Rupi Kaur: poesia para a libertação feminina

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Sempre é muito difícil falar sobre as questões femininas sem sentir na pele o que é ser mulher, mas é importante analisar sempre que possível o que a cultura pode se apropriar da atividade das meninas e para elas.

Pode-se notar que a literatura feminista é algo que ainda precisa fluir muito na mente das mulheres e (por que não?) dos homens, pois  ainda há uma parcela dos donos da palavra e da disseminação do conhecimento que o feminismo não seria tão importante assim para a humanidade.

Se temos maravilhosos exemplos de mulheres habilidosas na forma e no estilo de escrever sobre os problemas a serem desfeitos para a verdadeira luta por direitos femininos no mundo extremamente patriarcal há de se notar que isso fica meio de lado nas discussões no meio literário moderno. Após figurar até mesmo em prova nacional do ensino médio anos atrás, esse tipo de pensamento em busca de igualdade social e cultural entre meninas e meninos tem dado um salto na maneira de ser vista por aqueles que pretendem dar um olhar mais sério ao assunto.

Se podemos dizer que a obra “Em defesa dos direitos da mulher” de Mary Wollstonecraft ainda no século XVIII é um marco para esse tipo de livro para fazer balançar a cabeça de uma sociedade muito retrógrada, é por meio de Charlotte Brontë com “Jane Eyre” cem anos depois que, através da sutileza e da ironia que esse sentido de jogar fora alguns conceitos da mulher como sombra do homem passam a cair.

Após isso, na primeira metade do século XX, florescem os textos magníficos de Simone de Beauvoir e Virginia Woolf, mas a tríade que se inicia com “A Mística Feminina” de Betty Friedman (1963), “Wide Sargasso Sea” de Jean Rhys (1966)  e “Política Sexual” de Kate Millett (1970) que se consolida esse tipo de literatura voltado ao público feminino.

 

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Além disso, temos casos nacionais como “Sobrevivi, Posso Contar” de Maria da Penha que são depoimentos fortes e corajosos em nossos lados brasileiros e fenômenos como o discurso jovem de Malala Yousafzai que fogem do contexto de literatura descartável ou de datação rápida dos dias atuais.

Neste sentido, há uma outra autora que parece ultrapassar essa questão apenas da contemporaneidade e que pode alcançar importância para a História no quesito de contribuir para a luta da causa em busca de direitos das mulheres. Rupi Kaur é uma indiana que mora no Canadá atualmente e que, além de poetisa é também artista visual.

Com apenas 24 anos, Rupi  já foi considerada pela crítica que tenta se especializar em analisar autopublicações através das redes sociais como “filha perfeita de seu tempo” e “voz de sua geração” por conta da identificação que seu trabalho causa em jovens mulheres ao redor do globo.

Mas ela não é só um fenômeno do Instagram ou do Twitter. Seu primeiro livro intitulado “Milk and Honey” foi publicado de maneira independente e já atingiu mais de um milhão de exemplares vendidos com o plus de ter sido traduzido para oito idiomas (inclusive o nosso).

A escritora também se preocupa em causar nas pessoas sensações diferentes quando promove através de imagens uma visualização de cenas que são típicas da situação de ser mulher, mas que incômodo na sociedade que despreza aquilo que provoca nojo ou desconstrói a imagem da mulher que precisa sempre estar perfeita. Já teve até problemas com as redes sociais por conta de fotos que até foram censuradas, mas isso não fez com que arredasse o pé de sua intencionalidade prática de fazer todos pensarem a respeito de seu preconceito e misoginia.

 

Rupi Kaur/Instagram

 

Ela acaba por ser uma mola propulsora de um movimento poético que rompe em suas formas, conteúdos e maneiras de chegar ao público. Ela quebra o ciclo normatizado de que há uma base com a qual os textos são tradicionalmente realizados. Junto com outras mulheres como Warsan Shire (poetisa somali queridinha de Beyoncè), Rupi Kaur começa a conquistar um espaço que raramente é cedido às meninas, principalmente se não forem brancas e de uma classe artística já estabelecida como se fizesse parte de um conceito de castas pré-estabelecidas na sociedade.

 

Veja abaixo, alguns poemas da artista:

 

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Filosofia para ler e pensar: um apanhado de bons livros sobre o tema

Em tempos obscuros, cinzentos e temerosos como os vividos no Brasil ultimamente, em que há muita desconfiança quanto ao futuro e não se pode afirmar categoricamente nada sobre o presente há de se ter algumas leituras obrigatórias acerca do pensamento humano.

Por meio da filosofia o homem sempre quis desenvolver uma análise crítica de seu pensamento e as ideologias sociais foram sendo construídas de acordo com o alinhamento com certas formas de se analisar a nossa mente e ações.

Por causa disso, o blog acha necessário que se tenha uma lista com algumas das obras mais importantes sobre o pensamento e os nomes da filosofia que serão vistos aqui abaixo têm muito a ver com teorias e práticas vistas e repetidas no mundo de hoje. Porém, não se tem a pretensão de fazer uma lista definitiva, mas sim um norte para através deste início de leitura possam ser buscadas outras e mais outras.

Mesmo assim, é notório que algumas delas poderiam ser mais bem compreendidas, outras deveriam ser recuperadas enquanto que outras precisavam urgentemente de alguma repaginação, mas é óbvio que todas foram imprescindíveis para a evolução da sociedade.

Dessa forma, o que se segue abaixo é apenas uma linha inicial para que tenhamos mais contato com um mundo que precisa ser mais visitado para que as atividades de nossa realidade atual sejam mais bem pensadas e produzidas com mais esforço ético e sabedoria.

Portanto, saboreie a lista e escolha sua lista de livros favoritos.


 

A República – Platão

 

“A República” é um diálogo socrático escrito por Platão, filósofo grego, no século IV a.C.. Todo o diálogo é narrado, em primeira pessoa, por Sócrates. O tema central da obra é a justiça.

No decorrer da obra é imaginada uma república na cidade de Calípole, Kallipolis, que significa “cidade bela” e é neste livro que se encontra o famoso mito da caverna.

O diálogo todo tem uma extensão considerável, articulada pelos tópicos do debate e por elementos dramáticos. Exteriormente, está dividido em dez livros, subdividida em capítulos e com a numeração de páginas do humanista Stéphanus da tradição manuscrita e impressa.


 

Poética – Aristóteles

Poética é o mais antigo dos trabalhos conhecidos de Aristóteles. Trata-se de uma compilação realizada por volta de 335 a.C., que busca sistematizar o formato e a estética dos gêneros literários gregos. O texto que temos hoje conta com 26 capítulos e é composto por uma introdução geral sobre a arte poética, seguida de uma digressão detalhada sobre a poesia trágica e a épica, concluindo com uma comparação entre ambas.

O termo grego que dá nome à obra significa literalmente “fazer”, uma alusão ao fazer da arte, a composição artística, e incluía originalmente os gêneros cultuados pelos gregos, como o drama, a comédia, a tragédia e a sátira, além da poesia lírica, a poesia épica, e o ditirambo, porém algumas destas partes foram perdidas.

No final das contas, o livro constitui-se uma obra tal qual uma cartilha do professor, com a síntese de como deva se comportar o mestre perante sua função.


Máximas Principais – Epicuro

EPICURO - MAXIMAS PRINCIPAIS

Este livro traz opiniões de Epicuro, transcritas por Diógenes Laércio. São quarenta aforismos que sintetizam a ética epicurista.

Considerado um filósofo grego do período helenístico, Epicuro teve uma obra tão influente que fez com que diversos e numerosos centros epicuristas fossem construídos no Egito, mais precisamente em Jônia. Seu maior divulgador foi Lucrécio, que começou a espalhar sua filosofia em Roma no século I.

No livro, há muito do pensamento dele acerca do prazer que considerava ser o único fenômeno capaz de trazer o bem estar. Por pensar desta forma, foi confundido com os hedonistas, que dizem ser o prazer o princípio e o fim de uma vida feliz. No entanto, Epicuro faz uma distinção entre o prazer passageiro e prazer estável. O primeiro seria a alegria, a felicidade. Já o segundo seria a total ausência de dor.


 Sobre a Brevidade da Vida – Sêneca

“Sobre a brevidade da vida” é a obra mais difundida do filósofo Lúcio Anneo Sêneca (4 a.C.? – 65 d.C.) e um dos textos mais conhecidos de toda a Antiguidade latina.

São cartas dirigidas a Paulino (cuja identidade é controversa), nas quais o sábio discorre sobre a natureza finita da vida humana. São desenvolvidos temas como aprendizagem, amizade, livros e a morte, e, no correr das páginas, vão sendo apresentadas maneiras de prolongar a vida e livrá-la de mil futilidades que a perturbam sem, no entanto, enriquecê-la.

Escritas há quase dois mil anos, estas cartas compõem uma leitura para todos os homens, e seriam uma forma, segundo o próprio pensador, de ajudar a avaliar o que é uma vida plenamente vivida.


Os Devaneios de um Caminhante Solitário – Jean Jacques Rousseau

Nos dois últimos anos de vida, entre 1776 e 1778, Rousseau realizou longas caminhadas por Paris e arredores, observando os passantes, a flora – uma de suas grandes paixões –, as edificações e refletindo, amargurado, sobre a sociedade.

Sentindo-se isolado pelas críticas à sua obra e às suas posições humanistas, registrou essas impressões em Os devaneios do caminhante solitário, um dos seus livros mais tocantes. Aqui a paixão inflamada dos seus primeiros escritos dá lugar ao lirismo e à serenidade, inspirando centenas de pensadores com suas considerações sobre a natureza do homem, sua individualidade e conduta.


Discurso do Método – Descartes

“O Discurso do método” é um tratado matemático e filosófico de René Descartes, publicado em Leiden, na Holanda, em 1637.

Constitui princípios de filosofia e Regras para a direção do espírito (Regulae ad directionem ingenii), a base da epistemologia do filósofo, sistema que passou a ser conhecido como cartesianismo. O Discurso propõe um modelo quase matemático para conduzir o pensamento humano.

Segundo o próprio Descartes, parte da inspiração de seu método (descrito nesse livro/tratado) deveu-se a três sonhos ocorridos na noite de 10 para 11 de novembro de 1619: nestes sonhos lhe havia ocorrido “a ideia de um método universal para encontrar a verdade”.


 

O Príncipe – Maquiavel

“O Príncipe” foi escrito por Nicolau Maquiavel em 1513, cuja primeira edição foi publicada postumamente, em 1532. Trata-se de um dos tratados políticos mais fundamentais elaborados pelo pensamento humano, e que tem papel crucial na construção do conceito de Estado como modernamente conhecemos.

No mesmo estilo do Institutio Principis Christiani de Erasmo de Roterdã: descreve as maneiras de conduzir-se nos negócios públicos internos e externos, e fundamentalmente, como conquistar e manter um principado.


O Capital – Karl Marx

“O Capital” é um conjunto de livros (sendo o primeiro de 1867) de Karl Marx que constituem uma análise do capitalismo (crítica da economia política).

Muitos consideram esta obra o marco do pensamento socialista marxista, pois nela existem muitos conceitos econômicos complexos, como mais valia, capital constante e capital variável e uma análise sobre o salário e sobre a acumulação primitiva.

Resumindo, a obra realiza uma análise crítica sobre todos os aspectos do modo de produção capitalista, incluindo também um olhar sobre a teoria do valor-trabalho de Adam Smith e de outros assuntos dos economistas clássicos.


Assim Falava Zaratustra – Nietzsche

“Assim falou Zaratustra” foi escrito entre 1883 e 1885 pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche e influenciou significativamente o mundo moderno. O livro foi escrito originalmente como três volumes separados em um período de vários anos. Depois, Nietzsche decidiu escrever outros três volumes mas apenas conseguiu terminar um, elevando o número total de volumes para quatro. Após a morte de Nietzsche, ele foi impresso em um único volume.

O livro narra as andanças e ensinamentos de um filósofo, que se autonomeou Zaratustra após a fundação do Zoroastrismo na antiga Pérsia. Para explorar muitas das ideias de Nietzsche, o livro usa uma forma poética e fictícia, frequentemente satirizando o Velho e Novo Testamento.

O centro de Zaratustra é a noção de que os seres humanos são uma forma transicional entre macacos e o que Nietzsche chamou de Übermensch, literalmente “além-do-homem”, normalmente traduzido como “super-homem”. O nome é um dos muitos trocadilhos no livro e se refere mais claramente à imagem do Sol vindo além do horizonte ao amanhecer como a simples noção de vitória.


 

 

O Ser e o Nada – Jean Paul Sartre

O francês Jean-Paul Sartre (1905- 1980) é um dos mais importantes e famosos filósofos do século XX e, por causa de seus escritos, tornou-se o principal representante do existencialismo francês.

Foi prisioneiro de guerra dos alemães, lecionou em Paris e fundou a revista Les Temps Modernes em conjunto com a também filósofa Simone de Beauvoir.

Outra peculiaridade de Sartre é que não aceitou o Prêmio Nobel de Literatura, alegando que não deveria deixar as instituições o transformarem. Só por este motivo sua bibliografia deveria ser consultada de alguma forma, mas o seu conteúdo é tão necessário para entender a idade moderna que custa a sair de sua leitura.

“O Ser e o Nada” é uma análise do ser em sua mais pura essência. O autor considera o ser em sua mais alta pureza e que neste sentido nada poderia escapar à consciência.

Para Sartre, você só sabe, se “sabe que sabe”, ou seja, se tem consciência daquele saber. Pode parecer uma prisão, pelo contrário, aí é que está o cerne da liberdade. Só que Sartre mostra a liberdade como um fardo, por isso diz que o homem está, então, condenado a ser livre.


O Segundo Sexo – Simone de Beauvoir

O Segundo Sexo (Le Deuxième Sexe em francês) é um livro escrito por Simone de Beauvoir, publicado originalmente em 1949 e uma das obras mais celebradas e importantes para o movimento feminista. O pensamento de Beauvoir analisa a situação da mulher na sociedade.

No Brasil foi publicado em dois volumes: “Fatos e mitos” é o volume 1, e faz uma reflexão sobre mitos e fatos que condicionam a situação da mulher na sociedade. “A experiência vivida” é o volume 2, e analisa a condição feminina nas esferas sexual, psicológica, social e política.

Em tempos de ódio de classe e machismo pujante na sociedade a luta feminista introduzida por muitos dos escritos de Beauvoir é de suma importância para as mulheres poderem prosseguir com a batalha e para que os homens se dispam de alguns preconceitos.


Deus e o Estado – Bakunin

Principal nome do anarquismo e uma das influências mais importantes de ateus e de pessoas que lutam pela laicidade na constituição social moderna, Bakunin ganhou relevância maior nos últimos anos tanto no Brasil quanto em outras partes do mundo por conta da falência do Estado em diversas instâncias.

“Deus e o Estado” é uma das obras literárias mais importantes publicados pelo teórico libertário russo e foi escrita nos meses de fevereiro e março de 1871.

A intenção nítida do livro e a de servir como a segunda parte de um trabalho maior que seria chamado “O Império Teuto-Germânico e a Revolução Social”, mas assim como outras obras de Bakunin, nunca foi finalizado.

Porém, inúmeras situações são bem constituídas e discutidas na obra como a relação intrínseca entre religião e Estado, questões envolvendo a teoria anarquista, o papel da ciência como substituidora da religião e a legitimidade das autoridades.


Segredos, Mentiras e Democracia – Noam Chomsky

 Segredos Mentiras e Democracia

Reconhecido inicialmente como grande linguista pela comunidade internacional, Noam Chosmky se tornou um dos maiores críticos do imperialismo americano e filósofo de importância considerável a partir do final do século XX.

Neste sentido, um bom começo para estudar este pensador contemporâneo poderia ser sua discussão sobre a gramática universal, cuja demonstração e desenvolvimento têm sido dedicados diversos estudos que partiram das idéias dele.

Mas é posterior às atividades  no campo linguístico, que Chomsky se tornou mais pesquisado por outras áreas ligadas á política e à filosofia.

Neste “Segredos, Mentiras e Democracia”, Chomsky, através de uma entrevista concedida a David Barsamian nos fins de 93 e inicio de 94 discute sobre a democracia e muitas de seus mitos por meio da análise de diversos exemplos ao redor do mundo.

“Por que é importante [para as elites] manter a população em geral sob controle?”

A resposta para essa e outras perguntas pode ser degustada pelo leitor para entender um pouco mais do que ocorre ao nosso redor e das mentiras que são contadas pelos governantes para se manter no poder e promover ainda mais a concentração de renda.

 


 

 

A Literatura Resumida a Dez Essenciais Escritoras

Diante do número de visualizações do post de sábado sobre o Dia da Mulher e da lista com as mulheres no mundo da música o site acabou por se sentir obrigado a escrever sobre as mulheres na literatura.

A lista é simples: analisa a carreira de mulheres que tiveram importância histórica, militância pelos direitos do sexo feminino, e obviamente, pela qualidade artística de sua obra.

Deste modo, já é autoexplicativo que mulheres como J.K. Rowlling e Catherine Hardwick não estejam nas linhas abaixo.

Escolhi apenas dez meninas para deixar bem delimitado o quesito qualitativo.

Aí vai, portanto, o Top 10 de mulheres escritoras:


Simone de Beauvoir
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A mulher escreveu romances, monografias sobre filosofia, política, sociedade, ensaios, biografias e até a autobiografia. Além disso, teve uma relação amorosa com Jean Paul Sartre, algo que foi benéfico para ambos, tanto pela troca de ideias entre eles quanto pela capacidade de pensarem o mundo e a humanidade.

Sua obra inclui “A convidada” (1943), na qual explorou dilemas existencialistas da liberdade, da ação e da responsabilidade individual, temas que retornaram em “O sangue dos outros” (1944) e “Os mandarins” (1954).

As teses existencialistas, acerca da responsabilidade individual, são debatidas em suas obras autobiográficas, “Memórias de uma moça bem-comportada” (1958), “A força das coisas” (1963) e “Tudo dito e feito” (1972).

Além disso, obteve grande destaque nos ensaios críticos “O segundo sexo” (1949), análise profunda sobre o papel das mulheres na sociedade, “A velhice” (1970), em que critica a sociedade no lido com os anciãos, e “A cerimônia do adeus” (1981), que proporciona uma homenagem a Sartre.


Clarice Lispector
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A escritora nunca foi uma das favoritas da casa, mas isso não quer dizer que não se admitia a importância de sua obra. A carreira iniciada em 1943 com “Perto do Coração Selvagem”, foi variada, pois apesar de ter na poesia a maior fama, foi com os romances e os contos que sua verve literária mais foi desafiada.

Dessa forma, Clarice ganhou maior notoriedade em 1964 quando lança dois livros: “A Legião Estrangeira”, uma coletânea de contos, e o romance “A Paixão segundo G.H.”, que lhe rendeu elogios pela capacidade de falar da alma feminina, guardando-a ainda assim, em um mistério indecifrável.

Chegou a realizar muitas traduções de obras em inglês, mas sua carreira será sempre lembrada por “Laços de Família”, “A Hora da Estrela” e “Água Viva”, tendo sempre sido associada a autores modernistas como Franz Kafka, James Joyce e Virginia Woolf.


Emily Brontë
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Apesar de ser conhecida pela obra “O Morro dos Ventos Uivantes”, essa escritora inglesa tem outras peculiaridades, pois teve outra irmã no mundo da literatura, Charlotte, que escreveu outro livro relevante, “Jane Eyre”.

Mas o fato dos filhos da família Brontë terem ficado órfãs muito cedo, fez com que comessem o pão que o Diabo amassou em colégios internos, tendo inclusive vitimado três outros irmãos da escritora. Sobraram apenas Emily, Charlotte e o irmão Branwell (que se tornou alcoólatra).

A famosa obra “O Morro dos Ventos Uivantes” não foi muito compreendida à época em que foi escrito, pela profundidade com que trata a paixão vivida entre Heathcliff e Catherine, mas é considerada hoje uma das obras de maior relevância da Inglaterra no século XIX.


Cecília Meirelles 
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A escritora brasileira é considerada uma das vozes líricas mais importantes das literaturas de língua portuguesa.

Já aos dezoito anos escreveu “Espectros”, um conjunto de sonetos simbolistas. Foi importante também no mundo jornalístico, pois publicava diariamente em diversos jornais colunas sobre Educação. É dessa época a maioria de seus livros infantis: “Leilão de Jardim”, “O Cavalinho Branco”, “Colar de Carolina”, “O mosquito escreve”, “Sonhos da menina”, “O menino azul” e “A pombinha da mata”, todas obras de poesia.

Também escreveu obras adultas relevantes pela sua capacidade de se reinventar no mundo poético. São os casos de “Nunca Mais…” e “Poema dos Poemas”, “Baladas Para El-Rei” “Viagem”, “Pequeno Oratório de Santa Clara”, entre outros.


Virginia Woolf
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Provavelmente a escritora mais importante do século XX. Virginia lutou para se aceitar e ser aceita pelos outros por conta de sua opção sexual e isso transparece em sua obra.

“Mrs Dalloway” (1925), “Passeio ao Farol” (1927) e “Orlando” (1928), bem como o livro-ensaio “Um Quarto Só Para Si” (1929), onde se pode ver a famosa frase “Uma mulher deve ter dinheiro e um quarto próprio se ela quiser escrever ficção”, são algumas das suas obras.

Biógrafos da autora relatam que seus irmãos podem ter abusado dela durante sua infância, algo que pode explicar a bipolaridade da escritora, que só poderia ser explicada muito depois de sua morte (por suicídio).

A relevância de Virginia Woolf é estendida além da literatura, pois também foi integrante do grupo de Bloomsbury, círculo de intelectuais que, após a Primeira Guerra Mundial, se posicionaria contra as tradições literárias, políticas e sociais da Era Vitoriana. Deste grupo participaram, dentre outros, os escritores Roger Fry e Duncan Grant; os historiadores e economistas Lytton Strachey e John Maynard Keynes; e os críticos Clive Bell e Desmond McCarthy.


 

Jane Austen
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Mesmo tendo passado mais de duzentos anos desde o lançamento de “Orgulho e Preconceito” o livro pode ser reinventado utilizando os mesmos personagens e os mesmos temas em épocas distintas da versão original.

A aparente inocência produzida quando se lê as primeiras páginas de qualquer livro de Austen se torna figura de linguagem na sequência, o que torna fluente qualquer uma de suas tramas.

Portanto, mesmo “Razão e Sentimento”, “Emma”, “Persuasão”, “Os Watsons” e “Northanger Abbey” são livros que contêm uma mensagem instrutiva, assinalam o bom comportamento e mostram uma espécie de experiência fictícia, mas sempre estão de acordo com a realidade e oferecem, por isso mesmo, uma história na qual os elementos que a constituem se prestam à veracidade dos fatos narrados.

A autora preferida de quem adora uma ironia. Também uma escritora que se mantém atual pelos assuntos tratados em seus romances.


Margaret Mitchel
Margareth Mitchell

 

Mitchell era jornalista, trabalho que rivalizou com o de escritora, processo que dificultou a finalização do famoso livro “… E o vento levou”.

A história da obra se iniciou quando a jornalista ficou doente e no período de convalescência aproveitou para escrever um pouco, mas desde este começo (1925) até a publicação do clássico foram dez anos. O fato de Margareth ter se divorciado e ser uma profissional em época de profundo machismo nos EUA facilitou para que a figura de sua protagonista fosse moldada.

Scarlett O’Hara faz o que for possível para sobreviver no período de Guerra de Secessão no país. Esta figura pode ser transportada também para a época em que a escritora vivia, já que estava no pós-guerra, tempos difíceis em que as mulheres tiveram que sair para trabalhar a fim de ajudar seus maridos.

O fato de ter sido filmado logo após seu lançamento em livro também criou essa tendência em Hollywood, algo que não pode ser desprezado como importante na história também.


Agatha Christie
Agatha Christie

 

A “Duquesa da Morte”, como ficou conhecida, foi uma profícua escritora de romances policiais ou de suspense. Sua obra passa dos oitenta livros durante seus 85 anos de vida.

Ela também criou famosos personagens como Hercule Poirot, Miss Marple,Tommy e Tuppence Beresford e Parker Pyne, entre outros, além de escrever sob o pseudônimo de Mary Westmacott.

“Assassinato no Expresso Oriente”, “O Caso dos dez Negrinhos”, “Cai o Piano”, “Noite sem Fim”, “Assassinato na Casa do Pastor” e “Punição para a Inocência” são apenas alguns dos livros que fizeram da autora uma das mais populares da Inglaterra.


Wisława Szymborska
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A escritora vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 1996 não foi apenas relevante em sua terra natal, a Polônia. Muita gente se inspirou na maneira despojada e sarcástica com que Wislawa encarava a vida (e a morte).

O fato de ser uma crítica contumaz do regime autoritário que tomou conta da Polônia durante muitos anos fez com que ela traduzisse isso nos seus poemas.

“Convocação para Yeti”, “Poderia Ser” e “O Fim e o Princípio” são algumas de suas obras clássicas que nos fazem pensar sobre a existência e sobre o vazio que ela pode nos proporcionar.

De uma verve extremamente bem humorada, a autora disse, certa vez, sobre os poucos livros lançados: “Eu tenho uma lixeira na minha casa. Eu escrevo à noite. De dia, tenho o hábito irritante de reler o que escrevi para constatar que há coisas que não suportam sequer o teste de uma volta do globo.”


Isabel Allende
Isabel Allende

Normalmente, as mulheres escritoras não se metem em política em seus livros se não conhecerem bem o tema. “A Casa dos Espíritos” é um livro forte, sob vários aspectos: é uma declaração de amor ao Chile, discute a espiritualidade existente nas pessoas, descreve o passar dos anos dentro de uma família (e nisso pode ser comparado com “Cem anos de Solidão” de Marquez), mas toca num assunto pouco mencionado pelos escritores de romance na América do Sul, a ditadura.

Allende, que é parente de Salvador Allende (presidente deposto no golpe de 1973), também escreve de forma muito apaixonada e poética. Basta ler “Paula”, livro de 1995 feito para a sua filha que estava em coma devido a um ataque de porfiria. Como a autora não sabia se a sua memória voltaria após a saída do coma, ela resolveu contar a sua história para auxiliar a filha a lembrar dos fatos. O livro passou a ser um retrato auto-biográfico da autora chilena. Sua filha morreu posteriormente.

Outros livros como “De Amor e de Sombra”, “A Lagoa Azul”, “Afrodite” e “Filha da Fortuna” fazem da carreira de Isabel Allende uma das mais importantes dentre as escritoras latino-americanas.