Tem trailer da nova temporada de Stranger Things chegando por aqui

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Depois de uma lacuna deixada pelo período entre o encerramento da fase dois do show e o de gravações da terceira temporada parece que vamos voltar ao hype de Stranger Things.

 

Acabou de sair o trailer com cenas inéditas da série da Netflix que deve contar com um pequeno salto no tempo já que seria impossível fazer as crianças das duas primeiras temporadas parar de crescer.

 

Aparentemente, teremos um novo monstro (seria o monstro da puberdade?), novas investigações secretas e conflitos da molecada que está com os hormônios à flor da pele.

 

A série estreia mundialmente no sugestivo dia 4 de Julho, algo que promete até ser usado em algum dos seus capítulos. Veja abaixo o trailer completo:

 

 


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“Não usem a morte do meu filho para alimentar o ódio”

 

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A frase é de Reinaldo de Souza, pai de uma das crianças vítimas do massacre de Suzano na última quarta-feira, 13, quando dois rapazes entraram fortemente armados e mataram 10 pessoas, atingindo outras tantas.

 

Serve sim de lição o depoimento do rapaz, mas fortalece também a sensação de que realmente vivemos num país que abraçou de vez a cultura do ódio e da violência e isso é percebido tanto pelos teóricos e estudiosos do tema quanto de pessoas que terminam por ser vítimas dessa doença que assolou o Brasil.

 

Veja abaixo parte da entrevista que o pai deu ontem à jornalistas em frente à escola onde ocorreram os assassinatos.

 

PS – Desculpem pela imagem retirada da Band. Era a única disponível!

 

 

 


 

7 das melhores séries do ano de 2018

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Sim, o blog tem assistido a muitas séries e muitas dessas produções têm agradado bastante. O problema é que nem sempre há tempo suficiente para se escrever a respeito. Portanto aqui, neste espaço de final de ano, é importante condensar aquilo que mais impactou positivamente na televisão ou nos serviços de streaming.

É nítido, por exemplo, que o mercado de séries tem como predadores mais eficazes a Netflix e a HBO e a quantidade acaba por demonstrar também qualidade em boa parte de seus programas. Sendo assim, os outros canais ainda estão muito longe desse monopólio, mas alguns já se esforçam bastante.

O caso dos serviços Hulu e Amazon Prime são os mais notórios, mas é bom lembrar que logo a Disney aparecerá com seu próprio streaming.

Por enquanto, fiquemos com as sete séries que mais impressionaram o blog neste 2018.

 


 

Barry 

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A HBO lançou muitas comédias nos últimos anos, mas nenhuma tem o impacto gerado de Barry. A série que estreou neste 2018 é o encontro de Dexter com o humor. Não deixa de ter ação, algum gore e atividades centradas em erros humanos que levam a coisas piores acontecendo, mas a comédia contida na produção inventada por Alec Berger e na produção e atuação central de Bill Hader é especial. Focando nas ações de um assassino de aluguel que entra em depressão e precisa executar um plano dentro de uma escola de atores a série consegue segurar a atenção do espectador do início ao fim da temporada tendo algumas reviravoltas e bons trabalhos do elenco principal.

 


 

Sharp Objects

 

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Outro acerto da HBO. Criada por Marti Noxon e dirigida de cabo a rabo por Jean Marc-Vallèe a série é protagonizada pela excelente Amy Adams e coadjuvada por Patricia Clarkson e Eliza Scanlen, fantásticas também em seus papéis. O drama de suspense psicológico segue a vida arruinada de uma jornalista quebrada por dentro por causa de problemas de seu passado justamente tendo que confronta-los quando volta para sua cidade natal e sua família (e sua mãe) desfuncional. Um retrato muito bem feito do interior dos EUA e do interior humano. Nasceu como minissérie, mas já se especula que seriam encomendados novos episódios para uma segunda temporada.

 


 

The Sinner 

 

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A série que originalmente era uma minissérie e que era da USA foi comprada pela Netflix e lançada em segunda temporada tendo a protagonista da primeira temporada, Jessica Biel, como produtora executiva e Bill Pulman como alavanca para um novo caso estranhíssimo. Acompanhamos a investigação em torno do assassinato de dua pessoas pelas mãos de um adolescente e pelo andar da caminhada já sabemos que isso não é bem o que parece. A inclusão de Carrie Coon, obviamente é muito acertada, mas nada daaria jeito se o roteiro não funcionasse. E no caso, sim, ele funciona e muito!

 


 

The Handmaid’s Tale

 

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A atração da HULU criada por Bruce Miller com base no livro homônimo de Margareth Atwood pode ter tido uma queda na qualidade nesta segunda temporada, mas o teor dos temas apresentados, a consistência na atuação de Elisabeth Moss e do elenco principal e o drama vivido no fictício futuro distópico não tão distante de nossa realidade são tão profundos que as eventuais lacunas no roteiro para preencher os dez episódios pode ser desculpado. Uma produção que não é só importante como produto artístico, mas também como ação cultural e sociopolítica.

 


 

Westworld

 

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Ao final dessa segunda temporada de Westworld houve quem dissesse que a ficção científica da HBO perdeu alguns pontos por conta de alguma invencionice dos criadores Jonathan Nolan e Lisa Joy, mas o que mais aparenta é que como a primeira temporada ficou conhecida pela imprevisibilidade dos acontecimentos e o plot twist final o que muitos (críticos e espectadores) esperavam era que tudo aquilo se repetisse. Ora, não só não precisava dessa repetição como conseguiu entregar alguns dos melhores episódios de séries de tv do ano. “Reunion” (episódio 2) e “Kiksuya” (episódio 8) são duas das coisas mais lindas que foram vistas em tv neste ano. E a inclusão de uma cena pós-créditos ao final da temporada foi mais uma empolgante ação dos seus criadores.

 


 

Better Call Saul

 

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A graça da produção da Netflix criada por Vince Gilligan e Peter Gould com base na experiência de personagens já existentes em Breaking Bad não só funciona por causa da curiosidade quase mórbida de querermos ver como ocorre a transformação de Jimmy em Saul Goodman, mas também por interesse nos relacionamentos ali mostrados, a evolução das atividades do tráfico no sul dos EUA e na maneira como o personagem principal trabalha entre altos e baixos sua perspicácia para enganar os outros e a si mesmo. Nesse sentido o roteiro é primordial, mas as atuações de Bob Odenkirk e do elenco de apoio do primeiro escalão são sensacionais. E que venha a próxima temporada que provavelmente mostrará, aí sim, a ascensão de Saul e a ruptura com seu alter-ego Jimmy.

 


 

A Maldição da Residência Hill

 

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Não é só o fato de o terror estar sendo levado a sério pela tv e cinema atualmente. Tem a ver também com a técnica apurada de Mike Flanagan que pegou o livro de Shirley Jackson e transformou não na sofrível adaptação para o cinema de 1999, mas sim numa prestigiosa menção (sim, por que poucos são os elementos utilizados na série que são idênticos ao livro) à obra original. Com esmero fotográfico, atuações bem executadas tanto do elenco infantil quanto dos atores e atrizes adultos, A Maldição da Residência Hill pode provocar somente alguns arrepios, mas deixa o espectador tenso na maioria do tempo. E isso não tem apenas como motivo os fantasmas da casa, mas sim os demônios internos de cada um dos envolvidos na tragédia do passado que envolveu aquela família. A paleta de cores que sempre muda de acordo com os eventos transcorridos, a maestria como é filmada todo o tempo e o episódio 6 inteiro rendem a esta produção Netflix o prêmio de melhor série do ano, sem dúvida.

 


 

Big Mouth volta ainda melhor em sua segunda temporada

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A pergunta na primeira temporada de Big Mouth era se havia chance de uma série animada com personagens adolescentes fazendo coisas de adolescentes ser voltada exclusivamente para adultos. A resposta teria de ser bem embasada e passar por temas complexos, mas assim de supetão deveria crer que sim, tratava-se de um programa voltado apenas para pessoas mais maduras que já entendessem sobre aquele universo altamente tortuoso.

É claro que em última instância falamos de uma situação em que meninos e meninas da idade de 13, 14, 15 anos poderão assistir sem nenhum problema à série, pois os conflitos ali inseridos podem estar acontecendo naquele mesmo momento com aquele ou aquela pessoa, mas é importante salientar que compreender de forma madura e psicologicamente tais tormentas em nossas vidas só pode ser possível depois de alguns anos na idade adulta.

A questão é que essa segunda temporada vai elevando o tom da qualidade das discussões em torno da adolescência, da puberdade e de seus monstros internos.

Big Mouth – Segunda Temporada (Netflix – 2018) continua com a produção acertada e criativa de Nick Kroll e Andrew Goldberg e o grupo de meninos e meninas ganha alguns membros novos em sua crescente chegada à puberdade e aos seus problemas causados pela irritabilidade, alterações hormonais e diferenciações físicas. Aliás, o constrangimento, o medo e a vergonha ganham destaque nessa nova temporada com a entrada do Mago da Vergonha que promove alguns momentos hilários, mas também desconfortantes.

O time de dubladores continua ótimo com os próprios criadores fazendo parte ao lado de John Mulaney, Maya Rudolph, Jason Mantzoukas, Jordan Peele, Fred Armisen e Jenny Slate.

Além disso, os temas abordados vão além da masturbação masculina e da chegada do período fértil para as meninas: há abordagens a respeito de drogas, de diversidade e aceitação, discussão de gênero e sexualidade na adolescência (parem com essa merda de  expressão “ideologia de gênero” que não existe), misoginia, sororidade, além da complicada relação entre os adolescentes e os adultos.

Mas é difícil imaginar que a série seria tão boa se não tivesse a presença quase mágica do Treinador Steve (dublado por Nick Kroll). A inocência e ingenuidade do professor de educação física da escola dos meninos é tão hilário e ao mesmo tempo cativante que chega a ser comovente. O episódio em que ele perde a virgindade devia concorrer a algum prêmio de melhor qualquer coisa neste ano.

Uma rápida maratona consegue fazer com que você devore os dez capítulos em poucas horas e isso não será nenhuma tarefa difícil. Até porque o fato de que existe uma correlação entre um episódio e o próximo faz com que a curiosidade não te deixe abandonar o projeto facilmente.

Além disso, é possível já comemorar, pois a Netflix confirmou a renovação para a temporada três ano que vem.

Em tempos em que há uma guinada ao reacionarismo no mundo e, principalmente no Brasil, será possível ouvir muitas críticas aos temas debatidos pelo programa, mas não tenham dúvida: dificilmente será visto em qualquer lugar da televisão ou de qualquer outra mídia uma obra artística que fale de maneira tão fácil e objetiva e dentro de um formato tão simples quanto é a animação quanto o que é realizado por Big Mouth.

Portanto, assista antes que as fogueiras bolsonaristas venham censurar esta série que, se não foi feita (especificamente) para adolescentes, aborda este universo exemplarmente.

 

 

Segunda temporada de The Sinner continua apostando na imprevisibilidade

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Um ano atrás fomos confrontados aqui no Brasil com a estreia de uma série que marcou não só pela história, mas também pela capacidade de surpreender a cada capítulo com novas pistas (algumas falsas) sobre um crime que parecia ter sido solucionado logo nas primeiras cenas.

O show da USA em questão (que depois foi apresentado pela Netflix como sendo sua atração original) era The Sinner e trazia como sua estrela principal a atriz Jessica Biel.

Quando o final nos arrebatou foi logo questionado se haveria uma segunda temporada, mas o temor era grande de que se estragasse uma boa trama com algo que já havia sido altamente mastigado. Além disso, o que se contaria após toda o mistério ter sido desvendado ao final dos episódios.

Eis que alguém da produção teve a brilhante ideia de transformar a série numa espécie de antologia partindo apenas da mesma premissa (um crime aparentemente fácil de se resolver) para contar uma história totalmente diferente.

No que diz respeito ao corpo do roteiro somente a continuidade da participação do detetive Ambrose e do tema da religião (ou do fanatismo religioso) como pano de fundo para algo que vai muito além.

E não é que deu muito certo? Com atuações magníficas de vários de seus protagonistas e coadjuvantes (destaques para Carrie Coon e o garotinho Elisha Henig e para a construção cada vez mais bem feita de Bill Pulman) a série consegue cativar pela sua capacidade de conteúdo a cada cena sem enrolar o espectador.

 

Bradford Winters continua como showrunner e Jessica Biel, apesar de não mais aparecer na série, continua como produtora. A direção se divide entre vários realizadores, porém, isso não é algo que atrapalhe a concisão do projeto.

O “sinner” desta vez é um garoto de 13 anos que aparentemente matou os pais (isso não é spoiler, está no próprio trailer) e o crime ocorre na cidade onde o detetive da primeira temporada nasceu e viveu seus anos de infância e primeiro período adolescente.

A questão é que há muito mais por trás tanto do assassinato em si, quanto do passado de Ambrose, da detetive que a chama para ajuda-lo no caso e de outros personagens que vão surgindo (e surpreendendo) a cada minuto que se passa.

Logo no primeiro capítulo já temos um plot twist imenso e isso é só o começo.

Portanto, The Sinner é novamente nesta temporada uma série pesada que deve ser assistida aos poucos e deve ser degustada de maneira a não só entender cada passo que se dá no roteiro, mas também as nuances do relacionamento de todos e das suas personalidades e temperamentos.

 

E pensando na estrutura atual da televisão e do cinema isso é muito.

 

Estamos em tempos em que somente o que se vê são explosões, cortes rápidos e ação frenética para esconder as falhas na escrita de vários projetos e The Sinner tem qualidade nesse sentido para estar bem acima da média.

 

 


 

A segunda temporada de Making a Murderer já está entre nós

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A segunda temporada da série da Netflix Making a Murderer já foi disponibilizada no canal de streaming com todos os dez episódios podendo ser assistidos em sequência.

Dona de uma audiência expressiva, a primeira temporada foi lançada no final de 2015 e acabou com o espírito natalino de muita gente naquela época (este que vos escreve, inclusive).

A segunda parte da atividade dirigida pela dupla Laura Ricciard e Moira Demos dá a impressão de querer fazer o mesmo contigo desde o início do primeiro capítulo. Já terminei o segundo e agora parece que ficará o misto entre o desespero para terminar logo e a angústia com tanta coisa negativa passando pela sua frente que outro sentimento, o de tentar mastigar pausadamente cada bofetada que a série te dá, faça com que você não queira ver tudo isso de uma só vez.

Making a Murderer segue a trilha do caso envolvendo as prisões de Steven Avery em duas ocasiões diferentes e todo o processo pelo qual ele passou nesse ínterim, primeiro, por ter sido descoberto que não era o criminoso da primeira vez que foi acusado e encarcerado e, segundo, do crime pelo qual ele e seu sobrinho Brendan Dassey foram presos e que, agora, tentam provar sua inocência.

Seria mais uma série sobre crimes famosos se não fosse o fato de que nos dois processos movidos pela promotoria pública de Manitowoc, Wisconsin, há inúmeras inconsistências (para não falar, mentiras) e reviravoltas que fizeram até um número gigantesco de pessoas pedir à época do lançamento da primeira temporada do programa a concessão da anistia por parte do então presidente Barack Obama.

 

É bom que se diga também que até aqui essa temporada também faz um trabalho de metalinguagem mostrando muito daquilo que mudou por conta da ação e da reação das pessoas depois da exibição da primeira temporada.

 

Portanto, assista a esta segunda temporada da série e sinta mais de perto como o mundo pode ser nojento e as pessoas, mais escrotas ainda.

 


 

 


 

Dica de filme: “Negação” é possibilidade de entender o que está em jogo no Brasil atual

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Um ponto-chave no desenrolar da trama de “Negação” (Denial – 2016), em exibição na HBO e HBO GO, é quase um anticlímax. O juiz do caso pergunta ao personagem Richard Rampaton (Tom Wilkinson), advogado de defesa da ré Deborah Lipstadt (Rachel Weiss) se poderia o historiador e negacionista David Irving (Timothy Spall) ser um negacionista honestamente antissemita que acredita naquilo que diz. A resposta do advogado é de que algo do tipo: sim, poderia, mas no caso em questão ele mente deliberadamente, mesmo sabendo que aquilo está bem longe da realidade somente para que haja uma reafirmação de suas convicções absurdas.

Este é um ponto nevrálgico do filme de Mick Jackson: estamos diante de um julgamento que poderia ser considerado surreal por muitos, mas que acaba por acontecer porque o historiador e biógrafo de Hitler moveu uma ação contra a também historiadora americana pelo fato de ela afirmar em livros e palestras suas que o homem é um negacionista do Holocausto, algo que teria feito o primeiro perder oportunidades profissionais em sua carreira.

Portanto, partimos do ponto de vista do acusador, pois ele está afirmando coisas extremamente odientas, mas acaba por tentar provar que tinha o direito dessa liberdade de expressão.

Posteriormente a isso, nos focamos na defesa de Deborah que, inicialmente, queria depor e colocar sobreviventes do Holocausto para dar seu testemunho e acabar com a premissa que David defende, pois este salienta de que não há provas de que milhões e milhões de pessoas teriam morrido durante a segunda guerra mundial nos campos de concentração.

Uma boa parte do filme é consumida por conversas da equipe de defesa de Deborah que teve de se sujeitar a participar do julgamento como ré na Inglaterra, já que a solicitação do inglês partiu de lá quando um dos livros de Deborah foi lançado em solo britânico. Mas também percebe-se no caminhar do filme que os advogados preferem que não haja embate direto nem da americana com o negacionista nem de judeus com ele.

Fica aparente no primeiro instante que se trata de uma análise fria deles, mas comprova-se posteriormente que sua estratégia tinha não só o viés de ganhar a ação, mas também de não expor Deborah e, principalmente os judeus sobreviventes às piadas antissemitas de David.

Todo o trajeto inicial da defesa, porém, parece que vai ser jogado por terra, quando a pergunta lá do início do texto é feita pelo juiz ao principal advogado de defesa.

Aqui é que entra a comparação com o momento atual vivido por nós no Brasil.

Se numa sociedade como a europeia que viveu tempos terríveis como o fascismo, o nazismo e as duas grandes guerras do início até a metade do século passado e que depois teve ação exemplar para lutar contra esse tipo de pensamento em seus cidadãos que vieram depois ainda vive com arroubos de loucura como a que suscitou essa briga judicial em que um piadista politicamente incorreto que adorava falar mal de negros, subjugar o papel das mulheres nos meios sociais e tem desprezo pela ciência da qual ele mesmo vive o que dirá, portanto, do país que não promoveu ruptura nenhuma com seu passado terrível de tempos de ditadura?

Veja bem, vivemos durante 21 anos um período em que pessoas foram torturadas, perseguidas, mortas e escondidos seus corpos e a transição para a volta democrática ocorreu do modo mais pacífico e silencioso possível depois que as forças militares engendraram acordos para que a anistia fosse realizada sem nenhum critério jurídico passível de punição.

Isso fez com que não houvesse debate em torno do julgamento de gente que se envolveu com atividades escusas e que não teve seus nomes colocados em análise tanto pelo crivo popular, quanto pelo crivo jurídico e midiático. Saíram literalmente do governo para que voltassem tranquilamente para suas casas viver da aposentadoria. Até hoje há pessoas desaparecidas que não puderam sequer ser enterradas pela família.

Com tal processo de mudança sem nenhum impacto crítico na mudança de governo da ditadura para a volta do povo ao poder só bastaram algumas primaveras para que se ouvissem aqui e ali um “na ditadura que era bom”, “naquele tempo não havia inflação”, “na ditadura sim que havia segurança”.

Lembre-se que isso não se dá somente pela distância histórica, mas também pela falta de debate sobre aqueles anos de chumbo. Isso fez com que aproveitadores e espertalhões se apossassem do tal discurso do “antes que era bom” para aproveitar esse nicho descontente com “tudo o que está aí”.

Bolsonaro, o candidato líder das pesquisas e favorito a ganhar o pleito domingo que vem, cansou de utilizar esse discurso em programas televisivos e foi eleito várias vezes para a Câmara Federal simplesmente por repetir sua baboseira pró-militarismo durante anos. Conforme o tempo foi passando incluiu também na sua fala jocosa elementos de preconceito, antissemitismo e discriminação contra as mulheres, os negros e a comunidade LGBT.

Quando sua popularidade atingiu um nível nacional gritante e sua capacidade de discutir ideias para o Brasil foi afrontada ele se viu na necessidade de atirar em novos alvos: notadamente o PT, a corrupção e a insegurança pública.

Não haveria nenhum problema se realmente seu discurso tivesse tido um acréscimo de criticidade e pudesse falar contra problemas reais da roubalheira de parte do governo petista e da violência que assola o país. A questão neste ponto é que nunca se quis fazer uma análise profunda acerca dessas situações: o que ele sempre quis foi causar, como aquela pessoa chata que sempre é do contra, mas nunca dá solução.

E se ainda assim tivesse ficado nisso só sua mitologia, meio que para se autoafirmar recrudesceu mais ainda o foco em inimigos imaginários e principalmente na necessidade de vestir uma carapuça de fiscal dos direitos alheios e elegeu todas as minorias como antagonistas da nação. E é neste ponto que ficou deveras perigoso até para um lugar tão conservador quanto o Brasil.

Se já tínhamos um nível de violência gigante contra minorias nesta parte do globo foi nos últimos meses que o negócio descambou para a agressão gratuita mais pesada e física, e nas últimas semanas para assassinatos com requintes cruéis de antissemitismo e discriminação. Mulheres, pessoas ligadas a movimentos sociais, negros, gays, lésbicas, trans e até líderes religiosos (que não aceitam a bandeira de extrema direita) estão sendo atacados à luz do dia e a polícia e a justiça parecem fazer vista grossa.

A eleição nem ocorreu, a vitória do candidato que defende tais ideias também não aconteceu, mas já se percebe que seus seguidores babam atrás de sangue derramado de qualquer um que eles julguem seus adversários.

É importante que se diga que num momento assim é necessário a união de quem não compactua com tais práticas e ideologia semelhante e que qualquer governo democrático (de qualquer esfera ou espectro político) é mais indicado do que o fascismo institucionalizado como o deseja essa turma. Sendo assim, ainda há margem para um virada.

Porém, a barbárie de uma parcela significativa da população nacional já foi identificada e teremos que saber conviver e desenvolver meios de lutar contra ela mesmo que tal vitória da democracia ainda ocorra domingo.

No filme (e na vida real) que provocou a escrita deste artigo o final é coerente com a luta que a Europa teve contra as forças maléficas do nazismo e fascismo e Deborah Lipstadt ganha a ação conta David Irving o jogando ao ostracismo, que é onde pessoas que defendem o indefensável deveriam estar sempre. Mas e aqui, o que vamos fazer a respeito?