Faça um favor aos seus ouvidos: descubra o Karnivool

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De tempos em tempos há as bandas que você conhece através de pesquisas via internet, rádios gringas e por meio de publicações especializadas, mas tem aquelas que chegam via dicas e sugestões de amigos.

O caso aqui foi conselho certeiro da parceira de luta e de show Ana Palindrômica (obrigado mais uma vez pela força nos últimos dias).

O grupo da vez é o Karnivool, reunião de ases instrumentistas baseado inicialmente em Perth, capital da Austrália Ocidental (Austrália) simplesmente para provar que nem só de Tame Impala vive aquela cidade.

O Karnivool pode ser caracterizado como uma banda de rock progressivo pesado com claras referências ao americano Tool que utiliza elementos tanto da música clássica conservadora (a própria sincronia lembra bem uma orquestra em perfeição de detalhes) como também do Nu Metal por conta dos vocais bem cadenciados pelo ritmo das guitarras que vem e vão como se fossem uma montanha russa de sensações.

A bateria e o baixo são um show à parte com as viradas de tempo e a condução quase clássica, respectivamente.

 

A turma é conduzida por em Ian Kenny nos vocais, Andrew Goddard e Mark Hosking nas guitarras, Jon Stockman no baixo e Steve Judd na bateria. Todos são incríveis músicos e isso é usado de maneira quase perfeccionista na execução dos álbuns e shows.

O quinteto está no terceiro álbum, Asymmetry (2013), mas conta desde 1997 sua carreira que se iniciou com pequenas apresentações na cidade onde ainda estudavam com uma base que aí de covers do Nirvana, do Sarcass até algumas composições próprias, que posteriormente foram incluídas na estreia em estúdio por meio do EP Homônimo da banda (1999) e no segundo EP Persona (2001).

Talvez a razão para tanto tempo se passar entre o começo da estrada da banda e o seu lançamento depois seja a forma como os seus membros tratam seriamente seu objeto de trabalho. Tudo fica tão perfeito nos álbuns que a tal simetria que todos possuem entre si se traduz também nos palcos. Uma apresentação do Karnivool pode ser confundida muitas vezes com o trabalho de produção de seus LPs.

Isso explica posteriormente a separação de tempo entre os primeiro álbum completo, Themata (2003), e Sound Awake (2005), algo que é facilmente compreendido quando se escuta cada um deles de forma ininterrupta.

Pode se vislumbrar influências da atividade de Michael Gira no Swans para o que é feito pelo Karnivool, mas isso fica mesma na audição de gente que mero leigo no assunto e profundo fã da banda americana, mas é ótimo que haja mais alguém no mundo fazendo da música algo mais do que um emaranhado de sons fabricados por produtores musicais que pensam apenas em hipnotizar jovens por dois minutos fazer milhões de visualizações no Youtube.

Música também é trabalho e dos mais pesados possíveis, como o Karnivool prova para nós em sua carreira até aqui. Portanto, escute qualquer álbum deles agora. Isso é uma ordem!

 

 


 

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Chegou o grande dia: O Blog anuncia o Top 20 de álbuns do ano

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Todo ano é assim: muita correria, esforço concentrado para realizar as coisas com bastante tempo de sobra, mas nunca isso é viável por conta dos outros afazeres diários.

No que tange ao contato com outras listas o Blog verificou que alguns pontos confluem, porém visualiza que há discrepância em outros aspectos por causa exatamente das fontes mais utilizadas para procurar por música no ano de 2016.

Enquanto nos anos anteriores a busca em internet acabava sendo o ponto forte de nossa pesquisa houve um fator qualificador para agora, pois há a implementação de outros canais de análise de música independente mais análogos aos nossos gostos.

A inclusão do site e do aplicativo da Bandcamp para procura de novas bandas e artista ao redor do mundo facilitou muito nossa empreitada e a adição de muitas horas de audição da KEXP FM de Seattle (umas das favoritas emissoras da casa), da BBC Radio 1 de Londres, da australiana Triple J, das minuciosas garimpagens na Pitchfork e na fuçada constante em publicações como NME, Spin e Rolling Stone, além da pesquisa diária por meio de palavras-chave como “shoegaze”, “Indie Rock”, “Dream Pop” ou simplesmente “Novas Bandas”.

Para isso, também foi preponderante rever listas de anos anteriores, buscar informações e comparar minhas análises com sites bacanas como “Vi Shows”, o predileto “Popload” e o interessante “Tenho Mais Discos que Amigos”.

Dessa forma, o blog acredita estar mais próximo da verdade do gosto Indie ou do universo underground enquanto também se aproxima de uma sinceridade sobre o que rolou de realmente bacana nos últimos 365 dias.

Abaixo, listamos os vinte melhores álbuns, segundo nossa opinião, e já convidamos a quem quiser que poste também a própria lista.

Com vocês, o Top 20 do Blog Outros Sons (e o melhor álbum nacional também):


20º – AURORA (All My Demons Greeting Me As A Friend)

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AURORA (Running With The Wolves)


19º – Car Seat Headrest (Teens of Denial)

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Car Seat Headrest (Drunk Drivers / Killer Whales)


18º – The Avalanches (Wildflower)

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The Avalanches (Frankie Sinatra) 


17º – Black Mountain (IV)

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Black Mountain (Mother of the Sun)


16º – Daughter (Not To Disappear)

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Daughter (How)


15º – Deep Sea Diver (Secrets)

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Deep Sea Diver (Wide Awake)


14º – Poliça (United Crushers)

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Poliça (Wedding)


13º – Frankie Cosmos (Next Thing)

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Frankie Cosmos (Outside With The Cuties)


12º – Leonard Cohen (You Want It Darker)

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Leonard Cohen (You Want It Darker)


11º – The Kills (Ash & Ice)

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The Kills (Doing It To Death)


10º – Wilco (Schmilco)

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Wilco (Someone To Lose)


9º – Iggy Pop (Post Pop Depression)

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Iggy Pop (Post Pop Depression)


8º – Savages (Adore Life)

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Savages (Adore)


7º – Warpaint (Heads Up)

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Warpaint (New Song)


6º – David Bowie (Blackstar)

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David Bowie (Blackstar)


5º – Nick Cave & The Bad Seeds (Skeleton Tree)

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Nick Cave & The Bad Seeds (Magneto)


4º – P.J. Harvey (The Hope Six Demolition Project)

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P.J. Harvey (The Ministry Of Defence)


3º – Solange (A Seat At The Table)

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Solange (Cranes In The Sky)


2º – Angel Olsen (MyWoman)

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Angel Olsen (Shut Up Kiss Me)


1º – Swans (The Glowing Man)

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Swans (The Glowing Man)


Menções honrosas: 

Slaves (Take Control); Parquet Courts (Human Performance); Smokey Brights (Hot Candy); Deap Vally (Femejism); Acapulco Lips (Acapulco Lips)


Melhor Álbum Nacional:

INKY (Animalia)

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INKY (Parallax)


Com vocês, o melhor disco do ano!

 

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Sim, estamos ainda em setembro e muita coisa grandiosa já foi lançada por aí.

Houve nos primeiros dias do ano o disco derradeiro de David Bowie (em vida, pelo menos) que carrega um componente emocional desigual com relação a qualquer outra coisa que tenha saído posteriormente. Aconteceu também o retorno de Nick Cave pós-morte do filho, que devemos considerar também um sentimento diferente ao escutar o disco do australiano.

Há ainda álbuns excelentes que já chegaram desde o Savages novo até o “Heads Up” do Warpaint que está fresquinho em nossas caixas de som desde ontem, mas nada, repito, nada será parecido com o trabalho do Swans.

A banda de Michael Gira já vinha batendo na tecla dos lançamentos clássicos desde o seu retorno em 2009, mas foi em 2014 com “To Be Kind” que eles se renovaram por completo e iniciaram um projeto que parece ter continuidade no LP que sai agora em 2016.

“The Glowing Man” saiu sem alarde nenhum no dia 17 de junho e as apresentações ao vivo não tem sido muitas. A questão relacionada à dificuldade para estruturar um show da banda parece ser o principal motivo para isso, mas um evento deste porte também deve ser bem caro e pode existir o receio de produtores em financiar um espetáculo que não dá para chamar de outra coisa que não seja uma sinfonia do caos.

Dessa forma, acredito que é quase impossível que Gira e seus companheiros de banda também participem de festivais já que um show do Swans não tenha menos do que duas horas.

Com relação ao conteúdo das faixas em si o que se demonstra é a intensificação de um trabalho de experimentação que ultrapassa em muito o pós-punk moderno que os caras tem feito desde sua volta.

Dá para pincelar influências do stoner rock de Kiuss e Queens of the Stone Age, microfonias de shoegaze e primórdios do Black Sabath, mas é muito mais do que isso.

Há elementos de sinfonia no som dos caras, há influência de outras bandas como Sonic Youth na maneira de tocar os instrumentos (o próprio Gira admite que a canção The “World Looks Red / The World Looks Black” já tinha sido escrita em 1982 e que foi usada em grande parte pela banda de Thurston Moore) e o vocal prossegue emergindo com mantras e repetições que fazem o ouvinte viajar pela sonoridade de uma maneira muito diferente de qualquer coisa realizada hoje em dia.

Aliás, essa ideia de mantra se nota também nos acordes que, por muitas vezes, utilizam isso como uma ambientação para chegar em ápices (ou simplesmente um anticlímax) que se aprofundam em riffs ao longo dos muitos minutos de exibição. Note isso em “Frankie M” e na dobradinha “Cloud of Forgetting” e “Cloud of Unknowing” do início do disco, por exemplo.

Portanto, há de tudo nesse balaio: heavy metal, pitadas de jazz e blues, percussão e rugidos indígenas americanos, além de base celta que outras bandas atuais também utilizam. O conceito por trás do Swans, dessa forma, não pode ser explicado em poucas palavras, nem sequer num texto que tenta traduzir o motivo de se tornar o melhor lançamento do ano. É importante mergulhar de cabeça no som para que se estabeleça uma conexão real com ele.

Pode haver quem diga que em algum instante chega a ser cansativo escutar um álbum com quase duas de duração, mas a experiência sensorial é única.

Além disso, é quase impossível mencionar os nomes de todos os colaboradores do disco já que um conjunto que utiliza piano, guitarras das mais diferentes formas e tamanhos, sinos, metais, sintetizadores, percussão variada e mais uma infinidade de penduricalhos com a finalidade de produzir sons esquisitos ou com alguma especificidade precisa de gente suficiente a essa altura.

Mas basta dizer que numa apresentação formal deles pelo menos Michael Gira, Norman Westberg, Kristof Hahn, Phil Puleo, Christopher Pravdica, Thor Harris e Bill Rieflin estão presentes.

Também podemos mencionar como curiosidade que em “When Will I Return” há a participação especial de Jennifer Gira no vocal numa faixa um pouco mais diferente do usual (se é que podemos chamar assim) da banda. Outra particularidade é que em “Cloud of Unknowing” ouvimos um solo improvisado de cello com a marca de Okkyung Lee.

Outra característica diferenciada em relação ao penúltimo disco é que este “The Glowing Man” parece ser conduzido com mais ferocidade. A própria faixa-título dá certa dimensão do que aqui é dito. Através de uma microfonia intensa e guitarras pesadas a música parece demonstrar uma catástrofe que se avizinha de quem a escuta. Um terremoto caótico!

Com uma intensidade na forma de tocar, na maneira de cantar e também no modo como se faz presente num evento ao vivo, este disco se torna um acontecimento único em 2016 e a existência do Swans no cenário alternativo da música contemporânea se torna uma demolição de conceitos pré-estabelecidos para quem faz música atual.

Assim sendo, através de apenas oito canções o grupo nova-iorquino consegue sintetizar toda a sua estrutura e tentativa de fazer oposição a tudo o que acontece ao seu redor. Uma experiência que parecia não ser mais possível em pleno 2016.

 


 

Swans – The Glowing Man

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1 – Cloud of Forgetting 12:43

2 – Cloud of Unknowing 25:12

3 – The World Looks Red / The World Looks Black 14:27

4 – People Like Us 04:32

5 – Frankie M 20:58

6 – When Will I Return 05:26

7 – The Glowing Man 28:50

8 – Finally, Peace 06:15


The Glowing Man

 

 


 

Os dez melhores álbuns do ano, segundo nossa humilde opinião

 

Final de ano é sempre assim. Pensamos muito sobre o que aconteceu nos últimos doze meses, mas muita coisa fica esquecida no meio do caminho.

Como já há uma tradição no mundo da música de se eleger os melhores álbuns e o nosso blog não foge a esta contenda os últimos dias foram de profunda reflexão e de realizar uma nota de corte para analisar quem é quem no ranking dos bambambãs de janeiro para cá.

Para que haja uma melhor compreensão do amigo leitor e para que ninguém fique ofendido com as escolhas algumas regras são divulgadas aqui sobre como foi caracterizada a ordem dos melhores álbuns:

  • Juro que fiquei tentado a escolher mais, mas como todos os anos a ideia é trazer dez álbuns o caso se repete neste ano também;
  • Só entraram na série álbuns novos e de um artista só. Sendo assim, pérolas, como a coletânea nova de David Bowie, ficam de fora e trilhas sonoras, como a do último filme da franquia “Jogos Vorazes”, também não entram na disputa;
  • Decidi fazer uma única lista, portanto aqui poderiam entrar álbuns tanto de fora como de dentro do Brasil;
  • Durante a semana farei posts individuais sobre cada um dos álbuns, portanto hoje é só haverá a informação do disco e algum comentário breve;
  • Para que haja um mínimo de suspense fiz a lista em ordem decrescente;

Sem mais delongas, aí vai a lista do Blog Outros Sons e sintam-se à vontade para discordar, concordar ou mandar a sua própria relação nos comentários. Vamos lá:

10º Lugar – Leonard Cohen – Popular Problems

 

Tudo bem, qualquer lista que se preze tem de ter o mestre Leonard Cohen. Sua importância para quem gosta de um belo trabalho vocal é algo único nas últimas décadas, mas neste caso não se inclui este senhor octogenário apenas por obrigação.

Seu disco “Popular Problems” é consistente, simples e direto. Não há pirotecnias sonoras e seu vocal é acompanhado apenas por uma orquestra bem aplicada e um coral feminino competente.

Além do mais, a voz do cantor canadense sobressai de forma limpa e profunda em faixas como “Slow”, “Almost Like the Blues”, “My Oh My” e a autobiográfica “Born in Chains”. Uma delícia de som.


9º Lugar – Mark Lanegan – Phanton Radio

 

O álbum de Lanegan entrou na lista nos acrescimos do Segundo tempo, mas faz sentido, pois demorei um pouco para escutar o disco tamanha proficuidade com que o ex-vocalista do Screaming Trees tem lançado suas obras.

Pode-se dizer que Lanegan também seja um precursor do trabalho vocálico de Cohen e é bem verdade que sua voz rouca tem melhorado com o tempo, mas neste “Phanton Radio” não é só a voz que empolga o ouvinte.

As composições são fortes, algumas bem pesadas, e o trabalho de sua banda de apoio é imprescindível para que o conjunto da obra tenha resultado impactante.

“Harvest Home” é a faixa que inicia essa viagem junto com o músico e nos remete a uma fase mais sombria e carregada do letrista Lanegan, enquanto que “Judgement Time” é mais tensa e “Floor of the Ocean” nos mostra um ambiente mais pop com a ajuda da backing vocal Shelley Brien.

Enfim, coisas maravilhosas como “I am the Wolf”, um folk bluseiro pesado, “Waltzing in Blue” e a derradeira “Death Trip to Tulsa” nos trazem um Mark Lanegan que mostra ter fôlego para ultrapassar barreiras dos anos e nos encantar com sua voz por muito tempo ainda.


8º Lugar – Parquet Courts – Sunbathing Animal

 

Muito se falou no Parquet Courts por aqui e por aí de um ano e meio para cá.

De banda do gueto nova iorquino a grupo participante dos maiores talk shows da noite americana os caras tiveram tempo de lançar esse disco sensacional chamado “Sunbathing Animal”.

O punk anárquico e despojado do primeiro álbum “What’s your Rupture?” agora é acompanhado também de letras mais originais e trabalho técnico mais exemplar.

Mesmo assim, a espontaneidade dos caras se mantém e faixas como “Black & White”, “What Color is Blood?”, “She’s Rolling” e Sunbathing Animal” nos fazem balançar a cabeça e ter vontade de assistir a show deles de qualquer maneira.


7º Lugar – Brody Dalle – Diploid Love

Não é de hoje que a senhora Josh Home prova que não é só um rostinho bonito por trás do maridão.

Aliás, Brody Dalle já tinha punch suficiente e único desde os seus grupos The Distillers e Spinnerette nos quais realizava um punk de qualidade e sem frescura. E isso bem antes do relacionamento com o líder do Queens of the Stone Age.

Com a introdução numa carreira solo, Brody trouxe a pegada que já possuía, chamou uma galera para ajuda-la na confecção do disco e de quebra conseguiu fazer um trabalho família.

Muitas das letras do álbum têm como temática sua relação com os filhos e nem por isso se tornou algo piegas. Só para provar isso, “Meet the Foetus/Oh the Joy” (com a participação de Shirley Manson do Garbage) é uma das melhores faixas lançadas neste ano.

E não fica só nisso: “Don’t Mess With Me”, “Rat Race” e “Parties For Prostitutes” são outras boas músicas que pegam o ouvinte de jeito e não o largam mais.


6º Lugar – Swans – To Be Kind

O que é uma apresentação ao vivo do Swans?

Pode-se responder a essa pergunta explicando que os caras elevam á enésima potência a força e a potência de sua música que fora gravada em estúdio.

Deste modo, podemos dizer que os álbuns do Swans são ruins então?

De maneira nenhuma!

É que o trabalho instrumental e experimental da turma de Michael Gira se torna muito mais libertador quando está em cima de um palco, mas nem por isso sua força é pequena quando a música é ouvida num disco deles.

O álbum “To Be Kind” tem apenas 10 músicas, mas possui mais de duas horas de duração. Um espetáculo sonoro que fica mais significativo se for ouvido de uma vez só como se fosse uma ópera.

Portanto, “Screen Shot”, “A Little God in my Hands”, “She Loves Us”, “Oxygen” e “To be Kind” são partes de um todo magnânimo que prova a competência instrumental de todos do grupo e sua necessidade de causar impacto a quem os ouve.


5º Lugar – Spoon – They Want My Soul

O Spoon já tem uma carreira consolidada, mas este “They Want my Soul” produz um salto qualitativo no trabalho da banda.

Depois de terem ficado quatro anos sem gravar nada novo os rapazes do Spoon se fixaram em novos horizontes para seu som.

No álbum deste ano as composições quase que em sua totalidade são de Britt Daniel e se tornam mais sólidas conforme você aperta o repeat do seu aparelho de som.

Deste modo, o trabalho se torna muito regular se ter muitos altos e baixos. As músicas são precisas e cativam o ouvinte pouco a pouco.

“Rent I Pay”, “Raini Taxi”, “Do You”, “Knock, Knock, Knock” e New York Kiss” são apenas alguns dos exemplos da sonoridade ora indie, ora folk que a banda mantém e que empolga pelo tom festivo com que as faixas são executadas.


4º Lugar – Interpol – El Pintor

 

Havia quem achasse que o Interpol tivesse uma queda de qualidade com a saída do baixista Carlos Dengler já que depois disso muita gente foi usada em seu posto, mas Paul Banks segurou bem a onda e nos presenteou com este ótimo “El Pintor”.

Se há novas direções no som da banda, com uma diminuição da altura com que são usadas as guitarras em algumas faixas em outras canções o sistema prossegue e faz a alegria dos fãs.

Além disso, o grupo também nos proporciona petardos como “All the Rage Back Home”, “My Blue Supreme” e “Twice as Hard”.

As letras também são ponto alto na qualidade das músicas e ótimos versos podem ser escutados em “My Desire” e Anywhere”, por exemplo.


3º Lugar – Phantogram – Voices

Quando o duo americano proveniente de Grenwich, Nova York, em 2009 com “Eyelid Movies” pouca gente prestou atenção, talvez pelo fato de que estava virando moda formar duplinhas de música eletrônica.

Mas com o lançamento, neste ano, de “Voices” a qualidade do vocal de Sarah Barthel e da técnica e variação rítmica de Josh Carter sobressaíram e o mundo pôde ver do que eles são capazes.

O título do álbum faz juz ao trabalho de Sarah. Ela pulveriza a concorrência com “Black Out Days”, Howlling at the Moon” e a belíssima “Bill Murray”,

Além disso, conseguimos ver o trabalho sonoro e instrumental em “Nothing But Trouble”, na ambiental “Never Going Home” e na pesada e bela “The Day I Died”.

E de quebra, eles provam ao vivo que sua música pode crescer mais ainda no futuro lançando mais peso às faixas que podem ser aproveitadas pelo ouvinte de maneira mais moderada no álbum sem que se perca a qualidade do resultado final.


2º Lugar – Temples – Sun Structures

Juro que fiquei na dúvida quanto à data de lançamento de “Sun Structures” e quase que essa preciosidade ficou de fora do top 10 do blog deste ano.

Mas ao conseguir visualizar que o trabalho da banda inglesa soltou em mercado restrito o seu disco de estreia em 5 de fevereiro deste ano um alívio pairou sobre minha alma.

O disco em questão é um dos mais ouvidos no meu carro desde então e a mania maluca desta banda achar que está nos psicodélicos anos 60 também é capturada pelo ouvinte que se acostumou a escutar Zombies, Beach Boys ou 13th Floor Elevators.

Dessa maneira, ter o prazer de ouvir “Shelter Song”, “Sun Structures” ou “Keep in the Dark” tem a capacidade de nos levar a uma viagem no tempo da música.

Mesmo assim, coisas bem misturadas e guitarras envolventes nos possibilitam dizer que o Temples consegue cativar o fã saudoso deste tipo de som e o ouvinte sedento por novidade.

Vide os casos de “Mesmerize”, “Clours to Life”, a hipnótica “Sand Dance” e “Fragment’s Light” que não transformam o disco em apenas uma ode ao passado.

Uma das melhores coisas que surgiram nos últimos anos.


1º Lugar – Warpaint – Warpaint

Essas meninas de Los Angeles já possuíam muita exposição no universo indie por conta de sua capacidade de experimentação em seu som nos discos anteriores (“Exquisite Corpse” e “The Fool”), mas é com seu terceiro álbum com o simples é direto título homônimo ao da banda que elas alcançam punch suficiente para sair das sombras do underground.

Além de escrever lindas letras como em “Son” e transformar uma simples peça introdutória (“Intro”) em uma viagem sonora de bateria e baixo, a banda consegue se dividir nas funções mais adequadas possíveis para cada integrante dependendo do que a música necessitar.

Os vocais de Emily Kokal e Thereza Wayman ganha a preciosa ajuda da carismática e linda Jenny Lee Lindberg (baixo) e da variedade entre contenção e explosão em determinados momentos da baterista Stella Mozgawa.

Essa força da voz feminina é presenciada desde “Keep it Healthy”, passa por umas das melhores letras dos últimos anos na direta e densa “Love is to Die” (Love is to die; love is not die; love is to dance), além de provocar novos sentimentos ao ouvir as lindas “Hi” e “Teese”.

O trabalho experimental continua com “Biggy”, “Disco/Very (que possui um vídeo que mostra todo o clima despojado das meninas) e “Go in”.

“Felling Alright”, “CC” e “Drive” seguram muito bem o clima denso e estilístico do álbum e transformam o processo todo numa experiência das mais agradáveis. Melhor coisa surgida no ano.