Não é só a pós-verdade, mas também a pós-ética

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Num Brasil devastado por casos de corrupção e governo preocupado apenas em apinhar os próprios cofres e as contas financeiras das grandes corporações enquanto desmonta toda uma história de lutas dos trabalhadores não é somente essa a desesperança apresentada diante de nossos olhos.

A sociedade atual brasileira vale-se muito de preceitos alinhados com a simples ideia da mentira e da acusação infundada de gente com quem não se tem um mínimo de afinidade, mas também acaba por se apoiar numa pós-ética que implica com apenas um lado da moeda e molda conjecturas para essas ficarem mais próximas do que se acredita.

Sendo assim, a realidade se modifica de acordo com pós-verdades e maneiras caolhas de se ver a si mesmo e ao mundo ao redor.

Sinceramente, estamos numa época em que tanto faz e pouco importa para a grande parte das pessoas analisar o que acontece na realidade de fato. O que importa numa notícia, no relato de um acontecimento ou na fofoca do vizinho é receber aquilo que faz parte do seu filtro afetivo.

Ninguém tem se interessado por buscar a verdade, nem mesmo promover o vasculhamento de algo que parece obscuro, tendencioso ou fora da realidade. A mídia e a imprensa então estão pouco se lixando para um princípio básico do jornalismo, ou seja, ouvir os dois lados.

Cito dois casos recentes para os quais me abstive, inclusive, de comentar por esses campos minados da internet. Na primeira situação vemos a informação do rapaz que foi tatuado em sua testa por outro por ter invadido seu estúdio de tatuagem e ter roubado sua bicicleta.

As reações foram desmedidas tanto de um lado (a defesa do tatuador torturador) quanto de outro (a vitimização do criminoso), mas ninguém parou para pensar que havia a necessidade de apurar melhor os fatos.

Vimos posteriormente que o rapaz tem doença mental e é viciado em, drogas, estava desaparecido havia dias do seio da família e que não havia estúdio nenhum de tatuagem ao mesmo tempo que a própria bicicleta nem era do tatuador. Custava uma checagem extra na notícia por parte dos jornais ou dos próprios leitores? Nunca, e sabe porquê? Porque o que importa é vociferar cegamente naquilo que você acredita. E o pior: mesmo após o relato completo do acontecido ainda iremos ouvir reprodução de ódio por aí, já que ninguém se preocupa com a verdade, somente com a pós-verdade.

No segundo caso, vemos a jornalista Miriam Leitão indignada com uma agressão coletiva contra ela dentro de um avião, tudo muito bem relatado através de sua coluna no jornal O Globo uma semana após o ocorrido (lembremos que se trata de uma profissional quase onipresente na grade de programação da TV e do Rádio). Questão essencial acerca disso que nenhum colega dela indagou antes de se solidarizar quase que instantaneamente com ela pelas redes sociais é que ela só se indignou com o caso 7 dias depois.

Os jornais, revistas e afins não se dignaram a pesquisar mais a respeito, mas alguns abençoados curiosos começaram a analisar a questão e chegamos a outro relato, este de uma passageira do mesmo voo de Leitão, que possui uma versão muito diferente da dela (com a diferença de ter feito isso no dia seguinte ao ocorrido no avião e tendo nuances mais complexas como a entrada de um oficial da polícia federal fazendo ameaças a passageiros).

Estanho, não? Mas mais esquisito ainda é o silêncio gritante da grande maioria dos colegas da jornalista e muita gente na rede, pois quase sua totalidade se prestou rapidamente a defendê-la sem nem ao menos inquiri-la sobre os detalhes do fato em si. Mais do que a defesa era a necessidade de apontar o dedo aos supostos agressores sem nem ao menos saber quem eram ou se realmente existiam.

Desse modo, o que se percebe nesses dois casos mais nitidamente é que há canalhice de sobra ao nem querer saber sobre o outro lado da notícia e ao ser apologista imediato do que apoia enquanto cerra os olhos às provas em contrário. Não temos apenas, portanto, uma crise política por esses lados do Atlântico, mas sim um colapso ético no qual ficam depositados apenas os gostos e interesses sem que a verdade, o bom senso e as medidas de consciência possam ser minimamente visitadas em algum momento.

 

E isso, meus amigos, é mais um passo ao fundo do poço que parece estar distante deste país varonil enquanto sociedade constituída que poderia se prestar a ser só um pouquinho mais justa e igualitária, mas que diante de coisas assim só se distancia da superfície.

 


 

Ozzy quer dar mais uma voltinha por aqui

 
Sim, o senhor das trevas quer voltar ao Brasil no meio de 2015, mas desta vez viria sozinho, sem o acompanhamento dos membros do Black Sabbath.
 
Na verdade, nem ele parece que sabia da viagem, pois quem o atentou ao fato foi sua esposa e empresária, Sharon Osbourne, durante uma entrevista ao jornalista Lucas H. Gordon, no tapete vermelho do evento Art With Billy Morrison and Joey Feldman, em benefício à fundação Rock Against MS (Rock Contra Esclerose Múltipla).
 
Segue abaixo a transcrição da entrevista que confirmou o fato de que Ozzy Osboourne virá apenas com sua banda de apoio que está inativa há algum tempo por conta de seu recente trabalho de estúdio com o Black Sabbath e a turnê mundial com Tony Iommi e Gezzer Buttler.
 
Ozzy: “Vamos começar a trabalhar no começo do ano que vem num novo álbum e numa nova turnê. E depois disso será o fim do Black Sabbath.”
 
Sobre voltar com o Sabbath e encerrar atividades logo em seguida:
 
Ozzy: “Eu tenho minha própria banda. Todos tem algo para fazer.”
 
Sharon: “Não foi algo rápido. O álbum e uma turnê mundial tomam uns três anos. Parece que é algo rápido… eles estarão juntos quatro anos. As pessoas não percebem o quanto custa tudo isso.”
 
Sobre tocar na América do Sul:
 
Sharon (olhando para Ozzy): “Você vai para a América do Sul!”
 
Ozzy: “Quando?”
 
Sharon: “Em junho.”
 
Ozzy: “Em junho do ano que vem vou para a América do Sul com minha banda lhes dar um pouco de rock n’ roll!.
 
Sharon: “Não lembro de datas específicas mas serão cinco grandes shows na América do Sul,”
Estamos esperando desde já!
 
Fonte: Ozzy Osbourne: “Em junho irei para a América do Sul com minha banda” http://whiplash.net/materias/news_809/213366-ozzyosbourne.html#ixzz3ITkksAc2

O povo contra o povo: quando o oprimido luta em favor de seu opressor

 
Acho engraçado quando algum de nós, pobres, vê preocupado o noticiário que fala de uma queda na bolsa ou quando algum economista grita sobre os perigos da crise econômica. Há um desespero que toma conta das pessoas como se fosse uma nova guerra mundial ou uma catástrofe anunciada.
As peripécias indicadas pelo tal “Mercado” são de fato, muito interessantes Este ser (o mercado) que insistem em falar a respeito como se fosse uma pessoa frágil e gentil é um produto do neoliberalismo que satisfaz muito bem ao mundo dos gananciosos e especuladores.
Isso realmente atrapalha uma parcela da população, mas não é, nem de longe a população pobre. A volatilidade e os altos e baixos da economia discutida e comercializada nas bolsas de valores ao redor do globo, verdadeiramente, fazem coçar as carecas dos mais abastados, daqueles que se beneficiam justamente da desigualdade sócia e do conjunto de coisas que fez deste país um dos mais injustos socialmente falando.
A macroeconomia é um monstro que pode servir ou aterrorizar a essas pessoas que vivem da especulação imobiliária, das grandes empreiteiras, dos doadores vultosos de campanhas eleitorais, dos mega-acionistas das empresas de telecomunicações que nos vendem um serviço porco e imundo e dos políticos que fazem da nossa vida um inferno e propagam a corrupção e ainda dizem que isso é culpa nossa.
Mas, falando sério, mais ao pé do ouvido, essa economia pouco importa ao pobre, pois é do salário mínimo que o trabalhador vive. Aquele que depende de muito suor para sobreviver e que ainda se estapeia por uma bolsa para dar uma melhorada na renda mensal da família não irá perder uma porcentagem de suas ações na Petrobrás. Ele depende de melhoria social e é isso que ainda não foi compreendido pela população mais pobre.
O que muda a vida de um pobre para melhor é uma educação de qualidade, o que faz a vida do trabalhador ser sossegada é uma saúde pública digna e a segurança de poder ir e vir sem ter medo de perder tudo, ou até mesmo a vida.
A qualidade de vida do trabalhador pobre só tende a melhorar quando, com o passar das gerações, essas condições mínimas de acesso aos bens sociais sejam facilitadas.
O pobre não pode ser contra bolsas, o pobre não deve ter medo de cotas. O que ele deve ter é maior esclarecimento sobre como é a contrapartida dessas benfeitorias. Bolsas precisam estar atreladas ao emprego e à profissionalização mais qualitativa daquele que a ganha. A educação pode ter alguma ligação com isso, mas não pode ser por causa de sua simples entrada na escola. As cotas necessitam de um trabalho social e histórico: dados demográficos e horizontais precisam ser analisados de tempos em tempos para que se verifique realmente se aquela benesse está fazendo efeito para a diminuição daquela injustiça histórica.
O trabalhador deve ter tranquilidade para exercer sua profissão e o governo tem todo o dever nisso.
O resto é consequência e resultado do seu suor. Não é a meritocracia que irá livrar-nos do mal. Até por que como podemos fazer isso num país que é tão cheio de injustiças provenientes de séculos passados. Tudo já está institucionalizado, portanto, essa política do mérito não levará em conta essas questões do que já aconteceu e daí a desigualdade social será perpetuada.
Engana-se aquele que escolhe na política votar naquilo que melhorará a economia, pois isso é alimentar a injustiça histórica do nosso país.
A célebre frase da filósofa e escritora Simone de Beauvoir nunca foi tão atual quanto o é agora no Brasil. “O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos.”
É uma pena que nas atuais condições desta nação os dois que restaram na disputa presidencial tenham metas mais preocupadas com o tal mercado do que com a população, mas entre o sujo e o mal lavado ainda há de se reparar que os temas sociais sejam, de fato, o último plano do lado tucano enquanto que no petismo ainda haja uma parcela considerável de gente que defenda a qualidade social como prioridade.
Mesmo assim, já é certeza neste início de segundo turno que perdemos, muito mesmo, bem antes dos resultados finais do próximo dia 26 de outubro.
Por outro lado, cresce a ideia de que uma gama cada vez maior de pessoas diz não a esse sistema eleitoral fraudulento, corrupto e direcionado que perpetua uma corja no poder e, através do voto nulo, do voto em branco ou da simples abstenção deixa claro sua ojeriza ao que está aí.
Cresce também a percepção de que uma mudança de rumos não acontecerá sem que haja luta.
E esta luta só acontecerá por meio da mão forte, calejada e suada do pobre. Não é um engravatado doido para realizar as vontades do “Mercado” que irá se importar com nossa sede e nossa fome. Não é o governo (seja de que lado for) que se comprazerá da necessidade de uma Educação para a libertação e de um país mais culto. O pobre é que tem este direito e que cada vez mais se torna um dever diante de tudo o que se desenha para os próximos anos.

Você já chutou seu cavalete hoje? Adira a essa campanha

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Não sei se foi ele quem inventou a tal campanha, mas o primeiro lugar onde vi essa informação foi na página do Facebook de João Gordo, célebre punk da geração anos 80, e líder do Ratos do Porão.

A singela ação consiste apenas em dar uma belíssima voadora em qualquer cavalete que esteja na rua com a campanha de algum candidato a cargo político neste ano.

Sabe-se, inclusive por conta de inúmeras fotos enviadas à página de João Gordo, que a campanha tem ganhado vários adeptos e não tem havido nenhuma restrição a partido, ideologia política ou filosofia do candidato. O que vale mesmo é dar um maravilhoso pontapé no cartaz do político pidão.

Além do mais, antes que alguém ache que quer se dar uma conotação partidária por parte do blog, a minha ideia política somente permite que haja um tipo de voto para a futura eleição e este é o voto nulo.

Qualquer outra ação do eleitor no próximo dia 05 de outubro, e se necessário, dia 26 do mesmo mês, seria assinar o atestado de burrice e promover a entrada de qualquer um dos pilantras que choramingam nossa atenção pelo rádio, tv e internet nos próximos meses.

Há um desencanto tão grande com a classe política que só vejo um grande protesto de votação nula ou abstenção que chegue a ser recorde para que o eleito (infelizmente, alguém será eleito) tenha pressão suficiente para prestar atenção à população e aos seus desejos como cidadão sofrido deste país.

Novamente, veremos uma campanha política em que a Educação estará em último plano e na qual a economia tomará o rumo de toda e qualquer conversa.

Isso explica a anestesia que existe na sociedade quanto ao possibilidade de crescimento cultural e melhoria social. Tudo tem a ver apenas com poder de compra.

Dessa forma, nada mais justo que esse chute nos cavaletes com as caras lavadas com óleo de peroba dos excelentíssimos candidatos se torne um chute moral nos fundilhos dessa classe que a cada dia ri mais apontando para os nossos narizes de palhaços.

Todo apoio à campanha! E você, já deu seu chute num cavalete hoje?

O 7×1 ainda não acabou

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Após o vexame estratosférico e histórico da derrota da seleção da CBF para a Alemanha a conversa Brasil afora era de que havíamos chegado ao fundo do poço.

Ledo engano!

Não só não chegamos como ainda estamos nos aprofundando mais ainda rumo ao centro da Terra como se o futebol brasileiro fosse uma adaptação muito chinfrim da obra famosa de Julio Verne.

A questão é simples: não somos mais o país do futebol faz tempo.

Mas a empáfia nacional impede que baixemos a cabeça, assumamos nossa humilde condição de coadjuvantes do cenário futebolístico atual e tenhamos a hombridade de visualizar os erros do passado e do presente, para que somando isso ao aprendizado com as coisas boas que acontecem aqui e ali na Europa, façamos algo que preste para o esporte bretão desses lados.

Ainda que haja um sopro de iluminação em algumas atitudes, como a do Bom Senso Futebol Clube, e sua atuação marcante para tentar melhorar as condições da prática do futebol no Brasil, outras coisas só acontecem perante a obviedade da frustrante situação dos clubes brasileiros.

Ontem, após a ridícula média de audiência dos jogos transmitidos pela tv Globo, alguns executivos soltaram nota marcando reunião de emergência com os principais dirigentes da série A do brasileirinho.

A questão é que isso só acontece também pela própria ação destruidora da dona do futebol nacional: a atividade predatória da rede da família Marinho em acabar com o clube dos 13 e sua maléfica sociedade com figuras como Andrés Sanches e Kleber Leite, dando aos seus respectivos clubes uma fatia maior do bolo dos contratos de transmissão dos jogos dos campeonatos brasileiros está tentando criar um modelo parecido com o do campeonato espanhol em que somente dois times possuem caixa possível para serem campeões, enquanto que os outros são meros coadjuvantes.

Por aqui, ainda há o inconveniente de que o Flamengo, por ter uma infinidade de más administrações ao longo do ano, ainda pena para melhorar sua posição como produto rentável.

Por outro lado, é evidente que não é só isso que atrapalha o futebol de nosso país. Há uma questão de safra, que não é das boas, e que quando promove alguma rara exceção de jogador extraordinário também este sai correndo para outros mercados com 18, 19 anos.

Há também a prática quase carnívora dos empresários, que se apoderam dos jogadores e dos clubes como se fossem hienas em cima da carniça, além dos próprios gestores (?) de clubes centenários que, por não terem nenhum vínculo trabalhista ou nenhuma responsabilidade fiscal ou civil, fazem o que querem com o dinheiro que entra nos cofres dessas entidades.

Junta-se a isso uma preguiça tática de nossos técnicos que mal sabem o nome do jogador que enfrenta sua equipe no fim de semana ou se agarram fielmente a uma opção pelo jogo feio, obviamente com medo de perder seu cargo.

Dessa forma, é líquido e certo que o Cruzeiro seja o único defensor do futebol de qualidade de nossa nação, e que se não for campeão quem o será apenas figurará como tal por causa de sua retranca e sua burocrática forma de atuar.

Uma pena que não haja, tirando alguns bravos jornalistas e o pessoal do Bom Senso, quem se ofereça para tentar mudar essa gama de situações errôneas que nos permite dizer que a surra levada perante a Alemanha na Copa é apenas a ponta do iceberg que vai afundar e que congelará nossas expetativas por um futebol melhor.

Além de tudo isso, há no meio dessa bagunça toda uma Confederação de Futebol que só pensa nos lucros de uma seleção que vai perdendo sua realeza a cada ano que passa. Não se preocupa nem um pouco com a melhoria do futebol praticado em nossos campos e ainda se vê presidida por pessoas de passado e presente pouco recomendável.

Difícil ver uma luz no fim do túnel até por que o futebol de nosso país parece refletir a atividade de nossos políticos. Daí, a coisa fica bem pior, muito pior!

O que aprender sobre as prisões arbitrárias no Brasil

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Muito já se falou sobre as prisões de ativistas que vem acontecendo ultimamente no Brasil.

Hoje, em artigo especial para o UOL intitulado “Prisão de ativistas só serve para saciar a fome de vingança de setores raivosos”, o desembargador do Tribunal de Justiça e coordenador da Associação Juízes para a Democracia Siro Darlan põe um pouco mais de luz sobre a questão.

Não é uma opinião definitiva sobre o assunto (nunca uma opinião o é), mas também não é apenas um comentário de facebook.

Trata-se de um dos maiores especialistas em liberdade de expressão do país, um defensor da análise profunda e isenta dos processos para que não aconteça um absurdo como esse da prisão dos ativistas no Rio.

Não se poderia passar pelo tema da necessidade atroz do estado em aprisionar as pessoas pelo simples fato de reclamarem do governo sem que Siro Darlan seja ouvido.

A argumentação do magistrado para que fosse concedido Habeas Corpus aos previamente acusados pelo Estado do Rio de Janeiro colocou novamente os pingos nos “is” da justiça brasileira.

É incrível o silêncio que tomou conta de juristas, advogados e promotores de justiça a respeito da falta de critério utilizada pelos membros do governo que pediram a prisão preventiva de pessoas que tinham sobre seus ombros apenas a acusação de que iriam participar de manifestações ainda durante a Copa do Mundo realizada no país.

Ora, diante de situação tão non sense não podia ser verossímil que o negócio progredisse por um dia que fosse. Mas progrediu! O que importava era calar aqueles que estavam contra o governo.

Entenda bem, “contra o governo” e não “contra o Estado de Direito”.

Quem está contra o estado de direito é exatamente o governo do Rio e alguns representantes da Justiça.

Portanto, maior ainda do que a mudez dos magistrados nacionais foi o silêncio sepulcral da imprensa dessa nação. Que não fizesse nada a dona Globo ou os mega-empreendimentos jornalísticos, tudo bem. Mas que a imprensa mais independente (será que ainda existe isso?) ficasse fazendo cara de paisagem era mais esquisito ainda.

Nem o PSOL, nem os outros partidos mais à esquerda se posicionaram mais fortemente, com exceção honrosa a alguns comentários e atitudes do Deputado Jean Willis.

Do PT nem falo nada, já que esta agremiação anda de braços dados com a absurda aliança de Cabral, Pezão e seus asseclas, mas do PSDB nada ecoou, nem que fosse algum comentário infeliz só para ser contra o partido de briguinha deles.

Enfim, a atitude de Siro Darlan ao se posicionar bravamente contra o avanço de atividades ditatoriais dentro de um verdadeiro Estado Democrático demonstra que o que faltava até agora era alguém simplesmente ter coragem.

E é por meio dessa covardia intelectual que está tomando conta do Brasil que vamos levando a vida, pois o que tem interessado para a imprensa é aquilo que bate em Chico, mas que pode bater em Francisco (ou para ficar mais explícito, o que pode bater em Dilma, Aécio, Lula, ou FHC, quem sabe?!).

A luta pelo livre direito de se manifestar não deveria ser da classe estudante ou de uma parcela pequena da população. Esta deveria ser a ideia cravada na mente de todo mundo que mora dentro deste país.

A necessidade de se expressar deveria estar no âmago de qualquer canal de mídia ou imprensa, de qualquer partido ou movimento social.

Pelo jeito, as pessoas não gostam mesmo é de ser incomodadas por qualquer coisa que modifique sua rotina diária, seja por atrapalhar o trânsito ou por fazer barulho, o que importa é que ninguém gosta mesmo é de se sentir fora do caos organizado que a cidade proporciona e que o governo assina embaixo.

Ai de você se fizer uma manifestação por melhoria de condições no transporte público. O coro mais ouvido pela população será o de que “estão incomodando quem não tem nada a ver com isso”. Pois é, ninguém usa transporte público, certo? Mas voltando à realidade, mesmo quem não usa deveria se preocupar com a melhoria do referido serviço público.

Mas o preferível é permanecer na zona de conforto do que ter de lutar, todos querem revolucionar, mas ninguém quer ir para a frente de batalha para evoluir.

Paciência!

Enfim, o artigo de Siro Darlan vem em boa hora num país que já passou da hora de se indignar com a cessão de direitos dos cidadãos.

Ou paramos um tanto de nossa vida medíocre para dar um grito de vez em quando ou perdemos pouco a pouco esse direito de expressar nossa raiva e nosso descontentamento com o governo (qualquer que seja ele) e o desgoverno de seus malfadados feitos assim como suas maléficas ações corruptas.

A seguir, o link do artigo completo de Siro Darlan: http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2014/07/28/prisao-de-ativistas-so-serve-para-saciar-a-fome-de-vinganca-de-setores-raivosos.htm

O Brasil e suas ideias fora do lugar na visão de Roberto Schwarz

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Roberto Schwarz, o crítico literário nascido na Áustria, mas radicado no Brasil, já é respeitado no campo da Teoria da Literatura há muito tempo, mas também se tornou especialista da obra de Machado de Assis. Algo que o persegue desde sempre.

Já em 1977, o recém-doutor pela Universidade de Paris III lançou o ensaio “Ao Vencedor as Batatas”, estudo sobre a primeira fase do autor fluminense.

Foi com essa obra que Schwarz passou a ser chamado de continuador das pesquisas realizadas pelo professor Antônio Candido, tamanho era o encontro de ideias de seu estudo com o especialista em literatura brasileira.

No estudo que virou livro (Editora 34) ele afirma que “ao longo de sua reprodução social, incansavelmente, o Brasil põe e repõe ideias europeias, sempre em sentido impróprio. É nesta qualidade que elas serão matéria e problema para a literatura. O escritor pode não saber disso, nem precisa, para usá-las. Mas só alcança uma ressonância profunda e afinada caso lhes sinta, registre e desdobre – ou evite – o descentramento e a desafinação”.

Desse modo, o capítulo “As Ideias Fora do Lugar” do qual foi tirado o trecho acima sinaliza uma análise profunda sobre a estrutura da literatura brasileira desde os seus primórdios e quantifica o processo de apropriação do pensamento europeu em nossos escritos e o que isso promove no resultado final de nossas obras literárias.

É uma crítica forte e pesada à nossa literatura como um todo, mas também um relato capaz de fazer raciocinar acerca das escolhas realizadas pela intelectualidade brasileira numa forma mais ampla do que o pensamento apenas estilístico.

Também é uma maneira de posicionar Machado de Assis como um dos grandes (senão o maior) visionários e pensadores de nossa história nacional.

Para Schwarz, no Brasil, as ideias estão fora do lugar. Ele se baseia na filosofia de Marx a partir de “O Capital” em que “a estrutura determina a superestrutura”.

E por este prisma que ele (Schwarz) verifica que Machado analisa o social como um molde para sua literatura.

O Bruxo do Cosme Velho teria visto a grande contradição que se instalava no Brasil desde o período colonizador: a estrutura era atrasada, enquanto que a superestrutura seria adiantada e liberal. Da mesma forma que existia o absurdo da escravidão, o parlamento era pintado com cores inglesas.

Capa do Livro “Ao Vencedor as Batatas”
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Havia, inclusive, uma influência em suas decisões do que já era praticado na Europa.

O escritor de “Dom Casmurro” tinha olhos abertos para isso e, aos poucos, sua ironia e o profundo sarcasmo com que tratava a sociedade da época e a corte carioca, pululariam ás páginas de seus primeiros livros para promover uma visão da grande contradição social que Schwarz chamou de “comédia ideológica”.

Schwarz procura observar que no Brasil as ideias estavam fora de contexto histórico em relação ao seu uso europeu.

As ideias liberais, em seu artigo, não se podiam praticar, sendo ao mesmo tempo indescartáveis do ponto de vista evolucional.

A própria situação da escravatura no século XIX, e sua posterior abolição, é vista por Schwarz como focos desse emaranhado de ideias que não conseguem se condensar.

A comunidade intelectual do país tinha vergonha dessa prática, mas demorou a tomar partido e Machado de Assis se situa nesse meio apenas através de sua fina facilidade de demonstrar a podridão da sociedade, mas sem que isso fique bastante claro para aquele que lê sem o envolvimento mais profundo da análise crítica.

Há quem reclame do escritor carioca por não ter participado mais profundamente das manifestações pró-abolicionistas, mas isso é tema para outro post.

Já Schwarz, por meio de seu “Ao Vencedor as Batatas”, consegue sintetizar o pensamento de que a literatura brasileira não tenha conseguido surfar na onda da audácia de Machado tanto quanto poderia ter conseguido se não tivesse ficado encalhada numa tentativa de estruturação mais europeizada que o Movimento Modernista conseguiu conter mais à frente.

Se o leitor não quiser se aprofundar no livro completo, a parceria da Editora Penguin com a Companhia das Letras está lançando apenas o capítulo “As Ideias Fora do Lugar” em formato Pocket Book.