás daqueles olhos cor de âmbar.

Parece que Jason aceitou minha renúncia, mas antes de soltar minha mãe, ele tirou do bolso um pequeno rato vermelho. Era, sem dúvida, mais um de seus brinquedos, daqueles de chave de girar, ele deu corda no brinquedo, agarrou a mandíbula da minha mãe e colocou o brinquedo dentro de sua boca.

– O que foi? O rato comeu sua língua? HAHAHA – Ele gargalhou para longe de si mesmo. Por um momento eu vi os olhos da minha mãe em amplo desespero querendo gritar, mas tampada pela mão de Jason.

Vi uma luz e em seguida… uma explosão.

Ela caiu de joelhos, queixo, nariz e olhos se tornaram apenas uma polpa de carne onde antes era seu rosto. Ela caiu no chão. Sangue saia do seu corpo manchando todo o chão. Sangue e pedaços de carne dela respingaram no meu rosto, eu estava paralisado olhando e não acreditando que aquilo aconteceu com minha mãe. Jason não parava de rir.

-P-por que você fez isso?

A esmagadora sombra do criador de bonecas me cobriu e ele se inclinou para mim, seu rosto foi marcado por uma rachadura causada pela explosão.

– Porque agora nós não somos mais amigos, você é um pedaço de merda insignificante para mim. E agora eu sou seu criador.

Então ele me agarrou pelo braço e me puxou para ele.

– AGORA EU VOU TE CONSERTAR… POR… COMPLETO!

Giovanna Orçati – 9º Ano D

IV Concurso de Contos de Terror do Riva: começa daqui a pouco!

A competição entre os contos de terror escritos pelos alunos da EMEF Professor Rivadávia Marques Junior terá início daqui a pouco, às 12 horas, e ficará valendo até o último segundo do dia 02/11.

Fique esperto e vote no seu conto favorito.

Para isso faça um comentário no post da historia que você mais gostar.

Os três primeiros mais votados serão premiados com coleções de livros de terror e suspense e um em especial será eleito como o de melhor qualidade. Neste caso, os jurados serão os próprios professores da escola.

Portanto, não perca tempo e participe. Os alunos-autores agradecem!!!