Os melhores álbuns de 2017

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Ano tumultuado em vários aspectos da vida social e política tanto no Brasil quando no mundo, mas também um período de bastante coisa boa rolando no universo cultural.

No que tange às coisas da música tivemos um tempo de empolgação com inúmeros shows por este lado e isso continuará a acontecer no ano que vem.

Infelizmente, também ocorreram algumas perdas, mas menos do que no fatídico 2016.

Em relação aos lançamentos não há do que reclamar, pois 2017 teve para todos os gostos: desde voltas de uma galera mais antiga até mesmo uma grande gama de artistas novos passando por aí.

É neste contexto diverso que o Blog se rende ao Hip Hop (ainda timidamente, mas reconhecendo a força do gênero), bate palmas para algumas carreiras que começam a decolar e se empolga com outros discos lançados agora e que já aparentam certa postura de clássico.

Sem mais delongas, portanto, iniciamos abaixo nossa lista de 20 álbuns que, na nossa modesta opinião, figuram entre os vinte do ano.

 


 

 

20 – Depeche Mode – Spirit

 

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A fase da banda é esplendorosa: Dave Gahan está cantando muito, as letras estão bem políticas (mas não panfletárias e chatas) e a performance dos caras acaba rendendo bastante. A consequência direta disso são shows lotados neste ano e apresentações agendadas com mais de 12 meses de antecedência aqui no Brasil para 2018. O álbum “Spirit” simplesmente é um respiro no mundo mainstream de bandas que muitas vezes ficam na preguiçosa zona de conforto dos hits e canções sem muita vida. Aqui, o que mais há é vitalidade.

 

Principais músicas do disco: “Where’s the Revolution”, “Going Backwards” e “Poorman”.

 

 


 

 

19 – Temples – Volcano

 

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Quem não tem medo do segundo disco que atire a primeira pedra. O Temples, com certeza, passou por isso, mas não se intimidou e lançou mão de novas ideias em “Volcano”, álbum no qual mais recursos artísticos e instrumentais foram usados e que conseguiu elevar o nível da banda. Se não há a surpresa que impactou quem ouviu “Sun Structures” (2014) pelo menos se vê aqui muita competência em levar aos nossos ouvidos boa música.

Principais músicas do disco: “Certainty”, “Celebration” e “Oh The Saviour”.

 

 


 

 

18 – Father John Misty – Pure Comedy

 

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O que há de enigmático e complexo no trabalho de Father John Misty há também de criativo e profícuo. O homem simplesmente não para quieto e a cada ano vem com mais coisa diferente trazida no seu cardápio musical. Dessa vez, com “Pure Comedy”, o crooner nos traz elegância, pureza vocal e uma montanha russa de emoções divididas em 13 músicas em pouco mais de 1 hora de duração.

Principais músicas do disco: “Pure Comedy”, “A Bigger Paper Bag”, “Two Wildly Different Perspectives”.

 

 


 

 

17 – Kendrick Lamar – DAMN

 

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Outro ser que não para quieto é o senhor Lamar. E sua obra também. Ela é de um dinamismo e urgência que fazem gosto e procurar entender sua importância é um dever de qualquer estudioso da área musical. Sendo assim, “DAMN” se torna mais uma dessas obras que suplantam a questão sonora e entram no quesito de análise social também.

Principais músicas do disco: “HUMBLE.”, “DNA.” e “Loyalty”.

 

 


 

 

16 – Waxahatchee – Out in the Storm

 

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A voz de Katie Crutchfield está incrível e só isso já é motivo para prestar atenção em “Out in the Storm”, mas o trabalho promove outras formas de te convencer a considerá-lo tão bom. Trata-se de um compêndio de inúmeras baladas muito bem conduzidas pela banda de apoio, com alguns outros exemplos de rocks bem executados e uma sutiliza fantástica de sua líder. Pronto! Temos um trabalho extremamente conciso.

Principais músicas do disco: “Silver”, “Never Been Wrong” e “Recite Remorse”.

 

 


 

 

15 – Wolf Alice – Visions of a Life

 

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Uma das bandas com maior frescor na cena alternativa inglesa e, quiçá, mundial. O Wolf Alice brinca bem com vários estilos do rock, possui grande talento na destreza de seus músicos e uma vocalista de respeito em Ellie Rowsell. Em “Visions of a Life” há muito barulho, boa melodia e conteúdo suficiente para dançar. Vale a pena dar uns quarenta minutos de seu tempo aos ingleses em questão.

Principais músicas do disco: “Don’t Delete the Kisses”, “Beautifully Unconventional” e Yuk Foo”.

 

 


 

 

14 – St. Vincent – MASSEDUCTION

 

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St. Vincent consegue algo fora da curva com “MASSEDUCTION”: é boa musicalmente, entrega bonitinho no vocal e nas experimentações de sua guitarra e ainda consegue mostrar imagens lindas tanto na capa quanto nos vídeos de suas canções. Além disso, as críticas contidas nas letras merecem uma escutada com mais atenção. Ali estão as análises da cultura consumista americana, da necessidade de sempre estar bonito fisicamente, de parecer feliz e de outras mazelas do mundo atual.

Principais músicas do disco: “Los Angeless”, “New York” e “Pills”.

 

 


 

 

13 – Liam Gallagher – As You Were

 

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Foi uma frase muito dita neste ano: “Perdemos um Oasis, mas ganhamos duas carreiras solo incríveis”. De fato, isso é verdade, mas no que tange ao irmão mais novo da família Gallagher isso ainda não havia acontecido. Com uma voz que parece ter passado por uma espécie de fonte da juventude Liam está maravilhoso neste “As You Were” e muito disso se deve ao fato de seguir uma linha pós-Oasis que retoma a banda em alguns sentidos artísticos e da qual ele tentou se livrar anteriormente no Beady Eye.

Principais músicas do disco: “For What It’s Worth”, “Chinatown” e “Wall of Glass”.

 

 


 

 

12 – Alvvays – Antissocialites

 

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A banda já havia deixado ótima impressão com o disco de estreia, mas este “Antisocialites” vem para cravar de vez o nome dos canadenses na cena indie e demonstrar que as influências do shoe gaze inglês continuam lá, mas a vitalidade do grupo vai além disso. E a voz de Molly Rankin saúda nomes como Hope Sandoval e Rachel Goswell e mesmo assim consegue ter certa personalidade.

Principais músicas do disco: “In Undertown”, “Dream Tonite” e “Plimsoll Punks”.

 

 


 

 

11 – Noel Gallagher’s High Flying Birds – Who Built the Moon?

 

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Acontece com Noel o oposto do que se deu com o irmão mais novo Liam. Diferentemente de suas duas obras solo anteriores o compositor do Oasis decidiu se afastar de vez da sonoridade da banda que o revelou para o mundo musical e nos entrega neste “Who Built the Moon?” uma produção totalmente despida de preocupações com a crítica ou com os fãs viúvos do Oasis. O resultado é um álbum cheio de experimentações e bons rocks que não deixam a desejar em nenhum momento, mas pouca lembrança de vinte anos atrás. Ponto para a coragem do rapaz mal humorado.

Principais músicas do disco: “Holy Mountain”, “It’s a Beautful World” e “Fort Knox”.

 

 

 


 

 

10 – The xx –  I See You

 

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A banda passou um tempo sem gravar nada, mas foi por um bom motivo. A nova empreitada deles intitulada “I See You” passou alguns limites nunca antes ultrapassados por eles e entrou na seara de grupos que procuram ser mais do que já foram. Isso é demonstrado pela versatilidade em faixas que vão do puro eletrônico à balada emocional e ainda conseguem certo lirismo sem parecer piegas ou meloso demais. A voz de Romy Madley Croft está muito suave e tem a capacidade de nos fazer viajar.

Principais músicas do disco: “I Dare You”, “On Hold” e “Say Something Loving”.

 

 


 

 

9 – Courtney Barnett and Kurt Vile – Lotta Sea Lice

 

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Impossível não gostar da música de Courtney Barnett; Impossível não gostar da música de Kurt Vile. Juntos então, não precisa falar mais nada! Ah… e que nomes incríveis para estarem no mesmo lugar e darem tão certo. A música é algo mágico mesmo.

Principais músicas do disco: “Over Everything”, “Continental Breakfast” e “Fear is Like a Forest”.

 

 


 

 

8 – Charlotte Gainsbourg – Rest

 

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E que achado fabuloso é este aqui, senhoras e senhores. Aos 45 minutos do segundo tempo eis que o Blog se depara com este “Rest” de Charlotte Gainsbourg e fica fascinado logo de cara. A moça é nada mais nada menos filha de Serge Gainsbourg e é uma multi-artista que já trabalhou no cinema em obras como “Ninfomaníaca” e “Anticristo”, ambas de Lars Von Trier. Mas não é que a música dela é algo fora da curva? Com muito lirismo, facilidade em passear entre o pop e a música popular francesa e não destoar em nenhum momento esta mulher ganha a sua atenção já no primeiro minuto de audição.

Principais músicas do disco: “Les Oxalis”, “Deadly Valentine” e “Lying Woth You”.

 

 


 

 

7 – The National – Sleep Well Beast

 

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Mais uma vez a banda de Matt Berninger não decepciona. Entre a melancolia, a poesia bem engendrada e a instrumentalidade bem posta por seus integrantes o grupo consegue entregar em “Sleep Well Beast” um álbum bem na média das produções já realizadas por eles. Ponto também para a parte gráfica dos vídeos que parecem ter uma coerência visual bem estruturada.

Principais músicas do disco: “Day I Die”, “The System Only Dreams in Total Darkness”, “Sleep Well Beast”.

 

 


 

 

6 – Spoon – Hot Thoughts

 

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Bret Daniels sempre é interessante. Suas letras são boas, sua melodia encanta e a postura em palco é bacana. E nos álbuns é impossível deixar de dar uma conferida mais profundamente. É o caso mais uma vez em “Hot Thoughts”. Um disco que consegue ser do nível dos dois anteriores da banda e ainda conta com a experiência do grupo que consegue se valer de alguns atalhos para nos demonstrar que fazer música deveria ser mais simples do que parece.

Principais músicas do disco: “Do I Have to Talk You Into it”, “I Ain’t the One” e “Hot Thoughts”.

 

 


 

 

5 – Lorde – Melodrama

 

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Lorde é uma heroína do pop atual. Por mais que estejamos sendo regidos por uma horda de produtores que se valem de análises técnicas para produzir novos sons audíveis por uma plateia cada vez mais dispersa a menina neozelandesa ainda insiste em fazer música de verdade para jovens. Só por causa disso já vale a pena escutá-la, mas ela ainda nos dá mais. É por meio de boas melodias em “Melodrama” (muitas delas que seriam reprovadas pelos ouvidos destes mesmos produtores) que ela consegue transmitir uma mensagem contra os excessos da vida consumista e deprê atual.

 

Principais músicas do disco: “Perfect Places”, “Green Light” e “Melodrama”

 

 


 

 

4 – Slowdive – Slowdive

 

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A banda demorou vinte anos para gravar e ainda quando resolve sair da aposentadoria só o faz com oito faixas. Pois é, meu povo indie, valeu cada ano parado, pois o novo disco é de uma destreza tão bela que a vontade é de dormir abraçado com ele. Os integrantes continuam magistrais em seus instrumentos, a capacidade de fazer a mente voar ainda está lá e não sei mais o que dizer, só sentir.

Principais músicas do disco: “Don’t Know Why?”, “Slomo” e “Sugar for the Pill”.

 

 


 

 

3 – Arcade Fire – Everything Now

 

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Muita gente vai achar um absurdo, mas está aí. O álbum que tanto foi espinafrado pelos fãs é sim um dos melhores do ano. Em sua defesa está o fato de que, apesar de ser o pior de todos os álbuns do Arcade Fire, “Everything Now” é muito superior à maioria dos trabalhos lançados neste ano no quesito rock alternativo. Além disso, a sonoridade imposta ao disco consegue ter uma harmonia tanto na forma como as letras se encaixam quanto no movimento em cima do palco, o que vale muito quando se trata de uma banda que se preocupa com essa destreza. E como todos os trabalhos da banda canadense sua musicalidade é tão complexa em alguns momentos que se demora para gostar a ponto de achar acima da média. Voltem aqui para me falarem se não é assim mesmo daqui uns cinco anos.

Principais músicas do disco: “Everything Now”, “Put your Money on Me” e “Signs of Light”.

 

 


 

 

2 – LCD Soundsystem – American Dream

 

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A volta dos que não foram. A peça que James Murphy nos pregou há cinco anos passa batido agora já que o cara conseguiu retornar com nada mais nada menos do que um clássico. As canções são tão grudentas quanto especiais e ainda há espaço para homenagens a David Bowie e experimentações aqui e acolá. Um disco que soa fresco e sua hora de duração nem parece passar de tão agradável que é. Para tocar na festa, fazendo faxina ou simplesmente na deprê sozinho “American Dream” é uma soma de várias variáveis que resulta num disco magistral.

Principais músicas do disco: “American Dream”, “Call the Police” e “tonite”.

 


 

1 – The War on Drugs – A Deeper Understanding

 

Uma banda que tem como uma de suas principais qualidades a maestria de suas integrantes em tocar seus instrumentos. Nem parece que estamos falando da frivolidade das anos 2010 que quase não se preocupam com uma sonoridade proveniente da cabeça e da alma de algumas criaturas. Pois essa forma de ser tão humana e anos 70 é do que é feito o The War on Drugs e este álbum “A Deeper Undertanding é de uma poética que dificilmente se vê na cena rock’n roll por aí. Do vocal de Adam Granduciel que faz evocar as letras escritas por ele mesmo em algo denso e emocional às guitarras que choram em desespero para chegar ao coração do ouvinte há muitos instantes de profunda sensibilidade da bateria e do baixo que fazem lembrar tempos idos distantes. Uma maravilha que só a mão do homem pode conceber. Lindo demais!

Principais músicas do disco: “Pain”, “Holding On” e “Thinking of a Place”.

 

 


 

 

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Arcade em São Paulo: que maravilha foi essa, minha gente?!

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Houve problemas antes do show? Houve. Mas valeu a pena? Muito!

As ressalvas do parágrafo acima são necessárias por conta de uma situação inesperada: a ideia dos organizadores era de vender mais de 25 mil ingressos para o show que aconteceu sábado (09), mas o negócio flopou e havia nada mais do que 10 mil pessoas para assistir ao Arcade Fire em sua turnê “Infinite Content”, parte da divulgação do quinto álbum dos canadenses, “Everything Now”.

Por conta dessa questão os produtores decidiram montar o palco de frente para a arquibancada e que era para ser pista premium virou pista normal enquanto a pista normal virou arquibancada.

As pessoas se indignaram, mas tal sentimento sumiu a partir do momento que a locução oficial da apresentação avisou sobre a chegada dos integrantes do grupo num procedimento que pareceu mais uma luta de boxe. Até cordas haviam no palco para separa-los do público.

Porém, essa certa distância entre fãs e os artistas se dissipou desde o primeiro acorde da música título do quinto álbum deles e daí em diante foi um show épico.

Com alguns momentos de certo desentrosamento da plateia com novas faixas como Chemistry” e “Peter Pan” ainda assim outras novas como “Electric Blue”, “Creature Comfort” e “Put Your Money on Me”, além da faixa-título, têm potencial para crescer em novas turnês. Além delas, o início do bis com “We Don’t Deserve Love” sendo cantado por Win Butler no meio do povo merece respeito e pode ser uma carta na manga interessante.

Canções que já são marcos na carreira do Arcade Fire como “Neighborhood #1 (Tunnels)”, “The Suburbs”, “Rebellion (Lies)”, “No Cars Go” e “Neon Bible” tiveram condução perfeita por parte dos instrumentistas do grupo, mas também tiveram um auxílio marcante (e surpreendente)  por parte do público, já que em shows anteriores aqui em Sampa o fã paulistano não estava se mostrando tão ativo assim como neste último sábado.

A participação (quase) solo de Régine Chassagne nas faixas “Sprawl II (Mountains Beyond Mountains), “Its Never Over (Oh Orpheus)” e “Haiti” já são tradição das apresentações deles, mas sua versatilidade em tocar bateria, piano, keytar, teclado, xilofone, acordeon e até uma percussão  feita de garrafas cheias d’água é notável.

A interação com a plateia também merece uma análise à parte, não só pela facilidade com que todos da banda o fazem, mas também pela coragem de Win e Régine em descer do palco e ter um tête-à-tête com a galera do gargarejo e ir além (no caso do rapaz) quando chegou a ir até a arquibancada cantando ao mesmo tempo que era respeitado seu espaço para desempenhar bem sua função.

Sendo a terceira vez que a trupe canadense vem ao Brasil, curiosamente este foi o menor público, mas é algo que fez do show algo mais intimista e próximo daqueles que lá os foram assistir. E faixas como “Reflektor”, “We Exist”, “Afterlife” “Neighborhood #3 (Power Out), além do final apoteótico com “Wake Up” têm uma energia tão grande que falam por si só e mesmo se tivesse sido um show ruim elas o salvariam (algo que está muito longe de ter sido).

Ainda na toada do coro de 10 mil vozes a bateria da escola de samba Acadêmicos do Tatuapé fez jus ao fato de estarem no sambódromo e acompanharam todos os integrantes novamente junto ao público para fazer um batuque final.

Sendo assim, é uma pena que tenha tido um público tão pequeno para acompanhar artistas tão cheios de estilo, qualidade, criatividade, simpatia (mesmo com toda essa situação do público baixo Win anunciou que irá doar para uma instituição de caridade um real de cada ingresso vendido) carisma e com uma produção de dar inveja tendo na parte visual um ponto fortíssimo que se alia às músicas de um jeito único e bonito. Valeu muito ter tido a oportunidade de assistir a um grupo musical que está em seu auge artístico em cima do palco. E quantas vezes for possível valerá repetir a dose.

 

Setlist – Arcade Fire (Arena Anhembi – São Paulo – 09/12/2017)

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1 – Everything Now (Continued)

(instrumental version)

2 – Everything Now

3 – Rebellion (Lies)

4 – Here Comes the Night Time

(With Acadêmicos Do Tatuapé drumming section)

5 – Haïti

6 – (With Acadêmicos Do Tatuapé drumming section)

7 – Chemistry

8 – Peter Pan

9 – No Cars Go

10 – Electric Blue

11 – Put Your Money on Me

12 – Neon Bible

13 – Neighborhood #1 (Tunnels)

14 – The Suburbs

15 – The Suburbs (Continued)

16 – Ready to Start

17 – Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)

18 – It’s Never Over (Oh Orpheus)

19 – Reflektor

20 – Afterlife

21 – We Exist

22 – Creature Comfort

23 – Neighborhood #3 (Power Out)

Encore:

24 – We Don’t Deserve Love

25 – Everything Now (Continued)

26 – Wake Up

(With Acadêmicos Do Tatuapé drumming section)

 


 

 


 

“Everything Now”, novo disco do Arcade Fire, é exatamente o que o título entrega

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O Arcade Fire começou em 2003 como banda heroica do indie canadense que mergulhou de vez na cena americana, colheu de assalto o coração de David Bowie e James Murphy e recebeu críticas empolgadas da imprensa especializada que se enlutava do rock desde a última boa canção do Strokes anos antes.

Álbuns como “Funeral” (2004), “Neon Bible” (2007) e “The Suburbs” (2010) surgiram e imediatamente receberam a atenção necessária de fãs e pessoas ávidas por um suspiro de talento e frescor no rock moderno mundial, mas com o lançamento de “Reflektor” (2013) houve um olhar desconfiado de uma galera que se acostumou com a balança certeira entre a música grandiosa de “Wake Up”, “No Cars Go” e “Keep Car Running” e os experimentalismos e lirismos do art rock com “Rococo”, “My Body is a Cage”, “Sprawl II” e “Intervention”, por exemplo.

O álbum de quatro anos atrás teve uma degustação difícil da mídia em geral, mas envelheceu muito bem (algo natural aos discos da banda) e hoje figura entre as grandes ações do pop global nos últimos dez anos. Canções como “Reflektor” que dá título ao disco, “Flashbulb Eyes”, “Here Comes The Night Time” e “We Exist” fazem voltas em torno de ritmos tão diversos e tão achegados entre si que ninguém poderia imaginar antes. O ska, o eletrônico, a salsa e a música de festa podem não ser tão grandiosas quanto coisas que haviam sido realizadas pelo hoje sexteto, mas funcionam muito bem ao vivo (vide o espetacular show de 2014 no Lollapalooza Brasil).

O que nos faz chegar neste “Everything Now” que sai hoje para todo o mundo via streaming e versão física (inclusive em vinil). Neste ponto em que a banda está poderia ser perceptível uma facilidade em alcançar o público com uma miscelânea de elementos que já deram certo anteriormente nos 14 anos de carreira deles. Porém, o que muitos fãs que vociferam contra a toada diferenciada que remete ao ABBA em algumas canções deste disco (“Everything Now” e “Put Your Money On Me”) não perceberam é que é exatamente isso que faz dos caras esse supra sumo todo. Pois veja o caso de “Everything_Now (continued)” e “Everything Now (Continued)” que têm a mesma base de sua sequela e são tão diferentes ao mesmo tempo.

Sentar em cima do sucesso e colher os louros da vitória apenas com coisas que já deram resultado é o que todos estão fazendo no mercado fonográfico e talvez esteja aí embutida uma das críticas do novo álbum dos canadenses.

Além do nome do disco remeter ao fato de que eles estão se apegando a inúmeras formas de fazer canções ontem, hoje e sempre ao mesmo tempo também há uma discussão nas letras sobre o fato de que o consumo desenfreado de tudo o que nos cerca neste instante da história humana (inclusive na música) faz de toda experiência um ato vazio e circunstancial no qual se busca o gosto pelo fácil, pela alegria fugaz. Exemplos puros disso são a onda de produtores que fazem pesquisa por batidas rápidas que segurem a atenção curta dos jovens de hoje e a análise criteriosa dos serviços de streaming por produtos que sejam mais próximos do que você já escutou (ou usou, ou assistiu, ou leu, não importa) em vezes anteriores.

No final das contas, diz a nova música do Arcade Fire, ninguém está preocupado com o novo e diferente, mas com a tranquilidade da mesmice.

Para tentar combater isso na própria forma de compor e tocar música, a banda chamou dois caras muito diferentes entre si para produzir o trabalho que sai hoje: Thomas Bangalter (metade do Daft Punk) e Steve Mackey (baixista do Pulp) geram conflitos e confluências entre maneiras de ritmizar sons como são o ska, a marcha, o uso dos metais, a batida caribenha e o rock mais cru sem se importar com o que essa contradição sonora possa ter a ver com o eletrônico, o uso dos sintetizadores setentistas e a vocalização de Win Butler e Regine Chassagne.

 

O resultado pode ser conferido em faixas como “Peter Pan”, “Chemistry”, “Creature Comfort” e “Signs of life” que podem soar muito distantes do Arcade Fire reconhecido por aí, mas que só é desta maneira porque nos acostumamos com sua sanha por se afastar daquilo que já foi feito por eles próprios.

 

É claro que se pode analisar que canções como “Infinite Content” e sua dobra gêmea “Infinite_Content” podem ser a explicação mais simples do que o grupo está fazendo, pois enquanto a primeira promove uma variável de britpop e guitarras mais afeitas ao indie rock (e por que não ao punk rock) a segunda parte é uma balada cantada apenas para acalmar os ouvidos de quem está cansado do tal infinito conteúdo que nos aflige todos os dias por meio do Youtube, dos canais a cabo e da internet em geral e que acabam por repetir a mesma coisa sem conseguir entregar o que de fato acham ser conteúdo.

Neste sentido, a canção “Electric Blue”, que utiliza a voz quase sempre próxima do fim (sem nunca terminar) de Régine Chassagne, transforma novamente o disco numa audição de algo perdido em algum lado b do final dos anos 70 (claramente utilizando algo que o Daft Punk fez com maestria em seu premiado “Random Acess Memories”) e o baixão maravilhoso de Tim Kingsbury em “Good God Damm” dá uma toada quase minimalista à canção sem perder o estilo de quarenta anos atrás enquanto um ambiente misturado de tempos sonoros provoca o fundo da música. “We Don’t Deserve Love” possui pegada parecida, mas cadenciada em ritmos que a banda já experimentou antes e baseados para um vocal enternecedor de Win e coral de sua esposa, soa a mais preguiçosa do disco, não que isso seja exatamente uma dura crítica.

 

Sendo assim, não dá para cravar que estamos diante novamente de um clássico do Arcade Fire e que ficará para a História como um de seus melhores trabalhos de estúdio, mas o álbum produz conteúdo novo, diversificado e luta para fugir da preguiça atual da indústria que insiste em nos entregar nenhuma mudança enrolada a poucos artistas que figuram no mainstream massacrando o que poderia delinear caminhos menos propensos à retidão de percurso.

É, sim, um disco de várias voltas e múltiplos sentidos tanto no que tange ao ritmo, quanto às letras e mais ainda ao que quer atingir. Portanto, como o que sai dos instrumentos desses artistas tem perdurado de maneira tão agradável aos nossos ouvidos é de se esperar que essa nova ação deles possa reverberar em algum sentido para a música como um todo. Assim se espera!

 


 

 

Arcade Fire – Electric Blue 

 

 


 

 

Arcade Fire – Everything Now 

 

 


 

 

Arcade Fire – Signs Of Life

 

 


 

 

Arcade Fire – Everything Now

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1 – Everything_Now (continued)

2 – Everything Now 

3 – Signs Of Life

4 – Creature Comfort 

5 – Peter Pan 

6 – Chemestry

7 – Infinite Content

8 – Infinite_Content

9 – Electric Blue

10 – Good God Damn

11 – Put Your Money On Me

12 – We Don’t Deserve Love

13 – Everything Now (continued)

 


 

Saiu agora do forno: novo single do Arcade Fire já está entre nós

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Foi assim com Reflektor.

 

Aos poucos vão crescendo os rumores, notícias vão surgindo e muita informação sobre novo álbum é promovida na rede.

 

Se há uma banda que sabe lidar com a internet esta se chama Arcade Fire e o novo single dos canadenses já está aparecendo na rede desde umas horas atrás.

 

A música se chama “Everything Now” e, assim como “I Give you Power”, esta também deve abrir caminho para o novo álbum do grupo que deve estar para sair.

 

Veja abaixo o vídeo:

 

A melhor homenagem a Bowie foi do Arcade Fire. E provamos!

O astro britânico tinha acabado de morrer e pululavam homenagens lá e cá pela internet, rádios e TVs.

Muita gente comovida, inúmeros depoimentos acerca do talento e importância do ídolo camaleônico da música e um sem-número de amigos e parceiros de atividade do cara mostravam sua afeição por aquele que tanto nos deixa saudade até hoje.

Mas foi num cenário dos mais sonoros que as ações ultrapassaram as raias da simples homenagem.

Bem próximo ao Preservation Hall, em New Orleans, Illinois, uma trupe conhecida por Arcade Fire foi ciceroneada por Ben Jaffe, diretor criativo da Preservation Hall Jazz Band para se movimentar pelas famosas ruas do lugar num cortejo parecido com um Jazz Funeral, algo normal por lá.

O que tínhamos desde o dia em que aconteceu o fato até ontem era um punhado de vídeos amadores de gente que participou do mar de vozes que acompanhou a banda canadense pelas alamedas de uma das cidades mais musicais do mundo.

Isso até ontem, pois passados 1 mês e 1 dia da morte de Bowie tivemos o compartilhamento por parte do grupo de Win Butler e Reginè Chassagne de um vídeo oficial mostrando os preparos para o evento e mais uma palhinha da banda de uma versão tristonha, mas lindíssima de “Heroes”, clássico de Bowie dos anos 70.

As imagens demonstram toda reverência dos membros do Arcade Fire para com David e sua obra, além da sincera participação do povo nas ruas que ajudou a deixar a coisa mais arrepiante.

Depois de uma semana brasileira em que conseguimos dar nossa contribuição ao legado de Bowie com duas maravilhosas festas, uma em Olinda com o Bumba meu Bowie, outra em Sampa com o Bloco Tô de Bowie, é de uma felicidade muito grande perceber que a herança musical, cultural e artística deste grande homem de nossa Era esteja preservado.

Fique com o vídeo abaixo e tente não chorar:

 

PS – Por uma dessas boas coincidências das vida o Blog do camarada André Barcinski tem como post hoje o trecho de uma conversa de Tony Visconti para um documentário da inglesa BBC sobre música Pop em que fala acerca do processo de construção e produção de “Heroes”. Aqui está o link para a matéria: http://entretenimento.r7.com/blogs/andre-barcinski/heroes-como-fazer-um-classico-de-bowie-20160212/#r7-comentarios

 

 

Dois festivais para fazer inveja ao Brasil

 

Tudo bem. Vá lá!

Temos o Lollapalooza Brasil que cresce vertiginosamente ano após ano (neste ano, além dos astros rappers Snoop Dog e Eminem, temos Florence + the Machine, Noel Gallagher, entre outros), somos presenteados com o mimo de evento para poucos que é o Popload Festival, mas, infelizmente ficamos por aí mesmo.

Quando o negócio em pauta é festival de grande porte no Brasil não temos variedade nem qualidade suficiente para o tamanho do país e a quantidade de fãs de música pop-rock-indie por estes lados do Atlântico.

Nem mencionemos o Rock in Rio, pois nele estamos diante de um desfile de merchandising seguido por algumas atrações musicais aqui e ali.

Mas quando falamos dos eventos do período de verão europeu e americano a humilhação é muito devastadora.

Falamos semana passada sobre o line-up pesado do Primavera Sound (Espanha e Portugal), temos o Coachela, que todos os anos surpreende pela diversidade e tamanho, o Glastonbury logo logo chega com sua escalação e tantos outros anunciarão seus artistas ao longo dos próximos meses. Até mesmo as atividades voltadas ao metal são preciosas, como se constata em exemplos como o Wacken Open Air (Alemanha) e HellFest (França).

Porém , até eventos menores conseguem se movimentar para ter em seus dias de acontecimento gente do mais alto calibre. São os casos do NOS Alive em Lisboa, Portugal e do BBK Live em Bilbao, Espanha.

O mais engraçado é que ambos os festivais acontecem entre os dias 7 e 9 de julho de 2016 e algumas das bandas se revesam entre as duas atrações.

São os casos de Arcade Fire (que conseguiram tirar das férias merecidas), a sensacional Courtney Barnett, o melódico Father John Misty, os veteranos do Pixies, o competente Foals e a revelação Wolf Alice.

Entretanto, há outros artistas que puxam a fila de imperdíveis atrações para serem vistas em cada um dos lugares.

Em Lisboa você aproveita para ver o Radiohead (que lança coisa nova neste ano), pode dançar ao som do The Chemical Brothers e viajar com a música do novo Tame Impala. Ainda assim há muitas outras coisas legais para serem vistas como se pode constatar no flyer oficial do evento.

 

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No que diz respeito aos shows de Bilbao a empolgação pode ser fornecida pela apresentação do New Order (que lançou ótimo álbum em 2015), pela música solar do Hot Chip ou de atrações do próprio país como Hola a Todo El Mundo ou se descabelar com a energia do M83. O line-up completo está aqui embaixo.

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Para dar mais uma invejinha que tal um pouco de cada uma das principais bandas ao vivo para querer cortar os pulsos?


Radiohead – Creep – From “The Astoria London Live” DVD


Arcade Fire – Wake Up – Reading Festival 2010


Courtney Barnett – Full Perfomance (Live on KEXP)


Enquanto isso, para não ficarmos apenas no olho grande já é hora de começarmos a nos preparar para o Lolla deste ano. Logo mais, nos próximos dias já iniciaremos uma série de posts com maiores informações sobre os participantes desta edição. Até lá!

Dez ótimos covers para louvar o mito Bowie

 

Tudo já se falou sobre David Bowie e seu passamento, mas gostaria de incluir na seara de discussões a imprescindível gama de músicas do artista regravadas por gente boa e do bem do mundo musical.

Há reinterpretações magníficas como a bela “Ashes to Ashes” das meninas do Warpaint, sinceras elegias como a viagem orquestral de Beck em “Sound and Vision” e sutilezas como “Modern Love” na voz da banda The Last Town Chorus, além da parceria de Bowie com a trupe canadense do Arcade Fire.

Mas há muito mais, obviamente!

A rádio americana KEXP que tanto amamos teve uma das melhores homenagens ao ídolo britânico ontem ao dedicar 100% de sua programação às suas músicas, sejam estas pela sua própria voz ou através de covers e muita coisa boa foi relacionada.

Portanto, o blog teve a ideia (não muito original, reconhecemos) de eleger 10 ótimas releituras das canções de Bowie. Como há muitas músicas que foram regravadas várias vezes por artistas diferentes a ideia aqui foi selecionar apenas um cover de cada canção.

Veja bem, não são as melhores ou mais bem produzidas. Trata-se apenas de uma lista com singles que falam alto ao coração num momento de luto não só musical quanto artístico, cultural, de toda uma geração que reconhece em Mr. David Robert Jones sua maior referência qualitativa e diferenciada.

Daí, se alguém tiver alguma outra sugestão para incluir por aqui pode postar nos comentários ou mandar através de link. O que importa é fazer desses próximos dias um período de muita conversa com o nosso ídolo de tema.

E com sua trilha sonora, é claro!


David Bowie e Arcade Fire – Five Years


Beck – Sound and Vision


Jessica Lange – Life On Mars


Smashing Pumpkins


Warpaint – Ashes to Ashes


Bauhaus – Ziggy Stardust


Modern Love – The Last Town Chorus


  Nirvana – The Man Who Sold the World


Flaming Lips – Heroes


Bruce Dickinson – All The Young Dudes


Menção honrosa 

Scott Weilland & The Wildabouts – Jean Geanie