A segunda temporada de Dark está logo ali

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Lá se vão quase dois anos desde a estreia do piloto da série Dark na TV alemã e sua consequente compra pela Netflix para transformá-la em produto original. Portanto já era hora de termos alguma novidade quanto á continuidade da obra que foi uma das boas surpresas da produção mundial televisiva em 2017.

Pois eis que ontem saiu o primeiro teaser e o cartaz (que ilustra a capa do post) inicial da segunda temporada de Dark e o que é possível perceber é que uma boa parte da história dessa continuação da série será num futuro distópico.

Desde os acontecimentos desenrolados ao final do último capítulo da primeira temporada há muito o que se explicar quanto às mudanças no passado, no presente e no porvir da linha temporal do mistério desenvolvido por Baran bo Odar e Jantje Friese.

A data de estreia de Dark em sua segunda temporada ficou marcada mundialmente para 21 de Junho. Veja o teaser logo abaixo:

 

 

 

 

 

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Tem trailer da nova temporada de Stranger Things chegando por aqui

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Depois de uma lacuna deixada pelo período entre o encerramento da fase dois do show e o de gravações da terceira temporada parece que vamos voltar ao hype de Stranger Things.

 

Acabou de sair o trailer com cenas inéditas da série da Netflix que deve contar com um pequeno salto no tempo já que seria impossível fazer as crianças das duas primeiras temporadas parar de crescer.

 

Aparentemente, teremos um novo monstro (seria o monstro da puberdade?), novas investigações secretas e conflitos da molecada que está com os hormônios à flor da pele.

 

A série estreia mundialmente no sugestivo dia 4 de Julho, algo que promete até ser usado em algum dos seus capítulos. Veja abaixo o trailer completo:

 

 


7 das melhores séries do ano de 2018

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Sim, o blog tem assistido a muitas séries e muitas dessas produções têm agradado bastante. O problema é que nem sempre há tempo suficiente para se escrever a respeito. Portanto aqui, neste espaço de final de ano, é importante condensar aquilo que mais impactou positivamente na televisão ou nos serviços de streaming.

É nítido, por exemplo, que o mercado de séries tem como predadores mais eficazes a Netflix e a HBO e a quantidade acaba por demonstrar também qualidade em boa parte de seus programas. Sendo assim, os outros canais ainda estão muito longe desse monopólio, mas alguns já se esforçam bastante.

O caso dos serviços Hulu e Amazon Prime são os mais notórios, mas é bom lembrar que logo a Disney aparecerá com seu próprio streaming.

Por enquanto, fiquemos com as sete séries que mais impressionaram o blog neste 2018.

 


 

Barry 

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A HBO lançou muitas comédias nos últimos anos, mas nenhuma tem o impacto gerado de Barry. A série que estreou neste 2018 é o encontro de Dexter com o humor. Não deixa de ter ação, algum gore e atividades centradas em erros humanos que levam a coisas piores acontecendo, mas a comédia contida na produção inventada por Alec Berger e na produção e atuação central de Bill Hader é especial. Focando nas ações de um assassino de aluguel que entra em depressão e precisa executar um plano dentro de uma escola de atores a série consegue segurar a atenção do espectador do início ao fim da temporada tendo algumas reviravoltas e bons trabalhos do elenco principal.

 


 

Sharp Objects

 

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Outro acerto da HBO. Criada por Marti Noxon e dirigida de cabo a rabo por Jean Marc-Vallèe a série é protagonizada pela excelente Amy Adams e coadjuvada por Patricia Clarkson e Eliza Scanlen, fantásticas também em seus papéis. O drama de suspense psicológico segue a vida arruinada de uma jornalista quebrada por dentro por causa de problemas de seu passado justamente tendo que confronta-los quando volta para sua cidade natal e sua família (e sua mãe) desfuncional. Um retrato muito bem feito do interior dos EUA e do interior humano. Nasceu como minissérie, mas já se especula que seriam encomendados novos episódios para uma segunda temporada.

 


 

The Sinner 

 

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A série que originalmente era uma minissérie e que era da USA foi comprada pela Netflix e lançada em segunda temporada tendo a protagonista da primeira temporada, Jessica Biel, como produtora executiva e Bill Pulman como alavanca para um novo caso estranhíssimo. Acompanhamos a investigação em torno do assassinato de dua pessoas pelas mãos de um adolescente e pelo andar da caminhada já sabemos que isso não é bem o que parece. A inclusão de Carrie Coon, obviamente é muito acertada, mas nada daaria jeito se o roteiro não funcionasse. E no caso, sim, ele funciona e muito!

 


 

The Handmaid’s Tale

 

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A atração da HULU criada por Bruce Miller com base no livro homônimo de Margareth Atwood pode ter tido uma queda na qualidade nesta segunda temporada, mas o teor dos temas apresentados, a consistência na atuação de Elisabeth Moss e do elenco principal e o drama vivido no fictício futuro distópico não tão distante de nossa realidade são tão profundos que as eventuais lacunas no roteiro para preencher os dez episódios pode ser desculpado. Uma produção que não é só importante como produto artístico, mas também como ação cultural e sociopolítica.

 


 

Westworld

 

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Ao final dessa segunda temporada de Westworld houve quem dissesse que a ficção científica da HBO perdeu alguns pontos por conta de alguma invencionice dos criadores Jonathan Nolan e Lisa Joy, mas o que mais aparenta é que como a primeira temporada ficou conhecida pela imprevisibilidade dos acontecimentos e o plot twist final o que muitos (críticos e espectadores) esperavam era que tudo aquilo se repetisse. Ora, não só não precisava dessa repetição como conseguiu entregar alguns dos melhores episódios de séries de tv do ano. “Reunion” (episódio 2) e “Kiksuya” (episódio 8) são duas das coisas mais lindas que foram vistas em tv neste ano. E a inclusão de uma cena pós-créditos ao final da temporada foi mais uma empolgante ação dos seus criadores.

 


 

Better Call Saul

 

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A graça da produção da Netflix criada por Vince Gilligan e Peter Gould com base na experiência de personagens já existentes em Breaking Bad não só funciona por causa da curiosidade quase mórbida de querermos ver como ocorre a transformação de Jimmy em Saul Goodman, mas também por interesse nos relacionamentos ali mostrados, a evolução das atividades do tráfico no sul dos EUA e na maneira como o personagem principal trabalha entre altos e baixos sua perspicácia para enganar os outros e a si mesmo. Nesse sentido o roteiro é primordial, mas as atuações de Bob Odenkirk e do elenco de apoio do primeiro escalão são sensacionais. E que venha a próxima temporada que provavelmente mostrará, aí sim, a ascensão de Saul e a ruptura com seu alter-ego Jimmy.

 


 

A Maldição da Residência Hill

 

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Não é só o fato de o terror estar sendo levado a sério pela tv e cinema atualmente. Tem a ver também com a técnica apurada de Mike Flanagan que pegou o livro de Shirley Jackson e transformou não na sofrível adaptação para o cinema de 1999, mas sim numa prestigiosa menção (sim, por que poucos são os elementos utilizados na série que são idênticos ao livro) à obra original. Com esmero fotográfico, atuações bem executadas tanto do elenco infantil quanto dos atores e atrizes adultos, A Maldição da Residência Hill pode provocar somente alguns arrepios, mas deixa o espectador tenso na maioria do tempo. E isso não tem apenas como motivo os fantasmas da casa, mas sim os demônios internos de cada um dos envolvidos na tragédia do passado que envolveu aquela família. A paleta de cores que sempre muda de acordo com os eventos transcorridos, a maestria como é filmada todo o tempo e o episódio 6 inteiro rendem a esta produção Netflix o prêmio de melhor série do ano, sem dúvida.

 


 

Big Mouth volta ainda melhor em sua segunda temporada

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A pergunta na primeira temporada de Big Mouth era se havia chance de uma série animada com personagens adolescentes fazendo coisas de adolescentes ser voltada exclusivamente para adultos. A resposta teria de ser bem embasada e passar por temas complexos, mas assim de supetão deveria crer que sim, tratava-se de um programa voltado apenas para pessoas mais maduras que já entendessem sobre aquele universo altamente tortuoso.

É claro que em última instância falamos de uma situação em que meninos e meninas da idade de 13, 14, 15 anos poderão assistir sem nenhum problema à série, pois os conflitos ali inseridos podem estar acontecendo naquele mesmo momento com aquele ou aquela pessoa, mas é importante salientar que compreender de forma madura e psicologicamente tais tormentas em nossas vidas só pode ser possível depois de alguns anos na idade adulta.

A questão é que essa segunda temporada vai elevando o tom da qualidade das discussões em torno da adolescência, da puberdade e de seus monstros internos.

Big Mouth – Segunda Temporada (Netflix – 2018) continua com a produção acertada e criativa de Nick Kroll e Andrew Goldberg e o grupo de meninos e meninas ganha alguns membros novos em sua crescente chegada à puberdade e aos seus problemas causados pela irritabilidade, alterações hormonais e diferenciações físicas. Aliás, o constrangimento, o medo e a vergonha ganham destaque nessa nova temporada com a entrada do Mago da Vergonha que promove alguns momentos hilários, mas também desconfortantes.

O time de dubladores continua ótimo com os próprios criadores fazendo parte ao lado de John Mulaney, Maya Rudolph, Jason Mantzoukas, Jordan Peele, Fred Armisen e Jenny Slate.

Além disso, os temas abordados vão além da masturbação masculina e da chegada do período fértil para as meninas: há abordagens a respeito de drogas, de diversidade e aceitação, discussão de gênero e sexualidade na adolescência (parem com essa merda de  expressão “ideologia de gênero” que não existe), misoginia, sororidade, além da complicada relação entre os adolescentes e os adultos.

Mas é difícil imaginar que a série seria tão boa se não tivesse a presença quase mágica do Treinador Steve (dublado por Nick Kroll). A inocência e ingenuidade do professor de educação física da escola dos meninos é tão hilário e ao mesmo tempo cativante que chega a ser comovente. O episódio em que ele perde a virgindade devia concorrer a algum prêmio de melhor qualquer coisa neste ano.

Uma rápida maratona consegue fazer com que você devore os dez capítulos em poucas horas e isso não será nenhuma tarefa difícil. Até porque o fato de que existe uma correlação entre um episódio e o próximo faz com que a curiosidade não te deixe abandonar o projeto facilmente.

Além disso, é possível já comemorar, pois a Netflix confirmou a renovação para a temporada três ano que vem.

Em tempos em que há uma guinada ao reacionarismo no mundo e, principalmente no Brasil, será possível ouvir muitas críticas aos temas debatidos pelo programa, mas não tenham dúvida: dificilmente será visto em qualquer lugar da televisão ou de qualquer outra mídia uma obra artística que fale de maneira tão fácil e objetiva e dentro de um formato tão simples quanto é a animação quanto o que é realizado por Big Mouth.

Portanto, assista antes que as fogueiras bolsonaristas venham censurar esta série que, se não foi feita (especificamente) para adolescentes, aborda este universo exemplarmente.

 

 

Segunda temporada de The Sinner continua apostando na imprevisibilidade

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Um ano atrás fomos confrontados aqui no Brasil com a estreia de uma série que marcou não só pela história, mas também pela capacidade de surpreender a cada capítulo com novas pistas (algumas falsas) sobre um crime que parecia ter sido solucionado logo nas primeiras cenas.

O show da USA em questão (que depois foi apresentado pela Netflix como sendo sua atração original) era The Sinner e trazia como sua estrela principal a atriz Jessica Biel.

Quando o final nos arrebatou foi logo questionado se haveria uma segunda temporada, mas o temor era grande de que se estragasse uma boa trama com algo que já havia sido altamente mastigado. Além disso, o que se contaria após toda o mistério ter sido desvendado ao final dos episódios.

Eis que alguém da produção teve a brilhante ideia de transformar a série numa espécie de antologia partindo apenas da mesma premissa (um crime aparentemente fácil de se resolver) para contar uma história totalmente diferente.

No que diz respeito ao corpo do roteiro somente a continuidade da participação do detetive Ambrose e do tema da religião (ou do fanatismo religioso) como pano de fundo para algo que vai muito além.

E não é que deu muito certo? Com atuações magníficas de vários de seus protagonistas e coadjuvantes (destaques para Carrie Coon e o garotinho Elisha Henig e para a construção cada vez mais bem feita de Bill Pulman) a série consegue cativar pela sua capacidade de conteúdo a cada cena sem enrolar o espectador.

 

Bradford Winters continua como showrunner e Jessica Biel, apesar de não mais aparecer na série, continua como produtora. A direção se divide entre vários realizadores, porém, isso não é algo que atrapalhe a concisão do projeto.

O “sinner” desta vez é um garoto de 13 anos que aparentemente matou os pais (isso não é spoiler, está no próprio trailer) e o crime ocorre na cidade onde o detetive da primeira temporada nasceu e viveu seus anos de infância e primeiro período adolescente.

A questão é que há muito mais por trás tanto do assassinato em si, quanto do passado de Ambrose, da detetive que a chama para ajuda-lo no caso e de outros personagens que vão surgindo (e surpreendendo) a cada minuto que se passa.

Logo no primeiro capítulo já temos um plot twist imenso e isso é só o começo.

Portanto, The Sinner é novamente nesta temporada uma série pesada que deve ser assistida aos poucos e deve ser degustada de maneira a não só entender cada passo que se dá no roteiro, mas também as nuances do relacionamento de todos e das suas personalidades e temperamentos.

 

E pensando na estrutura atual da televisão e do cinema isso é muito.

 

Estamos em tempos em que somente o que se vê são explosões, cortes rápidos e ação frenética para esconder as falhas na escrita de vários projetos e The Sinner tem qualidade nesse sentido para estar bem acima da média.

 

 


 

A segunda temporada de Making a Murderer já está entre nós

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A segunda temporada da série da Netflix Making a Murderer já foi disponibilizada no canal de streaming com todos os dez episódios podendo ser assistidos em sequência.

Dona de uma audiência expressiva, a primeira temporada foi lançada no final de 2015 e acabou com o espírito natalino de muita gente naquela época (este que vos escreve, inclusive).

A segunda parte da atividade dirigida pela dupla Laura Ricciard e Moira Demos dá a impressão de querer fazer o mesmo contigo desde o início do primeiro capítulo. Já terminei o segundo e agora parece que ficará o misto entre o desespero para terminar logo e a angústia com tanta coisa negativa passando pela sua frente que outro sentimento, o de tentar mastigar pausadamente cada bofetada que a série te dá, faça com que você não queira ver tudo isso de uma só vez.

Making a Murderer segue a trilha do caso envolvendo as prisões de Steven Avery em duas ocasiões diferentes e todo o processo pelo qual ele passou nesse ínterim, primeiro, por ter sido descoberto que não era o criminoso da primeira vez que foi acusado e encarcerado e, segundo, do crime pelo qual ele e seu sobrinho Brendan Dassey foram presos e que, agora, tentam provar sua inocência.

Seria mais uma série sobre crimes famosos se não fosse o fato de que nos dois processos movidos pela promotoria pública de Manitowoc, Wisconsin, há inúmeras inconsistências (para não falar, mentiras) e reviravoltas que fizeram até um número gigantesco de pessoas pedir à época do lançamento da primeira temporada do programa a concessão da anistia por parte do então presidente Barack Obama.

 

É bom que se diga também que até aqui essa temporada também faz um trabalho de metalinguagem mostrando muito daquilo que mudou por conta da ação e da reação das pessoas depois da exibição da primeira temporada.

 

Portanto, assista a esta segunda temporada da série e sinta mais de perto como o mundo pode ser nojento e as pessoas, mais escrotas ainda.

 


 

 


 

“A maldição da Residência Hill” é ótima, mas ela pode te enganar

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Um sentimento que tem tomado uma galera que curte séries e filmes sejam estes do cinema ou não é de que alguns trailers tem enganado demais aos espectadores. Não, não digo em relação à produção ruim que teve um teaser ou trailer bem editado que conseguiu esconder os defeitos do longa completo. Um caso bem conhecido recente é “Esquadrão Suicida” (2016) que tinha um fabuloso chama-trouxa no seu comercial exibido meses antes de seu lançamento que enganou a todos que foram assistir ao filme e saíram revoltados da sessão.

A minha constatação na qual procuro lançar luz aqui é com aquele tipo de série ou filme que tem um trailer que parece vender uma coisa totalmente diferente do que de fato o é.  E quem tem sofrido demais com isso são os fãs do gênero de terror.

Dois exemplos recentes são “A Bruxa” (2015) e “Hereditário” (2018) que pareciam ser algo que se mostrou muito fora do comum posteriormente. Ambos são, de fato, alguns dos melhores filmes da área, mas são tudo menos o que se assemelhava ao trailer de divulgação anterior. Muitos críticos notaram isso e ainda puderam nos avisar com certa rapidez, mas nem todo mundo acompanha assiduamente esse nicho informativo para ficar esperto e não ser pego de surpresa.

Essa é a sensação exata de quem assistiu ao trailer de “A Maldição da Residência Hill” (2018), série original Netflix de autoria do produtor, diretor e roteirista Mike Flanagan que é levemente inspirada (preste atenção à palavra usada) no livro “The Haunting of Hill House” (1959) de Shirley Jackson.

A questão essencial que nos leva ao pensamento de que fomos enganados pelo trailer exibido pela empresa de streaming norte-americana é que lá parecia que estaríamos em frente a uma produção de terror físico cheio de jumpscares que nos aterrorizaria do modo mais prático e usual ao qual estamos super acostumados.

A parte positiva a respeito disso: a série é muito mais do que isso. E bota “mais do que isso”, pois o programa é um terror psicológico que age em dois momentos da história de uma família (os Crain): a primeira situação em 1992 quando os cinco irmãos Steve, Shirleu, Theodora, Luke e Eleonor junto com a mãe Olivia e o pai Hugh se mudam para a residência título da trama com o intuito do patriarca engenheiro (e faz tudo) resolver os problemas do velho casarão que adquiriu por uma módica quantia para que a venda proporcione boa grana a fim de construir a tal casa dos sonhos que a mãe arquiteta está planejando há algum tempo. Neste pequeno tempo de moradia fatos estranhos e traumatizantes vão mexer com a vida de todos ali; a segunda situação é 26 anos depois (o período atual) na qual todos têm de lidar com os fantasmas (no sentido literal e figurado) do passado.

Se colocarmos em prática nomenclaturas exatas do manual de gêneros cinematográficos lidamos portanto com um terror psicológico que se emenda com um drama familiar que por breves momentos pode descambar para um horror mais físico ou de sustos fáceis. Essa mesma cartilha dirá que a produção homenageia clássicos como “Poltergeist” (1982), “Terror em Amityville” (1979), “Os Outros” (2001) e “O Iluminado” (1980), além de claras influências da primeira temporada de American Horror Story (2011), que recebeu a alcunha de Murder House.

O mais importante dessa análise sobre o que estamos assistindo é que tudo é feito com muito esmero e capricho e que a edição de som é fantástica, a edição de imagens é bem inteligente e sem pressa, a fotografia é perfeita no que pretende mexer com a cabeça do público que escolheu participar dessa viagem entre o passado e o presente, as cores, sombras e luzes que são importantes para mostrar a desgraceira que essa família foi obrigada a conviver enquanto o tempo passa para eles e para nós.

O ritmo da série é lenta o suficiente para que as personagens sejam bem trabalhadas e cada um dos primeiros seis capítulos é focado num membro da família enquanto uma sétima personagem permeia a todos e funciona como fio condutor de toda a loucura que vai culminar (ou já culminou) quando descobrimos o que de fato aconteceu para todos terem a garganta engasgada eternamente e não conseguirem seguir tranquilamente suas vidas.

Enfim, trata-se de uma série que vai te enganar bastante e vai te proporcionar momentos de tensão que vão se alongando conforme você vai se afeiçoando às pessoas que ali estão nos dez capítulos da trama.

Pontos mais do que positivos à atuação de todos e, em especial, aos atores e atrizes mirins que fazem entregam verossimilhança à obra. Outro destaque é com relação aos planos-sequência do 7º episódio (talvez o melhor dessa temporada) que provocam certo frescor ao ritmo da produção e quem está assistindo é levado a um novo nível de satisfação cinematográfica. Por fim, é essencial advertir a todos que já leram o livro homônimo de 1959 de que se trata mesmo de uma leve inspiração na obra literária já que de base mesmo dali só mesmo temos o nome da residência (que no livro a palavra Hill se refere a uma colina enquanto aqui estamos falando da família Hill, portanto um sobrenome), o casal Dudley (mesmo que tenham muitas diferenças do livro para a série), e que os Crain no livro, na verdade, eram liderados por um homem excêntrico que teria construído a casa enquanto que na série o patriarca da família fez o que já explicamos lá no início. Outra situação de diferenciação é que personagens como Nelly (ou Eleonor) e Theo têm funções e motivações totalmente diferentes de uma obra para a outra.

 

Portanto, “A Maldição da Residência Hill” é uma das melhores séries de terror já produzidas, mas que você vai ser enganado, ah isso vai, sem dúvida.