The Sinner: ótima minissérie que não deveria virar série

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Iniciar a jornada de assistir a uma série (ou minissérie) normalmente parte de algumas premissas vistas através de propagandas e outras formas de divulgação nos meios de comunicação, mas de vez em quando acontece com a gente o que aconteceu com The Sinner.

No caso da série criada por Dereck Simonds baseada na obra literária de Petra Hammesfahr, não havia sequer uma indicação da trama ou de qualquer pista da sinopse, a não ser o nome (que parecia remeter a um filme de terror) e um cartaz com o rosto de Jessica Biel (protagonista da produção) com cara de espanto.

Vê-se então no primeiro episódio algumas cenas em que um casal que vive numa pequena cidade interiorana dos EUA com ambos trabalhando para o pai do rapaz, tendo um filho pequeno para cuidar e uma sogra chatinha para lidar tem algumas falas, mas nada que entregue algo à frente.

O único empecilho que parece rondar essas cenas é o olhar meio distante de Cora, a tal pecadora (ou não?) do título da obra, mas não é uma pista muito convincente.

Eis que eles vão até um lago onde a grande maioria das famílias da localidade também costumar levar seus filhos e a moça, durante um surto psicótico pouco entendido para aqueles que assistiram como eu, pega a faca que utilizava para cortar pera para seu bebê e mata um banhista que se divertia ouvindo música com sua noiva perto dali.

Tudo acontece muito rápido e ainda na primeira metade do piloto da série a mulher já confessou o crime e está disposta a assumir a possibilidade de passar muitos anos na cadeia, porém ao entrar em cena, o personagem do detetive Ambrose (Bill Pulman) provoca questionamentos que também farão nossa cabeça coçar.

Os motivos do homicídio serão indagados não só a Cora, mas também a todos ao seu redor e ao redor da vítima.

Sendo um verdadeiro thriller de suspense que promove plot twits a cada episódio, uma intensidade narrativa que muda de curso inúmeras vezes sem dar fôlego ao espectador e atuações fortes, dramáticas e tensas o suficiente para se tornarem críveis a quem está acompanhando The Sinner consegue surpreender e ao mesmo tempo chocar por causa dos temas discutidos. Se aparentemente acreditamos na influência tirana da mulher no temperamento instável da moça que cometeu um ato tão selvagem aos poucos muitas outras coisas vão se juntando para montar o quebra-cabeças.

A necessidade de Cora e de sua irmã de se tornarem independentes física, moral e eticamente de sua mãe e de seus jogos autoritários religiosos se aliam às traições de seu pai, à chantagem emocional da caçula e toda a luta para se livrar dessas amarras por meio de escolhas não muito inteligentes de ambas.

O relacionamento abusivo vivido com um ex-namorado também não auxilia na melhoria da cabeça de Cora e tudo isso irá culminar num enredo que acaba entregando muito mais coisa que você imaginaria numa série normal de suspense.

As subtramas envolvendo outros personagens também se tornam interessantes, mas acabam por ser superficiais pelo fato de que você quer a todo momento saber qual a próxima peça a se encaixar no labirinto que se abre e se fecha a todo novo início de capítulo.

Com 8 episódios relativamente curtos, não é uma boa maratonar The Sinner, pois a série é pesada demais em suas discussões para sair tranquilo de um final para o início do outro sem que antes se tenha um período para pensar, refletir e mastigar toda a ação do que acabou de ser visto.

Por ter um encerramento bem concluído e sem furos muito gigantescos para serem enterrados em nossa memória é difícil imaginar que ainda tenham a necessidade de fazer parecer que haverá uma segunda temporada, mas The Night Of e Big Little Lies provaram que o sucesso grandioso pode fazer os olhares dos produtores brilharem de uma maneira que somente uma continuação os fará sossegar.

 

Nota máxima para o elenco e fotografia, alguns pontos que poderiam ser melhorados na parte final do roteiro e uma questão aqui e acolá sobre uns furos na edição, mas nada que elimine as qualidades do produto final. Ótima série!

 

 


 

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Enfim, o primeiro trailer da sétima temporada de Game of Thrones

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Sim, está chegando a hora!

Depois de muito esperar e do adiamento da nova temporada do tradicional mês de abril para o meio do ano os produtores e a HBO soltaram, enfim, o primeiro trailer oficial da sétima temporada de Game of Thrones.

Claro que há muito o que comentar sobre o que é mostrado nestes quase dois minutos. Temos Cersei traçando sua estratégia, Daenerys chegando a Westeros, Arya sozinha, muitas cenas de batalha, dragões e nada muito fácil de depreender desses próximos sete episódios.

E o que significa  Melisandre em Pedra do Dragão, crianças?

Assista e depois responda: para você, fã da série, o que se destacou para você? O que você quer saber mais a respeito dos passos seguintes? Deixe sua teoria nos comentários!

 


 

Última temporada de “The Leftovers” comprova sua qualidade de texto e atuações memoráveis

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Quando foi lançado dois anos atrás a série “The Leftovers” tinha na bagagem a produção de Damon Lindelof e sua experiência com “Lost”, um roteiro adaptado do sucesso literário do autor Tom Perrota e um elenco com gente tarimbada e competente.

Porém, pouco se sabia a respeito do projeto e muitas perguntas foram sendo feitas nos primeiros capítulos da trama em sua primeira temporada que foi uma das melhores coisas de 2015.

O próprio Blog escreveu em determinado momento que o bom da série seriam seus questionamentos em detrimento de respostas desesperadas pretendidas pelos fãs.

A questão é que veio a segunda temporada ano passado e um monte de situações se avolumou na vida dos personagens e mais gente foi jogada a esse balaio de gatos transcendental que provocou nós em qualquer cérebro que se acha (ou achava) normal até então.

O resultado foi uma das melhores temporadas de série em todos os tempos.

Mas havia um problema que a série não conseguiu resolver: sua base de público não aumentou e fez com que fosse cancelada após a terceira temporada. Talvez a HBO, detentora da produção só deixou que houvesse essa última parte da série por conta do prestígio de seu idealizador e deu a ele carta branca para fazer o que quisesse para o final da história.

Obrigado, HBO! Obrigado, Damon e Tom.

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A terceira temporada que só terá oito episódios (domingo que vem será o penúltimo) brinca novamente com nosso senso de realidade, fala alto aos nossos ouvidos naquilo que queremos saber e a respeito daquilo que não desejaríamos nunca ter de enfrentar e nos entrega atuações que são dignas de Emmy para todos os lados.

Seguindo a linha de responder uma coisa aqui e ali sobre questões da existência humana, mas nunca dando a entender que irá explicar o porquê de tanta gente ter sumido repentinamente naquele fatídico dia 14 de outubro e se atém espertamente na vida e loucura deixada nos que ficaram para trás.

Daí é que surgem Messias, aproveitadores, depressivos e suicidas a cada momento que temos acesso aos novos capítulos. Normalmente, principalmente nesta fase final da história, percebemos que a angústia dos principais personagens está chegando a pontos absurdamente insustentáveis e nem mesmo a religião está sendo capaz de confortar os corações dilacerados pelas perdas não explicadas. O tchan incrível é que essa doença pega em nós, espectadores, é nos sentimos amplamente aflitos pela dor alheia daqueles que não conseguem alívio para seu buraco interno.

A série tem tratado neste momento de mitos, lendas, conflitos e confrontos relacionais, a procura por algo que dê novo sentido à vida dos protagonistas (enquanto demonstra de longe o que ocorre com o resto da população mundial), bombas atômicas, bacanais, fé e a perda dela, mas é difícil ficar alheio às atuações de Justin Theroux (Kevin Garvey), Carrie Coon (Nora Durst), Scott Glenn (Kevin Garvey Sr.), Christopher Ecclestone (Matt Jamison) e Amy Brenemman (Laurie), pois todas elas têm sido arrebatadoras.

Além disso, aparições-relâmpago em pequenos trechos feitos por personagens que aparentemente nem são importantes para a trama central trazem belíssimas performances tanto no empenho de seus atores e atrizes quanto na fotografia fantástica que sai de coloridos intensos para tons pasteis e ilustrações áridas como a vida das pessoas que são mostradas na tela.

Os temas musicais que são modificados e transformados para servir de tema para alguns momentos já clássicos de “The Leftovers” valem não só pela experiência sonora, mas pela história que ela conta também.

Enfim, toda a série é digna de elogios e sua cada vez mais próxima finalização fará com que também nossos corações sejam arrebatados pelo vazio que tal produção deixará. Claro que nunca dá para dar 10 com louvor sem antes saber do final, mas espero sinceramente que não se respondam muitas coisas e que tudo continue focado nos personagens que foram modificados para sempre após suas perdas sem sentido. Isso tudo pode servir, inclusive, para provar que uma série não precisa necessariamente ser como o Google que precisa ter resposta para tudo no momento que você tecla a palavra-chave. Que saibamos viver sob a égide da dúvida e que perguntar tenha tanta importância como é a resposta pura e simples.

Dessa forma, “The Leftovers”, podemos repetir com bastante clareza, é uma das melhores séries que já surgiu na tv em todos os tempos. E isso, mesmo que tenha uma última cena horripilante. Mas pela qualidade empregada e falta de pressa para fazer as coisas acontecerem é possível confiar que nada disso acontecerá. Tomara!

 


 

HBO pode sair da grade brasileira (entenda o problema)

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O caso é complexo e tem a ver com monopolização de mercado.

Em outubro do ano passado, a AT&T (megaempresa de comunicação americana) anunciou um acordo de US$ 108,7 bilhões para a compra da Time Warner (outra gigantesca corporação que vinha passando por roblemas financeiros) que mexeu com as Bolsas e negócios do mundo inteiro.

Pois bem, essa decisão altera algumas das atividades das duas empresas aqui mesmo no Brasil e por isso passou a ser muito discutida a forma como ela interfere no andamento da grade de TV paga nacional.

Dessa forma, muitos canais no Brasil podem ser da mesma empresa e, portanto, a Ancine (Agência Nacional do Cinema) anunciou nesta quarta-feira (17) que vai notificar as duas empresas a respeito das consequências dessa união.

De acordo com o relatório, as empresas de telecomunicações não podem ter mais de 30% de participação do capital total e votante de produtoras e programadoras com sede aqui.

Na verdade, o que está em jogo é que por conta dessa compra da AT&T, que já é proprietária da DirecTV, responsável pela Sky Brasil, a empresa não tem permissão para atuar no Brasil, já que as leis internas brasileiras atuais deixam claro que não pode existir uma empresa que seja distribuidora de canais por assinatura e, ao mesmo tempo, também ter canais de assinatura no país.

A salada corporativa pode atrapalhar, no final das contas, a experiência de milhões de pessoas que se acostumaram a assistir canais como a HBO, Cartoon Network e CNN. Tais emissoras da televisão por assinatura teriam de deixar a grade do país e seríamos alijados de ter acesso a séries e filmes exclusivos destes canais.

Leia na integra o comunicado da Ancine no link abaixo:

 

 

https://www.ancine.gov.br/pt-br/sala-imprensa/noticias/ancine-ir-notificar-time-warner-e-att

Big Little Lies foge da monotemática (e isso é ótimo)

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Numa época em que séries televisivas cada vez mais são focadas num único tema é importante destacar alguma que não se favorece deste processo narrativo e que mesmo assim funciona bem.

É o caso de “Big Little Lies”, nova série (ou seria uma minissérie?) da HBO que é desenvolvida, roteirizada e produzida por David E. Kelley (Ally McBeal, Boston Legal, The Practice) e possui direção da maioria dos episódios de Jean Marc Vallée.

A história, adaptação do livro de mesmo nome da escritora Liane Moriarty, tem elenco estelar puxado por Nicole Kidman, Reese Witherspoon, Shailene Woodley e Laura Dern em aparições marcantes e atuações dignas de Emmy de todas elas, mas ainda assim consegue se segurar quando os coadjuvantes Alexander Skargärd, Zöe Kravitz, Adam Scott, James Tupper e Jeffrey Nordling estão em cena.

A série estreou na emissora americana da tv a cabo em 19 de fevereiro de 2017 e teve sua conclusão (???) no último 02 de abril.

Apesar do clima de história sobre as dificuldades variadas de um grupo de mulheres moradoras da pseudomoderninha cidade de Monterey – California, há também uma constelação de outros problemas relacionados a elas, às suas crianças, sua estada na escola pública da comunidade onde moram e do relacionamento com seus respectivos esposos que fazem girar uma antena de 360 graus que não para nunca diante da próxima situação posta à frente da câmera.

Obviamente, a produção foi vendida como um drama de relacionamento humano e faz isso muito bem com diálogos bastante verossímeis neste quesito, mas emplaca desde os primeiros takes um suspensa que perdurará até a última meia hora do sétimo capítulo que quando finaliza sua temporada.

Colocando como pano de fundo inúmeros ruídos na relação das mulheres da cidade o primeiro quiproquó é causado por uma acusação de agressão entre duas crianças logo no início do primeiro episódio, o que vende a ideia de um antagonismo entre duas das protagonistas, mas que diante da bem engendrada construção dos personagens e de suas boas e más intenções para a vida da comunidade, além de suas convicções pessoais, tudo vai se encaminhando para um interessante sentimento de sororidade das principais participantes da trama central.

Envolvendo casos de estupro, violência doméstica, dificuldades de relacionamento entre pais e filhos, romances, traição, briga por poder no processo macro e micro da cidade, análises psicológicas e psiquiátricas maravilhosamente postas através de alguns personagens colocados especificamente para isso (sem soar artificial) e um olhar sob a perspectiva pedagógica promovida pela escola em que as crianças estudam, “Big Little Lies” transita além do drama clássico e o suspense influenciado por Agatha Christie. Ele pode funcionar em alguns momentos com a leveza de tiradas cômicas que aliviam a tensão, promove discussões muito mais relevantes do que a série toda de 50 Tons de Cinza quando aborda a relação entre o sexo e a violência e se consagra com a capacidade de introduzir na discussão as crianças num enredo que parece tipicamente adulto (e deixa claro o motivo disso).

Enfim, aliando tudo isso por meio de inúmeros silêncios que ajudam a raciocinar enquanto alguns de seus protagonistas sonham, pensam ou simplesmente surtam, a produção ainda consegue fechar com chave de ouro por meio de uma trilha sonora de primeira linha.

Por último, fica a sensação de que o show vendido como minissérie possa dar uma guinada para uma série com algumas temporadas por conta de algumas pontas soltas deixadas de lado em seu final, mas independente disso já é a grande surpresa dos últimos meses mesmo que isso não devesse ser por conta da marca de qualidade da HBO.

Sendo assim, fica a dica para que ao se deparar com essas pequenas grandes mentiras contadas ao longo dos sete episódios o público tenha a paciência de pensar e mastigar com calma e gosto cada um dos inúmeros temas abordados. Bom apetite!


 


 

Seriam essas as séries mais assistidas da Netflix

*** Com Informações colhidas pelo site “Na Hora da Notícia” ***

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É sabido pela maioria das pessoas do mercado de mídia e por muitos espectadores que a Netflix não tem interesse nenhum em divulgar dados e estatísticas de audiência de sua programação, pois não possuem atividade econômica que dependa de espaços de propaganda para impulsionar seus cofres.

Porém, há muita especulação em torno da questão já que fãs de séries e de franquias de filmes de Hollywood sempre estão prontos para participar de debates e fóruns de discussões sobre quem tem mais sucesso mundialmente.

Se no quesito apontado aqui existe uma dificuldade de provar com 100% de certeza que tais elementos acontecem de fato, mesmo assim há quem se aventure pela atividade.

Outra situação que atrapalha a contagem precisa de dados sobre audiência é que as séries produzidas pela plataforma funcionam através do serviço de streaming e não necessariamente são assistidas no momento de sua estreia.

Mesmo assim, há quem queira provar (ou pelo menos chegar perto) de quem é campeão de visualizações através da empresa de comunicação criada por Reed Hastings.

Para ficar no exemplo mais recente, a empresa SymphonyAM, criou um método em que é possível coletar os dados de audiência na Netflix através da coleta de identificação do som emitido pela televisão através de um aplicativo instalado em celulares ou nas próprias TVs.

Obviamente que, mesmo não sendo tão confiável, percebe-se quais são as principais séries vistas pelo público onde há acesso à Netflix.

O processo estatístico converge desde o início das séries originais em 2013 com a produção de House of Cards.

Portanto, veja a relação do Top 5 da Netflix. Os números tem como início de análise o dia de estreia da temporada, somados aos dos cinco dias posteriores, levando em consideração espectadores com menos de 50 anos:

  1. Fuller House – 8,7 milhões de espectadores
  2. Orange is the New Black (quarta temporada) – 7,79 milhões
  3. Demolidor (segunda temporada) – 4 milhões
  4. Stranger Things – 3,93 milhões
  5. Luke Cage – 3,52 milhões

 

House of Cards vem logo atrás, com a quarta temporada conquistando 3 milhões de espectadores, seguida por Unbreakable Kimmy Schmidt, cujo segundo ano foi assistido por 2,95 milhões.

Assim como é de praxe para procedimentos realizados dentro ou fora da empresa que tenha como intenção esse tipo de medição a Netflix não comentou e possivelmente nunca o fará. Mas mesmo assim é muito interessante ter acesso a essas informações.

Atualmente, o serviço de streaming colhe muito sucesso através de suas séries originais e seu recente acordo com a Disney (o que inclui a série “13 reasons why” e produções ligadas à Marvel Comics, além do catálogo completo de Star Wars).


Espaço dos colaboradores: que tal voltar a Twin Peaks?

  • Por Giovana Bastos Oliveira

 

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Passaram-se 25 anos desde que vimos pela última vez os picos gêmeos desta cidade interiorana.

Pois não é que David Lynch e Mark Frost decidem voltar a este passado?

Em algum momento de 2017 teremos uma nova temporada de Twin Peaks e os ânimos desde quando isso foi anunciado se elevaram novamente.

A cidade é retratada como uma localidade pacata, abrigo de segredos e simbolismos ocultos que envolvem todos os seus moradores. Diversas tramas se interligam em prol de única alma perdida: Laura Palmer.

Lynch consegue manter a dualidade sobrenatural em suas personagens, deixando uma única mensagem implícita em cada uma delas: há ambiguidade em todos nós. “As corujas não são o que parecem”. Quando o bondoso e otimista agente Dale Cooper começa a investigar o assassinato de Palmer, entra num labirinto sem fim que parece levá-lo a si mesmo.

Garotas em suéteres e saias colegiais, garçonetes coando café, policiais bem-intencionados, pais de família em luto: todos estão sujeitos ao mal que ronda a cidade, aos espíritos que rondam Twin Peaks e assolam as mentes desatentas.

A série dos anos 90 teve um desfecho inusitado, causado pela diminuição de interesse do público. Afinal, uma vez que o grande mistério de quem matou Laura Palmer foi solucionado, alguns espectadores desavisados se sentiram no direito de abandonar o barco. O que pode ser considerado uma pena, levando em conta a magnitude da segunda temporada. Lynch e Frost se aprofundaram ainda mais na persona do espírito BOB, no misticismo rudimentar da trama e também na própria figura de Cooper. O último episódio pode ser considerado uma obra-prima, utilizando de sua simbologia pessoal (um pouco mais visível no filme do que na série de TV) para explicar pontos-chaves da história.

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Imagem promocional da nova temporada

As cortinas vermelhas e o chão em padrões de cor preta e branca tornaram-se icônicos. O “salão negro” é associado por muitos á uma espécie primitiva de inferno e ali entendemos que fim levou a alma perturbada de Laura Palmer. E ali também compreendemos que nada é o que aparenta ser.

A mensagem estava ali desde o início. “As corujas não são o que parecem”. Dale Cooper adentrou o Salão Negro com “coragem imperfeita”, deixando uma irônica ressalva da natureza de Twin Peaks e do imaginário Lynch. Repetindo: “As corujas não são o que parecem”.

Lembre-se disso antes de mergulhar neste mundo. Estamos desesperadamente curiosos com o que virá em 2017. Afinal, foi uma longa espera de 25 anos.

  • Meanwhile: esperamos para ver o que aconteceu com Annie.

Teaser da nova temporada