“Paradise PD” é a nova série animada da Netflix que você precisa ver

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Nos últimos dias muito tem se falado de (Des) Encanto, nova série dos mesmos produtores de Simpsons e Futurama e de sua qualidade narrativa, algo que colocou sombra sobre outro programa igualmente inventivo que ficou em segundo plano. “Paradise PD” é tudo aquilo que as séries dos anos 2000 de Seth MacFarlane são: tosca, politicamente incorreta, ácida e reflexiva em vários aspectos.

Obviamente, que a única diferença é que não tem o criador de Family Guy e American Dad como seu autor, esta atividade cabe à dupla Roger Black e por Waco O’Guin, também produtores de Bickleberry.

A trama se passa na pequena cidade de Paradise onde a polícia local tem dificuldade em se manter de pé por conta dos constantes cortes de gastos públicos e das brigas entre o chefe da corporação e a prefeita, que já foram casados um dia.

Nessa realidade o corpo policial da cidade tem vários estereótipos que são altamente utilizados durante os episódios da primeira temporada que já está disponível na plataforma de estreaming americana: a única mulher é uma verdadeira badass, o gordinho bonachão, o negro que tenta seu lugar ao sol, o veterano que quase não tem mais função e o garoto que tenta impressionar o pai capitão. Há até espaço para um mendigo que é colocado às pressas em ação e o cão policial que acabou por se tornar um viciado em todo o tipo de droga possível.

Os episódios são curtinhos e possuem uma sequência cronológica bem definida, o que atrapalha assistir aleatoriamente. Mas como passa rápido é fácil de assistir à primeira temporada do desenho numa única noite. E é garantido de que isso não será um esforço hercúleo por conta da quantidade de gargalhadas que você irá dar.

Portanto, se a sua procura é por diversão fácil no seu final de dia fique com “Paradise PD” sem pestanejar, mas só faça isso se não se importar com algumas escolhas criativas da produção que abusa de piadas que podem ser consideradas para algumas pessoas mais sensíveis às demonstrações sarcásticas com política, religião e instituições como a família.

Enfim, o programa tem fôlego para entrar no hall das séries que não têm medo de fazer rir.

 

 


 

 

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1ª Temporada de Succession termina com fôlego para a próxima

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O início de Succession dava a pinta de demonstrar um seriado fechado com começo, meio e fim acontecendo nestes dez capítulos que seriam finalizados ontem pela HBO num trabalho de excelência de Jesse Armstrong.

Mas o que ninguém esperava era que o desenvolvimento dos personagens ultrapassasse o clichê habitual de uma família rica que luta por poder tal qual já aconteceu tantas vezes. Uma espécie de Dallas moderno.

Ok, o mote do programa é este. Mas além da figura de Logan Roy (Brian Cox) claramente inspirado em inúmeros barões da mídia conservadora americana (assim como poderia ser comparado com um certo senhor Marinho por esses lados de cá) e da sua arrogância acumulada com perspicácia e malandragem no mundo corporativo/político também havia muito o que contar sobre os seus filhos.

Sim, em muitas de suas características todos são arquétipos de uma forma de ser já apresentada na TV e no cinema, mas quando aprofundados não se via apenas sua vida mesquinha, cheia de empáfia e vazia. Há muitas camadas que tanto Kendall Roy (Jeremy Armstrong) quanto Shiv Roy (Sarah Snook), Connor Roy (Alan Ruck) e Roman Roy (Kieran Culkin) puderam tatuar em tela para que o telespectador analisasse de quem gostava menos ou odiava mais.

Certo, há os coadjuvantes de dentro da família como Greg (Nicholas Braun), Marcia (Hiam Abbass) e Tom (Matthew McFadyen) e um destaque especial para a participação curtinha de James Cromwell vivendo Ewan Roy e não se pode menosprezar todo o restante do elenco de apoio, mas o roteiro vai e vem e sempre pousa sobre os ombros da aura perturbadora de Logan e da sombra que abate sobre seus herdeiros.

A edição também é ótima e se alinha com a decisão de focalizar as cenas por meio de uma câmera ora tremida, ora em zoom e looks que vão e vêm para tomar conta de alguns segundos dos traços do rosto do personagem ou da forma como está falando.

É certo que houve em alguns momentos da temporada uma lentidão exagerada para chegar ao próximo passo, algo que se avizinhava de maneira quase óbvia, mas que se prejudicava por enrolações desnecessárias, porém isso ainda não foi suficiente para tirar o ritmo bom do show.

E nos últimos três capítulos aconteceu o mais relevante, mas tudo isso só poderia ser importado por quem assiste se de fato houvesse uma conexão com a história e com os protagonistas desde as primeiras cenas lá no início.

Dessa forma, a entrada de vez de Shiv no mais alto grau da política estadunidense (e seus podres também), a demonstração do quão ridículo é Roman, o desvendamento da figura patética que é Connor e a insegurança frente a tudo que tem a ver com o pai no que diz respeito a Kendhal tiveram seu ápice agora em conjunto com a prepotência que caracteriza a todos eles.

Afinal de contas, dificilmente numa série que busca mostrar como é o mundo corporativo lá no topo da cadeia haveria lugar para pessoas que se importam com o próximo ou com a moral e a ética.

E nesse sentido uma segunda temporada se faz necessária para termos acesso a mais meandros deste mundo e de suas entranhas cada vez mais nojentas e inescrupulosas. Um último destaque para a qualidade da trilha sonora em geral e a abertura do programa (apesar do uso excessivo de seu tema na maioria dos episódios).

 

 

 


 

Sharp Objects é obra refinada em meio a temas profundos

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Ainda estamos no terceiro episódio, mas diante do que já se viu Sharp Objects (HBO – Todo Domingo às 22 horas) é pedaço do cinema de arte feito para a TV.

Minissérie criada por Marti Noxon e produzida pela própria protagonista do programa, Amy Adams, a história é toda baseada no livro de Gillian Flynn que, diriam os seus leitores, seria quase impossível de ser adaptada para a tela pequena ou grande por conta de suas variáveis entre fatos, pensamentos e divagações da personagem Camille Preaker que dificultam qualquer forma de transferência para a imagem.

Mas o diretor Jean-Marc Vallée (que já tinha dado show em Big Little Lies) está irrepreensível até aqui e manda muito bem na direção e na edição da produção. Com ritmo lento e tenso por todo o caminho que percorre na pequena cidade de Wind Gap a câmera de Vallée te atordoa com cortes curtos, mas não rápidos, de cenas que transpassam as reminiscências de Camille enquanto viaja metaforicamente quando acorda ou quando dirige ouvindo clássicos do rock.

A trama se inicia quando o chefe de redação da protagonista Frank Curry (Miguel Sandoval) solicita à jornalista Camille (Amy Adams) que vá até sua cidade natal investigar o assassinato de uma menina e o desaparecimento de outra em situações misteriosas.

Ao chegar na cidade cheia de pessoas esquisitas é que percebemos que a protagonista tem problemas sérios com seu passado e, principalmente, sua mãe Adora Crellin (Patricia Clarkson), uma das figuronas do local.

Por lá sabemos que há rusgas mal resolvidas entre mãe e filha, mas também se pode retirar dessa relação que para a filha ficou a ansiedade, a dificuldade em se impor num relacionamento (qualquer que seja ele), o alcoolismo e algo a ver com o título do programa (objetos cortantes, em tradução livre).

E neste ponto, também se pode concluir (pelo menos por enquanto) que Adora pratica algo que podemos chamar de chantagem emocional crônica e que funciona muito bem com a filha mais velha e mais ou menos com a filha adolescente Amma Crellin (Eliza Scanlen) enquanto a cria como se esta fosse uma criança.

Há pontos que ainda não estão muito claros, mas sabe-se que a polícia local configurada em tela pela figura de seu xerife Vickery (Matt Craven) não quer saber de incriminar ninguém da localidade e que o policial de fora Richard Willis (Chris Messina) chamado para investigar mais a fundo os crimes tem outro pensamento.

Há ainda o padrasto de Camille, Alan Crellin (Henry Czerny) que pode guardar algum segredo importante, o pai da menina morta que é bem esquisito, o irmão (e sua namorada) da menina desaparecida que pode ser um personagem interessante e várias e vários conhecidos de Camille que aparecem e desaparecem deixando sempre um rastro de estranheza no ar.

De toda forma, o programa que terá oito episódios no total, é uma obra intrigante em seu roteiro, delirante e densa em sua edição, poderosa em toda a direção de arte e nas paletas pesadas para demonstrar passado e presente tanto da protagonista quanto de seus demônios internos, além de ser inteligente na abordagem de temas pesados como depressão, ansiedade, autoflagelo e outras coisas que ainda deveremos ver por aí.

As atuações de Amy Adams e de Patricia Clarkson são deslumbrantes com qualidade passível de premiação e o elenco de apoio é sensacional e segura bem a onda, mas há de se falar de Sophia Lillis que vive Camille em flashbacks de sua adolescência e o poder em cena que tem Eliza Scanlen que flutua entre a sensualidade juvenil e a irritação de sua petulância pelo mesmo motivo etário.

Sharp Objects, portanto, parece ser o show da HBO que provocará o arrastão que Big Little Lies realizou ano passado entre o sucesso de público, a empolgação da crítica e a merecida maratona de premiações ao final do ano, mas acaba por se parecer mais no sentido dos temas abordados com outra série magnífica de 2017, a interessante The Sinner, que tinha como protagonista Jessica Biel.

 

Independente disso, o que é importante para a cultura pop atual e para a luta por direitos femininos é que o tema ligado a mulheres e o protagonismo delas tem sido bem mais recorrente nos últimos tempos junto com a qualidade com a qual é abordado.

Mas não se engane, o programa ainda terá muitas reviravoltas e seu desfecho promete chocar quem chegou ali meio desavisado. Tente curtir aos poucos, até porque sua forma de ser filmada tem de ser apreciada devagar e de maneira moderada para que seu clima pesado não te machuque tanto quanto os objetos cortantes do título.

 

 


 

 

O Bosque: nova série francesa da Netflix

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Não é de agora que produções de suspense e mistério têm se multiplicado na cinematografia francesa dos últimos tempos, mas é evidente que algumas chamam mais à atenção do que outras.

E quando a Netflix coloca seu selo no produto fica tudo mais fácil para a série ou filme ficar famoso e despertar o interesse de seus clientes.

Foi assim recentemente, num padrão mais cult com “Le Chalet” e tal situação se repete agora com este “O Bosque” (La Forêt), da showrunner Delinda Jacobs.

Talhado a partir de uma ambientação que lembra muito “Dark”, fenômeno alemão que já teve renovado contrato para mais uma temporada, esta nova série vai se afastando dessa primeira impressão a partir do término do primeiro capítulo.

A estória se passa numa pequena cidade no interior da França que é cercada por grandes florestas e clima denso tanto pelo lado sombrio de seu nevoeiro ininterrupto sempre mostrado por um plano aéreo quanto pelo comportamento tenso de seus moradores.

Aparentemente, tendo uma população que tem sempre algo a esconder do vizinho ao lado, “O Bosque” se inicia com o desaparecimento de uma garota e do mistério envolvendo sua relação com outras duas meninas, estudantes do mesmo colégio. Uma delas é filha de uma das policiais locais mais atuantes que precisa lidar ao mesmo tempo com este caso enquanto tenta lidar com a chegada de um novo chefe do departamento.

O contraponto em relação a essa trama policial é a atuação da professora das meninas que faz de tudo para saber o que está acontecendo e, aos poucos revela também seus segredos mais íntimos e mais complexos acerca de seu passado.

Obviamente, que várias dessas coisas vão se cruzando ao longo dos seis episódios e uma maratona para assisti-la não é má ideia visto que em nenhum momento a direção e o trabalho dos atores deixa você descuidar do interesse pelos próximos passos do roteiro.

Aliás, se há uma qualidade a ser relatada em relação ao script é que sua total incapacidade de promover algo novo na maneira como desenrolar os fatos não é problema para a experiência de quem se propõe a vê-la. Ou seja, sabe fazer o arroz com feijão com louvor.

Com atores capacitados como a canadense Suzanne Clement, Samuel Labarthe e Alexia Barlier, “O Bosque” peca por não ter personagens mais multidimensionais, mas se segura pelo fato de que eles são bem vividos por seus intérpretes.

Dessa forma, não haverá surpresas que não sejam aquelas mesmas promovidas por qualquer novela da Globo, mas a diversão é garantida por um motivo simples: é tudo muito bem feito e bem encaixado sem dar espaço para muita crítica dos cenários, figurino e atuação.

Porém, há quem possa visualizar inúmeros furos em coisas simples por mero descuido da edição como erros em fluxos temporais ou desaparecimento de personagens, mas a trama central é conduzida de forma eficaz e acaba presenteando o espectador com bons momentos.

 

Enfim, nada formidável, mas passível de uma tarde agradável de diversão frente à TV.

 


 

 

 

The Alienist se segura nas influências e na discussão de subtemas

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Quando foi noticiado que haveria uma série americana intitulada “The Alienist” a empolgação inicial errônea de que teríamos finalmente Machado de Assis sendo prestigiado por uma produção mais bem engendrada e seriedade na roteirização de suas obras adaptadas para a tela (com exceção de “Capitu” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas” o bruxo nunca foi realmente bem produzido na tv ou cinema) não se confirmou.

Depois de retificado o equívoco a empolgação foi substituída pela curiosidade por causa da escalação do elenco (Daniel Brühl, Dakota Fanning, Luke Evans, Brian Geraghty) e do mistério em torno do assunto da produção.

O fato é que, dirimidas as dúvidas, a aparente minissérie (nunca se sabe atualmente quando um show faz sucesso se aquilo vira ou não serial) é baseada no livro best seller homônimo de Caleb Carr e a trama segue um médico (que acaba por receber a alcunha de alienista) que tenta desvendar crimes ocorridos nos becos sujos de uma Nova York do final do século XIX seguido de uma equipe forjada por algumas situações meio forçadas pelo argumento do roteiro.

Por outro lado, se a utilização de personagens reais para participar de uma ficção não é nenhuma novidade, a forma como acontece acaba por gerar uma necessidade por pesquisa que pode fazer da obra televisiva apenas um ponta-pé para outras leituras.

Na série como um todo, estamos diante de mudanças científicas intensas e evoluções tecnológicas como a cinematografia, o telefone, medicina mais avançada e tais atividades acabam por auxiliar na investigação dos assassinatos que vitimizam especificamente meninos de rua que ganham a vida como podem sendo aliciados pela indústria da prostituição infantil daquela época (como se não houvesse hoje também).

Entra em cena o tal alienista que tenta fazer uma análise do perfil psicológico do criminoso sem que tenha qualquer pista de quem possa ser. Para isso contará com a ajuda da primeira mulher a trabalhar para a polícia de Nova York, dois detetives “faz-tudo” do departamento e um ilustrador famoso do New York Times, além do próprio chefe de polícia que teria papel importante para a história real do país.

Obviamente que um dos pontos fortes da produção da Netflix é a ambientação dos cenários para tudo parecer acontecer verdadeiramente como há cento e poucos anos e a maquiagem e guarda-roupas utilizados trazem muito dessa sensação em todos os 10 capítulos que talvez sejam mais bem digeridos se assistidos não em maratona, mas dia-após-dia para melhor degustação da trama, dos diálogos e do roteiro que, apesar de ter alguns furos, possui boas soluções.

A produção, portanto, é bem acabada e o trabalho dos atores e atrizes é bem competente. Os assuntos tratados na maioria dos episódios também fazem um bom papel, como a dificuldade das mulheres em encontrar um lugar naquele momento histórico, mas isso não quer dizer que se precise aprofundar em temas como feminismo ou sufragismo para poder demonstrar que a luta está sendo travada. Portanto, o tema não é relegado a um segundo plano tanto pelo roteiro quanto pelos personagens.

Outras coisas aparecem aqui e ali e são feitos assim como demonstrado na situação com as mulheres. Por exemplo: quando se fala sobre o racismo não há necessidade de ser panfletário, pois a questão é tratada no dia-a-dia daqueles que ali estão; a discriminação contra indígenas; os maus-tratos contra crianças; o problema da sujeira (em muitos sentidos) nos serviços públicos daquela época. Não se dá respostas fáceis sobre nenhum desses elementos, mas se há uma clara referência a eles já quer dizer que não foram olvidados pelo roteiro.

E por falar nisso, a referência que o roteiro faz a outros programas recentes que também têm suas qualidades acaba por testemunhar contra a originalidade de The Alienist (o que não quer dizer falta de qualidade) já que em muitas vezes você pensa claramente nessa influência como meio para ter conseguido chegar no trabalho final que os produtores queriam com esta série.

São inúmeros momentos em que se vê alguma cola tirada de outros produtos da TV e do cinema nas cenas assistidas nesta produção de Hossein Amini. Quando se visualiza o trabalho do futuro presidente dos EUA Theodore Roosevelt contra a corrupção da polícia da cidade de Nova York é impossível não lembrar de “Gotham” e da atividade do futuro chefe de polícia Gordon.

Do mesmo jeito é bem simples fazer um paralelo entre The Alienist e a fantástica Penny Dreadfull no que se refere à atmosfera densa, tensa e no clima de terror que ronda o ar e os personagens e seus passados; lembre-se de “The Nick” (produção maravilhosa de Soderberg que foi subestimada pela maioria do público) por causa da ótima ambientação e do tema da medicina; e, finalmente, não se esqueça de puxar pela lembrança qualquer série ou filme sobre Jack, o Estripador.

Pois então, The Alienist não é nenhuma história original, a tentativa em ser um thriller de perseguição não rola e muito menos o suspense é tão empolgante assim, além dos furos de roteiro (ou soluções fáceis que depois se perdem ou ficam num limbo que quase é esquecido por quem a assiste) e uma edição que por alguns momentos peca pela necessidade de dar muito tempo de tela para alguns dos protagonistas enquanto há um esquecimento de coadjuvantes importantes.

Porém, ela entrega bons diálogos, boas discussões filosóficas sobre psicologia humana (e neste sentido faz um paralelo, sem querer, justamente com Machado de Assis que sabia como ninguém fazer isso), usa bem a questão sobre o desenvolvimento da tecnologia naquele tempo, produz boa reflexão sobre a situação sociológica do mundo naquele contexto histórico e dos seus personagens e deixa muita coisa para a interpretação mais aprofundada do próprio espectador.

Sendo assim, é interessante degustar aos poucos a minissérie e sua finalização pode render o estudo de vários de seus subtemas e isso é algo que, muitas vezes, vale mais a pena do que o próprio prazer que a produção pode nos proporcionar.

 


 

 


 

The Chalet é suspense que dá pro gasto

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Em tempos em que uma galera empolgada se apressa em dizer que a superestimada La Casa de Papel é o suprassumo da televisão contemporânea assistir a Le Chalet é quase um alívio para mentes que procuram algo mais.

Não, não estamos falando de um programa de tv com uma virtudes indizíveis ou com roteiro cheio de tramas super inteligentes ou até mesmo linguagem vanguardista. Muito pelo contrário, pois ela aposta numa trama que em poucos minutos entrega (e aparentemente o faz sem querer) o plot twist que só deveria ser demonstrado lá pro final de sua execução (pelo quinto ou sexto episódio).

A questão que a pode elevar em consideração a outras ações televisivas atuais é que não se quer mostrar algo que não está lá. Não se tenta convencer o espectador de que as atuações dos atores e atrizes é algo fabuloso ou que há uma inteligência (tanto no argumento escrito quanto nas personagens) que lá não existe.

Le Chalet é uma minissérie de origem francesa que foi comprada pela Netflix nos mesmos moldes do que aconteceu com The Sinner ou com o já citado La Casa de Papel e a empresa jogou em sua própria plataforma como se dela fosse um produto original.

Todos os atores entregam atuações aceitáveis e há núcleos bem definidos entre os jovens, os adultos e esses mesmos núcleos num período vinte anos mais cedo quando uns ainda eram crianças e outros eram adultos mais jovens. Sim, há uma tentativa (não se sabe se proposital ou não) de fazer algo que Dark fez muito bem um ano atrás com uma linha temporal em que eventos do passado e eventos do presente estão sendo contados ao mesmo tempo. Funciona, mas demora para se familiarizar com todos os personagens e identifica-los. Mesmo assim não há nada disso que atrapalhe a evolução de quem visualize o programa.

Outra coisa que funciona é que o clima bucólico da cidade onde a trama ocorre ajuda bem na atmosfera sombria e sempre sedenta por uma explicação mais à frente. Isso proporciona também que nós testemunhemos um sentimento de melancolia em quem mora ali e há uma tristeza escondida em todos que viveram os eventos passados e que agora parecem revivê-los aos poucos.

O mote todo é que alguns amigos se reúnem num chalé de um vilarejo afastado nos alpes franceses para participarem do casamento de um antigo amigo da região. Sabemos aí que uma boa parte dos convidados foi morador dali quando mais novos e que algo os afetou lá atrás. Ao mesmo tempo que isso ocorre no agora é mostrado como eles eram vinte anos antes e alguns eventos com uma família que não aparece mais no tempo presente (por alguns motivos que serão conhecidos depois na série) acabam por ser intercalados a isso tudo.

Ahhh!!! também há uma terceira vertente dessa linha temporal mostrada com um único personagem que vai se revelando conforme vão passando os seis episódios da minissérie.

Um acontecimento ao fim do primeiro episódio atrapalhará o casamento e todos terão que se aguentar juntos no mesmo lugar enquanto lutam para sobreviver.

 

Há alguns defeitos na produção como o desaparecimento momentâneo de alguns personagens e o reaparecimento tempos depois sem que haja uma explicação plausível ou o subaproveitamento de personagens interessantes como o misterioso Alexandre, mas o que incomoda mesmo é um ou outro furo no roteiro ou algumas soluções preguiçosas para podermos desvendar alguns mistérios (se bem que vários deles nem mistérios são).

Porém, mesmo com tantas falhas ali e aqui ainda assim você tem como objeto final uma boa produção feita para adultos que querem um suspense honesto e com certa qualidade dramatúrgica. Não se ofende o espectador com algo mirabolante que apenas quer impressionar dentro de um vazio argumentativo ou se tenta cativar quem assiste com edição publicitária que busca apenas cortes rápidos de videoclipe.

Portanto, Le Chalet pode não ser a última grande novidade do último final de semana, mas também não é falso quanto o monte de porcaria que nos surge dia após dia com coisas que beiram produtos juvenis com cara de inteligência acima da média. Assista, mas faça isso para se divertir por umas seis horas, nada mais que isso.

 

PS – A abertura é um deleite (tanto no visual quanto em sua música).

 

 


 

 

Um pouco sobre o doc que focará nos últimos anos de David Bowie

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Já se vão quase dois anos da morte de David Bowie, mas muita coisa acerca dos últimos anos de vida do camaleão ainda é descoberta por aí.

Algo contribui para isso: Bowie sabia que iria morrer e se preparou artística e mentalmente para tanto.

Mais uma prova de tal situação é o documentário “David Bowie: The Last Five Years”, produção da HBO americana que acabou de ter seu trailer divulgado e que estreará dia 08/01/2018 (por lá), data de aniversário de nascimento do artista britânico (faria 71 anos).

O legado deixado pelo cantor e seus derradeiros anos de vida serão o mote do filme que terá foco nas atividades de feitura dos dois últimos discos do inglês, “The Next Day” e “Blackstar” e ainda joga luz sobre os detalhes dos preparativos para o musical de teatro “Lazarus”.

Durante o trailer várias pessoas próximas dele e colaboradores musicais discutem sobre o fato de que nesse final de carreira sua capacidade criativa explodiu de maneira absurda e acabam por especular que sua cabeça já se preparava  para o fim com o diagnóstico de câncer já tendo sido sabido por ele e pouquíssimas pessoas ao seu redor.

A escolha de imagens também parece que será um ponto forte do documentário e promete ter uma qualidade única.

Aparentemente, a família auxiliou muito na liberação dessas ações e isso pode potencializar a importância histórica do filme dirigido por Francis Whately que ainda tem participação de Tony Visconti, Ivo Van Hove, Toni Basil, Earl Slick, Gail Ann Dorsey, Gerry Leonard, Carlos Alomar, Catherine Russel, Sterling Campbell, Zachary Alford, David Torn, Enda Walsh, Donny McCaslin, Maria Schneider e Robert Fox, entre outros.

 

Veja abaixo o trailer completo: