“Everything Now”, novo disco do Arcade Fire, é exatamente o que o título entrega

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O Arcade Fire começou em 2003 como banda heroica do indie canadense que mergulhou de vez na cena americana, colheu de assalto o coração de David Bowie e James Murphy e recebeu críticas empolgadas da imprensa especializada que se enlutava do rock desde a última boa canção do Strokes anos antes.

Álbuns como “Funeral” (2004), “Neon Bible” (2007) e “The Suburbs” (2010) surgiram e imediatamente receberam a atenção necessária de fãs e pessoas ávidas por um suspiro de talento e frescor no rock moderno mundial, mas com o lançamento de “Reflektor” (2013) houve um olhar desconfiado de uma galera que se acostumou com a balança certeira entre a música grandiosa de “Wake Up”, “No Cars Go” e “Keep Car Running” e os experimentalismos e lirismos do art rock com “Rococo”, “My Body is a Cage”, “Sprawl II” e “Intervention”, por exemplo.

O álbum de quatro anos atrás teve uma degustação difícil da mídia em geral, mas envelheceu muito bem (algo natural aos discos da banda) e hoje figura entre as grandes ações do pop global nos últimos dez anos. Canções como “Reflektor” que dá título ao disco, “Flashbulb Eyes”, “Here Comes The Night Time” e “We Exist” fazem voltas em torno de ritmos tão diversos e tão achegados entre si que ninguém poderia imaginar antes. O ska, o eletrônico, a salsa e a música de festa podem não ser tão grandiosas quanto coisas que haviam sido realizadas pelo hoje sexteto, mas funcionam muito bem ao vivo (vide o espetacular show de 2014 no Lollapalooza Brasil).

O que nos faz chegar neste “Everything Now” que sai hoje para todo o mundo via streaming e versão física (inclusive em vinil). Neste ponto em que a banda está poderia ser perceptível uma facilidade em alcançar o público com uma miscelânea de elementos que já deram certo anteriormente nos 14 anos de carreira deles. Porém, o que muitos fãs que vociferam contra a toada diferenciada que remete ao ABBA em algumas canções deste disco (“Everything Now” e “Put Your Money On Me”) não perceberam é que é exatamente isso que faz dos caras esse supra sumo todo. Pois veja o caso de “Everything_Now (continued)” e “Everything Now (Continued)” que têm a mesma base de sua sequela e são tão diferentes ao mesmo tempo.

Sentar em cima do sucesso e colher os louros da vitória apenas com coisas que já deram resultado é o que todos estão fazendo no mercado fonográfico e talvez esteja aí embutida uma das críticas do novo álbum dos canadenses.

Além do nome do disco remeter ao fato de que eles estão se apegando a inúmeras formas de fazer canções ontem, hoje e sempre ao mesmo tempo também há uma discussão nas letras sobre o fato de que o consumo desenfreado de tudo o que nos cerca neste instante da história humana (inclusive na música) faz de toda experiência um ato vazio e circunstancial no qual se busca o gosto pelo fácil, pela alegria fugaz. Exemplos puros disso são a onda de produtores que fazem pesquisa por batidas rápidas que segurem a atenção curta dos jovens de hoje e a análise criteriosa dos serviços de streaming por produtos que sejam mais próximos do que você já escutou (ou usou, ou assistiu, ou leu, não importa) em vezes anteriores.

No final das contas, diz a nova música do Arcade Fire, ninguém está preocupado com o novo e diferente, mas com a tranquilidade da mesmice.

Para tentar combater isso na própria forma de compor e tocar música, a banda chamou dois caras muito diferentes entre si para produzir o trabalho que sai hoje: Thomas Bangalter (metade do Daft Punk) e Steve Mackey (baixista do Pulp) geram conflitos e confluências entre maneiras de ritmizar sons como são o ska, a marcha, o uso dos metais, a batida caribenha e o rock mais cru sem se importar com o que essa contradição sonora possa ter a ver com o eletrônico, o uso dos sintetizadores setentistas e a vocalização de Win Butler e Regine Chassagne.

 

O resultado pode ser conferido em faixas como “Peter Pan”, “Chemistry”, “Creature Comfort” e “Signs of life” que podem soar muito distantes do Arcade Fire reconhecido por aí, mas que só é desta maneira porque nos acostumamos com sua sanha por se afastar daquilo que já foi feito por eles próprios.

 

É claro que se pode analisar que canções como “Infinite Content” e sua dobra gêmea “Infinite_Content” podem ser a explicação mais simples do que o grupo está fazendo, pois enquanto a primeira promove uma variável de britpop e guitarras mais afeitas ao indie rock (e por que não ao punk rock) a segunda parte é uma balada cantada apenas para acalmar os ouvidos de quem está cansado do tal infinito conteúdo que nos aflige todos os dias por meio do Youtube, dos canais a cabo e da internet em geral e que acabam por repetir a mesma coisa sem conseguir entregar o que de fato acham ser conteúdo.

Neste sentido, a canção “Electric Blue”, que utiliza a voz quase sempre próxima do fim (sem nunca terminar) de Régine Chassagne, transforma novamente o disco numa audição de algo perdido em algum lado b do final dos anos 70 (claramente utilizando algo que o Daft Punk fez com maestria em seu premiado “Random Acess Memories”) e o baixão maravilhoso de Tim Kingsbury em “Good God Damm” dá uma toada quase minimalista à canção sem perder o estilo de quarenta anos atrás enquanto um ambiente misturado de tempos sonoros provoca o fundo da música. “We Don’t Deserve Love” possui pegada parecida, mas cadenciada em ritmos que a banda já experimentou antes e baseados para um vocal enternecedor de Win e coral de sua esposa, soa a mais preguiçosa do disco, não que isso seja exatamente uma dura crítica.

 

Sendo assim, não dá para cravar que estamos diante novamente de um clássico do Arcade Fire e que ficará para a História como um de seus melhores trabalhos de estúdio, mas o álbum produz conteúdo novo, diversificado e luta para fugir da preguiça atual da indústria que insiste em nos entregar nenhuma mudança enrolada a poucos artistas que figuram no mainstream massacrando o que poderia delinear caminhos menos propensos à retidão de percurso.

É, sim, um disco de várias voltas e múltiplos sentidos tanto no que tange ao ritmo, quanto às letras e mais ainda ao que quer atingir. Portanto, como o que sai dos instrumentos desses artistas tem perdurado de maneira tão agradável aos nossos ouvidos é de se esperar que essa nova ação deles possa reverberar em algum sentido para a música como um todo. Assim se espera!

 


 

 

Arcade Fire – Electric Blue 

 

 


 

 

Arcade Fire – Everything Now 

 

 


 

 

Arcade Fire – Signs Of Life

 

 


 

 

Arcade Fire – Everything Now

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1 – Everything_Now (continued)

2 – Everything Now 

3 – Signs Of Life

4 – Creature Comfort 

5 – Peter Pan 

6 – Chemestry

7 – Infinite Content

8 – Infinite_Content

9 – Electric Blue

10 – Good God Damn

11 – Put Your Money On Me

12 – We Don’t Deserve Love

13 – Everything Now (continued)

 


 

Wolf Alice volta em setembro com novo disco

 

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Depois de uma avalanche de ótimas críticas e bons shows para divulgar o debut “My Love is Cool”, o Wolf Alice parecia que nunca mais ia terminar a turnê, tamanho foi o sucesso do primeiro trabalho com álbum cheio (já havia lançado os dois EPs “Bush” em 2013 e “Creature Songs” em 2014).

 

Mas eis que desde o começo do ano eles sumiram de cena e em junho anunciaram o segundo álbum já para o próximo mês de setembro.

 

Através de várias entrevistas nos últimos dias eles têm dito que a ideia é surpreender os fãs com faixas totalmente diferentes do que foi visto até agora na curta carreira do grupo surgido em Londres, Inglaterra. Mas até então tal informação poderia ser vista apenas como discurso para a imprensa.

 

E não é que o Wolf Alice está fazendo show um atrás do outro mesmo tendo a divulgação do disco no meio disso tudo e aparece aqui e ali em alguma rádio para conversar sobre o trabalho novo?

 

Foi o que aconteceu na Kink FM de Portland onde Ellie Rowsell, Joff Oddie, Theo Ellis e Joel Amie aproveitaram para dar uma palhinha com “Don’t Delete the Kisses” (do novo disco) e “I Saw You” e “Bros” (em nova roupagem) com a vocalista dando um show à parte.

 

Quanto ao lançamento de “Visions of a Life”, este acontece em 29 de setembro e terá 12 faixas inéditas com destaque, além de “Don’t Delete The Kisses” já citada acima , também para a já conhecida “Yuk Foo” que está sendo executada toda hora pelas college radios americanas e europeias.

 


 

Wolf Alice – Don’t Delete The Kisses

 

 


 

Wolf Alice – I Saw You

 

 


 

Wolf Alice – Vision of a LIfe

 

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1 – Heavenward

2 – Yuk Foo

3 – Beautifully Unconventional

4 – Don’t Delete The Kisses

5 – Planet Hunter

6 – Sky Musings

7 – Formidable Cool

8 – Space & Time

9 – Sadboy

10 – St. Purple & Green

11 – After The Zero Hour

12 – Visions Of A Life

 


 

Pra sonhar de olhos abertos: escute o novo trabalho do Waxahatchee

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Numa cena cada vez mais acostumada com estereótipos que são fabricados aos montes para se parecer com seres padronizados é extremamente salutar para a música underground americana que surjam artistas como Katie Crutchfield.

A garota da bela voz que se assemelha a outros ícones dos anos 90 como Tanya Donely, Kristin Hersh e Kim Deal (esta última, senão na forma, mas no jeito) possui desde 2010 o projeto chamado Waxahatchee desenvolvido em conjunto com Chris Clavin da Plan-It-X Records.

Para que desse o resultado esperado de um rock cru mergulhado em letras produndas a garota chamou os instrumentistas Jacob, Katherine Simonetti, Ashley Arnwine e Allison Crutchfield para tocar, algo que resultou no debut “American Weekend” (2012) distribuído pelo selo Don Giovanni. Após isso, mais dois álbuns posteriores, “Celureon Salt” (2013) e “Ivy Trip” (2015) foram forjados até que chegássemos ao ano de 2017 trazendo o belo “Out in the Storm” de agora.

Neste novo disco, o vocal soa muito mais rico ritmicamente do que nos momentos anteriores da vocalista e sua sonoridade indie rock varia desse rock mais seco à extremidade mais dream pop em certos instantes mais coloridos. Por outro lado, não deixa de ser mais melódico em alguns momentos e tons promovidos por sintetizadores bem ao fundo podem contribuir para este ambiente.

Na faixa “Recite for Remorse”, por exemplo, é bastante evoluída a formação de arranjos e versos de Crutchfield em que sentimentos antagônicos se misturam entre a dor e o amor, a saudade e os conflitos advindos de relações instáveis.

Outras canções como “Never Been Wrong”, “Sparks Fly” e “Fade” se situam entre as versões mais intimistas em que a calmaria das guitarras auxiliam a intencionalidade da cantora de se mostrar por dentro meio que disfarçando todo o seu isolamento social.

Por outro lado, as guitarras mais céleres em consonância com uma bateria mais feroz ocorrem na impactante “Silver” e isso remete naturalmente a um som que tem a ver com a produção do trabalho, pois junto com Katie Crutchfield há o engenheiro de som John Agnello, gente das antigas do rock alternativo que já trabalhou com Dinosaur Jr., Kurt Vile e Thurston Moore e empurra tais referências a aparecerem na obra final do disco.

Dessa forma, o resultado final do trabalho que sai agora do forno nos leva a viajar através de um sonho de olhos abertos que nos mostra como a vida é feita de altos e baixos, seja por meio dos sentimentos que nos força a ter, seja pela maneira como a conduzimos por caminhos interessantes num segundo e desvios errôneos em outro frame imediato. Portanto, siga sem medo a estrada traçada por Katie e se deixe levar pela poesia das palavras e dos sons emitidos pela banda.

 


 

 

Waxahatchee – Never Been Wron

 

 


 

 

Waxahatchee – Silver

 

 


 

 

Waxahatchee – Recite Remorse

 

 


 

 

Waxahatchee – Out in the Storm

 

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1 Never Been Wrong

2 8 Ball

3 Silver

4 Recite Remorse

5 Sparks Fly

6 Brass Beam

7 Hear You

8 A Little More

9 No Question

10 Fade

 


 

P.J. Harvey: um top 5 para lembrar que daqui quatro meses ela estará aqui

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Não. Polly Jean Harvey não deu nenhuma entrevista polêmica nas últimas horas e nem lançou single novo.

P.J. não fez nenhuma apresentação relâmpago em lugar de difícil acesso ou mesmo numa loja de discos, tampouco movimentou o Twitter e Instagram com opiniões complexas e fotos ousadas.

A musa indie não está a realizar campanha para nenhuma grife da moda ou realiza neste instante propaganda política na tv e internet.

Mais do que isso, a moça inglesa está bem quietinha no seu canto, tirando o fato de que tem participado da maioria dos bons festivais da Europa e EUA (Glastonbury é o mais recente deles).

Porém, como a ansiedade é grande pela vinda da mulher em 15 de Novembro para apresentação durante o Popload Festival a coceira por fazer um post com ela foi maior.

Portanto, abaixo teremos um top 5 com momentos em que P.J. Harvey não foi menos do que incrível.

 


  • P.J. Harvey recebe o prêmio de melhor novo artista do ano de 1993 através de eleição promovida pela Revista Rolling Stone. (abaixo a artista em ação com o single “Dress”)

 

 


 

  • Polly Jean recebe novo prêmio da revista Rolling Stone, dessa vez por ser a artista do ano de 1995. (abaixo, sua performance com “Down By The Water”)

 

 


 

  • As parcerias com Nick Cave, Mark Lanegan e Thom Yorke

 

 


 

 


 

 


 

  • A inglesa de 47 anos recebeu em 2011 e 2013, respectivamente, prêmios da NME (revista especializada em música independente inglesa) e da MBE (Ordem do Império Britânico) por sua contribuição à música. Tudo isso, logo após o festejado e também premiado disco “Let England Shake”.

 

 


 

  • O ano de 2016 foi especial para a carreira da cantora por conta do lançamento do álbum “The Hope Six Demolition Project” e sua ferrenha veia crítica contra a política armamentista mundial e sua turnê por locais devastados pela fome, guerra e desastres naturais e/ou realizados pelo homem.

 

 


 

  • Tem mais alguma lembrança de momentos marcantes da carreira de P.J. Harvey? Mande pra gente!

Ninguém esperava por isso: Boogarins solta novo álbum de supetão

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Normalmente, acontece uma campanha de marketing e quando se trata de uma banda que já possui bastante infiltração no mercado internacional por conta de suas ótimas apresentações em grandes festivais na gringa é óbvio que isso é mais do que esperado.

O próprio acompanhamento da imprensa especializada dificulta que o inverso ocorre.

Mas estamos falando do Boogarins, grupo de Goiania para o mundo, que lançou dois dos melhores discos dos últimos dez anos (a saber, “Manual” e “As Plantas Que Curam”, além do trabalho ao vivo intitulado “Desvio Onírico”) faz nossas cabeças explodirem com o lançamento bomba de “Lá Vem a Morte”.

O disco está recheado por 8 faixas e foi gravado no estúdio Manchaca Roadhouse tendo sido produzido e mixado por Benke Ferraz (guitarra). Além disso, este é o primeiro disco da banda com participação do baterista Ynaiã Benthroldo como compositor também. Prosseguem na banda Fernando Almeida Filho (voz e guitarra) e Raphael Vaz (baixo) para completar o quarteto.

Essa nova produção dos goianos possui canções com letras que seguem uma linha política que critica a atual onda cínica e hipócrita da sociedade em suas relações humanas como um todo.

Singles como “Foi mal”, “Onda Negra”, “Polução noturna”, “Corredor polonês” têm nitidamente essa pegada analítica de nosso mundo contemporâneo ao mesmo tempo que promovem uma maior participação de elementos eletrônicos no som da banda. O próprio uso de sintetizadores comprova tal afirmação.

A crônica evolutiva em torno do nome do disco permeia “Lá Vem a Morte Parte 1”, “Lá Vem a Morte Parte 2″ e Lá Vem a Morte Parte 3” com nuances de uma mini ópera que enquanto grita pela morte conceitual que pode chegar pelo crime (ou violência policial?), socialmente ou mentalmente também demonstra através dos ritmos e barulhos empregados as várias formas de morrer: fisicamente, sensorialmente ou transcendentalmente.

Dessa forma, o disco pode entrar naturalmente como uma apresentação a parte do Boogarins nas novas apresentações ou como um ato específico durante os shows desta próxima temporada deles.

Além disso, a banda se mostra enraizada num ambiente sonoro que agrada a um público fiel tanto cá como lá fora. E isso não é para qualquer um.

 


 

Boogarins – Lá Vem a Morte 

 

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1 – Lá Vem a Morte Parte 1

2 – Foimal

3 – Onda Negra

4 – Polução Noturna

5 – Lá  Vem a Morte Parte 2

6 – Corredor Polonês

7 – Elogio à Instituição do Cinismo

8 – Lá Vem a Morte Parte 3

 


 

Lá Vem a Morte – Full Album

 

 


 

Já falamos do novo disco do Gorillaz? Porque vale a pena, viu!

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Grace Jones, Pusha T, Rag’n’Bone Man, Noel Gallagher, Mavis Staples, Danny Brown, Vince Staples, De La Soul, entre outras participações obscuras ou menos prováveis: essa é a salada de convidados que Damon Albarn e Jamie Hewlett, responsáveis respectivamente por parte musical e artística gráfica da banda virtual Gorillaz, escolheram para realizar o novo álbum “Humanz”, lançado agora pela Parlaphone.

A aposta de agora é numa mistura sonora diferente da habitual que o grupo formado pelos personagens fictícios 2D, Noodle, Murdoc Niccals e Russel Hobbs já fez até hoje.

A ideia parece se aproximar mais de um ambiente house e de misturas com o jazz e o rythm and blues do que já havia sido flertado anteriormente.

Claro que o Hip Hop e o Rap cru também estão lá e as participações do De la Soul promovem isso, por exemplo, mas há muito mais tecnicismo nesta empreitada do que acontecia nos outros álbuns .

O virtuosismo vocal é uma questão importante no atual trabalho e as experimentações de crossovers rítmicos são densas e saborosas, mas podem proceder em estranheza na galera mais jovem que só conhece os hits do Gorillaz.

Destaque para o peso das batidas de Saturn Barz com a participação de PopCaan, a aceleração contida de Submission com Danny Brown e Kelela, a ótima Charger com a deliciosa e oitentista voz de Grace Jones, além da esquisita e política Hallelujah Money com Benjamin Clementine e We Got the Power com a fantástica Jehnny Beth.

Há muito a descobrir em “Humanz” e cada audição nos traz surpresas não só no vocal, mas também no uso diversificado de sons e beats.

Enfim, um álbum que não é feito de hits e nem deve chegar às paradas tão facilmente, mas que pode funcionar bem no circuito alternativo e animar aqueles e aquelas que não se contentam com a sincronia perfeita feita pelo marketing das grandes gravadoras para contentar ouvidos menos críticos.

E vida longa a esses malucos virtuais, as loucuras imagéticas de Hewlett e a fome criativa de Albarn.


Gorillaz – Saturn Barz (Feat. Popcaan)

 


 

 

Gorillaz – Andromeda (Feat. D.R.A.M.)

 


 

 

Gorillaz – We Got the Power (Feat. Jehnny Beth)

 


 

 

Gorillaz – Humanz

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1 – Intro: I Switched My Robot Off

2 – Ascension (Feat. Vince Staples)

3 – Strobelite (Fea. Peven Everett)

4 – Saturn Barz (Feat. Popcaan)

5 – Momentz (Feat. De La Soul)

6 – Interlude: The Non-conformist Oath

7 – Submission (Feat. Danny Brown & Kelela)

8 – Charger (Feat. Grace Jones

9 – Interlude: Elevator Going Up

10 – Andromeda (Feat. D.R.A.M.)

11 – Busted and Blue

12 – Interlude: Talk Radio

13 Carnival (Feat. Anthony Hamilton)

14 – Let Me Out (Feat. Mavis Staples & Pusha T)

15 – Interlude: Penthouse

16 – Sex Murder Party (Fea. Jamie Principle & Zebra Katz)

17 – She’s My Collar (Feat. Kali Uchis)

18 – Interlude: Yhe Elephant

19 – Hallelujah Money (Feat. Benjamin Clementine)

20 – We Got The Power (Feat. Jehnny Beth)

21 – Interlude: New World

22 – The Apprentice (Feat. Rag’n’Bone Man, Zebra Katz & RAY BLK)

23 – Halfway To The Halfway House (Feat. Peven Everett)

24 – Out Of Body (Feat. Kilo Kish, Zebra Katz & Imani Vonshà)

25 – Ticker Tape (Feat. Carly Simon & Kali Uchis)

26 – Circle Of Friendz (Feat. Brandon Markell Holmes)


Calmaria na KEXP: toda a destreza do The Maldives

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A banda não é tão nova assim, o primeiro álbum foi lançado em 2006 e já vieram mais três após isso sendo o último “Muscle for the Wing” (2012).

Mas o The Maldives estão fazendo a promoção do novíssimo disco intitulado “Mad Lives” (anagrama do nome da banda) que acabou de sair de forma independente por selo próprio e fizeram mais uma visitinha para a nossa rádio favorita KEXP FM de Seattle.

Os caras são um supergrupo formado na própria capital de Washington por sete instrumentistas talentosos e fazem um alt-country que se assemelha em algumas características com o The War on Drugs e alguma coisa de Wilco também pode ser visto. Mas a banda tem luz própria e dá gosto de ouvir suas canções.

Do novo disco dá para destacar as ótimas “No Sense In A Slow Death”, “On Comes The Night”,  “Staring At The Sun”, “Reckoring”, “House Of Flames” e “Blind”, dentre as quais algumas são tocadas na apresentação realizada nos estúdios da college radio que você vê logo abaixo.

Se o ponto forte da banda são suas conhecidas performances vibrantes ao vivo suas letras não ficam atrás por se tratarem de libelos de viagens transcendentais que são calmos e densos ao mesmo tempo.

Portanto, delicie-se com o som do The Maldives e não deixe de conferir os trabalhos mais antigos para fazer um paralelo entre as novas e velhas canções.

 


 

The Maldives – Mad Lives

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1 – No Sense In A Slow Death

2 – The Fight

3 – On Comes The Night

4 – Staring At The Sun

5 – A Day At The Beach

6 – Reckoring

7 – The Boat That Never Touches

8 – House of Flames

9 – 2 Know U Is 2 Love U

10 – Blind