Não é só a pós-verdade, mas também a pós-ética

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Num Brasil devastado por casos de corrupção e governo preocupado apenas em apinhar os próprios cofres e as contas financeiras das grandes corporações enquanto desmonta toda uma história de lutas dos trabalhadores não é somente essa a desesperança apresentada diante de nossos olhos.

A sociedade atual brasileira vale-se muito de preceitos alinhados com a simples ideia da mentira e da acusação infundada de gente com quem não se tem um mínimo de afinidade, mas também acaba por se apoiar numa pós-ética que implica com apenas um lado da moeda e molda conjecturas para essas ficarem mais próximas do que se acredita.

Sendo assim, a realidade se modifica de acordo com pós-verdades e maneiras caolhas de se ver a si mesmo e ao mundo ao redor.

Sinceramente, estamos numa época em que tanto faz e pouco importa para a grande parte das pessoas analisar o que acontece na realidade de fato. O que importa numa notícia, no relato de um acontecimento ou na fofoca do vizinho é receber aquilo que faz parte do seu filtro afetivo.

Ninguém tem se interessado por buscar a verdade, nem mesmo promover o vasculhamento de algo que parece obscuro, tendencioso ou fora da realidade. A mídia e a imprensa então estão pouco se lixando para um princípio básico do jornalismo, ou seja, ouvir os dois lados.

Cito dois casos recentes para os quais me abstive, inclusive, de comentar por esses campos minados da internet. Na primeira situação vemos a informação do rapaz que foi tatuado em sua testa por outro por ter invadido seu estúdio de tatuagem e ter roubado sua bicicleta.

As reações foram desmedidas tanto de um lado (a defesa do tatuador torturador) quanto de outro (a vitimização do criminoso), mas ninguém parou para pensar que havia a necessidade de apurar melhor os fatos.

Vimos posteriormente que o rapaz tem doença mental e é viciado em, drogas, estava desaparecido havia dias do seio da família e que não havia estúdio nenhum de tatuagem ao mesmo tempo que a própria bicicleta nem era do tatuador. Custava uma checagem extra na notícia por parte dos jornais ou dos próprios leitores? Nunca, e sabe porquê? Porque o que importa é vociferar cegamente naquilo que você acredita. E o pior: mesmo após o relato completo do acontecido ainda iremos ouvir reprodução de ódio por aí, já que ninguém se preocupa com a verdade, somente com a pós-verdade.

No segundo caso, vemos a jornalista Miriam Leitão indignada com uma agressão coletiva contra ela dentro de um avião, tudo muito bem relatado através de sua coluna no jornal O Globo uma semana após o ocorrido (lembremos que se trata de uma profissional quase onipresente na grade de programação da TV e do Rádio). Questão essencial acerca disso que nenhum colega dela indagou antes de se solidarizar quase que instantaneamente com ela pelas redes sociais é que ela só se indignou com o caso 7 dias depois.

Os jornais, revistas e afins não se dignaram a pesquisar mais a respeito, mas alguns abençoados curiosos começaram a analisar a questão e chegamos a outro relato, este de uma passageira do mesmo voo de Leitão, que possui uma versão muito diferente da dela (com a diferença de ter feito isso no dia seguinte ao ocorrido no avião e tendo nuances mais complexas como a entrada de um oficial da polícia federal fazendo ameaças a passageiros).

Estanho, não? Mas mais esquisito ainda é o silêncio gritante da grande maioria dos colegas da jornalista e muita gente na rede, pois quase sua totalidade se prestou rapidamente a defendê-la sem nem ao menos inquiri-la sobre os detalhes do fato em si. Mais do que a defesa era a necessidade de apontar o dedo aos supostos agressores sem nem ao menos saber quem eram ou se realmente existiam.

Desse modo, o que se percebe nesses dois casos mais nitidamente é que há canalhice de sobra ao nem querer saber sobre o outro lado da notícia e ao ser apologista imediato do que apoia enquanto cerra os olhos às provas em contrário. Não temos apenas, portanto, uma crise política por esses lados do Atlântico, mas sim um colapso ético no qual ficam depositados apenas os gostos e interesses sem que a verdade, o bom senso e as medidas de consciência possam ser minimamente visitadas em algum momento.

 

E isso, meus amigos, é mais um passo ao fundo do poço que parece estar distante deste país varonil enquanto sociedade constituída que poderia se prestar a ser só um pouquinho mais justa e igualitária, mas que diante de coisas assim só se distancia da superfície.

 


 

Brecht para explicar o Brasil de hoje

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Dificuldade de Governar

 

1.
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.

2.
E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

3.
Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4.
Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?

Bertolt Brecht

HBO pode sair da grade brasileira (entenda o problema)

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O caso é complexo e tem a ver com monopolização de mercado.

Em outubro do ano passado, a AT&T (megaempresa de comunicação americana) anunciou um acordo de US$ 108,7 bilhões para a compra da Time Warner (outra gigantesca corporação que vinha passando por roblemas financeiros) que mexeu com as Bolsas e negócios do mundo inteiro.

Pois bem, essa decisão altera algumas das atividades das duas empresas aqui mesmo no Brasil e por isso passou a ser muito discutida a forma como ela interfere no andamento da grade de TV paga nacional.

Dessa forma, muitos canais no Brasil podem ser da mesma empresa e, portanto, a Ancine (Agência Nacional do Cinema) anunciou nesta quarta-feira (17) que vai notificar as duas empresas a respeito das consequências dessa união.

De acordo com o relatório, as empresas de telecomunicações não podem ter mais de 30% de participação do capital total e votante de produtoras e programadoras com sede aqui.

Na verdade, o que está em jogo é que por conta dessa compra da AT&T, que já é proprietária da DirecTV, responsável pela Sky Brasil, a empresa não tem permissão para atuar no Brasil, já que as leis internas brasileiras atuais deixam claro que não pode existir uma empresa que seja distribuidora de canais por assinatura e, ao mesmo tempo, também ter canais de assinatura no país.

A salada corporativa pode atrapalhar, no final das contas, a experiência de milhões de pessoas que se acostumaram a assistir canais como a HBO, Cartoon Network e CNN. Tais emissoras da televisão por assinatura teriam de deixar a grade do país e seríamos alijados de ter acesso a séries e filmes exclusivos destes canais.

Leia na integra o comunicado da Ancine no link abaixo:

 

 

https://www.ancine.gov.br/pt-br/sala-imprensa/noticias/ancine-ir-notificar-time-warner-e-att

O atual elogio da ignorância

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A atual ode à ignorância existente na mente e nas palavras de alguns assalariados no Brasil é irritante.

O que essas marionetes mais fazem é brigar com fatos, dão as costas à História, decepam a mão do bom senso.

Para terminar com chave de ouro passam por cima de tudo o quanto for sensato e verdadeiro para se apressar a fazer brindes ao patrão. Esquecem-se assim do próprio irmão que sofre ao lado e que luta por todos.

É uma Era escurecida pelo brilho do celular, é uma época do selfie elevada à última potência.

Pior que se trata de um egocentrismo burro, da escusa de que lá na frente são eles próprios que pagarão o preço pela retirada de direitos, sem poder descansar na parte final da vida.

Triste!

Quanto custa um político no Brasil

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Essa pergunta sempre vem seguida de uma resposta indignada ou mesmo de um palavrão, mas o importante mesmo é parar para pensar: quanto custa de fato um parlamentar num país como o nosso?

Primeiramente, é necessário indagarmos se todos os zeros estão sendo colocados na somatória geral e eles não são muito bons com subtração (excetuando quando pensam nos nossos bolsos).

Além disso, os gastos com os políticos brasileiros ultrapassam PIBs de alguns países, incluem tratamentos que nem os mais ricos dispensam com tanta empolgação e ainda promovem discrepâncias entre o que eles ganham e o restante quase que total da população.

O vídeo a seguir tem como autores uma organização chamada Spotiniks e são mencionados durante sua exibição dados oficiais. Portanto, não há chute nem elevação descabida dos números sobre os absurdos salários e privilégios recebidos pelos deputados e senadores deste país.

E tão importante quanto isso é demonstrar que eles são uma espécie de abençoados que possui uma vida totalmente fora da realidade do trabalhador brasileiro comum e até mesmo de outros servidores públicos que em sua imensa maioria tiveram que realizar concursos para poder desempenhar seu trabalhos nos mais variados cargos pelo Brasil afora.

Os políticos são eleitos e, dessa forma, nem têm necessidade de uma formação mínima para assumir seus cargos, não há necessidade de provar nenhuma habilidade e ainda podem contar com aposentadorias polpudas após apenas 8 anos de serviços (mal) prestados.

E olha que nem estamos tocando no assunto da corrupção que piora ainda mais este estado de coisas. Estamos, isso sim, falando da sacanagem liberada pela lei e pelas benesses aprovadas por eles próprios.

Num período em que se discute no governo táticas canalhas para tirar dos trabalhadores direitos previstos na Constituição para os protegerem e quando se fala na absurda tentativa do mesmo governo em dificultar a aposentadoria do cidadão comum é importante que informações assim tomem as redes sociais e coloquem todo mundo para pensar e, quem sabe, agir também!

 

 

 


 

Reforma Íntima

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Esqueça a série preferida da Netflix, pare de prestar atenção no crush, não lembre nem da seleção brasileira hoje ou do seu time amanhã;

Faça ser esquecida a banda preferida e não se empolgue com o novo filme da Marvel e o novo trailer da DC;

Esqueça da briga entre Nescau e Toddy, da vida pós rede-social e da solidão que ela proporcionou; n

Não coloque na frente de suas prioridades qualquer uma das resoluções de final de ano e das muitas que deixará para trás;

Não deixe ficar no processo dos procedimentos imprescindíveis o novo livro das Crônicas de Gelo e Fogo e não se empolgue com qualquer reality show;

Que o meme novo da semana não seja sua coisa mais importante na atualidade e que a tristeza pela decepção amorosa de ontem fique em segundo plano;

Esqueça, esqueça de tudo o que não seja referente às reformas que o governo corrupto e incompetente quer enfiar goela abaixo de você e dos seus descendentes, pois caso todas elas passem você não poderá usufruir de nada colocado acima.

Não poderá nem sequer lamentar outras coisas, pois elas todas não serão mais importantes e necessárias.

Toda a sua vida será permeada (caso passem as ações contra os trabalhadores travestidas de reformas) por apenas produzir para os mais ricos, sua capacidade de viver será reduzida para sobreviver e suas ações serão apenas uma mera e próxima forma de existir.

Não, amigo, não há neste momento o que é legal ou ilegal, o que sobra apenas é a questão de passarmos por cima ou não desses caras que querem ser o poder supremo e que acham que somos apenas gado a ser jogado de um lado para outro até chegar o momento de nos abater e nos misturar ao papelão.

Não deixemos, portanto, esse papel ser dado aos nossos corpos, não é justo conosco, não é justo com quem lutou (e muito) e até morreu lá atrás para você usufruir de uma vida minimamente justa.

Ou a gente esquece de tudo o mais e briga pelo que é nosso ou nada mais será viável.

Nada!

Pílulas nas férias II: O que aconteceu com nosso jornalismo?

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O que aconteceu com nosso jornalismo?

Não se vê mais nenhuma reportagem especial, não há uma única autenticidade investigativa sequer e tudo é muito preguiçoso.

Duvida? Olhe apenas para dois casos palpitantes que nos rodeiam há tempos: os desdobramentos da Lava-Jato não tiveram nenhuma reportagem tentando analisar o que está ocorrendo através de investigação jornalística.

Tudo o que se tem apenas “vaza” do próprio judiciário, o que nos dá sempre a impressão de ser proposital; outro caso exemplar é a guerra de facções criminosas e os problemas nos presídios brasileiros.

Com exceção de uma boa reportagem de 2013 da Carta Capital sobre o PCC, não existe um jornalista qualquer para representar no submundo dessas ações e tentar analisar de forma mais complexa tudo o que está desencadeando agora?

Impossível haver neste Brasil babaca de hoje uma reportagem como aquela do Boston Globe retratada no filme Spotlight?

Senão tem como então que se enterre logo e coloquem uma placa “Aqui jaz o jornalismo brasileiro”.