O Bosque: nova série francesa da Netflix

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Não é de agora que produções de suspense e mistério têm se multiplicado na cinematografia francesa dos últimos tempos, mas é evidente que algumas chamam mais à atenção do que outras.

E quando a Netflix coloca seu selo no produto fica tudo mais fácil para a série ou filme ficar famoso e despertar o interesse de seus clientes.

Foi assim recentemente, num padrão mais cult com “Le Chalet” e tal situação se repete agora com este “O Bosque” (La Forêt), da showrunner Delinda Jacobs.

Talhado a partir de uma ambientação que lembra muito “Dark”, fenômeno alemão que já teve renovado contrato para mais uma temporada, esta nova série vai se afastando dessa primeira impressão a partir do término do primeiro capítulo.

A estória se passa numa pequena cidade no interior da França que é cercada por grandes florestas e clima denso tanto pelo lado sombrio de seu nevoeiro ininterrupto sempre mostrado por um plano aéreo quanto pelo comportamento tenso de seus moradores.

Aparentemente, tendo uma população que tem sempre algo a esconder do vizinho ao lado, “O Bosque” se inicia com o desaparecimento de uma garota e do mistério envolvendo sua relação com outras duas meninas, estudantes do mesmo colégio. Uma delas é filha de uma das policiais locais mais atuantes que precisa lidar ao mesmo tempo com este caso enquanto tenta lidar com a chegada de um novo chefe do departamento.

O contraponto em relação a essa trama policial é a atuação da professora das meninas que faz de tudo para saber o que está acontecendo e, aos poucos revela também seus segredos mais íntimos e mais complexos acerca de seu passado.

Obviamente, que várias dessas coisas vão se cruzando ao longo dos seis episódios e uma maratona para assisti-la não é má ideia visto que em nenhum momento a direção e o trabalho dos atores deixa você descuidar do interesse pelos próximos passos do roteiro.

Aliás, se há uma qualidade a ser relatada em relação ao script é que sua total incapacidade de promover algo novo na maneira como desenrolar os fatos não é problema para a experiência de quem se propõe a vê-la. Ou seja, sabe fazer o arroz com feijão com louvor.

Com atores capacitados como a canadense Suzanne Clement, Samuel Labarthe e Alexia Barlier, “O Bosque” peca por não ter personagens mais multidimensionais, mas se segura pelo fato de que eles são bem vividos por seus intérpretes.

Dessa forma, não haverá surpresas que não sejam aquelas mesmas promovidas por qualquer novela da Globo, mas a diversão é garantida por um motivo simples: é tudo muito bem feito e bem encaixado sem dar espaço para muita crítica dos cenários, figurino e atuação.

Porém, há quem possa visualizar inúmeros furos em coisas simples por mero descuido da edição como erros em fluxos temporais ou desaparecimento de personagens, mas a trama central é conduzida de forma eficaz e acaba presenteando o espectador com bons momentos.

 

Enfim, nada formidável, mas passível de uma tarde agradável de diversão frente à TV.

 


 

 

 

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The Alienist se segura nas influências e na discussão de subtemas

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Quando foi noticiado que haveria uma série americana intitulada “The Alienist” a empolgação inicial errônea de que teríamos finalmente Machado de Assis sendo prestigiado por uma produção mais bem engendrada e seriedade na roteirização de suas obras adaptadas para a tela (com exceção de “Capitu” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas” o bruxo nunca foi realmente bem produzido na tv ou cinema) não se confirmou.

Depois de retificado o equívoco a empolgação foi substituída pela curiosidade por causa da escalação do elenco (Daniel Brühl, Dakota Fanning, Luke Evans, Brian Geraghty) e do mistério em torno do assunto da produção.

O fato é que, dirimidas as dúvidas, a aparente minissérie (nunca se sabe atualmente quando um show faz sucesso se aquilo vira ou não serial) é baseada no livro best seller homônimo de Caleb Carr e a trama segue um médico (que acaba por receber a alcunha de alienista) que tenta desvendar crimes ocorridos nos becos sujos de uma Nova York do final do século XIX seguido de uma equipe forjada por algumas situações meio forçadas pelo argumento do roteiro.

Por outro lado, se a utilização de personagens reais para participar de uma ficção não é nenhuma novidade, a forma como acontece acaba por gerar uma necessidade por pesquisa que pode fazer da obra televisiva apenas um ponta-pé para outras leituras.

Na série como um todo, estamos diante de mudanças científicas intensas e evoluções tecnológicas como a cinematografia, o telefone, medicina mais avançada e tais atividades acabam por auxiliar na investigação dos assassinatos que vitimizam especificamente meninos de rua que ganham a vida como podem sendo aliciados pela indústria da prostituição infantil daquela época (como se não houvesse hoje também).

Entra em cena o tal alienista que tenta fazer uma análise do perfil psicológico do criminoso sem que tenha qualquer pista de quem possa ser. Para isso contará com a ajuda da primeira mulher a trabalhar para a polícia de Nova York, dois detetives “faz-tudo” do departamento e um ilustrador famoso do New York Times, além do próprio chefe de polícia que teria papel importante para a história real do país.

Obviamente que um dos pontos fortes da produção da Netflix é a ambientação dos cenários para tudo parecer acontecer verdadeiramente como há cento e poucos anos e a maquiagem e guarda-roupas utilizados trazem muito dessa sensação em todos os 10 capítulos que talvez sejam mais bem digeridos se assistidos não em maratona, mas dia-após-dia para melhor degustação da trama, dos diálogos e do roteiro que, apesar de ter alguns furos, possui boas soluções.

A produção, portanto, é bem acabada e o trabalho dos atores e atrizes é bem competente. Os assuntos tratados na maioria dos episódios também fazem um bom papel, como a dificuldade das mulheres em encontrar um lugar naquele momento histórico, mas isso não quer dizer que se precise aprofundar em temas como feminismo ou sufragismo para poder demonstrar que a luta está sendo travada. Portanto, o tema não é relegado a um segundo plano tanto pelo roteiro quanto pelos personagens.

Outras coisas aparecem aqui e ali e são feitos assim como demonstrado na situação com as mulheres. Por exemplo: quando se fala sobre o racismo não há necessidade de ser panfletário, pois a questão é tratada no dia-a-dia daqueles que ali estão; a discriminação contra indígenas; os maus-tratos contra crianças; o problema da sujeira (em muitos sentidos) nos serviços públicos daquela época. Não se dá respostas fáceis sobre nenhum desses elementos, mas se há uma clara referência a eles já quer dizer que não foram olvidados pelo roteiro.

E por falar nisso, a referência que o roteiro faz a outros programas recentes que também têm suas qualidades acaba por testemunhar contra a originalidade de The Alienist (o que não quer dizer falta de qualidade) já que em muitas vezes você pensa claramente nessa influência como meio para ter conseguido chegar no trabalho final que os produtores queriam com esta série.

São inúmeros momentos em que se vê alguma cola tirada de outros produtos da TV e do cinema nas cenas assistidas nesta produção de Hossein Amini. Quando se visualiza o trabalho do futuro presidente dos EUA Theodore Roosevelt contra a corrupção da polícia da cidade de Nova York é impossível não lembrar de “Gotham” e da atividade do futuro chefe de polícia Gordon.

Do mesmo jeito é bem simples fazer um paralelo entre The Alienist e a fantástica Penny Dreadfull no que se refere à atmosfera densa, tensa e no clima de terror que ronda o ar e os personagens e seus passados; lembre-se de “The Nick” (produção maravilhosa de Soderberg que foi subestimada pela maioria do público) por causa da ótima ambientação e do tema da medicina; e, finalmente, não se esqueça de puxar pela lembrança qualquer série ou filme sobre Jack, o Estripador.

Pois então, The Alienist não é nenhuma história original, a tentativa em ser um thriller de perseguição não rola e muito menos o suspense é tão empolgante assim, além dos furos de roteiro (ou soluções fáceis que depois se perdem ou ficam num limbo que quase é esquecido por quem a assiste) e uma edição que por alguns momentos peca pela necessidade de dar muito tempo de tela para alguns dos protagonistas enquanto há um esquecimento de coadjuvantes importantes.

Porém, ela entrega bons diálogos, boas discussões filosóficas sobre psicologia humana (e neste sentido faz um paralelo, sem querer, justamente com Machado de Assis que sabia como ninguém fazer isso), usa bem a questão sobre o desenvolvimento da tecnologia naquele tempo, produz boa reflexão sobre a situação sociológica do mundo naquele contexto histórico e dos seus personagens e deixa muita coisa para a interpretação mais aprofundada do próprio espectador.

Sendo assim, é interessante degustar aos poucos a minissérie e sua finalização pode render o estudo de vários de seus subtemas e isso é algo que, muitas vezes, vale mais a pena do que o próprio prazer que a produção pode nos proporcionar.

 


 

 


 

The Chalet é suspense que dá pro gasto

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Em tempos em que uma galera empolgada se apressa em dizer que a superestimada La Casa de Papel é o suprassumo da televisão contemporânea assistir a Le Chalet é quase um alívio para mentes que procuram algo mais.

Não, não estamos falando de um programa de tv com uma virtudes indizíveis ou com roteiro cheio de tramas super inteligentes ou até mesmo linguagem vanguardista. Muito pelo contrário, pois ela aposta numa trama que em poucos minutos entrega (e aparentemente o faz sem querer) o plot twist que só deveria ser demonstrado lá pro final de sua execução (pelo quinto ou sexto episódio).

A questão que a pode elevar em consideração a outras ações televisivas atuais é que não se quer mostrar algo que não está lá. Não se tenta convencer o espectador de que as atuações dos atores e atrizes é algo fabuloso ou que há uma inteligência (tanto no argumento escrito quanto nas personagens) que lá não existe.

Le Chalet é uma minissérie de origem francesa que foi comprada pela Netflix nos mesmos moldes do que aconteceu com The Sinner ou com o já citado La Casa de Papel e a empresa jogou em sua própria plataforma como se dela fosse um produto original.

Todos os atores entregam atuações aceitáveis e há núcleos bem definidos entre os jovens, os adultos e esses mesmos núcleos num período vinte anos mais cedo quando uns ainda eram crianças e outros eram adultos mais jovens. Sim, há uma tentativa (não se sabe se proposital ou não) de fazer algo que Dark fez muito bem um ano atrás com uma linha temporal em que eventos do passado e eventos do presente estão sendo contados ao mesmo tempo. Funciona, mas demora para se familiarizar com todos os personagens e identifica-los. Mesmo assim não há nada disso que atrapalhe a evolução de quem visualize o programa.

Outra coisa que funciona é que o clima bucólico da cidade onde a trama ocorre ajuda bem na atmosfera sombria e sempre sedenta por uma explicação mais à frente. Isso proporciona também que nós testemunhemos um sentimento de melancolia em quem mora ali e há uma tristeza escondida em todos que viveram os eventos passados e que agora parecem revivê-los aos poucos.

O mote todo é que alguns amigos se reúnem num chalé de um vilarejo afastado nos alpes franceses para participarem do casamento de um antigo amigo da região. Sabemos aí que uma boa parte dos convidados foi morador dali quando mais novos e que algo os afetou lá atrás. Ao mesmo tempo que isso ocorre no agora é mostrado como eles eram vinte anos antes e alguns eventos com uma família que não aparece mais no tempo presente (por alguns motivos que serão conhecidos depois na série) acabam por ser intercalados a isso tudo.

Ahhh!!! também há uma terceira vertente dessa linha temporal mostrada com um único personagem que vai se revelando conforme vão passando os seis episódios da minissérie.

Um acontecimento ao fim do primeiro episódio atrapalhará o casamento e todos terão que se aguentar juntos no mesmo lugar enquanto lutam para sobreviver.

 

Há alguns defeitos na produção como o desaparecimento momentâneo de alguns personagens e o reaparecimento tempos depois sem que haja uma explicação plausível ou o subaproveitamento de personagens interessantes como o misterioso Alexandre, mas o que incomoda mesmo é um ou outro furo no roteiro ou algumas soluções preguiçosas para podermos desvendar alguns mistérios (se bem que vários deles nem mistérios são).

Porém, mesmo com tantas falhas ali e aqui ainda assim você tem como objeto final uma boa produção feita para adultos que querem um suspense honesto e com certa qualidade dramatúrgica. Não se ofende o espectador com algo mirabolante que apenas quer impressionar dentro de um vazio argumentativo ou se tenta cativar quem assiste com edição publicitária que busca apenas cortes rápidos de videoclipe.

Portanto, Le Chalet pode não ser a última grande novidade do último final de semana, mas também não é falso quanto o monte de porcaria que nos surge dia após dia com coisas que beiram produtos juvenis com cara de inteligência acima da média. Assista, mas faça isso para se divertir por umas seis horas, nada mais que isso.

 

PS – A abertura é um deleite (tanto no visual quanto em sua música).

 

 


 

 

Um pouco sobre o doc que focará nos últimos anos de David Bowie

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Já se vão quase dois anos da morte de David Bowie, mas muita coisa acerca dos últimos anos de vida do camaleão ainda é descoberta por aí.

Algo contribui para isso: Bowie sabia que iria morrer e se preparou artística e mentalmente para tanto.

Mais uma prova de tal situação é o documentário “David Bowie: The Last Five Years”, produção da HBO americana que acabou de ter seu trailer divulgado e que estreará dia 08/01/2018 (por lá), data de aniversário de nascimento do artista britânico (faria 71 anos).

O legado deixado pelo cantor e seus derradeiros anos de vida serão o mote do filme que terá foco nas atividades de feitura dos dois últimos discos do inglês, “The Next Day” e “Blackstar” e ainda joga luz sobre os detalhes dos preparativos para o musical de teatro “Lazarus”.

Durante o trailer várias pessoas próximas dele e colaboradores musicais discutem sobre o fato de que nesse final de carreira sua capacidade criativa explodiu de maneira absurda e acabam por especular que sua cabeça já se preparava  para o fim com o diagnóstico de câncer já tendo sido sabido por ele e pouquíssimas pessoas ao seu redor.

A escolha de imagens também parece que será um ponto forte do documentário e promete ter uma qualidade única.

Aparentemente, a família auxiliou muito na liberação dessas ações e isso pode potencializar a importância histórica do filme dirigido por Francis Whately que ainda tem participação de Tony Visconti, Ivo Van Hove, Toni Basil, Earl Slick, Gail Ann Dorsey, Gerry Leonard, Carlos Alomar, Catherine Russel, Sterling Campbell, Zachary Alford, David Torn, Enda Walsh, Donny McCaslin, Maria Schneider e Robert Fox, entre outros.

 

Veja abaixo o trailer completo:

 

 


 

The Sinner: ótima minissérie que não deveria virar série

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Iniciar a jornada de assistir a uma série (ou minissérie) normalmente parte de algumas premissas vistas através de propagandas e outras formas de divulgação nos meios de comunicação, mas de vez em quando acontece com a gente o que aconteceu com The Sinner.

No caso da série criada por Dereck Simonds baseada na obra literária de Petra Hammesfahr, não havia sequer uma indicação da trama ou de qualquer pista da sinopse, a não ser o nome (que parecia remeter a um filme de terror) e um cartaz com o rosto de Jessica Biel (protagonista da produção) com cara de espanto.

Vê-se então no primeiro episódio algumas cenas em que um casal que vive numa pequena cidade interiorana dos EUA com ambos trabalhando para o pai do rapaz, tendo um filho pequeno para cuidar e uma sogra chatinha para lidar tem algumas falas, mas nada que entregue algo à frente.

O único empecilho que parece rondar essas cenas é o olhar meio distante de Cora, a tal pecadora (ou não?) do título da obra, mas não é uma pista muito convincente.

Eis que eles vão até um lago onde a grande maioria das famílias da localidade também costumar levar seus filhos e a moça, durante um surto psicótico pouco entendido para aqueles que assistiram como eu, pega a faca que utilizava para cortar pera para seu bebê e mata um banhista que se divertia ouvindo música com sua noiva perto dali.

Tudo acontece muito rápido e ainda na primeira metade do piloto da série a mulher já confessou o crime e está disposta a assumir a possibilidade de passar muitos anos na cadeia, porém ao entrar em cena, o personagem do detetive Ambrose (Bill Pulman) provoca questionamentos que também farão nossa cabeça coçar.

Os motivos do homicídio serão indagados não só a Cora, mas também a todos ao seu redor e ao redor da vítima.

Sendo um verdadeiro thriller de suspense que promove plot twits a cada episódio, uma intensidade narrativa que muda de curso inúmeras vezes sem dar fôlego ao espectador e atuações fortes, dramáticas e tensas o suficiente para se tornarem críveis a quem está acompanhando The Sinner consegue surpreender e ao mesmo tempo chocar por causa dos temas discutidos. Se aparentemente acreditamos na influência tirana da mulher no temperamento instável da moça que cometeu um ato tão selvagem aos poucos muitas outras coisas vão se juntando para montar o quebra-cabeças.

A necessidade de Cora e de sua irmã de se tornarem independentes física, moral e eticamente de sua mãe e de seus jogos autoritários religiosos se aliam às traições de seu pai, à chantagem emocional da caçula e toda a luta para se livrar dessas amarras por meio de escolhas não muito inteligentes de ambas.

O relacionamento abusivo vivido com um ex-namorado também não auxilia na melhoria da cabeça de Cora e tudo isso irá culminar num enredo que acaba entregando muito mais coisa que você imaginaria numa série normal de suspense.

As subtramas envolvendo outros personagens também se tornam interessantes, mas acabam por ser superficiais pelo fato de que você quer a todo momento saber qual a próxima peça a se encaixar no labirinto que se abre e se fecha a todo novo início de capítulo.

Com 8 episódios relativamente curtos, não é uma boa maratonar The Sinner, pois a série é pesada demais em suas discussões para sair tranquilo de um final para o início do outro sem que antes se tenha um período para pensar, refletir e mastigar toda a ação do que acabou de ser visto.

Por ter um encerramento bem concluído e sem furos muito gigantescos para serem enterrados em nossa memória é difícil imaginar que ainda tenham a necessidade de fazer parecer que haverá uma segunda temporada, mas The Night Of e Big Little Lies provaram que o sucesso grandioso pode fazer os olhares dos produtores brilharem de uma maneira que somente uma continuação os fará sossegar.

 

Nota máxima para o elenco e fotografia, alguns pontos que poderiam ser melhorados na parte final do roteiro e uma questão aqui e acolá sobre uns furos na edição, mas nada que elimine as qualidades do produto final. Ótima série!

 

 


 

Enfim, o primeiro trailer da sétima temporada de Game of Thrones

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Sim, está chegando a hora!

Depois de muito esperar e do adiamento da nova temporada do tradicional mês de abril para o meio do ano os produtores e a HBO soltaram, enfim, o primeiro trailer oficial da sétima temporada de Game of Thrones.

Claro que há muito o que comentar sobre o que é mostrado nestes quase dois minutos. Temos Cersei traçando sua estratégia, Daenerys chegando a Westeros, Arya sozinha, muitas cenas de batalha, dragões e nada muito fácil de depreender desses próximos sete episódios.

E o que significa  Melisandre em Pedra do Dragão, crianças?

Assista e depois responda: para você, fã da série, o que se destacou para você? O que você quer saber mais a respeito dos passos seguintes? Deixe sua teoria nos comentários!

 


 

Última temporada de “The Leftovers” comprova sua qualidade de texto e atuações memoráveis

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Quando foi lançado dois anos atrás a série “The Leftovers” tinha na bagagem a produção de Damon Lindelof e sua experiência com “Lost”, um roteiro adaptado do sucesso literário do autor Tom Perrota e um elenco com gente tarimbada e competente.

Porém, pouco se sabia a respeito do projeto e muitas perguntas foram sendo feitas nos primeiros capítulos da trama em sua primeira temporada que foi uma das melhores coisas de 2015.

O próprio Blog escreveu em determinado momento que o bom da série seriam seus questionamentos em detrimento de respostas desesperadas pretendidas pelos fãs.

A questão é que veio a segunda temporada ano passado e um monte de situações se avolumou na vida dos personagens e mais gente foi jogada a esse balaio de gatos transcendental que provocou nós em qualquer cérebro que se acha (ou achava) normal até então.

O resultado foi uma das melhores temporadas de série em todos os tempos.

Mas havia um problema que a série não conseguiu resolver: sua base de público não aumentou e fez com que fosse cancelada após a terceira temporada. Talvez a HBO, detentora da produção só deixou que houvesse essa última parte da série por conta do prestígio de seu idealizador e deu a ele carta branca para fazer o que quisesse para o final da história.

Obrigado, HBO! Obrigado, Damon e Tom.

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A terceira temporada que só terá oito episódios (domingo que vem será o penúltimo) brinca novamente com nosso senso de realidade, fala alto aos nossos ouvidos naquilo que queremos saber e a respeito daquilo que não desejaríamos nunca ter de enfrentar e nos entrega atuações que são dignas de Emmy para todos os lados.

Seguindo a linha de responder uma coisa aqui e ali sobre questões da existência humana, mas nunca dando a entender que irá explicar o porquê de tanta gente ter sumido repentinamente naquele fatídico dia 14 de outubro e se atém espertamente na vida e loucura deixada nos que ficaram para trás.

Daí é que surgem Messias, aproveitadores, depressivos e suicidas a cada momento que temos acesso aos novos capítulos. Normalmente, principalmente nesta fase final da história, percebemos que a angústia dos principais personagens está chegando a pontos absurdamente insustentáveis e nem mesmo a religião está sendo capaz de confortar os corações dilacerados pelas perdas não explicadas. O tchan incrível é que essa doença pega em nós, espectadores, é nos sentimos amplamente aflitos pela dor alheia daqueles que não conseguem alívio para seu buraco interno.

A série tem tratado neste momento de mitos, lendas, conflitos e confrontos relacionais, a procura por algo que dê novo sentido à vida dos protagonistas (enquanto demonstra de longe o que ocorre com o resto da população mundial), bombas atômicas, bacanais, fé e a perda dela, mas é difícil ficar alheio às atuações de Justin Theroux (Kevin Garvey), Carrie Coon (Nora Durst), Scott Glenn (Kevin Garvey Sr.), Christopher Ecclestone (Matt Jamison) e Amy Brenemman (Laurie), pois todas elas têm sido arrebatadoras.

Além disso, aparições-relâmpago em pequenos trechos feitos por personagens que aparentemente nem são importantes para a trama central trazem belíssimas performances tanto no empenho de seus atores e atrizes quanto na fotografia fantástica que sai de coloridos intensos para tons pasteis e ilustrações áridas como a vida das pessoas que são mostradas na tela.

Os temas musicais que são modificados e transformados para servir de tema para alguns momentos já clássicos de “The Leftovers” valem não só pela experiência sonora, mas pela história que ela conta também.

Enfim, toda a série é digna de elogios e sua cada vez mais próxima finalização fará com que também nossos corações sejam arrebatados pelo vazio que tal produção deixará. Claro que nunca dá para dar 10 com louvor sem antes saber do final, mas espero sinceramente que não se respondam muitas coisas e que tudo continue focado nos personagens que foram modificados para sempre após suas perdas sem sentido. Isso tudo pode servir, inclusive, para provar que uma série não precisa necessariamente ser como o Google que precisa ter resposta para tudo no momento que você tecla a palavra-chave. Que saibamos viver sob a égide da dúvida e que perguntar tenha tanta importância como é a resposta pura e simples.

Dessa forma, “The Leftovers”, podemos repetir com bastante clareza, é uma das melhores séries que já surgiu na tv em todos os tempos. E isso, mesmo que tenha uma última cena horripilante. Mas pela qualidade empregada e falta de pressa para fazer as coisas acontecerem é possível confiar que nada disso acontecerá. Tomara!